Guardas Municipais reclamam da falta de condições de trabalho

Em Curitiba, foram três trabalhadores assassinados de em quatro meses

19/10/09 às 00:00 - Atualizado às 10:06 Redação Bem Paraná

A terceira morte de guarda municipal de Curitiba, assassinado por motivos relacionados à atividade profissional, nos últimos quatro meses, levantou questões sobre as condições de trabalho desses trabalhadores que, no sábado, fizeram protesto na Boca Maldita. O medo e o descontentamento da categoria também foi tema da assembleia realizada sexta-feira no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc).

"Na minha rua todos sabem que eu sou guarda municipal. Eu sou um alvo para o bandido, o marginal. Eu trabalho 24 horas por dia, porque quando coloco o pé na rua, para ir ao trabalho, eu já estou trabalhando, estou fazendo um trabalho de proteção social, porque estou com a farda. Sem falar das ameaças de bandidos, com as quais temos que conviver todos os dias”, disse um guarda presente à assembleia. A categoria também reclama da baixa remuneração, do excesso de horas extras e plantões e da falta de capacitação e treinamento. 

Foram três mortes de guardas municipais em quatro meses O guarda municipal Aparecido José de Souza, 57 anos, foi executado dentro do Cmum da Vila Barigui, Cidade Industrial, no dia 24 de setembro. Os guardas Mauro César Carvalho e Renato César Rodrigues do Nascimento foram assassinados em junho e julho, respectivamente. O primeiro morreu no cumprimento do serviço e o segundo foi assassinado em casa com suspeitas de represálias pela atividade profissional.

Na  regional do CIC, um dos locais mais perigosos, onde o guarda Aparecido José de Souza recentemente foi assassinado, houve uma reunião convocada pelo Sismuc com representantes da guarda e da polícia militar, na semana passada. O objetivo era resolver o problema emergencial de servidores que estão sendo ameaçados por bandidos. Por isso, solicitou-se que a PM intensifique as rondas na região e que os assassinos sejam presos.


"O argumento utilizado pela administração municipal e pela PM para se desresponsabilizar de um problema grave que tem custado a vida de trabalhadores é que os guardas municipais mortos erraram no procedimento", diz nota emitida pelo Sismuc.  
 

 O Sismuc vem realizando reuniões, a partir do coletivo dos guardas municipais, para debate do plano de cargos, carreiras e salários próprio para esses profissionais. A proposta vem sendo elaborada com o intuito de apresentá-la à secretaria de defesa social, conforme definido em mesa de negociação. Questões salariais, condições de trabalho, atribuições da profissão, entre outros fazem parte da pauta. A próxima reunião ocorre no dia 28 de outubro, às 19 horas, no Sismuc.

Mais trabalho — O número de ocorrências atendidas pela Guarda Municipal de Curitiba cresceu 677% de 2004 até 2008, de acordo com levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Defesa Social a pedido do Jornal do Estado em julho deste ano. Em 2004, foram atendidas 3.801 ocorrências, contra 25.750 no ano passado. Esse crescimento é decorrente de uma mudança no perfil de atuação da guarda nos últimos anos. Se antes eles ficavam fixos cuidando dos prédios e equipamentos públicos, agora a ação é mais ágil e móvel, o que expandiu sua área de abrangência.

 

2 Comentários

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neiva
é gritante o desreipeito com os guardas Municipais em Curitiba, eu não quero me indentificar, e moro a 200 km da capital, mas vejo na internet, a injustiça que estão fazendo com os trabalhadores, que são trabalhadores de um emprego para ganhar a vida como qualquer outro, é preciso que as autoridades e os politicos tomem conhecimento e dê mais segurança aos pais de familias que são os guardas. O nosso Brasil é tão belo, porque tantas tristezas quando vemos os jornais? afinal este não é um país de calma,sem guerra? parem e pensem um pouco na tristeza e na falta de um pai de familia que perdeu a vida cuidando do seu emprego que é tão cobrado.
silva
O descaso não é apenas por parte da prefeitura em si, mas sim também pelas chefias de núcleos ( Pessoas escolhidas a dedo pela politicagem para receber salários de mais de r$5.000,00 para servir de chefe para os servidores) "chefes" estes que não fazem nada pela vida dos trabalhadores, e quando o Guarda Morre são os primeiros a dizer: A culpa é do morto, não trabalhou direito! É sempre culpa do morto, claro, morto num fala não é! A culpa mesmo é destes canalhas que servem de Diretor e Secretário da Guarda municipal de Curitiba que deixam os trabalhadores sem armamento e sem treinamento a muitos e muitos anos, querem saber a verdade, vão até os Guardas e perguntem quanto tempo faz que receberam o ultimo treinamento? Desde que foi criada em 1986 nunca mais receberam treinamentos, e os últimos Guardas que entraram no concurso de 2003 estão até hoje sem treinamentos, fora o descaso com a excessiva carga horária de 11 horas para quem trabalha durante o dia e 13 horas para quem trabalha a noite, ou seja, de 3 a 5 horas a mais que os demais trabalhadores da prefeitura, e ainda vem a prefeitura e o Secretário dizer que quando o Guarda morre é culpa dele?! A culpa é desta administração caótica que para não perder o dinheiro da Função Gratificada faz vista grossa para os diversos problemas que se tem hoje na Guarda Municipal de Curitiba!!! O Secretário nunca gosta quando falamos destes problemas para a mídia, pois é claro, mostra a todos a sua falta de competência para gerencias uma corporação que ele mesmo não gosta, sim, pois sempre foi Militar e não gosta do modo civil como trabalhamos!!! Espero que vocês corram atras desta noticia que se bem aprofundada vai render muita repercussão a quem mostrar!!! Abraço e sucesso a todos!!!
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