A Jordânia é o destino turístico do momento

08/03/10 às 00:00 - Atualizado às 19:57 Dayse Regina Ferreira
Em pleno deserto de Wadi Rum, acampamento de tendas formadas por tapetes (foto: Dayse Regina Ferreira)
Em 17 de março o presidente Lula estará na Jordânia. Mais um motivo para que os brasileiros conheçam um pouco mais do   país de nove mil anos de história. Pequeno
em território, com apenas 6 milhões de habitantes, o país do antigo reino dos nabateus em Petra,  em 2008 recebeu 3.728.724 visitantes , responsáveis pelo ingresso de 2.91 bilhões de dólares, o que representa 14% da economia local.

PAÍS JOVEM
A moderna Jordânia foi estabelecida pela Família Real Hashemita em 1921, mas a história da família tem origens em passado remoto. A dinastia árabe cujas raízes
originais foram formadas com alianças tribais e lealdades consangüíneas na região de Hijaz , Arábia, ao longo do Mar Vermelho, é considerada como descendente direta do Profeta Maomé. O atual rei, Abdullah II é a 43ª. geração descendente do Profeta.

O termo Hashemita deriva de Hashem, nome do bisavô do Profeta Maomé. A descendência  do Profeta é através de sua filha Fátima e do marido Ali Bin Abi Talib que era primo de Maomé por parte de pai e quarto califa do Islã. Ali e Fátima tiveram dois filhos: Al-Hassan e Al-Hussein. Os descendentes de Hassan ficaram conhecidos como Sharifs (nobres), enquanto os descendentes de Hussein eram chamados Sayyids (lordes ). Os Hashemitas são da linhagem Sharifian. Muitas famílias Sharifian  governaram a região de Hijaz, na Arábia oriental, entre 967 e 1201 CE.

Os Hashemitas governaram a cidade sagrada de Meca de 1201 CE até 1925 CE, embora tenham reconhecido a soberania do sultão otomano em 1517. O bisavô do rei Hussein, Al-Hussein Bin Ali, sherife de Meca, liderou a Grande Revolta Árabe em 1916, que culminou com a liberação das terras árabes do jugo otomano da Turquia.

Depois de libertar as terras da Jordânia, Líbano, Palestina, Iraque, Síria e Hijaz, o filho do sherife Hussein, Abdullah, fundou o emirado da Transjordânia em 11 de abril de 1921. Durante os trinta anos de reinado, o rei Abdullah I forjou uma durável e viável sociedade, deixando para o passado o período tribal e nômade. Desenvolvendo as fundações institucionais da moderna Jordânia, estabeleceu a legitimidade democrática ao promulgar a primeira Lei Orgânica em 1928, base da atual Constituição, realizando eleições e a primeira assembléia em 1929. Enquanto guiava o desenvolvimento da Jordânia, o rei Abdullah I negociou uma série de tratados com os britânicos, conseguindo assim mais liberdade para o país. A Jordânia conseguiu sua independência da Inglaterra em 25 de maio de 1946, tornando-se então o Reino Hashemita da Jordânia. Depois de defender o leste árabe de Jerusalém e o West Bank durante a guerra árabe-israelita de 1948, o rei Abdullah I viajou regularmente para a mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém para participar das rezas de sextas feiras.Em 20 de julho de 1951 o rei Abdullah I foi assassinado por um atirador solitário enquanto fazia suas preces junto do neto Hussein, que foi salvo do tiroteiro porque uma bala ricocheteou em uma medalha que seu avô havia dado recentemente.

Depois da morte do rei, assumiu o trono seu filho mais velho, Talal, por um breve período. Por motivo de saúde, Talal abdicou em favor de seu filho mais velho, Hussein, proclamado rei em 1952 mas proclamado rei em 11 de agosto de 1953, quando completou 18 anos, seguindo o calendário muçulmano. Seu reinado foi longo e marcado por  tratados importantes. Ao morrer em 7 de fevereiro de 1999, assumiu o rei Abdullah II, filho mais velho de Hussein. Durante seu reinado, a Jordânia foi admitida na World Trade Organization, ratificou acordos com a Área de Livre Comércio com os Estados Unidos, União Européia , países da European Free Trade Association e mais 16 países árabes. Está tornando a Jordânia o país mais progressivo do Oriente Médio, atuando diretamente na vida sócio econômica do país e na vida política. Em novembro de 2008 o rei da Jordânia esteve no Brasil acompanhado da rainha Rania. Visita que agora o presidente Lula vai retribuir nos próximos dias, assinando novos acordos e convênios.

JORDANIA – OS FATOS
A Jordânia continua sendo um oásis de paz e segurança em meio ‘a uma região conturbada por guerras e atentados. Estrategicamente situada no Oriente Médio, faz fronteira com a Arábia Saudita, Iraque, Síria, Israel e Faixa de Gaza, além de um pedaço do Golfo de Aqaba.Sua localização na parte oriental da Península árabe sempre levou o homem, desde os primórdios da civilização, a ocupar suas terras. Inúmeros remanescentes de eras passadas estão espalhados por toda a Jordânia de hoje, convivendo com a estrutura urbana e ocupando partes da área rural e da área natural. Uma história fascinante e uma paisagem de belezas múltiplas fazem do país um destino completo para uma viagem inesquecível. A proverbial hospitalidade árabe, a honestidade do beduíno e a generosidade do povo transformam uma estada nas terras do rei Abdullah II em momentos de boa acolhida e enriquecimento pessoal.

PROGRESSO RÁPIDO
Se em  1909 a capital, Amã, tinha apenas barracas de nômades junto ao teatro romano no centro da cidade, e a região era governada por um Muktar (espécie de prefeito), hoje o país  experimenta um rápido crescimento que leva ‘a modernidade.  O setor de turismo tem um potencial que leva o visitante ‘a descobertas arqueológicas através de várias eras, desde a pré-história até os templos bíblicos e romanos, até sítios naturais de rara beleza, praticamente intocados, e desertos cheiros de memórias. A área total da Jordânia é de 92.300 quilômetros quadrados, sendo 91.971 de terras e 329 quilômetros quadrados de água. A costa tem 26 quilômetros. O clima varia conforme as regiões, embora a maioria do país seja dominada pelo clima árido do deserto. No leste, norte e oeste, o clima é mediterrâneo. As chuvas são poucas e a neve cai ocasionalmente, principalmente nas montanhas do norte.Céu azul e claro é comum e várias partes do país têm o sol brilhando durante o ano todo. Há florestas de pinheiros no norte, vales no oeste, deserto de basalto  no leste e areias rosadas no sul. Poucas horas de carro desvendam todas essas maravilhas. O Vale do Rift se estende ao longo da parte oeste, separando os dois lados do rio Jordão. O ponto mais baixo do planeta é o Mar Morto, com mais de  400 metros abaixo do nível do mar. O ponto mais elevado é o Jabal Rum, com picos acima de 1.734 metros. Em recenseamento de julho de 2007 a população era de 6.053.193 habitantes. O grupo étnico é formado por 98% de árabes, 1% de circassianos e 1% de armênios. O grupo religioso conta com 92% de muçulmanos sunitas , 6% de cristãos, a maioria de ortodoxos e 2% de pequenos grupos Shi’a muçulmanos e populações drusas. O árabe é língua oficial, embora o inglês seja bastante difundido, principalmente em comércio e hotelaria.

ECONOMIA
A economia da Jordânia é baseada fosfato, potásio e  produtos agrícolas (tomates, cítricos, azeitonas, carne de carneiro, frutas secas, laticínios). As principais industrias incluem manufatura de roupas, mineração de fosfato, fertilizantes, produtos farmacêuticos, refino de petróleo, cimento, química inorgânica, turismo (14% da economia). Os parceiros comerciais são os Estados Unidos (25%), Iraque (17%), Índia (8,1%), Arábia Saudita (5,8%), Síria (4,7%). A moeda é o dinar, que vale 25% a mais do que o dólar, por causa de acordos políticos entre os governos da Jordânia e dos Estados Unidos. Com a recente descoberta de urânio na superfície da terra, em média de 400 partes por milhão ou gramas de urânio por tonelada, a Jordânia vai ter que cuidar muito bem da fronteira com seu vizinho mais ávido, o mesmo que deixou para a Palestina apenas 14% do território original do povo invadido. A Jordânia pretende começar a exploração das suas 140 mil toneladas de urânio , a maioria delas a apenas 1.5 metros abaixo da superfície, a partir de 2012. Estudos de hidrologia estão sendo feitos em conjunto com o Jordan Atomic Energy Commission para determinar meios de garantir água para as atividades de mineração. A França já se candidatou a construir o primeiro reator nuclear da Jordânia, o Generation III, perto de Aqaba, já que detêm conhecimento, gerando 80% da sua eletricidade através do poder nuclear. Em colaboração com a França e outras instituições internacionais, o Jordan University of Science and Technology vai desenvolver cursos para atrair estudantes e profissionais de toda a região, além de encorajar projetos de multinacionais do setor.

BANDEIRA
A bandeira do Reino Hashemita da Jordânia simboliza as raízes do país com a Grande Revolta Árabe de 1916, sendo uma adaptação da bandeira do movimento separatista. Consiste em três listras – preto,branco e verde -  junto a uma triângulo vermelho com uma estrela de sete pontas no centro do triângulo. A faixa preta representa a dinastia Abaside, a branca a dinastia Umaiade e a verde a dinastia Fatimida. O triângulo vermelho junta as faixas e representa a dinastia Hashemita. As sete pontas da estrela correspondem aos sete versos da Surat Al-Fatiha, primeiro sura do  Alcorão Sagrado: fé em um só Deus; humanidade; espírito nacional; humildade; justiça social; virtude e aspirações.

FOTOS
Veja no álbum de fotos o contraste entre a Amã  do passado e a que está surgindo agora
, com os novos projetos de  modernização do centro da capital jordaniana. Veja também  como era  sua majestade o Rei Abdullah I , fundador do Emirado da Transjordânia,o luxo dos  hotéis, as belezas de Petra, Little Petra e do Mar Morto.

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