“Sustentabilidade e/ou Transdisciplinatidade”

22/06/10 às 00:00 nikp@uol.com.br
Obra de Geraldo Zamproni (foto: Divulgação/MAC/PR)

Abre, às 18h30 desta quinta feira, 24 de junho, no Museu de Arte Contemporânea do Paraná a exposição de Geraldo Zamproni intitulada “Sustentabilidade e/ou Transdisciplinatidade”.
O que parece ser um simples pilar de concreto é, na verdade, uma obra do artista em que se nota um brilho metálico envolvendo as junções entre os módulos. Dentre mil maneiras possíveis para juntar peças de concreto que pedem uma solução à engenharia, o artista escolheu justamente um zíper! É neste ponto que se mostra a complexidade da sua linguagem artística, mais precisamente a metáfora de materiais que o artista emprega, em que o pilar é uma peça feita de poliuretano e o zíper é o mesmo usado na confecção de roupas.                 
Zamproni é arquiteto de formação, porém seguiu o caminho das artes visuais, revelando-se um excelente artista. Participando de muitos salões e recebendo prêmios, ele vem conquistando seu lugar entre os mais criativos artistas do Brasil.
São notáveis o seu empenho e sua dedicação na elaboração de cada obra de arte que sai de suas mãos. Unindo a parte técnica de projeto proveniente da arquitetura à sua extrema inventividade, o artista faz uso de um instrumental raramente encontrado entre as artes visuais brasileiras. Pois, é ele mesmo quem fabrica – por assim dizer – cada peça empregando materiais diversos e técnicas que inventa para executar suas obras de arte previamente elaboradas em projeto.
Geraldo transita com facilidade entre diferentes universos do conhecimento, do aprofundamento na pesquisa e na história da arte, que resultam em seu “weltanschauung”, traduzido do alemão como concepção e/ou filosofia de vida. No sentido prático, ele é um artista habilidoso que gosta do fazer e de manipular suas obras de arte até que elas atinjam o estágio final de apresentação ao público.
Ele inova, e não somente em suas criações, pois além de extremamente criativo também é inventor. E não emprega mão de obra alheia, como fazem outros artistas quando encomendam peças levados pela facilidade dos objetos prontos.
 A partir da sua concepção mental, a obra é realizada por ele mesmo até o último toque ou pincelada de tinta. Isso implica na procura dos materiais próprios para a execução da idéia e na resolução de problemas que vão se revelando à medida que o trabalho vai sendo executado, uma vez que sua arte se caracteriza pela individualidade. Cada obra que sai de sua imaginação representa e se apresenta como um desafio a ser vencido por ele na passagem da idéia para a realidade.
Para Zamproni, os trabalhos mentais da criação e da resolução da obra têm que ser materializados, pois se ela se resume aos esboços e projeto, a obra de arte acabaria por ser finalizada no desenho e não na tridimensionalidade e, consequentemente, não haveria razão de construí-la.  
O artista possui qualidades específicas que o ajudam em sua arte: aquela procura pelo saber, aquela ansiedade para aprender, o olhar para o desconhecido e a ousadia para encontrar soluções.
O artista trabalha de maneira conceitual, lidando com materiais diversos que se mostram complexos em sua preparação. O seu processo criativo se dá pela procura e conseqüente uso de materiais que possam ser utilizados para reproduzir de maneira intencionalmente alterada muitos dos objetos do cotidiano. Sempre atuando na tridimensionalidade, o artista subverte estes mesmos objetos de maneiras tão sutis e diferentes, que eles – além de penetrarem no universo artístico – passam a surpreender ao se apresentarem como incógnitas.
Outras vezes, suas obras são elaboradas em escala gigantesca, construídas de materiais inesperados, ou são cópias perfeitas de equipamentos, agindo como se fossem “erzatz” ou substitutos do real. Assim, em paralelo ao aspecto “clean” dos objetos criados, o artista insere – aqui e ali – o que parecem ser toques de humor. Em outras palavras, Zamproni enuncia um trocadilho ou chiste em suas obras.
É o que acontece nos trabalhos agora expostos na Sala Theodoro De Bona, em que o artista parodia pilares e escada na ambigüidade do “ser ou não ser”. Este tipo de deslocamento brinca com a percepção alheia e alcança um ponto de equilíbrio entre a aparente solidez de suas construções geométricas e a inserção lúdica de conteúdos estranhos em suas obras de arte.
(MAC/PR - Rua Des. Westphalen 16. Informações fone - 41 3323-5328). 

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