A confecção da lista de candidatos

15/09/10 às 23:30 Prof J. Vasconcelos

Na Democracia Representativa, a lista dos candidatos aos parlamentos é preparada pelos partidos políticos. Essas agremiações adotam como critérios: lideranças sindicais, lideranças religiosas, indivíduos com destaque na mídia e elementos que possam dispender recursos econômicos na campanha e no partido.

Preenchendo esses requisitos, qualquer coisa é válida e não são mais exigidos outros atributos, como: honestidade, capacidade, humanitarismo, trabalhos intelectuais e de pesquisas, idealismo, etc.

De sorte que, não importa que entre os candidatos possam surgir personalidades bizarras ou nocivas à sociedade. O que os qualificou foram as condições de atração de eleitores aos seus nomes. Assim, temos: Tiririca, Boca Nervosa, Mulher Pera, Tati Quebra-Barraco e outros que se apresentam em situação hilariante ou de deboche aos próprios eleitores.

Todavia, colocando de lado esses personagens excêntricos, verifica-se que a concentração de candidatos fica restrita a jogadores de futebol, personagens conhecidas da televisão, cantores, comediantes e músicos populares e pregadores impetuosos de crenças religiosas.
A um espectador desavisado, pode até parecer democrático, porquanto entre estes indivíduos constam muitos ex-favelados e pessoas vindas da pobreza. Mas vale uma correção: não se tratam, de forma alguma, de cidadãos comuns, pois estão nos degraus da fama e da riqueza. Podem ter nascidos pobres, porém hoje representam pessoas acima dos demais, com privilégios e recursos. Não raciocinam como aqueles que enfrentam a costumeira burocracia dos serviços públicos, o sofrimento dos transportes e do trânsito, as necessidades da saúde e da segurança, os arrochos fiscais ou a escassez dos rendimentos. Ou seja, aquele pobre ou favelado que tem grandes qualidades e inteligência, mas que não se integra no quadro exigido pelos partidos políticos está nesse caso excluído.

De fato, à primeira vista, constata-se que os cidadãos comuns são excluídos da lista de candidatos. Professores, cientistas, pesquisadores, estudiosos, publicitários, médicos, advogados, engenheiros, operários e camponeses, que não dispõem de grandes recursos econômicos e de fama, são totalmente eliminados; e geralmente indivíduos dedicados aos estudos e pesquisas não têm tempo nem carisma para aparecer nas massas populares.

Logicamente a seleção de candidatos tende a cair em pessoas despreparadas, com pouco estudo e sofrível leitura. Não é certamente uma boa, sabendo-se que os candidatos eleitos irão discutir assuntos demasiadamente complexos que estabelecerão os destinos de gerações numa sociedade. Essas figuras enfrentarão decisões de profunda natureza filosófica e cientifica. Resolverão sobre a natureza, o ambiente, os recursos naturais, a direção da nação, do planeta, sobre a população e o seu crescimento, família, enfim, sobre tudo.

Além dessa forma antidemocrática e primitiva de seleção dos candidatos, ainda vale saber sobre o processo interno realizado nos partidos políticos, o qual acelera mais ainda o ritmo antidemocrático. Nos partidos, apenas poucos decidem sobre as listas, talvez uma meia dúzia; em alguns casos a decisão é somente de um indivíduo, o marechal da legenda. Os filiados apenas convalidam as listas manipuladas pelos chefões dessas organizações.

Em palavras finais, aos eleitores são empurradas listas já previamente preparadas por uma ínfima minoria, atendendo especificadamente interesses políticos dos dirigentes partidários e sobre nomes de gente na expectativa de poderem proporcionar objetivos de marketing eleitoral ou de benefícios financeiros aos respectivos partidos políticos.

Estão absolutamente excluídos milhões de cidadãos, mesmo que estes possam ter os mais relevantes atributos para o desempenho dos cargos parlamentares. Milhões, portanto, jamais podem pleitear tais candidaturas.

Isto, por conseguinte, não é democracia, mas uma simples oligarquia moderada, que tende ao primitivismo e regresso intelectual. Esta é a razão da doutrina da Democracia Pura não ter listas de candidatos, nem partidos políticos e tão pouco eleições primitivas.

O pleito de cargos em comitês e conselhos da sociedade é oferecido pela democracia pura a todos os cidadãos comuns. Estes podem se candidatar livremente sem passar pelo crivo de chefias partidárias. Basta acionar a Internet se auto-registrando na Central Programada.
Eleitor: não desperdice seu voto. A participação popular está diretamente ligada a atitude de cidadania e interesses da comunidade.

Prof J. Vasconcelos é advogado e autor do livro “Democracia Pura” (Ed Nobel) - www.democraciapura.com.br





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