10º

Totalmente Inocente estreia no cinema

Filme nacional é uma aposta inusitada e tem desde já fãs e críticos

07/09/12 às 00:09

Ele parece ter bem menos do que seus 33 anos. Mas não se iluda com a aparência — embora jovem, Rodrigo Bittencourt já tem quilometragem em várias mídias. Tem livros publicados, é cantor e compositor — com músicas gravadas por Ana Carolina e Maria Rita — e, agora cineasta, estreia no longa com “Totalmente Inocentes”, que chega hoje às salas. Rodrigo estreia fazendo história. Seu filme, em mais de cem cinemas, será o primeiro lançamento brasileiro integralmente em digital.
Totalmente Inocentes não se assemelha a nada que o espectador brasileiro esteja vendo atualmente na produção do País”, avalia Marisa. O filme começa de uma forma que provoca estranhamento — um colorido berrante, um tom esquisito. Natural, pois se trata de uma sequência de sonho. Os protagonistas são três garotos da favela, interpretados por Lucas de Jesus, Gleison Silva e Carlos Evandro. O galã, o palhaço e o nerd.
Eles se envolvem na disputa pelo poder na favela, quando Fábio Porchat, cujo personagem se chama justamente Do Morro, destitui a Diaba Loira (Kiko Mascarenhas). No fundo, só o que Lucas, o Fê, deseja é impressionar Mariana Rios, que também é o objeto de desejo de Do Morro. Por ela, o garoto até pensa em virar bandido, mas não é o que a atrai?
A pergunta que não quer calar — Rodrigo Bittencourt é petista? Seu filme tem a cara desse novo Brasil que acredita. “Quando garoto, em Bangu, eu arrancava os cartazes do Collor, naquela disputa com o Lula.” Ele é ‘godardiano’? “Meu (Jean-Luc) Godard favorito é Acossado, por causa do roteiro de François Truffaut.” Só que o filme dele lembra mais “Uma Mulher É Uma Mulher” — pela cor e pela liberdade de tom. Parece um musical sem canto nem dança. O importante é que você não precisa se ligar necessariamente nisso para curtir a paródia.
A Diaba Loira é uma reminiscência de “A Rainha Diaba”, de Antônio Carlos Fontoura. Leandro Firmino e Fábio Lago, o Zé Pequeno de “Cidade de Deus” e o Baiano de “Tropa de Elite” (de José Padilha), passam para o outro lado da lei e formam dupla de policiais atrapalhados. “Sempre sonhei em fazer um policial”, revela Firmino.
Quando Lucas e Gleison ensaiam para entrar no crime, a primeira lição é o roubo da galinha — e a cena remete a um momento clássico de “City of God”. Deitado no sofá — divã? —, Do Morro faz uma psicanálise elementar. Branquelo, é o oposto dos bandidos da ficção. Faz mais o gênero Hamlet, com o pé na Dinamarca.
Do Morro era para ser Pedro Cardoso, e Fábio Porchat, que ficou com o papel, diz que acrescentou um toque ‘Agostinho’ (de “A Grande Família”) na cena da feijoada, como homenagem. Que filme é esse? “É um filme para adolescente, com a pegada do YouTube, do Twitter, dessa galera, geração internet, que também é a nossa”, resume o diretor.
A questão é, “Totalmente Inocentes” vai levar público às salas? Num ano que não está sendo bom para o cinema brasileiro, se não for, você estará se arriscando a perder o final impactante. Quer saber? Corra aos cinemas.

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