Dicas de como escolher os seus vinhos

02/08/13 às 00:00 Por Tháys Ferrão - thaysbemparana@gmail.com

Eu diria que a maneira mais fácil de adquirir uma garrafa de vinho para o jantar ou reunião de final de semana é repetir o vinho que você já conhece, esse você sabe que gostou e provavelmente irá bem com o cardápio que você escolheu.

Mas, diante de uma prateleira de loja ou supermercado você vai deparar com muitos rótulos diferentes, uvas diferentes, combinações diversas de aromas e sabores e aí vem o desafio, se permitir a provar algo que te surpreenda e mostre outras sensações.

Se você gosta de um vinho da uva Cabernet Sauvignon, por exemplo, e os que você já conhece são do Brasil, faça uma compra da mesma uva só que de país diferente como Chile, Estados Unidos, Austrália e quem sabe França. Todos os vinhos são únicos, vieram de lugares mais diversos pelo mundo, por mais que a uva seja a mesma ele foi elaborado de um modo diferente e seus sabores são definitivamente distintos entre si.

A escolha pode também se dar por países ou regiões ao invés de uvas.  Pense por exemplo em um país do Velho Mundo* como Espanha, nas regiões tradicionais de Rioja ou Ribera del Duero ou ainda na moderna região do  Priorato.

Onde comprar?
Em supermercado você fica mais a vontade, pois na maioria deles não oferece profissional especializado e é fácil encontrar um rótulo que se ajuste ao seu bolso. Mas a recomendação é, deixe para comprar algo mais simples como Vinhos do Novo Mundo* que são os que têm uma venda mais comercial e giro rápido.

Nas lojas especializadas é totalmente diferente. Na maioria delas os colaboradores são bastante experientes, alguns com curso especializado e ainda já degustaram a maior parte dos vinhos existentes, tem mais conhecimento dos seus produtos. Seu trabalho não é oferecer o vinho mais caro e sim vender o vinho certo para o cliente, acreditando que ele vá confiar em sua indicação, vai gostar do vinho e vai voltar. Ainda existem vinhos abertos para a degustação com isso você já pode provar, gostar daquele que está ali e levar para sua casa.

Em restaurantes vocês vão ter ajuda especializada também, do profissional Sommelier, que hoje já é uma figura presente. Ele conhece o cardápio, conhece a carta e pode te oferecer uma super Harmonização, uma noite com sensações gustativas perfeitas.

Rolhas ou tampa rosca?
É mito você pensar que um vinho com rolha sintética ou tampa rosca seja de má qualidade. No final do século XX, a demanda por rolhas havia aumentado tanto que houve uma crise de oferta. O Sobreiro (árvore que se extrai a cortiça) leva de 9 a 10 anos para que se possa extrair novamente uma camada de 3 a 4 centimetros.  E a rolha é um dois itens mais caros de uma garrafa de vinho de qualidade, por isso essa “substituição”.  Os países que mais utilizam esse tipo de “rolha” sintética ou tampa rosca são os do Novo Mundo, pois são vinhos extremamente jovens que não exigem envelhecimento. Esses podem ser guardados de pé, os de rolha de cortiça, esses sim devem ser conservados deitado.

O vinho pode ser guardado?
Depende.  95% dos vinhos elaborados no mundo hoje são para consumo imediato, os que chamamos de vinhos jovens. Seus frescos sabores frutados estão presentes, à espera de serem apreciados.

Alguns vinhos, particularmente os tintos, realmente necessitam de algum tempo para se desenvolver e envelhecer, mas o difícil é descobrir quais são eles. A maneira de identifica-los é perguntar ao vendedor. Se não, use esta regra.

Preço dos vinhos
Os vinhos mais baratos não costumam evoluir muito com o tempo, embora sua conservação por aproximadamente um ano não lhes traga nenhum prejuízo.

Vinhos de preço intermediário: provavelmente desenvolvem sabores mais interessantes com um pequeno envelhecimento, em torno de dois a cinco anos. Ex: para os brancos compre até três anos para trás (2010) os tintos até cinco anos (2008).

Vinhos de valor agregado, os  chamados mais caros: esses normalmente podemos guardar até uma década, mas saiba aonde buscar esse tipo de vinho. Qual tipo de uva? Qual país escolher? Esse tipo de vinho precisa em sua composição, mais álcool, mais tanino, mais acidez consequentemente um vinho mais estruturado. Exemplo de algumas uvas: Nebbiolo (Itália), Cabernet Sauvignon (França), Tannat (Uruguai), Shiraz (Austrália).

Saúde!
*Velho Mundo — Refere-se aos países onde o vinho surgiu pela primeira vez, sendo eles principalmente países europeus . Baseiam-se muito no chamado “terroir”, que é toda a combinação entre solo, clima, região, quantidade de sol ou de chuva que incide sobre o local onde a videira está plantada, ou seja, é tudo o que contribui para o “sentido de um lugar”. Alguns países do VM: França, Itália, Grécia, Alemanha, Hungria, Portugal.
*Novo Mundo — Produzem qualquer tipo de vinho, devido a alta tecnologia. E, por não terem este conceito de “terroir”, preferiram rotular seus vinhos com o nome da variedade da uva que representa o vinho. O que torna o entendimento do vinho muito mais fácil para nós, que não conhecemos tanto as regiões do mundo. Alguns países do NM: Brasil, Nova Zelândia, Chile, Argentina, Uruguai.

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