Concessionária contesta estudo sobre contaminação da água em Itu

12/11/14 às 21:12 Folhapress
LUCAS SAMPAIO CAMPINAS, SP - A Águas de Itu, concessionária de saneamento da cidade localizada a 101 km da capital paulista, contestou nesta quarta-feira (12) a análise da ONG Caminho das Águas de que a água distribuída em áreas públicas do município é imprópria para o consumo. A empresa também informou que vai começar nesta semana a retirar alguns desses reservatórios, usados emergencialmente no abastecimento dos 165 mil habitantes da cidade. A justificativa é que as chuvas permitiram a recuperação parcial dos mananciais da cidade. Não foi informado, no entanto, quantas nem quais caixas d'água gigantes serão retiradas, apenas que a desativação desses reservatórios será gradual. Nesta segunda (11), a Folha de S.Paulo publicou reportagem sobre um estudo da ONG Caminho das Águas e do Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio) que concluiu que amostras de água colhidas em cinco pontos da cidade, no fim de outubro, estavam contaminadas com coliformes totais (resultante de decomposição de matéria orgânica), coliformes fecais (resultante de fezes de animais) e bactérias resistentes à temperatura. Em nota, a concessionária contestou o resultado. "A concessionária reafirma que a água tem sua potabilidade atestada por análises feitas adequadamente e que seguem parâmetros estabelecidos pelos órgãos competentes", informou a empresa. "A água disponibilizada nos reservatórios citados e em todos os demais instalados na cidade é permanentemente analisada nos seus laboratórios e de terceiros acreditados pelo Inmetro e as análises fiscalizadas pela agência reguladora [municipal]." Carlos Diego de Souza Rodrigues, diretor da ONG, afirma que o intuito do estudo não era fazer um laudo da qualidade do tratamento da concessionária, mas sim analisar a água coletada pelos ituanos nos reservatórios. "Nós não estamos acusando a concessionária, mas a portaria 2.914 diz que é para ter zero de coliformes fecais na água, e no estudo nós encontramos. Não estamos fazendo laudo. Nosso relatório é claro." O diretor ressalta que o intuito é desenvolver um kit para análise de água, com custo de R$ 25, que será distribuído gratuitamente à população ao final do estudo. Enquanto isso, ele recomenda a adição de duas gotas de água sanitária sem alvejante por litro de água, ou a fervura por cinco a dez minutos. "Há uma nítida separação entre a água que sai da concessionária e a nossa amostra. Nós simulamos a coleta de uma pessoa normal. É essa a água que estamos analisando", diz Rodrigues. "Mantemos que a água que coletamos em 29 de outubro, do ponto de vista do usuário, tem contaminação."
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