CPI da Receita

11/03/15 às 00:00

A bancada de oposição na Assembleia Legislativa anunciou ontem a intenção de pedir a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a existência de um suposto esquema de cobrança de propina de empresas devedoras de impostos por parte de fiscais da Receita Estadual. Na semana passada, uma operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu 50 pessoas que estariam envolvidas no esquema, que teria como base a Receita Estadual em Londrina. A descoberta do caso teria como origem outra investigação, sobre uma rede de exploração sexual de menores comandada por servidores públicos. O deputado estadual Maurício Requião Filho (PMDB) destacou que o caso envolveria funcionários graduados da Receita, e citou declaração do ex-secretário da Fazenda, deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), na qual ele teria alegado que montou “a equipe mais técnica possível”, mas que essa “parte técnica teve que conviver com a política”. Segundo o parlamentar, a CPI serviria para que o governo explicasse quem comandava essa parte “política” da Receita, e com que objetivos.

Factóide
O líder do governo na Assembleia, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), classificou o pedido de CPI de “factóide” e alegou que o caso já está sob investigação do Ministério Público. Sobre as declarações de Hauly seria algum tipo de “fofoca” ou “mal entendido”. Romanelli ainda alfinetou Hauly indiretamente, ao dizer que foi secretário de Estado por três vezes. “Como secretário, sempre respondi pelos meus atos. Quem é gestor de uma área tem que ter controle dessa área”, avaliou. Para que a CPI seja instalada é preciso o apoio de pelo menos 18 deputados. A oposição, porém, só tem seis parlamentares na Assembleia atualmente.

Avaliação
Levantamento da Paraná Pesquisas publicado hoje pela Gazeta do Povo aponta que o prefeito Gustavo Fruet (PDT) é desaprovado por 65% dos eleitores de Curitiba, contra 30% que o aprovam. O índice cresceu quinze pontos desde dezembro, quando estava em 50%. Mais da metade, ou 58% do eleitorado se diz decepcionado com a gestão de Fruet. Somente 6% avaliam que ela está sendo melhor do que o esperado. 64% dos entrevistados consideram a gestão do prefeito na área do transporte coletivo ruim ou péssimo – e 61% acham o mesmo da saúde. O levantamento foi realizado entre os dias 3 e 7 de março. Foram entrevistadas 819 pessoas maiores de 16 anos. A margem de erro é de 3,5% e o grau.

Curiosidade
No segundo andar da Prefeitura de Curitiba a pesquisa não causou estranheza. O motivo? O instituto responsável pela pesquisa. Um curioso foi fuçar nas contas da Secretaria de Comunicação Social e descobriu que entre 2005 e 2012, o Instituto Paraná Pesquisa, de Murilo Hidalgo, recebeu mais de R$ 1,6 milhão dos cofres do Município.Neste montante não estão incluídos os valores pagos via ICI, para o qual Hidalgo também prestava serviço validando pesquisas. O Paraná Pesquisa não presta mais serviços para a Prefeitura na gestão Fruet, mas presta serviços frequentes para a Gazeta do Povo.

Nepotismo
A 4.ª Promotoria de Justiça de Paranaguá (Litoral do Estado) ajuizou ação por improbidade administrativa contra o ex-presidente da Câmara Municipal de Paranaguá (nos anos de 2013 e 2014). Ele é requerido por prática de nepotismo. O MP não divulgou o nome do denunciado. Segundo o órgão, o vereador, mesmo tendo assinado com o órgão Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para exonerar todos os servidores comissionados do Poder Legislativo que tivessem parentesco até terceiro grau com autoridades do município, manteve trabalhando em seu gabinete, sob sua chefia imediata, a esposa de seu sobrinho. A ação pede também a responsabilização da servidora, que só foi exonerada do cargo no início deste ano, após a mudança de comando na presidência da Câmara Municipal.

0 Comentário

Você precisa acessar o seu perfil para comentar nas matérias.

Blogs
Ver na versão Desktop