Curitiba abriga um "caçador" (e colecionador) de vampiros

Em 40 anos, Adriano Siqueira reuniu mais de 500 itens do gênero de terror, sua grande paixão

03/10/16 às 23:00 - Atualizado às 15:33 Rodolfo Luis Kowalski
Adriano Siqueira, o Lord Dri, de 51 anos: apaixonado “desde sempre” por histórias de horror reune uma coleção de 500 objetos (foto: Franklim de Freitas)
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Outubro é o Mês das Bruxas, sendo que em 31 próximo comemora-se o Halloween (ou Dia das Bruxas). E em Curitiba o terror tem nome e sobrenome: é Adriano Siqueira, o Lord Dri, de 51 anos. Apaixonado por histórias de horror “desde sempre”, como ele próprio costuma afirmar, hoje conta com uma invejável coleção com cerca de 500 itens sobre o gênero, que vão desde gibis, livros e filmes até bonecos (action figures).

Essa história de amor (e terror), conta Adriano, nasceu lá atrás, ainda na infância, e de uma maneira no mínimo curiosa: através das histórias infantis e de contos de fadas. É que para o diagramador, colecionador e escritor de contos vampirescos, o que mais interessava, o que mais lhe chamava a atenção nunca era o herói, mas o vilão das histórias.

“A paixão pelo terror já vem das histórias infantis, com os vilões dos contos de fada. Então a fascinação vem desde criança, com personagens como Malévola e Drácula”, afirma Adriano. “É incrível o poder que eles (vilões) têm para mudar a história, acabar com o final feliz. O casal está bem, contente, de repente aparece um vapiro e acaba com aquilo. Seduz e hipnotisa a mulher e o marido fica desesperado, sem saber o que fazer. As vezes o vilão pode estar até dentro de casa...”, complementa.

Para conseguir transformar a paixão em coleção, porém, foram décadas de dedicação. Foi em 1976 que tudo teve início por meio das histórias em quadrinhos. Naquela época o terror estava em alta e as bancas, sempre abarrotadas de ótimas histórias do gênero. Para o colecionador, era uma forma de escapar da realidade - quase que um refúgio.

“Todo mundo tem problemas quando adolescente, criança. É raro quem tem uma família perfeita. E o entretenimento é receitado nessas horas. Aí você pega o gibi e esquece do resto”, explica. “Estamos o tempo todo ligados ao terror, que vem para nos ajudar a ficar mais tranquilos, afastar o estresse diário. Acho muito bom que as pessoas gostem cada vez mais de filmes de terror, porque eles sempre trazem uma moral da história, algo que faz você pensar.”

E se há 40 anos eram as histórias de terror que Adriano lia que o faziam pensar e escapar da realidade, hoje são os objetos, os livros e os gibis que ele colecionou ao longo da vida que faz os outros ganharem asas.

“Quem vê a coleção fica admirado, é inevitável. É muito daquilo ‘eu já tive’, ‘eu já li isso’. É uma nostalgia muito grande, as pessoas ficam em êxtase”, diz Adriano. “ Esses livros, esses gibis te levam para o passado. Você começa a folhear e recorda o que acontecia na época em que leu a história, o que estava sentindo. E é isso também o que atrai colecionadores, isso que é o legal. É muito gostoso trazer esse sentimento para as outras pessoas”, finaliza.

1 Comentário

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Douglas de Souza
Caro jornalista, o título da matéria não condiz com o conteúdo da reportagem. O cidadão em questão não é um caçador de vampiros, e, sim, um mero colecionador de histórias e artefatos.
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