Greca diz que servidores “não ouvem” e critica protesto

Prefeito acusa manifestantes de manter funcionários da Câmara e vereadores em “cárcere privado”

23/05/17 às 23:00 - Atualizado às 21:59 Da Redação
Servidores só deixaram a Câmara na madrugada (foto: CMC/Divulgação)

Um dia após a Câmara de Vereadores suspender a votação de sete dos doze projetos do pacote de ajuste fiscal, em meio a uma manifestação de servidores públicos municipais contrários às medidas, o prefeito Rafael Greca (PMN) afirmou ontem que não pretende receber representantes da categoria “porque eles não ouvem”. Na véspera, a comissão de Legislação e Justiça da Casa desistiu de votar as propostas de corte de gastos, depois que integrantes de sindicatos do funcionalismo ocuparem os corredores da Câmara e promoverem um “buzinaço”, exigindo a retirada de pauta dos projetos até que Greca os atendesse. 

“O governo já os recebeu, houve sucessivas e exaustivas audiências. Não tem porque eu recebê-los porque eles não me ouvem “, reagiu o prefeito. Greca criticou ainda, os manifestantes, afirmando que eles teriam mantido funcionários e parlamentares da Casa em “cárcere privado”. Protocolado no final de março, o plano prevê a suspensão de planos de carreiras e o adiamento de março para outubro da data-base para o reajuste salarial do funcionalismo. As medidas incluem ainda um aumento progressivo de 11% para 14%, da contribuição dos servidores para a previdência municipal a partir de 2018.
Greca alega que o pacote é necessário para cobrir um déficit de R$ 2,1 bilhões herdado por ele de seu antecessor, Gustavo Fruet (PDT). “A recuperação da prefeitura de Curitiba compreende a garantia dos servidores de terem o salário o ano inteiro e salário inteiro e ao mesmo tempo garante à população a continuidade dos serviços públicos”, reiteirou o prefeito, ontem.
Diante do impasse, a comissão não chegou a votar, na segunda-feira, nenhum dos projetos em pauta. Além de intermediar o encontro com Greca, o presidente da Câmara, Serginho do Posto (PSDB) prometeu que os projetos que mudam as regras da previdência municipal e o leilão de dívidas de contribuintes com o município não seria votado pelo menos até a próxima sexta-feira.
Tensão - O debate foi suspenso logo após o pronunciamento da presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sismuc), Irene Rodrigues, por volta das 15h10, que pediu o arquivamento dos projetos. Na sequência, falaria o diretor-presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do Município (IPMC), José Luiz Costa Taborda Rauen, mas devido ao barulho e ao tumulto do lado de fora da sala a reunião não pôde prosseguir. Em dado momento, ele tentou sair, mas foi impedido pelos manifestantes. O líder do governo, Pier Petruzziello (PTB), tentou entrar, mas também foi contido e hostilizado pelos manifestantes.
Do lado de fora, servidores usaram buzinas e soltaram rojões ao lado das janelas da sala onde ocorria a reunião. Dois vidros foram quebrados pelos manifestantes. “Por orientação da segurança da Casa, porque os sindicatos arrebentaram as catracas e estão tentando invadir essa sala, para garantir a segurança dos vereadores e demais funcionários da Câmara, resolvemos cancelar a reunião e vamos remarcar. É lastimável a falta de urbanidade, de bom senso e seriedade dos sindicatos”, disse o presidente da comissão, Dr. Wolmir Aguiar (PSC).
Sitiados - Os vereadores e o presidente do Institulo de Previdência do Município de Curitiba (IPMC) ficaram presos na Câmara até depois da meia-noite. Antes disso, por volta das 16 horas, o presidente da Casa entrou para negociar. Ele propôs a retomada da votação dos projetos , o que acabou não ocorrendo. “É lamentável, a gente não espera que essas atitudes ocorram na Câmara Municipal. A gente tem o entendimento que vamos manter o diálogo, mas queremos o respeito”, afirmou Serginho do Posto.
O líder do prefeito na Casa também criticou os manifestantes. “Os servidores de Curitiba merecem o nosso respeito. Mas ontem o que nós presenciamos na Casa foi um ato de terrorismo. O plano não está absolutamente fechado. Nós estamos mantendo o diálogo, tentando melhorar vários pontos desse plano”, disse Pier Petruzziello.

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