Aumento da população idosa abre campo para o cuidador

Profissão recém regulamentada vê a procura pelo serviço crescer até 5% ao ano no País

20/08/17 às 22:30 - Atualizado às 09:14 José Marcos Lopes especial para o Bem Paraná

A projeção do crescimento do número de idosos no Brasil e a grande quantidade de desempregados têm levado a um aumento da procura por cursos de cuidadores. Ainda que não haja um dado consolidado no país (a profissão foi regulamentada somente em 2015), a procura por esse tipo de serviço cresce de 3% a 5% ao ano, segundo o Núcleo Nacional das Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar (Nead), e a procura pela qualificação também, informam estabelecimentos ouvidos pela reportagem.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última década o número de pessoas de 60 anos ou mais passou de 9,8% para quase 15% da população brasileira. A previsão é de que nos próximos 15 anos o Brasil será o sexto país no mundo em número de idosos. Dois fatores contribuem para isso: a expectativa de vida aumenta e a taxa de fecundidade diminui. No final de 2015, o brasileiro vivia em média 75,5 anos, três meses a mais do que um ano antes. Já a taxa de natalidade, que em 1980 era estimada em 4,12 filhos por mulher, caiu para 2,39 em 2000 e deverá chgegar a 1,51 em 2030, segundo com o IBGE.

Paulo Nunes, da Associação Assistencial Anjos de Deus, que oferta o curso de cuidador em Curitiba, diz que houve um aumento na procura. A entidade já formou 2 mil cuidadores. “O número de idosos cresce dia a dia e a procura pelo curso vem aumentando. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a profissão de cuidador será a que mais emprega no mundo”, afirma.

A tendência de crescimento é confirmada por Adriano Machado, presidente da Associação Brasileira dos Empregadores de Cuidadores de Idosos, com sede em Brasília. “Percebemos que no Distrito Federal e em São Paulo tem tido um aumento na procura por cursos e ofertas de emprego”, afirma. Segundo ele, a associação foi criada em abril de 2016 para assessorar famílias que contratam os profisionais. “A legislação trabalhista não cobre esse tipo de situação. Quando a pessoa dorme no local de trabalho, por exemplo, essas horas são trabalhadas? Ajudamos as famílias associadas e evitar ações trabalhistas”.

Pensando na expansão do mercado, a Home Angels, empresa com sede em São Paulo, oferece franquias da marca para todo o país. Criada em 2009, a partir da necessidade do empresário Marco Impereador de contratar uma pessoa para cuidar de sua avó, então com 93 anos, atualmente a Home Angels tem 160 unidades no país.
“Temos mais de 50 treinamentos específicos”, diz Artur Hipólito, sócio na empresa. “Nosso grande diferencial é a supervisão in loco semanal, por parte de uma supervisora treinada por nós, que a partir de um checklist, confere a satisfação do cliente e da família, a qualidade do atendimento e passa orientações à cuidadora”. A taxa de franquia varia de R$ 20 mil a R$ 50 mil, dependendo da população da cidade.


Empatia e comportamento devem ser levados em conta

O cuidador deve ter formação, mas outro aspecto importante é a empatia com o idoso, avalia José Mário Tupiná Machado, chefe do Serviço de Geriatria da Santa Casa de Curitiba e professor da Escola de Medicina da PUC-PR.

“O ideal é que ele tenha um perfil compatível e que saiba se comportar, pois estará na casa de outra pessoa”, afirma. “O cuidador deve ser um apoiador. O idoso não deve se adequar, o cuidador é que precisa se adaptar e respeitar as particularidades. Aprender a técnica é algo muito democrático, mas que a questão comportamental é fundamental”.

Outro fator a ser observado é que o cuidador não substitui médicos ou enfermeiros. “A função é bastante específica, tem um limite de atribuições. Ele pode passar sondas, por exemplo, que é um serviço de enfermagem. Ao cuidador não cabe fazer diagnósticos, mas cabe a ele observar mudanças no idoso. E os cursos são importantes porque dão uma formação básica sobre a velhice e os problemas mais comuns”.


Cuidados com idosos

Atribuições

  • Fazer companhia para o idoso
  • Dar medicações por via oral, conforme prescrição médica
  • Prevenir quedas
  • Identificar os problemas mais comuns em idosos
  • Ajudar na higiene e na alimentação do idoso
  • Acompanhar o quadro clínico e possíveis transformações

O que não pode fazer

  • Diagnósticos
  • Uso de sondas
  • Administrar de medicamentos por via intravenosa (injeções)
  • Curativos

O que é exigido

  • Idade mínima de 18 anos
  • Ensino fundamental completo
  • Curso de qualificação na área, com um mínimo de 180 horas, em instituição reconhecida pelo MEC
  • Bons antecedentes, aptidão física e mental

Quanto pode ganhar

  • De R$ 1.200 a R$ 6 mil, dependendo do local de trabalho e das horas trabalhadas por semana

Onde pode trabalhar

  • Em residências, clínicas ou lares para idosos

Quanto custa o curso

  • De R$ 800 a R$ 4 mil
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