Trump ataca globalização, e líder chinês defende livre-comércio

10/11/17 às 21:07 Folhapress
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dia após elogiar a China por ter se aproveitado da "relação comercial distorcida" com os EUA, Donald Trump voltou a atacar as práticas comerciais injustas dos chineses no Vietnã, onde participou nesta sexta-feira (10) da cúpula da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico). "Não podemos continuar tolerando os abusos comerciais crônicos e não os toleraremos", disse o presidente americano a uma plateia de empresários e líderes reunidos na cidade de Danang. "Sempre colocarei os EUA na frente, da mesma maneira como espero que todos vocês que estão nessa sala ponham seus países em primeiro lugar", acrescentou. Trump atacou ainda instituições multilaterais como a OMC (Organização Mundial do Comércio). "Para dizer de maneira clara, a OMC não nos tem tratado com imparcialidade", afirmou o americano. O discurso de Trump reafirmou suas posições contra os grandes tratados comerciais, como o Nafta --entre EUA, México e Canadá--, e a favor de parcerias bilaterais. "Farei acordos comerciais com qualquer país indo-pacífico que queira ser nosso parceiro e que respeite os princípios de comércio justo e recíproco", declarou. Logo após a fala de Trump, coube ao dirigente chinês, Xi Jinping, um papel que vem se tornando cada vez mais comum: o de defender a globalização e o livre-comércio. "A globalização econômica tem contribuído de maneira significativa para o crescimento mundial, na realidade, é uma tendência histórica irreversível", afirmou Xi. Apesar dos elogios, ele disse que o comércio mundial precisa ser "mais aberto, mais inclusivo, mais equilibrado, mais equitativo e com mais benefícios para todos". Xi defendeu ainda o papel de instituições como a OMC. "Temos que apoiar o sistema multilateral de comércio e praticar um regionalismo aberto, para permitir que os países em desenvolvimento se beneficiem mais do comércio e dos investimentos internacionais", disse o chinês. Ao tirar a tradicional "foto de família" com os líderes presentes na reunião, Trump apertou a mão do presidente russo, Vladimir Putin. Os dois teriam um encontro às margens da cúpula nesta sexta, mas a Casa Branca afirmou que ele não ocorreria pois o americano chegaria ao Vietnã depois do previsto. MÃOS ATADAS Líderes aproveitaram o encontro para tentar reerguer a Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês). O pacto comercial envolvia 12 países, entre eles os EUA, até Trump anunciar logo após tomar posse, em janeiro, a saída americana. Nesta sexta, Trump reafirmou que os EUA não vão mais participar de "acordos que nos deixam de mãos atadas e entregam nossa soberania". Representantes dos outros 11 países signatários --Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Cingapura, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru e Vietnã-- tiveram reuniões em Danang e devem divulgar neste sábado (11) um comunicado em que se dizem comprometidos com os "elementos centrais" do acordo. A TPP busca contrabalançar a influência chinesa na Ásia e eliminaria tarifas em produtos agrícolas e industriais entre os 11 países.
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