O que fazer quando seu pet comer algo errado?

17 fevereiro, 2017 às 00:01  |  por Fabiana Ferreira

 

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Inspirada na minha Bebel, uma poodle comedora insaciável de sacolas plásticas, resolvi escrever sobre o tema. A primeira vez que percebi que ela comeu algo atípico, levei logo ao pronto socorro. Foi examinada, passou por ultrassonografia e não foi possível identificar o que era comida e o que era o objeto estranho. O veterinário pediu para aguardar em jejum e repetir o exame no dia seguinte. A conclusão foi que o saco estava seguindo o destino correto, não tinha enroscado em nenhum órgão e o mais provável é que sairia de forma natural.

Depois de algum tempo, a pequena resolveu comer de novo a tal da sacola. Que gosto! Na segunda e na terceira vez que ela aprontou uma dessas, aprendi a ter calma e observar. Por sorte, descobri que ela virava a lata do lixo reciclável. Nunca se animou em mexer no orgânico. Contando mais uma vez com a sorte, tudo foi eliminado sem necessidade de cirurgia.

Para explicar a gravidade de casos deste tipo, o Papo Pet entrevistou a médica veterinária e professora da PUCPR, Ana Paula Sarraff Lopes.

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- Como proceder no caso de ingestão de objetos? O ideal é levar o paciente ao veterinário. Ele  passará por um exame físico e complementares (como radiografia e ultrassonografia) para tentar detectar o corpo estranho, bem como para acompanhar sua evolução.

- Quais os riscos para cães e gatos? Dependendo do tipo do corpo estranho (material, formato, tamanho…), ele pode sair naturalmente pelas fezes ou vômito ou pode obstruir (“parar”) algum órgão (como esôfago, estômago ou intestino), ou ainda perfurar algum desses órgãos por onde ele passar, caso ele seja o pontiagudo ou irregular (como palitos, agulhas ou ossos por exemplo).

- Caso não seja possível levar ao veterinário imediatamente como avaliar que o animal está bem? O indicado é observar o animal no dia a dia e não se deve provocar vômito, pois o corpo estranho pode lesar a mucosa do estômago e/ou esôfago ou perfurar esses órgãos. Deve-se acompanhar se o corpo estranho vai sair nas fezes ou no vômito. Se ele obstruir o esôfago o paciente vai salivar muito e não conseguirá deglutir e se obstruir o estômago e/ou intestino pode vomitar, ficar apático e prostrado e parar de se alimentar.

- Existe diferença nesses casos entre cães e gatos? Os cães são mais predispostos a corpos estranhos do que os gatos e são mais frequentes nos filhotes, pelo fato de eles serem brincalhões e morderem diferentes objetos para diversão. Nos gatos detecta-se com maior frequência os corpos estranhos “lineares” (fios, lãs, barbantes…), pois eles têm hábito de brincar com esses tipos de objetos. Muitas vezes esses corpos estranhos lineares ficam presos na base da língua do paciente e vão pregueando o intestino. Quando isso ocorre observa-se uma imagem característica na radiografia do abdômen, de pregueamento dos segmentos intestinais envolvidos, sugerindo que o corpo estranho seja linear.

- Se não for expelido de forma natural, como é a cirurgia? O objeto pode sair naturalmente nas fezes, causar obstrução esofágica, estomacal ou intestinal ou causar perfuração em algum desses órgãos levando à peritonite (inflamação da cavidade abdominal). Se o corpo estranho estiver localizado no esôfago ou estômago pode-se optar pela endoscopia, o tratamento menos invasivo. Se não for possível ou não houver disponibilidade em se realizar a endoscopia, pode-se fazer a cirurgia tradicional, na qual se acessa o órgão comprometido removendo-se o corpo estranho.

 

 

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