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Para ler e recortar

21 fevereiro, 2008 às 15:44  |  por Marcus Vinícius

Sei lá há quanto tempo não lia um bom texto na “Gazeta do Povo” – foi quando o Londrina sagrou-se campeão? Pois este é obrigatório. Em deliciosas linhas, o repórter especial José Carlos Fernandes faz um relato picaresco do que será a Ilha de Cuba sem El Comandante sob o título “Fidel e a Tartaruga”  Eu reproduziria o texto na íntegra, mas como gente do jornal (os sem-talento, é óbvio) andou me solapando as fuças com  a lei dos direitos autorais, deixo só um acepipe. Com gosto de quero mais.

“Circula uma piada muito boa na ilha de Fidel Castro. O comandante en jefe teria visto, certa vez, uma tartaruga nas mãos de um cubano. Interessado, perguntou quantos anos vivia um bichinho daqueles. ‘Uma tartaruga pode durar 400 anos, señor‘, disseram-lhe. O presidente cofiou a barba, ajeitou o boné verde-quartel e disse. ‘É por isso que não tenho animais de estimação. A gente se apega, depois eles morrem e é aquela tristeza.”

Quaquaquá.

Dois pequenos comentários. Nem nas catacumbas do saber, eu adivinharia que “quelônio” refere-se a tartaruga. A surpresa foi tão grande quanto ler um conto de Dalton Trevisan e descobrir que quirodáctilo é “dedo da mão”.

Outro. Fernandes cometeu só um deslize. E de grife. Coisinha, assim, capitalista. O agasalho usado (e abusado) por Fidel não é da marca Nike, mas da Adidas. Os alemães não perdoariam. Eu perdôo.

Assinante da Gazeta lê mais aqui.

Uma guerrinha pedagógica

15 fevereiro, 2008 às 13:04  |  por Marcus Vinícius

Para quem adora uma polêmica na imprensa, eis a de Barbara Gancia, colunista ácida da Folha de S. Paulo, com Luis Favre, maridão de dona Marta Suplicy que, por acaso, nos dá a honra hoje em Morretes, a bordo do trem de luxo Great Brazil Express (é bem, dona Marta).

A contenda verbal começou com a declaração infeliz da ministra “Relaxa e Goza”, na Espanha, afirmando que, ao menos, no Brasil não há terrorismo. Pois sim. Mas deixemos os protagonistas falarem. É longo, mas vale a pena.

PRIMEIRO, BARBARA GANCIA EM COLUNA PUBLICADA NO DIA 1° DE FEVEREIRO:

Brioche revisitada

Mais uma vez, Marta Suplicy demonstra não ter temperamento ou tino para nos representar no exterior

FAÇO PARTE daquela parcela da população que não sente a menor saudade da Marta Suplicy prefeita de São Paulo. Sempre encarei as eleições como exercício enxadrístico, e mudo meu voto a cada nova estação eleitoral de acordo com os candidatos que se apresentam e o balanço de poder que, imagino, venha a ser o menos danoso.
Fiel a essa proposição, votei em Marta nas eleições municipais de 2000 a fim de vê-la derrubar seu principal concorrente à prefeitura, o ex-prefeito Paulo Maluf.
Ah, se arrependimento matasse! Note, dileto leitor, que, para mim, Maluf não poderia nunca configurar como alternativa de voto, uma vez que, ao longo dos anos, ele parece ter adquirido o tique nervoso de me processar a cada vez que ouso mencionar seu nome (já são coisa de cinco processos formais e outras tantas tentativas de instauração de litígio repudiadas pela Justiça).
Mesmo assim, tenho vontade de arrancar os cabelos e as vestes quando penso que votei em Martaxa. E que passei os últimos dois anos da prefeitura dela engolindo o monóxido de carbono dos veículos desviados da av. Cidade Jardim em direção à minha rua, por conta das obras de um túnel que trouxe zero benefício ao trânsito e ao comércio da minha região.
É por já ter depositado meu voto na urna em proveito de dona Marta (não confundir com o morrote carioca homônimo), que hoje me sinto à vontade para esbravejar: por qué no te callas, Martaxa?
Na quarta-feira, a ministra do Turismo ofendeu a platéia da Feira Internacional de Turismo de Madri com uma reedição dos comentários que havia proferido sobre a crise aérea (“relaxa e goza”).
Ao ser questionada sobre a insegurança que os turistas estrangeiros enfrentam no Brasil, Marta “Comam Brioche” Suplicy, em pleno exercício de má-fé e desinformação contra-atacou dizendo que a violência no Brasil e no resto do mundo civilizado são comparáveis.
Ao dizer que a nossa violência concorre com a de países europeus, mais uma vez, Marta demonstrou não ter temperamento ou tino para representar este Brasilzão de meu Deus no exterior.
Alô, dona Martaxa Relaxa! Não vou nem mesmo me valer de números oficiais, porque isso seria covardia. Proponho o seguinte: a título de comparação, vá ao salão de beleza, vá passear de coletivo ou, quem sabe, vá dar uma banda em algum parque da nossa adorada São Paulo e peça às pessoas que encontrar nesses lugares que discorram sobre os assaltos e a violência generalizada que já sofreram ou que já viram algum familiar ou conhecido sofrer.
Depois, sempre à título de comparação, faça a mesma coisa em Madri, Barcelona, Sevilha ou Torremolinos, na Espanha, o país que a ilustre ministra, como nossa representante oficial, insultou sem nenhum motivo aparente ou, quiçá, puramente por descontrole emocional.
Ao final da experiência, compare o que brasucas e espanhóis têm a dizer e, conselho meu: ligue correndo ao rei Juan Carlos pedindo desculpas.

AGORA A SEGUNDA COLUNA DE BARBARA, PUBLICADA EM 8 DE FEVEREIRO

A ira do senhor Wermus

Quem não inveja uma mulher como Marta Suplicy, que tem um marido que a defende com unhas e dentes?

O DILETO LEITOR por acaso sabia que o atual marido de Marta Suplicy, Luis Favre, mantém um blog na internet? Pois é, até ontem, eu também não. Tomei conhecimento de que Favre escrevinha na última quarta-feira e descobri, pasme, que ele não vai com a minha cara. E que isso não é de hoje.
Nas outras vezes em que o marido da ministra mencionou meu nome em seu desconhecido blog, a crítica não teve a menor repercussão. Tanto é que eu nunca fiquei sabendo.
Mas, nestes dias, um leitor ofendido citou o blog do senhor Felipe Belisário Wermus em mensagem ao ombudsman que manifestava descontentamento com minha coluna da semana passada.
Para quem não leu o que escrevi, um pequeno resumo: em feira de turismo na Espanha, a ministra Marta misturou alhos com bugalhos para defender o Brasil e acabou ofendendo gratuitamente o país anfitrião.
Minha coluna de sexta passada condenava (com alguma dureza, admito) a atitude da ministra. Em vez de debater as idéias contidas no meu texto, o senhor Favre resolveu partir para o ataque tentando atingir meu fígado. E sugeriu que tenho o “rabo preso” com o tucanato.
Como é a segunda vez que alguém ligado a Marta Suplicy faz essa afirmação, e como eu sou uma pessoa um tanto detalhista, vou pedir que ele explique na Justiça o que isso significa. Será que “rabo preso” quer dizer que recebo dinheiro do PSDB para falar o que penso? Nesse caso, o senhor Favre terá de provar o que está dizendo e eu vou me divertir muito vendo-o tentar fazer isso.
É bem comum do modo de agir de certos petistas e seus aliados fundamentalistas usar desse tipo de artimanha para invalidar as críticas que lhes são feitas.
A Barbara Gancia contestou Marta Suplicy? A colunista bateu duro na ministra por ela ter feito uso de uma falácia ao comparar coisas desiguais, como o ataque terrorista sofrido pela Espanha e a violência no Brasil? Então vamos desqualificá-la, vamos jogar sua honra na lama para desviar o foco.
A tática é burralda e tem prazo de validade limitado. Quero ver, nos tribunais, Favre estabelecer um laço meu com os tucanos, a direita ou com qualquer movimento ideológico ou partidário.
O marido da ministra também afirma em seu blog semiclandestino que sou desbocada e que “vomito” regulamente no jornal Folha de S.Paulo. Engraçados esses comentários vindos de alguém que convive com Marta Suplicy, não é mesmo? Admito que posso ser um tanto inconveniente, mas, nesse caso, dona Martaxa Relaxa é o quê?
Diz também o senhor Luis Favre (ou Felipe Belisário Wermus, nunca sei como me referir a ele) que tenho “ódio” e “inveja” de Marta Suplicy. Não tenho ódio, não, isso é coisa da esquerda maniqueísta.
Apesar de minhas eventuais críticas, acho a figura de Marta simpática, controvertida, moderna e menos perniciosa à vida pública do país do que tantos vilões de verdade que andam por aí.
Até daria uma nota seis à sua administração em São Paulo, a despeito do túnel inútil que ela mandou construir quase na porta da minha casa.
Quanto à inveja, Favre pode estar certo. Quem não inveja uma mulher que tem um marido que a defende com unhas e dentes?
Alô, senhor Favre! Nos vemos então nos tribunais. Até breve.

E, POR FIM, A RÉPLICA DO MARIDÃO DA DONA MARTA, PUBLICADA HOJE NA SEÇÃO TENDÊNCIAS & DEBATES

Barbara Gancia quer me calar

LUIS FAVRE

Ela, que se serve do poder de fogo da grande mídia para tentar destruir reputações, não tolera ser contestada com a mesma arma que usa

BARBARA GANCIA quer me calar.
Ela usa seu espaço neste jornal para me ameaçar de um processo e tentar colocar uma mordaça nos que recusam sua prepotência e seus insultos.
Ela está descontrolada porque, em resposta a um artigo cheio de prepotência, arrogância e insultos, ousei escrever no meu blog, no artigo “Latem, Sancho, sinal que cavalgamos” (http://blogdofavre.ig.com.br) o que ela não quer ouvir e que vou repetir: “2007 foi o melhor ano da história do turismo no Brasil. Apesar de todos os problemas, particularmente o da valorização do real, mas também a quebra da Varig e os atrasos nos aeroportos, o fluxo do dinheiro em divisas deixado pelos turistas no Brasil bateu todos os recordes. Imagino como seria se alguns dos articulistas antipetistas, esses de “rabo preso” com o tucanato e alérgicos a operário metalúrgico presidente, fossem ministros do Turismo e falassem, aqui e lá fora, as sandices que aqui escrevem”.
Ela, que tanto esbraveja, não gostou do “rabo preso”. Ela tampouco gostou de que eu acrescentasse: “Se ela ministra fosse (mas por enquanto esse risco o Brasil não corre), ela iria dizer nos foros internacionais o que ela e uma parte da mídia repetem incansavelmente, mas que, como mostram as pesquisas, o povo não compra. A saber: que o país vive um apagão aéreo, dobrado de um apagão elétrico. Que sofremos uma epidemia de febre amarela, mas que não adianta vir vacinado pois os turistas vão enfrentar taxas de homicídios de outro planeta. Que, salvo a cidade de São Paulo, cidade limpa, como todos sabem, onde a taxa de homicídios (particularmente nos Jardins, Pinheiros e a rua de Barbara Gancia) é a mesma de Paris, melhor se abster de circular no resto de nosso paraíso tropical.”
Ao contrário dessa torcida do contra, a ministra do Turismo calmamente explicou em Madri que não há epidemia de febre amarela e que somente as pessoas que forem para regiões de risco devem ser vacinadas. Disse também que os problemas encontrados com o tráfego aéreo estão em vias de solução, mas que não são piores que os enfrentados pelos aeroportos de Londres ou pelo JFK em Nova York. Afirmou também que, se é verdade que a violência existe, pelo menos no Brasil não há terrorismo, nem ameaças desse tipo, como ocorre na França, na Inglaterra e na Espanha, por exemplo. Que aqui não há terremotos nem tsunamis. Resumindo, defendeu o Brasil e mostrou que vale a pena visitá-lo e conhecê-lo.
Nada diferente do que disse, por exemplo, o “Valor Econômico”: “Os espanhóis têm procurado mais a costa brasileira por dois fatores: o primeiro deles, segundo fontes do setor, é a saturação do turismo no litoral sul da Espanha. Outro fator é que o atentado terrorista do 11 de Setembro nos Estados Unidos e o tsunami na Tailândia acabaram tornando a costa brasileira mais atrativa e segura para turistas estrangeiros, sobretudo o europeu”. (1º/2/2008).
Tampouco muito diferente do que, sobre a “epidemia”de febre amarela, afirmou o próprio ombudsman da Folha: “Acontece que desde 1942 não se conhece no Brasil transmissão de febre amarela em reduto urbano. A informação foi veiculada, mas o tom predominante, mostram os títulos da capa, foi o de escalada”. (27/1/2008).
Mas quando falta a razão, sobram os impropérios. A irritação e a contrariedade de alguns se entende, pois mesmo com suas penas servindo os que procuram desmoralizar o governo e promover o ódio e a rejeição de suas figuras mais populares, a avaliação majoritária da população é que o Brasil está no caminho certo.
Por isso, Barbara Gancia quer me calar com um processo e assim cercear meu direito à liberdade de expressão e de opinião. Ela, que se serve do poder de fogo da grande mídia para tentar destruir reputações, colar etiquetas e adjetivos pejorativos contra uns, obsequiosos para outros, não tolera ser contestada com a mesma arma que ela invoca para realizar sua tarefa política: minha liberdade de opinião e de expressão.
Solicitei à Folha de S.Paulo o direito de responder no mesmo espaço onde fui atacado e ameaçado, permitindo que o despropósito da jornalista seja respondido. A Folha aceitou meu pedido e está de parabéns.
 

Jornalismo esportivo e a soma dos quadrados dos catetos ao cubo

8 fevereiro, 2008 às 15:42  |  por Marcus Vinícius

Saudade do tempo em que o jornalismo esportivo era passagem obrigatória de qualquer iniciante no ramo e que bastava não babar na gravata para ser forte candidato a editor da seção ou do caderno – já que agora tudo é esporte, até vôlei de praia (essa excrescência).

Hoje é coisa para especialistas. Outro dia me deparei com uma manchete referindo-se a um tal de “K9″ e demorei para entender que tratava-se de um jogador do Coritiba e não do cachorro do filme.

Futebol ficou muito complicado. Se você demora mais de 30 segundos para entender a manchete e, fique claro, não baba na gravata ainda que seja o editor de esportes, alguma coisa está errada. O que é G-8? Ora, o grupo de países mais ricos do mundo. Nananina. É o número de times com chances de classificação para o octogonal decisivo. Ah, tá.

O que é Z-4? Deixe eu ver. O número de átomos do zinco na tabela periódica? Também não. São os quatro clubes ameaçados de rebaixamento. Ah, tá.

Agora, R10 tá na cara. É mais um grupo de rock´n roll que apareceu na praça – desses de morte e vida ligeirinha. Que nada, é o Ronaldinho Gaúcho, camisa 10 do Barcelona.

Se lhe dá a impressão de que o primeiro parágrafo de uma matéria esportiva está mais para a soma dos quadrados dos catetos, tal o complicômetro numérico, leia de novo e vai constatar que não é só impressão. E você, pobre coitado, que só queria saber o resultado do jogo.

E os apelidos dos times? Houve tempo em que eles eram criados pela torcida e adotados pelas redações. Nada mais  natural. Pois agora o fluxo se inverteu e os apodos (reparou no termo?) ficaram a cargo dos cérebros pensantes do jornalismo. Pra quê? Dá-lhe Cori, Ventania, Jotinha, Malita, Sanca, Sampa, Bo, Pira, Flag, Flo, Fi. Fi de quem?

Sempre em benefício do Macunaíma que há em cada um de nós e em detrimento da clareza. Tá difícil para caber Luxemburgo? Mete Luxa. Dagoberto? Mete Dago. A conclusão é que trata-se de norma constante no manual de redação. Nomes com mais de duas sílabas, jamais. Dane-se o leitor, este ente desconhecido.

Não por acaso, aquele hábito do marmiteiro - e de qualquer trabalhador – de ler no varal das bancas as notícias esportivas depois de mais uma rodada foi para as catacumbas juntamente com a tiragem dos diários. O que era manchete virou fórmula matemática.  ‘Cori vence Sanca por 1 a 0 aos 45, alcança a V2 e ruma para o G8, tal que V corresponde ao número de vitórias’.

E nem vou entrar no mérito das estatísticas do futebol porque isso é coisa de PhD em Física Quântica com doutorado na Universidade de Cambrigde.

Ah, bons tempos em que o esporte bretão era uma caixinha de surpresas. Vá lá, uma calcinha no varal.

Curitiba dá pena

6 fevereiro, 2008 às 12:42  |  por Marcus Vinícius

Foram registrados 26 assassinatos em Curitiba e em sua região metropolitana entre sábado e terça-feira, período do feriado do Carnaval. Esta é mais uma informação para justificar o título desta coluna: Curitiba dá pena.

Dá pena porque nos acostumamos a admirar aquela cidade como um laboratório urbano de civilidade, especialmente para as nações mais pobres. Muitas das invenções curitibanas se propagaram pelo mundo –mas a violência atinge sua imagem, revelando uma desagregação social combinada com ineficiência policial. A civilidade de uma comunidade começa pelo direito à vida.

A matança do feriado apenas reforça o relatório, divulgado na semana passada, com base em dados do Ministério da Saúde. A taxa de assassinatos é de 49,3 por 100 mil habitantes em Curitiba, muito maior do que a média nacional — a linha do homicídio, segundo o documento, cresce a cada ano. Mesmo considerando a possibilidade de desvios estatísticos apontados pela Folha, a cidade está pior do que São Paulo e, na melhor das hipóteses, igual ao Rio.

Curitiba é mais um exemplo do poder avassalador da epidemia da violência, abalando sua imagem de cidade modelo — é uma pena não só para eles, mas para todo o país.

GILBERTO DIMMENSTEIN NO ‘PENSATA’ DA FOLHA.

(Leia mais aqui)

Nosso horror de hoje

6 fevereiro, 2008 às 08:11  |  por Marcus Vinícius

DEU NA FOLHA DE S. PAULO - edição de domingo

GILBERTO DIMENSTEIN

DE TANTO MORRER SE APRENDE A VIVER

APONTADA MUNDIALMENTE COMO uma referência de civilidade urbana, Curitiba foi alvo, na semana passada, de um pesado ataque a sua imagem. Quem imaginaria que lá se poderia correr mais risco de assassinato do que no Rio de Janeiro?
Já soaria até muito estranho comparar as duas cidades no quesito violência. Ainda mais esdrúxulo seria colocar Curitiba em desvantagem. Feito com base em informações dos ministérios da Saúde e da Justiça, o “Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008″, divulgado na última terça-feira, revela até mesmo uma diferença expressiva: em Curitiba, o índice de assassinatos por 100 mil habitantes foi, em 2006, de 49,3 e, no Rio, de 37,7. Surpreso? Então veja a comparação com Florianópolis, até pouco tempo atrás a capital mais segura do país, vista como um refúgio contra o caos urbano.
Florianópolis, com a taxa de 40,7, não só perde para o Rio como fica bem longe de São Paulo, que, em 2006, teve 23,7 assassinatos por 100 mil habitantes. A comparação ficaria ainda muito pior se a base fosse o ano de 2007; segundo relatório publicado na quinta-feira, a queda do índice na capital paulista em relação ano anterior foi de 22%.
Os números mostram como a epidemia da violência se espalhou pelo Brasil, escapando das metrópoles -e, ao mesmo tempo, como se vai aprendendo, aos poucos, a lidar com a violência.

Comparadas a São Paulo e ao Rio de Janeiro, Curitiba e Florianópolis são cidades que têm populações pequenas, não sofrem com tantas favelas, oferecem educação de melhor qualidade e registram um nível de desemprego mais baixo.
O responsável pelo “Mapa da Violência”, Julio Jacobo Waiselfisz, da Ritla (Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana), acredita que haja uma questão de aprendizado. “Lugares mais pacatos não se prepararam como deveriam para o aumento da violência”, diz ele. A leitura de seu relatório mostra que a média nacional caiu entre os períodos de 2004 e 2006, em comparação com o biênio anterior, por causa especialmente dos resultados melhores (embora ainda preocupantes) obtidos pelas regiões metropolitanas do Rio, de Belo Horizonte e de São Paulo. Registraram-se quedas, embora modestas, até mesmo na tão temida Baixada Fluminense, em cidades como Duque de Caxias, São Gonçalo e Nova Iguaçu.

Sem algumas melhorias nos indicadores de homicídio nessas três regiões metropolitanas, a manchete dos jornais seria a seguinte: “Explode a violência no Brasil”. Foi o desempenho dessas regiões que ajudou a compensar os índices de lugares como Foz de Iguaçu, no Paraná, que, embora ostente uma das maiores belezas do mundo, as famosas cataratas, carrega o incômodo título de capital brasileira da morte de jovens. Só para dar uma idéia, a queda na média nacional, naquele período, foi de 5%, com a redução, em termos absolutos, de 1.739 mortes -o número é muito próximo do atingido apenas na cidade de São Paulo. Em suma, se a cidade São Paulo não tivesse tido menos assassinatos, a média nacional ficaria estacionada.
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Leitores, leitores

11 janeiro, 2008 às 13:17  |  por Marcus Vinícius

Fiquei 48 horas longe da “Selva”. Tempo em que não li jornais nem vi televisão. É o que se chama de férias. Os livros, contudo, não me escaparam. Consumi dois. ”Devorando o Vizinho – A História do Canibalismo” de Daniel Diehl e Mark P. Donnelly (Editora Globo, 344 págs. R$ 27) e  “1808″ do jornalista paranaense Laurentino Gomes  (Editora Planeta, 408 páginas, R$ 31,90), que trata da vinda da corte portuguesa para o Brasil, no que completam-se este ano, dois séculos. Ah, a efeméride.

Em 1988, o jornalista carioca Zuenir Ventura, pediu licença do Jornal do Brasil, onde era colunista para se dedicar ao projeto do livro “1968 - O Ano Que Não Terminou”, que naquele ano completava duas décadas.  Descobriu que a revolução social que a juventude  carbonária sonhava não foi além de uma revolução de costumes. E ainda assim restrita ao círculo da “pensata” brasileira.

Laurentino Gomes, que para orgulho dos caipiras locais, é maringaense, formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, e  diretor de uma divisão de revistas da Editora Abril, descreve, em passagem do livro, a tentativa dos pernambucanos de instalar uma república no estado. Livre, portanto, dos grilhões, do Brasil-Colônia e da esfera de poder de Portugal.

Para isso, engendraram um plano mirabolante. Tomaram a capital Recife, com o apoio de  senhores de engenho, produtores de algodão e comerciantes locais  e enviaram ainda, nos primeiros dias do movimento, o comerciante Antônio Gonçalves Cruz, o Cabugá, para a Filadélfia, então capital dos Estados Unidos, com o objetivo de angariar apoio do governo americano e recrutar para a causa revolucionários franceses exilados no país.

Claro que era preciso mais do que isso. E Cabugá levava na bagagem a importância impressionante de 800 mil dólares – algo como 12 milhões de dólares em dinheiro de hoje - para convencer os possíveis aliados.

Mas a missão do agente secreto pernambucano ia além. Ele pretendia também financiar a fuga de Napoleão Bonaparte, então prisioneiro dos ingleses na Ilha de Santa Helena, que seria transportado para o Recife, onde assumiria o comando da revolução pernambucana, para depois seguir para a França e retomar o trono de Imperador.

Não é preciso dizer que a revolução fracassou. Em menos de três meses, os rebeldes foram cercados pela tropas reais de D. João – que ainda não havia sido proclamado rei -, presos e os seus líderes executados no velho estilo lusitano da época: enforcados, esquartejados e suas cabeças fincadas em postes para exibição popular.

No terreno da imaginação, no entanto, é possível conjecturar o que teria acontecido se a missão de Cabugá tivesse êxito e Napoleão tivesse aportado mesmo em terras pernambucanas disposto a comandar um exército de maltrapilhos contra as forças do medroso D. João que, dez anos antes,  saíra fugido de Portugal, deixando aos seus súditos a missão de enfrentar as tropas bonapartistas.

A história de Napoleão no Recife, aliás, seria um prato e tanto para nossos “cineastas”, não estivessem eles tão preocupados em roteirizar os dramas de seu próprio umbigo.

Bom, não seria a primeira vez. Quem leu ”Frankenstein” de Mary Shelley, lembra que em certo trecho a criatura vai até o seu criador, o Dr. Victor Frankenstein, e roga-lhe que crie para si uma companheira. Em troca, promete partir com ela para as florestas ermas da Amazônia, onde viveria recluso e distante da civilização.

É preciso lembrar que Frankenstein, a criatura de Shelley, não era a besta-fera retratada por Hollywood anos depois, mas um ser inteligente, que depois de rejeitado por seu criador, escondeu-se em um porão e lá leu todos os clássicos da filosofia e da literatura.

Victor Frankenstein recusa a oferta porque vislumbra a possibilidade de que ele venha a procriar-se e ter filhos tão monstruosos quanto ele. Imaginar a possibilidade de que herdeiros da criatura pudessem vir a constituir família na selva amazônica também seria uma idéia e tanto para um filme. Mas é esperar demais dessa gente botocuda.

Jocelito defende deputados e quer ‘sair no braço’ com Requião

26 dezembro, 2007 às 10:29  |  por Marcus Vinícius

Em artigo divulgado no portal Plantão da Cidade, de Ponta Grossa, o deputado Jocelito Canto (PTB), diz que não ‘reconhece’ em Requião aquele que ajudou a eleger e afirma que está disposto a responder à altura as ameaças do governador em dar uns petelecos em alguns parlamentares da oposição.

‘Se os outros deputados, aceitarem calados, eu não vou aceitar. Primeiro porque, antes de tudo, não sou covarde. E mais: Se não reagirmos ele pode pensar que é dono do mundo’

Para ler o artigo completo clique no LEIA MAIS.

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Um chute no pensamento tacanho

21 novembro, 2007 às 19:37  |  por Marcus Vinícius

Este é um artigo de Rodrigo Constantino que vale a pena ser lido. Discute o “Dia Nacional da Consciência Negra”, um besteirol botocudo para confundir alhos com bugalhos e instituir em um país único por sua miscigenação um racismo que não existe. São os mesmos idiotas que querem enfiar goela abaixo o Estatuto da Igualdade Racial e que devem fazer Charles Darwin contorcer-se no caixão com a idéia de cotas nas universidades. Não demora e haverá banheiros públicos para negros, assim como há para deficientes (neste caso, acertadamente). Percebeu em que buraco a esquerda jurássica quer nos levar? Para o Mississipi na década de 60, onde negros e brancos não dividiam sequer o mesmo lado da rua. Isto é cota racial! (Indicação do blogo-leitor Kadu Neto)

Feriado Racista

Comemora-se hoje o “Dia da Consciência Negra”, mais um feriado num país recordista de feriados – como se o país fosse rico o bastante para se dar este luxo. Entendo que políticos foquem sempre em grupos de minorias, buscando garantir privilégios em troca de votos. Entendo também que os demais não se importam, pois afinal, trata-se de mais um dia de ócio nada criativo, para um povo que idolatra a preguiça. Mas é preciso constatar o óbvio, mesmo contra a ditadura do politicamente correto: este é um feriado claramente racista!

No seu famoso discurso “My Dream”, Martin Luther King Jr. enalteceu as passagens da Declaração de Independência americana, que prega um tratamento isonômico das pessoas, considerando que todos são iguais perante a lei. Depois ele condena os atos de violência contra os negros, que eram, de fato, vítimas de absurdos nos Estados Unidos. O racismo intencional era combatido, portanto. E a passagem mais famosa e importante diz que ele tinha um sonho, de que seus quatro filhos iriam um dia viver em uma nação onde não seriam julgados pela cor da pele, mas sim pelo conteúdo do caráter. Perfeito! Justo, íntegro e admirável. Devemos julgar indivíduos por suas ações individuais, por suas crenças morais e sua conduta, por seu caráter enfim. Palavras de um dos maiores líderes negros da América.

(Para ler o texto completo clique no LEIA MAIS abaixo.  Outros artigos podem ser lidos na seção ARTIGOS no botão do lado direito deste blogo).
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E o Dr. Rosinha relaxou e gozou

10 julho, 2007 às 17:21  |  por Marcus Vinícius

O deputado federal Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT-PR), decidiu seguir os ensinamentos da ministra Marta Suplicy (Turismo) durante vôo de Montevidéu a Brasília. No total, gastou 32 horas em uma viagem que, sem relaxar e gozar, não demoraria mais que três horas e meia. Em sua reflexão, transformada em artigo e reproduzida neste blogo, ele enxerga a culpa no apagão aéreo que tomou conta do segundo reinado Lula, mas responsabiliza principalmente o “monopólio” dos serviços de aeroporto, a cerveja quente e, principalmente, uma empresa que ele subtrai o nome, mas dá a dica: “é aquela gritada nos estádios”. Gooooool! Para ler o artigo é só clicar abaixo.

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A revolta da goiabinha

10 julho, 2007 às 07:39  |  por Marcus Vinícius

Quem diria? Um mineiro com aversão à goiabada. Na escola, Silas ganhou o apelido de “ET de Varginha”. Adulto, liderou uma revolta contra a goiabinha servida em um certa companhia aérea. Eis a crônica de Adriana Gomes. Aposto uma goiabinha como você não vai perder. Está na seção “Artigos”. Clique abaixo ou logo ali ao lado.

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