Arquivos da categoria: Psicologia infantil

A seletividade alimentar em adultos pode vir da infância

27 janeiro, 2017 às 06:00  |  por Luciana Kotaka

Pequenas intervenções são essenciais para a introdução de uma alimentação adequada

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A história pode parecer familiar para muitas pessoas, sobre uma criança que não come quase nada que lhes oferecem, somente alguns alimentos e em geral nada saudáveis. A preferência normalmente é por carboidratos. Pode ser mais um caso de manha mesmo, em que só quer comer o que se gosta muito, mas atenção, esse pode ser um caso muito mais complexo e dependendo das atitudes tomadas pelos pais pode se resolver tranquilamente ou se agravar.

Talvez seja somente um caso em que o foco da família não é se incomodar muito com a qualidade da alimentação, que cedem com facilidade a qualquer contrariedade da criança ou mesmo se entregam à sedução da alimentação rápida e pronta. Nesses casos a mudança depende muito da postura dos pais em querer e estar dispostos a fornecer uma alimentação mais saudável, empenhando-se inclusive na preparação das mesmas.

Contudo, é importante avaliar de forma sistêmica o que vem ocorrendo, pois é fácil confundir o querer da criança em comer somente o que se gosta, com a seletividade alimentar. Esta última opção tem relação a certos tipos de alimentos e com a textura. Por algum motivo a criança pode desenvolver muito sentir medo de engasgar, vomitar e de engolir, recusando assim alguns tipos de alimentos. Em alguns casos pode ter havido uma experiência ou evento precipitante, como uma paciente que atendi que presenciou a tia engasgar na hora da refeição e parou de comer vários alimentos das quais gostava. Porém, existem relatos de casos em que a criança somente ouviu uma história a respeito de alguém que se engasgou ou morreu sufocada e foi o gatilho para surgir a rejeição a alguns tipos de alimentos.

Também se tem relatos de pais sobre filhos que comiam normalmente e em algum momento começaram a recusar determinados alimentos, tem relação ao refluxo, visto o mal-estar e dor que podem provocar nesses casos. A tendência é que evitem comer o que pode gerar mais incômodo.

Outro ponto importante é que já se identificou que algumas crianças apresentam papilas gustativas fungiformes, aversões alimentares sensoriais que favorecem uma maior sensibilidade ao gosto e à textura dos alimentos. Isso quer dizer que nem sempre é um comportamento de birra não querer comer, e sim fatores genéticos que devem ter a devida atenção e tratamento adequado.

Como não se tem muito conhecimento sobre o assunto, essas crianças crescem e chegam à vida adulta com uma série de restrições alimentares, sendo que em algum momento começa a gerar transtornos a nível social e de saúde.

Porém, a reinserção de alimentos pode ser realizada com sucesso, inserindo aos poucos novos alimentos ao cardápio do paciente. A hipnose tem sido um excelente caminho para que consiga ter motivação e desejo nesse processo, pois conseguimos com que a pessoa sinta desejo em mudar, em se expor a novas experiências alimentares, vencendo medos às vezes inconscientes.

O importante é identificar logo que possível o que está ocorrendo para que se tomem medidas adequadas que evitem o agravamento do quadro apresentado. Nem sempre a birra é real, mas o medo, a dor e os fatores orgânicos sim e precisam de ajuda especializada.

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IX Jornada Paranaense de Psiquiatria

19 agosto, 2016 às 06:00  |  por Luciana Kotaka

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Jornada promete ampliar o debate sobre saúde mental

Ansiedade, depressão, esquizofrenia, alcoolismo, dependência química e transtornos alimentares, de humor, social e comportamentais são males que afetam muitas pessoas atualmente. Essas doenças podem limitar o relacionamento social e o desenvolvimento emocional e intelectual não só dos pacientes, mas de seus familiares também.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, alerta que uma em cada 10 pessoas no mundo, ou seja, 10% da população global, sofre de algum distúrbio de saúde mental. Isso representa aproximadamente 700 milhões de pessoas. No entanto, apenas 1% da força de trabalho mundial de saúde atua nesta área. Segundo a OMS, quase metade da população global vive em países onde há menos de um psiquiatra para cada 100 mil habitantes.

No Brasil, um estudo da Previdência Social aponta que os transtornos mentais já são a terceira razão de afastamentos do trabalho, sendo que os gastos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) giram em torno de R$ 200 milhões em pagamentos de benefícios anuais, dado que reforça a importância de se criar medidas de prevenção.

Estimasse que 12% da população brasileira necessita de algum atendimento por transtornos mentais. Pelo menos 3% da população brasileira é acometida por transtornos mentais graves. Em todo o mundo, mais de 400 milhões de pessoas são afetadas por transtornos mentais e/ou comportamentais. Cinco das dez principais causas de incapacitação estão relacionadas às doenças mentais. Por isso, o debate acerca desse assunto é tão iminente.

Para ampliar o debate sobre saúde mental, a Associação Paranaense de Psiquiatria (APPSIQ) está promovendo a nona edição da Jornada Paranaense de Psiquiatria e traz à Curitiba (PR) renomados especialistas e estudiosos. A intenção é promover atualização científica, troca de experiências e apresentar estudos recentes que possam auxiliar profissionais que atuam no diagnóstico, tratamento e prevenção de pacientes acometidos por doenças mentais.

O evento ocorre nos dias 16 e 17 de setembro deste ano, sexta-feira e sábado, das 8 às 18h, na sede da Associação Médica do Paraná (AMP), em Curitiba (PR).

A taxa de inscrição é de R$ 250,00 para os dois dias do evento, mas são oferecidos descontos para alguns profissionais e estudantes, especialmente os associados quites com a anuidade da APPSIQ/ABP. As vagas são limitadas a 340 lugares.

A programação, o currículo dos palestrantes e as inscrições podem ser feitas pelo site http://psiquiatria-pr.org.br/jornada

Irei participar da mesa de Transtornos Alimentares com o tema, Obesidade e Autossabotagem, junto com dois colegas psiquiatras:

Cirurgia Bariátrica: Aspectos gerais e sua interface com a psiquiatria, com o Dr. Alexandre Leal Laux;

Fatores prognósticos nos transtornos alimentares , com o Dr. Glauber Higa Kaio.

 

Meu filho está acima do peso e agora?

4 agosto, 2016 às 06:00  |  por Luciana Kotaka

Pequenas mudanças são suficientes para se controlar a obesidade na infância

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A obesidade deixa marcas na grande maioria das crianças, não faltam colegas de escola, familiares e pessoas do convívio em comum apontando o dedo ou fazendo comentários maldosos. Às vezes os comentários podem não ter uma intenção ruim, porém para a criança que se sente diferente das outras essas situações acabam trazendo um peso emocional significativo que interfere na imagem que tem de si mesmos. Como acabam apresentando dificuldades nas aulas de educação física e em algumas outras atividades, chamam muito a atenção das pessoas a sua volta, causando constrangimento e mal-estar.

Muitos são os relatos de crianças no consultório deixando claro o quanto estar acima do peso a fazem sentir diminuídas, com baixa autoestima e na grande maioria das vezes são deixadas de lado pelos amiguinhos da escola. Esse fator acaba contribuindo de forma significativa no comportamento de isolamento da criança e mesmo de depressão.

Outro foco importante são as doenças que podem vir a desenvolverem junto à obesidade, como colesterol alto, diabetes, problemas ortopédicos, neurológicos, pulmonar, endócrinos, fatores de risco para doenças cardiovasculares além das consequências sociais.

Proporcionar que os filhos pratiquem atividades físicas é um caminho, porém é importante ressaltar aqui que os pais são os principais modelos na vida de uma criança, eles também devem fazer atividade física, pois não adianta incentivar a criança a fazer se em casa mostra um comportamento contrário. Eles acabam passando muito tempo na frente da televisão, vídeosgames e computador, deixando de lado as brincadeiras que envolvem a atividade física.

Os hábitos alimentares devem ser saudáveis desde bebês, sempre escolhendo alimentos adequados à saúde. Muitas vezes somente um membro da família está acima do peso ficando complicado exigir que somente a criança que está acima do peso siga uma dieta diferente dos demais, sendo importante que todos da família tenham os mesmos hábitos saudáveis.

O grande consumo de fast food também contribui muito nesse contexto, pois é mais fácil comprar esse alimento pronto, os pequenos também adoram, que vão desde sanduíches, pizzas a grandes sacos de pipocas no cinema entre outros.

Quando se está acima do peso é importante fazer uma avaliação dos aspectos gerais citados acima, como atividade física, alimentação. Nesses casos procurar a ajuda do profissional nutricionista que poderá prescrever uma dieta tanto para a criança, como para a família, já que nessa idade não se deve fazer grandes restrições por estarem em fase de desenvolvimento, mas também porque o ideal é poder comer de tudo um pouco, só que em porções menores e com qualidade.

Fatores emocionais podem estar interferindo nesse processo como ansiedade, bullying,  medos infantis, separação dos pais, brigas constantes, perdas significativas e até situações das quais a família não tem conhecimento. Aí entra a psicologia para poder junto à criança identificar os motivos que a levam a comer em excesso e auxiliar para que se canalizem de forma assertiva esses sentimentos, para que a comida sirva somente para nutrição do corpo e não da alma.

Medidas da OMS contra a obesidade infantil

26 março, 2016 às 07:00  |  por Luciana Kotaka

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Mediante o crescente número de crianças obesas em todo o mundo e do risco que este fato representa a saúde, a Organização Mundial da Saúde adotou algumas medidas para controlar o aumento da obesidade em crianças. Sabe-se que a obesidade é considerada uma doença que afeta milhares de pessoas em todo mundo, além disso essa doença promove uma série de outros problemas a saúde como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, problemas do coração, renais entre outros.

Os hábitos alimentares infantis associados a ausência de atividades físicas sem dúvida são fatores que contribuem para o aumento da obesidade infantil em crianças. Os pais devem se conscientizar da importância de garantir que os filhos tenham hábitos alimentares saudáveis, muitas vezes os gostos e vontades da criança imperam sobre a vontade dos pais que acabam por ceder e compram diversos alimentos que são gordurosos e extremamente calóricos. Esses alimentos acabam por fazer parte das preferências da criança e mais tarde torna-se difícil retirá-los do cardápio dos pequenos e substituí-los por outros que sejam saudáveis.

Crianças obesas além de desenvolverem sérios problemas relacionadas a saúde, também podem apresentar dificuldades relacionadas ao ambiente que convivem, pois muitas crianças que estão acima do peso sofrem dificuldades  de relacionamento além de ter que encarar desde cedo o preconceito. Por esses e outros motivos que podem garantir graves problemas à saúde e vida social da criança, é que a Organização Mundial da Saúde criou estratégias para controlar o crescimento da obesidade infantil em todo mundo.

 Medidas da OMS contra a obesidade infantil

Uma das estratégias propostas pela OMS para controlar o problema da obesidade infantil é avaliar o IMC do nascimento até os cinco anos de idade da criança. O IMC é uma medida importante pois avalia se uma criança se encontra abaixo ou acima do seu peso ideal, alguns profissionais de saúde discordam da utilidade do IMC. No entanto, a OMS alerta que o IMC pode servir como uma forma de alertar os pais sobre a importância do filho está com sobrepeso ou obeso. A partir do diagnóstico de obesidade ou sobrepeso, o profissional de saúde pode buscar medidas alternativas para resolver o problema.

Os profissionais da área de saúde também alertam para o fato de que na maioria dos casos de obesidade infantil, a melhor alternativa é incentivar a criança a praticar exercícios físicos pois a maioria das crianças que estão obesas são sedentárias. Quando a criança não pratica atividades físicas, ela não consegue gastar as calorias ingeridas ao longo do dia.  Vale lembrar que ficar horas em frente a TV ou computador além de outras atividades sedentárias devem ser desencorajadas pelos pais e responsáveis.

Outra prática antiga e que é recomendada pela OMS é a de uma alimentação saudável que contenha uma grande variedade de alimentos como frutas, verduras e legumes. O cardápio de pessoas obesas em geral, é repleto de alimentos como bebidas açucaradas, frituras, fast food entre outros alimentos extremamente calóricos e pobre em nutrientes. O que se vê atualmente é um grande número de crianças obesas desnutridas, ou seja, visivelmente a criança apresenta um grande estoque de gordura, no entanto ela apresenta graves deficiências de nutrientes como vitaminas e minerais. Dessa forma, a criança obesa torna-se mais susceptível a problemas de saúde que vão desde os que são provocados pela obesidade até mesmo as doenças e distúrbios provocados pela ausência de vitaminas e minerais essenciais.

Considerações finais

Para corrigir os problemas causados pela obesidade não basta apenas as estratégias da Organização Mundial da Saúde, é preciso que os pais e os responsáveis estejam cientes de que o trabalho para combater a obesidade deve ser iniciado em casa e ainda na primeira infância com medidas que possam promover bons hábitos alimentares e evitar os excessos bem como o consumo exagerado de alimentos hipercalóricos. Ceder as vontades e os pedidos alimentares não saudáveis dos filhos deve ser algo raro, feito de vez em quando para quebrar a rotina. Os alimentos saudáveis e atividades físicas é que devem fazer parte da rotina e do hábito alimentar de crianças e adolescentes para que a obesidade possa ser evitada de maneira eficiente e duradoura.

É importante que os pais saibam que evitar a obesidade no seu filho também é um ato de amor, pois os grandes responsáveis por uma criança obesa são os pais e responsáveis que controlam a alimentação da criança.

Link da matéria: http://www.nutricaoemfoco.com/infancia/medidas-da-oms-contra-a-obesidade-infantil/

Você já ouviu falar em transtorno do comer seletivo?

8 janeiro, 2016 às 07:00  |  por Luciana Kotaka

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Os transtornos alimentares infantis ainda são pouco explorados e identificados, porém já recebi na clínica vários pais preocupados com a dificuldade que os filhos apresentam em comer de forma mais diversificada.

Os relatos são sempre os mesmos, os filhos se limitam a consumir um grupo muito seleto é geralmente um processo lento e que causa muita resistência por parte dos pequenos.

Normalmente não há comprometimento no crescimento e no peso da criança, porém pode ocasionar problemas sociais importantes em função de não consumir qualquer alimento.  Nesse transtorno não existe uma preocupação com a forma corporal ou peso, sendo as crianças do sexo masculino as mais afetadas.

Quando identificamos que um filho se comporta em relação à alimentação segundo o exposto acima é preciso ter muita calma, e buscar a orientação de um nutricionista para aprender a criar uma alimentação que possa ajudar na nutrição da criança.

Se esse comportamento começar a causar algum problema social, um psicoterapeuta especialista na área poderá ajudar em como se comportar frente a essas situações.

Em um momento onde os pais acabam favorecendo os desejos de seus filhos, é importante lembrar que nem sempre é adequado oferecer qualquer alimento só para que eles não fiquem sem se alimentar, mas cuidado para não confundir manha com o transtorno alimentar seletivo.

Seu filho pode ser melhor? Depende muito de como é a sua relação com ele.

4 dezembro, 2015 às 07:00  |  por Luciana Kotaka

Educar um filho pode ser uma tarefa árdua, mas ensiná-los a buscarem o seu melhor pode ser ainda mais difícil.

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Ainda hoje ouço pais dizerem aos filhos que eles precisam tirar nota máxima na escola, não aceitam, ou não valorizam, as notas que estão abaixo do ideal estabelecido, levando crianças e adolescentes a desenvolverem uma angústia muito grande, influenciando negativamente na autoestima dos mesmos.

Penso em minha própria infância e me lembro de amigos da escola, os considerados excelentes alunos e que hoje permanecem no anonimato. Por que será que isso acontece? Por que ser o melhor da classe tem um peso tão grande para muitas famílias?

Na semana passada recebi em meu consultório uma mãe que me relatou um fato que chamou a minha atenção. Sua filha ainda jovem apresenta ótimas habilidades, já produzindo um material bacana que podia ser utilizado com diversas finalidades, mas esse fato ao invés de ser explorado estava sendo visto como algo secundário, sendo cobrada de forma exaustiva em relação às matérias das quais apresentava dificuldades.

Passei o fim de semana pensando nesse caso e me preocupo com a grande parcela de pais que focam muito mais nas matérias em que os filhos não estão indo bem, ao invés de valorizarem aquelas que eles têm facilidade, podendo melhorar ainda mais, até porque se identificam com tais matérias.

Claro que precisam de uma nota mínima para que passem de ano, para cumprirem o curriculum escolar. Mas será que desvalorizar uma boa nota, mesmo que pouco acima da média, é o caminho certo? A superexigência pode ser fatal em muitos casos, tanto em relação à autoestima, como os efeitos que a insegurança pode gerar futuramente.

Em função desses fatores proponho uma reflexão aos pais:

- Qual a mensagem embutida que estão passando aos seus filhos quando a exigência está acima das possibilidades dos mesmos?

- Será possível acolher as dificuldades deles valorizando o que mostram de melhor, não deixando de incentivar, porém utilizando o afeto e o positivismo?

Estudar é uma obrigação muito chata para a maioria dos adolescentes, por isso proponho uma parceria onde os pais se façam presentes, não apenas cobrando exaustivamente, mas se disponibilizando a ouvi-los e ajudá-los em suas dificuldades, com carinho, não com chantagens, trocas ou ameaças.

Educar é uma tarefa infinita, porém nem sempre se está disposto e com energia, porém quando se escolhe ter filhos é necessário lembrar que acima de tudo a responsabilidade por ensiná-los a estudar, é sua.

Não permita que problemas entre casal interfiram na saúde emocional dos filhos

27 outubro, 2015 às 07:00  |  por Luciana Kotaka

Pequenos cuidados farão uma grande diferença quando o casal  resolve se separar

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Parece que foi ontem que recebi um caso na clínica onde uma mulher estava em processo de separação. Muito angustiada não sabia como lidar com essa situação, afinal além de enfrentar as dificuldades que envolvem esse processo, tinha os filhos pequenos.

Muitos casamentos chegam ao fim naturalmente, outras vezes nos vemos obrigados a tomar uma decisão, até para manter o carinho e respeito que ainda temos em relação ao parceiro. Porém nem sempre as pessoas que estão ao nosso redor compreendem o que nos motiva a tal decisão, mas isso não importa, pois acima de tudo o importante é preservar os vínculos principalmente do ex-parceiro com os filhos.

 Como nos casamos com o intuito de durar para sempre, na maioria das vezes não estamos preparados para as situações que possam surgir e que podem ser determinantes para um rompimento. E quando se tem filhos envolvidos, todo cuidado é redobrado.

Dicas:

- Não se deve tratar a separação como uma tragédia, é importante conversar com os filhos usando uma linguagem simples para que possam compreender;

- Fica muito mais fácil se souberem que o pai continuará sendo o papai e a mãe a mamãe, e que em nada esse rompimento do casal irá afetar essa relação com os filhos;

- A melhor forma de se colocar a questão é dizer que o amor terminou e que isso acontece com muitos casais, mas que continuarão conversando e cuidando deles;

- Seja qual for o motivo que levou ao rompimento do casamento não se deve falar mal do outro para os filhos, o que acabou foi o casamento, a relação dos filhos devem ser preservadas ao máximo;

- Você pode estar com muita raiva do parceiro e pode ser que tenha todas as razões do mundo para odiá-lo, mas permita que seus filhos possam construir suas próprias avaliações conforme crescerem, sem que se baseiem em sua percepção do ex;

- É importante não brigarem, acusarem ou tentarem organizar como será a partir do momento que separarem na frente dos filhos. Reserve um momento em que estão a sós para tomarem as decisões importantes a serem seguidas.

- Procure dar amor, estar mais presente e acompanhar os filhos mais de perto nesse momento, até para entender como esta reagindo a essas mudanças, orientando para que se situem quanto ao que irá acontecer daqui em diante.

- Não esqueça a importância de se manterem próximos acolhendo-os nesse momento, nada de só ver os filhos a cada quinze, a guarda compartilhada é fundamental para que passem por esse processo mais estruturado.

A quebra da instituição família desequilibra o sistema de forma geral, porém quanto mais se manter a tranquilidade nesse momento, mais fácil será para os filhos.

Dez lições que podemos aprender com nossos filhos

24 fevereiro, 2015 às 07:00  |  por Luciana Kotaka

Mesmo as atitudes mais singelas dos pequenos podem trazer uma grande aprendizagem para a vida dos adultos que os cercam

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Por Luciana Kotaka

 Já ouvimos muitas vezes a frase: “Ter filhos é padecer no paraíso” e apesar de em muitas situações nos colocarmos a pensar realmente na veracidade dessa frase, em momentos em que eles nos colocam à prova com suas birras, confrontos, dificuldades na escola, mas a grande verdade é que é maravlihoso poder compartilhar da companhia deles, dar risadas, rolar no chão, brincar de bola.

A criança tem uma inocência maravilhosa, são seres de uma pureza extrema, dão gargalhadas por qualquer coisa, tudo é engraçado, tudo é motivo de brincadeira.

Nós adultos perdemos com o tempo muitas das qualidades que tínhamos quando criança, poucos são os que conservam algum aspecto dessa época tão recheada de fantasias e alegrias.

A grande questão é: o que podemos aprender com elas?

Será que é possível recuperar um pouco dessa época maravilhosa? Será que eles mesmo sendo mais novos e com menos vivência de vida tem algo a nos ensinar? A boa notícia é que é possível sim.

Veja a seguir 10 coisas que podemos aprender com os filhos e entenda como eles colaboram com a evolução dos pais:

1. As crianças enxergam as pessoas com o coração puro, e nós adultos acabamos endurecendo essa visão até em função das situações que vivenciamos em nossas vidas, mas será que podemos deixar de generalizar e nos colocar mais verdadeiramente para o outro e permitir um olhar mais doce? Vamos tentar? Enxergar a vida sob outras perspectivas.

2. A criança aprende na escola as regras de trânsito e quando estão no carro com os pais apontam o sinal e mostram que agora eles também tem conhecimento. E o que acontece se os pais desrespeitarem o sinal, que mensagem nossos filhos aprenderão? Então, vamos respeitar o sinal, o outro, com a mesma certeza e determinação que uma criança faz quando aprende as leis. Eles as levam a sério.

3. O amor incondicional é um aspecto que só aprendemos quando geramos um filho, um amor que supera tudo, onde nos doamos de forma total e genuína.

4. Mágoa é um sentimento que a criança definitivamente não carrega, ela briga em um dia com um amiguinho e no dia seguinte é o melhor amigo de novo, uma prova que devemos aprender a respeitar o outro e a perdoar.

5. Eles são como CDs virgem, aprendem o tempo todo, curiosos, estão sempre em busca de novidades, explorando ao máximo o mundo ao seu redor. Não devemos perder nunca o estímulo de aprender, de estudar, eles são nossos melhores exemplos.

6. O sonho é algo que nos motiva a viver o dia a dia e com nossos filhos percebemos o quanto sonhar é algo fantástico, um estímulo sempre positivo.

7. Acordam todos os dias sorrindo, enfrentam o dia com leveza e bom humor, vale a pena seguir o exemplo deles.

8. O respeito aos animais é algo que fica claro na relações que estabelecem com eles, o carinho, a troca do afeto.

9. Crianças são simples, não complicam as situações, querem fazer ou não, suas respostas são pontuais, a indecisão não se faz presente.

10. Nossos filhos crescem e caminham em direção à vida, não poderemos mais decidir o que farão, aonde vão, nem escolher seus parceiros. Com eles aprendemos que não podemos controlar as pessoas e nem as situações.

 

Ter filhos é uma opção para todos?

9 setembro, 2014 às 07:26  |  por Luciana Kotaka

Ser verdadeiro com o que deseja evitará problemas sérios no decorrer de um relacionamento

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 por Luciana Kotaka

Desde pequenos somos criados para quando adultos possamos assumir um casamento e consequentemente ter filhos, pois nossa cultura prega esses comportamentos sendo o único caminho correto a ser seguido.

Porém, recebo muitos pacientes, que trazem essa questão em sessão. angustiados pela pressão exercida pelos familiares e amigos fazendo-os se sentirem estranhos por optarem outro estilo de vida.

Mas será que todos nós nascemos para sermos pais? Biologicamente falando a grande maioria sim, mas quando me refiro ao emocional, nem sempre temos disponibilidade interna para assumirmos uma vida assim tão regrada em que precisaremos estar disponíveis e comprometidos em cuidar de um ser que dependerá por muitos anos de nosso amor e acolhimento.

Já ouvi de muitos pais, me refiro a amigos também, o quanto sentem que a maternidade ou paternidade pesa, sentem-se angustiados e não disponíveis a tratar os filhos com a atenção necessária, não conseguem se comprometer com nenhuma atividade que envolva sua presença como: brincar com os filhos, levar para passear, jogar uma bola, montar um quebra-cabeça ou participar da reunião de pais. Muitas vezes essa situação fica ainda mais crítica quando chega a adolescência onde o afastamento fica claro, a dificuldade de se comunicarem aumenta, gerando problemas sérios tanto de comportamento, quanto de afetividade em geral, pois é claro que isso reflete diretamente na vida adulta e nas relações futuras.

Essa dificuldade que muitos pais relatam e sentida por seus filhos, afetando sua autoestima, tornando-os inseguros e despreparados para lidarem com a vida em geral.

Cumprir um script não é a melhor solução, devemos ter a responsabilidade de assumir o que queremos e não o que esperam de nós, isso deve ser conversado e ficar devidamente claro entre o casal antes do casamento, até para que este não desmorone no decorrer dos anos.

 

A doença que se herda

21 julho, 2014 às 00:09  |  por Luciana Kotaka

A importância de se respeitar o paladar infantil evita futuros transtornos alimentares

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por Luciana Kotaka

Somos bombardeados diariamente por propagandas de novos produtos de rejuvenescimento, plásticas, exercícios que endurecem o bumbum, dietas que emagrecem, uma avalanche de informações que de forma insidiosa vai infiltrando em nossas vidas e transformando nossos sonhos e frustrando ao mesmo tempo.

Dentro dessa situação que cresce de forma alarmante vemos que não são somente os adolescentes e adultos que são atingidos, mas as crianças, que são os futuros consumidores de todos esses produtos. Em um espaço de duas semanas tive contato com duas mães que estão acima do peso e transferiram para as suas filhas o seu desejo de serem magras. Comer de forma saudável deve ser sim uma opção assertiva, mas transformar esse processo em um ritual planejado de forma sistemática todos os dias transforma a vida dessas crianças em um terrível e temido pesadelo.

Todos nós sabemos dos benefícios do suco verde pela manhã, mas obrigar crianças pequenas a tomar esse suco, mesmo não gostando, e sentindo ânsia não é algo normal ou mesmo natural, ou privá-los de comer algo fora de casa, ou na escola, como se os alimentos fossem contaminar e propagar doenças em seus filhos.

Não somente a onda do corpo magro que leva aos transtornos alimentares é nociva, mas essas mães que acreditam que suas filhas também precisam entrar em um sistema assim levando a obsessão.

Precisamos mudar urgentemente essas crenças que vêm se instalando e começar a agir de forma adequada para contermos essa realidade patológica que vem se instala a cada dia que passa em nossas vidas e em muitas casas.

Aceitar os sinais da idade também tem seu charme, ter um corpo com curvas é lindo, comer de forma equilibrada nos permitindo o prazer de comer a batata frita ou um refrigerante é humano e é muito bom.

O equilíbrio deve ser a palavra de ordem em nossas vidas, em todas as ações, pois viver é bom demais, ser e não ter também, mas como ser espontâneo, autêntico com tantas cobranças e idealizações? Fica para reflexão da semana.