Política no teatro?

19 abril, 2017 às 14:39  |  por Helena Carnieri

Aproveito esse espaço para divulgar o trabalho super democrático de Jorge Dubatti, historiador, professor e crítico de teatro com quem conversei para a Folha de S.Paulo. Leia a entrevista abaixo:

‘Amantes do teatro se tornam filósofos’, diz historiador

HELENA CARNIERI

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CURITIBA

Jorge Dubatti, foto tomada por Alejandro Iurman

O conceito de teatro político foi ampliado na América Latina e entrou numa onda de multiplicidade.

A avaliação é do historiador e crítico argentino Jorge Dubatti, 53, para quem “todo amante do teatro torna-se um filósofo do teatro”. Ele difunde há 20 anos diferentes bases teóricas para que se aprimore a experiência de ver um espetáculo –e aquilo que se diz sobre ele depois.

Fundador da Escola de Espectadores de Buenos Aires, onde ministra aulas com lista de espera, lançou o livro “Teatro dos Mortos: Introdução a uma Filosofia do Teatro” (ed. Sesc, 204 págs., R$ 56). Em entrevista à Folha, ele traçou um panorama da pesquisa sobre teatro na América Latina e falou do potencial do teatro político.

Folha – O senhor tem fomentado a filosofia do teatro. Analisar uma obra teatral por meio da semiótica, ou seja, dos signos presentes nela, é insuficiente?

Jorge Dubatti - Há muitas construções científicas sobre o teatro, e cada uma defende uma abordagem diferente, com possibilidades e limitações distintas. As principais são a semiótica, a antropologia, a sociologia e a filosofia.

A semiótica entende o teatro como linguagem, enquanto a filosofia do teatro o compreende como acontecimento, que é uma ideia muito maior.

É fundamental que cada pensador saiba que não há uma única maneira de pensar o teatro e que essas formas podem se combinar e se enriquecer mutuamente.

Em Buenos Aires acreditamos que a forma de compreensão mais rica e abrangente do fenômeno teatral seja a filosofia do teatro, entendida como filosofia da práxis teatral. Daí surge o protagonismo dos artistas na produção desse pensamento.

O livro fala no aumento do número de artistas-pesquisadores. De que forma essa tendência faz avançar a investigação teórica?

A universidade está começando a aceitar as ciências da arte, no sentido da produção de discurso científico (rigoroso, sistemático, fundamentado e validado por uma comunidade de especialistas) sobre os fenômenos artísticos.

Também valoriza cada vez mais os artistas na produção do pensamento, um pensamento que surge da prática, numa filosofia da práxis artística. As combinações são múltiplas: o artista-pesquisador, o pesquisador-artista, as parcerias entre artistas e pesquisadores, e um novo modelo de pesquisador, aquele participativo, que, sem ser artista, faz do meio teatral seu laboratório, seja como espectador, seja como alguém próximo ao contexto de produção, circulação e recepção.

Os artistas-pesquisadores e essas outras combinações produzem um pensamento único, específico, singular, que deve ser promovido e estimulado pela universidade, que se vê diante de um grande desafio na articulação com as artes.

Existe alguma proposta para “controlar cientificamente a qualidade da produção de teatrologia”, conforme o senhor sugere no livro?

Cada comunidade de especialistas possui suas coordenadas de validação, de acordo com as bases epistemológicas, teóricas, metodológicas e analíticas. Muitas vezes essas diferentes coordenadas de validação geram discussões apaixonadas. A ciência é uma aventura cheia de paixão.

A predominância do teatro político hoje estimula produções panfletárias?

Na América Latina, ampliou-se o conceito de teatro político. Hoje observamos a força política do teatro em todos os níveis, na medida em que incide em um campo de poder que vai além dos partidos políticos, mas que pode incluí-los também.

Como se cria uma escola de espectadores?

É um espaço ao qual se convocam espectadores para analisar a cena teatral da cidade. Trata-se de estimulá-los a descobrir e alimentar a maravilha do teatro. Apostamos num espectador companheiro, crítico e filosófico

Aproveito esse espaço para divulgar o trabalho super democrático de Jorge Dubatti, historiador, professor e crítico de teatro com quem conversei para a Folha de S.Paulo. Leia a entrevista abaixo:

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