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Obra “Histórias de Baixa Visão” será lançada em Curitiba e Rio de Janeiro

6 dezembro, 2017 às 21:55  |  por Manoel Negraes

sucesso no lançamento na Feira do Livro de Porto Alegre, o livro “Histórias de Baixa Visão” – organizado pela jornalista Mariana Baierle – começa agora a circular pelo Brasil e será lançado nas cidades de Curitiba e Rio de Janeiro. Na capital gaúcha, a sala oeste do Santander Cultural, com capacidade para noventa pessoas, ficou lotada e muita gente ficou do lado de fora. No dia 15 de dezembro (sexta-feira), às 19h, a obra será lançada oficialmente em Curitiba, na Livraria da Vila, no shopping Pátio Batel. No dia 20 de dezembro será a vez do Rio de Janeiro, na Livraria e Bistrô Moviola, às 18h. Nas duas ocasiões estarão presentes parte dos autores do livro para um bate-papo com o público: em Curitiba, Manoel Negraes, Mariana Baierle, Marilena Assis e Rafael Martins dos Santos e, no Rio de Janeiro, Fernanda Shcolnik e Rafael Braz.

O livro “Histórias de Baixa Visão”, uma publicação da Editora CRV, dá visibilidade às questões relativas à deficiência visual, em especial à baixa visão. A obra traz relatos biográficos e crônicas de 19 autores acerca de suas experiências com a deficiência visual.

A partir da obra é possível entender que a baixa visão é uma maneira muito própria de enxergar e de se relacionar com o mundo, o que coloca os autores – assim como uma grande parcela da população – em uma posição intermediária entre a cegueira e a visão dita “normal”. Em todo o Brasil temos 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual. Desse total, conforme o último Censo do IBGE, apenas 500 mil são cegas. Os outros seis milhões de indivíduos tem baixa visão, ou seja, um nível de visão inferior a 30%. A pessoa com baixa visão possui um resíduo visual bastante útil em diversas situações cotidianas, não sendo nem uma pessoa que enxerga normalmente nem uma pessoa cega. 

Mais sobre a obra:

http://tresgotinhas.com.br/obra-historias-de-baixa-visao-sera-lancada-na-feira-do-livro-de-porto-alegre/

 Para aquisição do livro:

Em Porto Alegre, a obra é comercializada na Livraria Mosaico (Rua Riachuelo, 1264 – Centro Histórico, telefone (51) 3221 5553).

É possível adquirí-la também diretamente pelo site da Editora CRV em qualquer parte do país:

https://editoracrv.com.br/produtos/detalhes/32599-historias-de-baixa-visao

Facebook:

www.facebook.com/historiasdebaixavisao

Serviço:

O quê: Lançamento em Curitiba/PR e bate-papo com os autores Manoel Negraes, Mariana Baierle, Marilena Assis e Rafael Martins dos Santos

Quando: 15 de dezembro (sexta-feira)

Local: Livraria da Vila – Shopping Pátio Batel (Avenida do Batel, 1868 – Curitiba/ PR)

Horário: 19h

 O quê: Lançamento no Rio de Janeiro e bate-papo com os autores Fernanda Shcolnik e Rafael Braz

Quando: 20 de dezembro (quarta-feira)

Local: Moviola – Livraria e Bistrô (Rua das Laranjeiras, 280 – lojas B e C – Laranjeiras – Rio de Janeiro/RJ)

Horário: 18h

 Autores do livro: Mariana Baierle (organizadora), Adenirce Davi, André Werkhausen Boone, Ariane Kravczyk Bernardes, Fernanda Cristina Falkoski, Fernanda Shcolnik, Franciele Brandão, Gabriel Pessoa Ribeiro, Gilberto Kemer, Grazieli Dahmer, Heniane Passos Aleixo, Maicon Tadler, Manoel Negraes, Marilena Assis, Rafael Braz, Rafael Faria Giguer, Rafael Martins dos Santos, Renato D’Ávila Moura e Teco Barbero

Apoio: Associação de Cegos do RS (ACERGS), Faders – Acessibilidade e Inclusão,Porta da Toca Estúdio e Som da Luz

Contatos para imprensa:

 Em Curitiba:

Manoel Negraes – fone/wharsapp: 41 99201-2711

manoel.mid@gmail.com

 No Rio de Janeiro:

Fernanda Shcolnik – fone/whatsapp: 21 99634-7138

fernandashcolnik@gmail.com

 Organizadora da obra:

Mariana Baierle - fone/ whatsapp: 51 98433-7368

mariana.baierle@uol.com.br

 

imagem-capa

A capa, em sentido vertical, tem o verde escuro como cor de fundo. Do topo para a base, a tonalidade do verde fica gradualmente mais clara. Na metade superior da capa, alinhado à esquerda, o título da obra está escrito em letras maiúsculas. “HISTÓRIAS DE” está na primeira linha e “BAIXA VISÃO”, na segunda. Também alinhado à esquerda, na metade inferior da capa, em fonte menor e em letras maiúsculas está escrito “MARIANA BAIERLE” e, abaixo, em letras minúsculas e entre parênteses está escrito “(organizadora)”. Todas essas informações estão escritas em letras brancas. Na base da capa, centralizado, aparece o logotipo da editora Moura S.A., representado por um círculo verde que contorna um “M” maiúsculo sobre o nome “MouraSA”.

 

Projeto “Histórias e Memórias do Instituto Paranaense de Cegos”

2 novembro, 2017 às 22:44  |  por Manoel Negraes

É com alegria que anunciamos que o Ministério da Cultura aprovou, pela Lei Rouanet, o projeto “Histórias e Memórias do Instituto Paranaense de Cegos”, iniciativa da Vias Abertas – Comunicação, Cultura e Inclusão em parceria com a tradicional instituição curitibana, fundada em 1939, referência no atendimento de crianças, jovens e adultos com deficiência visual.

O objetivo do projeto, em fase de captação de recursos, é a publicação de um livro, de autoria de Manoel Negraes, com a atuação do Instituto Paranaense de Cegos na garantia do acesso das pessoas com deficiência visual à cultura, arte, educação e participação social, desde sua fundação até os dias atuais, tendo como pano de fundo um resgate histórico da deficiência visual no Paraná, no Brasil e no mundo.

Além disso, o livro, que será lançado durante as comemorações dos 80 anos da instituição, visa dar visibilidade e voz às pessoas com deficiência visual, protagonistas dessa história, bem como garantir o acesso ao conhecimento, por meio da distribuição de versão acessível e da disponibilização para download gratuito da obra.

Assim, pessoas que tenham morado, estudado, feito cursos ou trabalhado (formalmente ou como voluntários) no Instituto Paranaense de Cegos, ou ainda pessoas que tenham materiais históricos sobre a instituição ou sobre a questão da deficiência visual em Curitiba e no Paraná, e que queiram colaborar com o projeto, por favor, entrem em contato.

Manoel Negraes

41 99201-2711.

manoel.mid@gmail.com

Grupo de consultores em audiodescrição

13 outubro, 2017 às 23:23  |  por Manoel Negraes

A atividade de consultoria em audiodescrição é desempenhada por pessoas com deficiência visual (cegueira ou baixa visão) devidamente qualificadas para este fim. A atuação destes profissionais é uma necessidade indispensável que deve ser incorporada por equipes e profissionais responsáveis pela produção da audiodescrição de filmes, programas televisivos, teatro, espetáculos, fotografias, ilustrações, exposições, dentre outros eventos. A consultoria é indispensável para a avaliação técnica da qualidade, eficácia, pertinência e funcionalidade do produto audiodescrito. Os consultores possuem o saber teórico e técnico, vivenciam e conhecem profundamente as características próprias do público consumidor da audiodescrição.

Em maio deste ano, criamos no WhatsApp o grupo “Consultores em Audiodescrição”, constituído por participantes de todas as regiões do país, que atuam efetivamente na prática da consultoria em audiodescrição. A principal finalidade  do grupo é a troca de experiência, o estudo, a discussão e a reflexão em uma rede colaborativa de aprendizagem.

Nesta perspectiva, o grupo debate temas e assuntos relacionados à prática da consultoria e outros aspectos de natureza conceitual, paradigmática e política no âmbito da aplicação das diversas modalidades de audiodescrição. Colabora, coletivamente, para a formação de um acervo bibliográfico, composto por monografias, dissertações, livros e artigos de interesse acerca da temática, disponível para consulta e estudo dos participantes. Outra iniciativa do grupo é a organização de um banco de dados com o cadastro dos consultores disponíveis para a prestação do serviço de consultoria em diferentes localidades, a saber:

Consultores em Audiodescrição

Alessandro Câmara de Souza– Niterói– RJ (21) 98621-6145

camarasouza@gmail.com

André Martins Campelo – Porto Alegre – RS (51) 98541-2415

campelopsi@hotmail.com

Aparecida Pereira Leite – Rio de Janeiro – RJ (21) 98368-2879

cidaleite21@gmail.com

Audier Silva Gomes – Goiânia– GO (62) 98409-2023

audier@bol.com.br

Bruno Lima – Natal– RN (84) 99602-5625

brunolimanatal@gmail.com

Cristiana Mello Cerchiari– São Paulo – SP (11) 99578-9576

cristiana.mello@gmail.com

Edgard Jacques Fernandes – São Paulo – SP (11) 982357659

edgardjacques@gmail.com

Elizabet Dias de Sá– Belo Horizonte – MG (31) 99941-4359

elizabetds@gmail.com

Fabrícia Omena– Maceió – AL (82) 99992-7512

fabriciaomena@gmail.com

Felipe Leão Mianes– Porto Alegre – RS (51) 99626-8849

f.mianes@terra.com.br

Felipe Vieira Monteiro– Resende– RJ(24) 99954-9874

educadormusical@gmail.com

Fernanda Taschetto– Santa Maria – RS (55) 98403-0234

fetaschetto@gmail.com

Gabriel Aquino Alves Gomes– Belo Horizonte – MG (31) 99257-0461

gabriel27aquino@gmail.com

Laercio Sant`Anna – São Paulo – SP (11) 99522-8522

laercio@laerciosantanna.com.br

Lucas Borba– Caxias do Sul – RS (54) 99969-1339

lborba1618@hotmail.com

Luciane Maria Molina Barbosa – Guaratinguetá– SP(12) 9810-20340

braillu@gmail.com

Luis D. Medeiros – Porto Alegre – RS (51) 98208-0680

prn.luis.medeiros@gmail.com

Manoel José Passos Negraes– Curitiba– PR (41) 99201-2711

manoel.mid@gmail.com


Mariana Baierle– Porto Alegre –RS (51) 98433-7368

mariana.baierle@uol.com.br

Marilena Assis– Porto Alegre – RS (51) 99963-2313

professoramarilenaassis@gmail.com

Michelle Lisboa Alheiros– Recife– PE (81) 99745-2577

michellealheiros14@gmail.com

Moira Braga– Rio de Janeiro – RJ (21) 98869-7569

moirabraga@gmail.com

Mônica de Nazaré Carvalho– Belém – PA (91) 98203-2236 (91) 99903-3340

monicanacar@gmail.com

Paulo Augusto Colaço Monte Alegre – São Paulo – SP (11) 98338-9778

pauloacmontealegre@gmail.com

Rafael Braz da Silva– Porto Alegre – RS (51) 99101-0823

brazpsy@gmail.com

Roberto Luiz da Silva Cabral– Recife – PE (81) 98177-2225

roberto70cabral@gmail.com

Texto: Elizabet Dias de Sá e Felipe Monteiro

Festival de Cinema Acessível Kids

22 setembro, 2017 às 10:23  |  por Manoel Negraes

Após encantar o público na estreia com a exibição de “Malévola” em sessões lotadas, o Festival de Cinema Acessível Kids segue sua programação com “Meu Malvado Favorito1” no próximo dia 24 de setembro (domingo). O título é um dos grandes sucessos da Disney e será exibido, pela primeira vez, com três recursos de acessibilidade: audiodescrição, legendas e Libras. O Festival de Cinema Acessível Kids tem a chancela da UNESCO e apresenta formato inédito no mundo. A sessão ocorre às 15h, na Sala Paulo Amorim, da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico – Porto Alegre), com entrada franca.

A proposta do Festival de Cinema Acessível Kids – que é uma realização do Som da Luz através da Lei Rouanet -,é apresentar obras cinematográficas infanto-juvenis, mas que fazem sucesso com a família toda. “O investimento na formação das crianças garante uma sociedade melhor no futuro”, afirma Sidnei Schames, diretor do Som da Luz.

Nesse sentido, uma iniciativa como a do Festival de Cinema Acessível Kids possibilita que as crianças e jovens já cresçam em um contexto que acolhe e respeita as particularidades de cada indivíduo. “É notável a diferença na formação do adulto se já na infância houver a convivência e a troca entre crianças com e sem deficiência. E o Festival de Cinema Acessível Kids é um caminho que incentiva e possibilita isso”, comenta Schames.

OS RECURSOS DE ACESSIBILIDADE

As obras do Festival de Cinema Acessível Kids contam com os recursos de audiodescrição, legendas explicativas e Língua Brasileira de Sinais. A audiodescrição permite ao público com deficiência visual (pessoas cegas ou com baixa visão) ter acesso aos filmes através da descrição dos elementos visuais da obra. Pesquisas demonstram que esse recurso beneficia, ainda, espectadores com autismo, Síndrome de Down, déficit intelectual, dificuldade de concentração e problemas neurológicos.

As legendas e a janela de Libras trazem acessibilidade ao público surdo ou com deficiência auditiva. Além dos filmes acessíveis, o Festival promove uma recepção acolhedora do público para que todos se sintam bem e possam aprender uns com os outros a partir das sessões de cinema.

FOCO NO PÚBLICO SEM DEFICIÊNCIA

Crianças e adultos sem deficiência também vem aproveitando e aprendendo muito com o Festival de Cinema Acessível Kids. No início de cada sessão a equipe do Som da Luz distribui vendas para quem enxerga perceber a importância da audiodescrição e ter uma experiência fílmica diferente. “As pessoas fazem o exercício de se colocar no lugar de quem tem deficiência e saem maravilhadas”, relata o diretor.

No que diz respeito à comunicação com o público surdo o evento também tem provocado uma mudança cultural e vem instigando o aprendizado. “Tivemos muita gente da plateia sem deficiência que foi fazer curso de Libraspara poder se comunicar com pessoas surdas”, conta Schames.

SESSÕES PARA ESCOLAS

Haverá sessões específicas para escolas que em função da grande procura já estão com as reservas esgotadas. Escolas interessadas devem manifestar interesse para a lista de espera, informando o número de alunos que gostariam de levar e o contato da direção. O email para ser incluído na lista de espera é: somdaluz@somdaluz.net.

PROGRAMAÇÃO

Além de “Malévola” e “Meu Malvado Fatorito1”, dentro da programação do Festival de Cinema Acessível Kidsestá ainda “Universidade Monstros”. Para conferir a programação completa, acesse a página no Facebook: Festival de Cinema Acessível Kids. Todas as sessões tem entrada franca.

O Festival de Cinema Acessível Kids conta com patrocínio do BRDE, Charrua Distribuidores de Derivados de Petróleo e Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho – Grupo RBS, além dos seguintes apoiadores: Unesco, SJDH, ACERGS, UCERGS, IECINE, AGADE e  Cinemateca Paulo Amorim. O Som da Luz segue captando recursos através da Lei Rouanet para a viabilização de novos títulos dentro da programação do evento. Empresas interessadas podem entrar em contato.

 SERVIÇO:

O que: Festival de Cinema Acessível Kids, com “Meu Malvado Fatorito1”

Data: 24de setembro (domingo)

Horário: 15H

Local: Sala Paulo Amorim da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico – Porto Alegre/ RS)

Entrada franca

Próximo filme na programação:Universidade Monstros (14 de outubro,sábado), às 15h

Facebook: Festival de Cinema Acessível Kids

Patrocínio: BRDE, Charrua Distribuidores de Derivados de Petróleo e Fundação Maurício Sirotski Sobrinho – Grupo RBS

Realização: Som da Luz

Apoio:Unesco, SJDH, ACERGS, UCERGS, IECINE, AGADE e  Cinemateca Paulo Amorim

Livro “Histórias de Baixa Visão”

12 setembro, 2017 às 00:14  |  por Manoel Negraes

Olá!

Abaixo segue a primeira resenha do livro “Histórias de Baixa Visão”. Eu tive a honra e o prazer de participar desse projeto maravilhoso, com um tema tão importante e ainda tão invisível.

Que vocês possam aproveitar a experiência de cada pessoa com baixa visão que contou um pouco da sua maneira de ver o mundo.

 O VER É DIFERENTE PARA TODOS

Por: Luciane Franzoni Reinke – jornalista e mestre em Letras

Em todo o Brasil temos 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual. Desse total, conforme o último Censo do IBGE, apenas 500 mil são cegas. Os outros seis milhões de indivíduos tem baixa visão. E o que significa ter baixa visão? Este é o nome genérico para designar um nível de visão inferior a 30% – quando a pessoa possui um resíduo visual bastante útil em diversas situações cotidianas.

A baixa visão é ocasionada em função de diabetes, catarata, glaucoma, retinose pigmentar, problemas na mácula, nervo ótico, retina, entre outras questões congênitas ou adquiridas ao longo da vida. Este grupo de pessoas, embora seja a maioria dentro do universo da população com deficiência visual, ainda é pouco conhecido e compreendido socialmente.

O livro “Histórias de Baixa Visão”, organizado por Mariana Baierle – jornalista e mestre em Letras -, busca trazer visibilidade ao segmento, mostrando que se trata de uma maneira muito própria de enxergar e de se relacionar com o mundo, o que coloca estes sujeitos em uma posição intermediária entre a cegueira e a visão dita “normal”. Mais do que esclarecer e chamar atenção para o elevado número de pessoas com baixa visão, a obra nos leva à bela reflexão de que ninguém no mundo enxerga de forma igual, independente do nível clínico de visão. Essa perspectiva nos conduz a um passeio na voz de 19 autores que contam as suas experiências, mostrando as diversas nuances do tema. Será que todas as pessoas com baixa visão e cegos tem os mesmos desafios? Existe uma regra geral de desenvolvimento, de adaptações e de aceitação? São perguntas que dentro deste âmbito muitos devem se questionar, como pais, professores, amigos, sociedade em geral.

O conhecimento de quem vive na prática os desafios de estar em um mundo que não é projetado para quem tem alguma diferença ou foge dos padrões da dita “normalidade” é essencial para repensarmos esses padrões. Nesse sentido, o livro dá a exata dimensão de como cada indivíduo vive e se insere no mundo a partir de um olhar próprio.

 Conhecer as histórias de Adenirce Davi, André Werkhausen Boone, Ariane Kravczyk Bernardes, Fernanda Shcolnik, Franciele Brandão, Gabriel Pessoa Ribeiro, Gilberto Kemer, Grazieli Dahmer, Maicon Tadler, Manoel Negraes, Mariana Baierle, Marilena Assis, Rafael Braz, Rafael Faria Giguer, Rafael Martins dos Santos, Renato D’Ávila Moura e Teco Barbero é passar a entender como cada ser humano pode enxergar de diversas maneiras. A obra relata também a experiência de duas professoras: Fernanda Cristina Falkoski e Heniane Passos Aleixo que atuam com pesquisa e ensino de pessoas com deficiência.

“Histórias de Baixa Visão”, uma publicação da Editora CRV através do selo MouraSA, encontra-se dividido em quatro grandes partes e 19 capítulos. É um livro cheio de sentimentos, estruturando-se assim: Parte I – Descoberta e ressignificação da baixa visão; Parte II – O uso da bengala: entre a negação, a aceitação e a autonomia; Parte III – Episódios difíceis, cômicos ou inusitados da baixa visão; Parte IV – Além do que não se pode ver e ouvir: baixa visão e as intersecções com a surdocegueira.

Venha se emocionar com uma obra que veio para mostrar o quanto é importante o respeito às diferenças e o quanto podemos sempre aprender uns com os outros. O lançamento será na 64ª Feira do Livro de Porto Alegre, Praça da Alfândega (Centro Histórico). Haverá um bate-papo com os autores na Sala Oeste do Santander Cultural, no dia 18 de novembro (sábado), às 15h. A obra estará disponível na Feira do Livro ou no próprio site da Editora CRV a partir de novembro. Acompanhe também a página no Facebook: Livro Histórias de Baixa Visão.

 SERVIÇO:

O quê: Lançamento do livro Histórias de Baixa Visão e bate-papo com os autores

Quando: 18 de novembro (sábado)

Local: 64ª Feira do Livro de Porto Alegre – Santander Cultural – sala Oeste

Horário: 15h

Autores: Mariana Baierle (organizadora), Adenirce Davi, André Werkhausen Boone, Ariane Kravczyk Bernardes, Fernanda Cristina Falkoski, Fernanda Shcolnik, Franciele Brandão, Gabriel Pessoa Ribeiro, Gilberto Kemer, Grazieli Dahmer, Heniane Passos Aleixo, Maicon Tadler, Manoel Negraes, Marilena Assis, Rafael Braz, Rafael Faria Giguer, Rafael Martins dos Santos, Renato D’Ávila Moura e Teco Barbero

 Facebook: Livro Histórias de Baixa Visão

A invisibilidade cotidiana

31 julho, 2017 às 00:06  |  por Manoel Negraes

Uma das situações mais comuns no cotidiano de quem tem alguma deficiência é o fato das pessoas não falarem diretamente com a gente e sim com quem está nos acompanhando. Isso acontece praticamente todos os dias, no comércio, na família, no trabalho, enfim, em diversos momentos.

Quando relato as minhas experiências de “invisibilidade”, sempre conto uma história engraçada que aconteceu comigo, quando eu ainda morava em São Paulo. Frequentava, às vezes, um bar/restaurante com amigos, geralmente no horário do almoço, momento em que eu ouvia a conhecida pergunta: o que ele vai comer hoje?

Certo dia, já cansado dessa história de ser “ignorado”, entrei no estabelecimento sozinho, cheguei até uma mesa e me acomodei. O garçom passou por mim duas vezes (será que achou que logo iria chegar alguém para me acompanhar?) e ao ver aquele vulto branco se aproximar mais uma vez, tomei a iniciativa:

- Ei, amigão, você pode me atender, por favor?

Sem jeito, ele disse:

- Claro, me desculpe, o que vai querer?

Pedi, lógico, uma cerveja, estava calor naquele final de tarde de uma sexta-feira de verão. Então, ouvi a seguinte pérola:

- Mas, você bebe?

Sem pensar duas vezes, respondi com bom humor:

- Com certeza, faz tempo, ou você acha que eu estou aqui para olhar os outros bebendo?

Ele riu, em seguida eu também, e, naquele instante, percebi que tinha aberto uma oportunidade para tocar no assunto e resolver o que estava me incomodando. Disse a ele que já tinha percebido o seu constrangimento e que o correto era falar sempre com a pessoa com deficiência. Ele pediu desculpas e perguntou algumas curiosidades sobre minha baixa visão, o que nos aproximou. Voltei apenas duas, três vezes ao local antes de vir para Curitiba, mas me lembro bem do novo comportamento do rapaz.

Com esse relato, que pode parecer bobo para alguns ou até absurdo para outros, gostaria de ressaltar uma das principais armas que eu utilizo no meu cotidiano para combater o constrangimento que a deficiência ainda causa nas pessoas: o bom humor. É lógico que experimento diversas situações que exigem um enfrentamento sério, mais duro, às vezes ríspido, da minha parte. Porém, no geral, gosto de usar o bom humor, acredito que ele aproxima, que ele ajuda a romper barreiras e a quebrar preconceitos. Nesse caso, por exemplo, uma grosseria minha provavelmente teria afastado o garçom e ele continuaria a atender as pessoas com deficiência da maneira errada.

Contudo, gostaria de ressaltar também que é fundamental existir mais atenção, mais cuidado, enfim, mais leveza para que possamos romper de vez com esse constrangimento que faz com que as pessoas sem deficiência nos “ignorem”. “Mas, Manoel, imagina, eu nunca fiz isso”. Será? Ninguém que está lendo esse texto já ficou constrangido na presença de uma pessoa com deficiência e deixou de bater um papo bacana na escola, no trabalho, em uma festa, ou deixou de atendê-la da maneira correta no comércio em que trabalha?

Então, que essa besteira toda que eu escrevi aqui sirva para que possamos refletir. Por que isso acontece? Romper com esse constrangimento é demonstrar respeito, é valorizar nossas decisões, escolhas e opiniões, é, sobretudo, nos “humanizar”.

Conheça um pouco sobre a história das pessoas com deficiência no Brasil

13 julho, 2017 às 17:16  |  por Manoel Negraes

Um tema recorrente no segmento das pessoas com deficiência é a invisibilidade que enfrentamos nos espaços sociais e nas políticas  públicas. Afinal, apesar de uma legislação específica avançada, ainda falta muito para que nossos direitos sejam garantidos, tanto na área da saúde, no mundo do trabalho e na vida acadêmica, quanto no acesso à cultura, ao lazer e à informação – só para citar alguns exemplos.

Contudo, na história dos movimentos sociais, que desde o período da redemocratização do Brasil, na década de 1980, buscaram voz no campo político e lutaram por direitos na Constituição Federal de 1988, nosso segmento também é invisível.

Assim, o livro e o filme que sugiro aqui são tentativas de combater essa invisibilidade, a partir do resgate e da organização de registros fotográficos, documentos e, sobretudo, de depoimentos de pessoas com e sem deficiência que construíram essa história em uma época na qual as condições de acessibilidade e de comunicação eram muito mais precárias que hoje em dia.

Enfim, são duas fontes de pesquisa importantes, que foram lançadas há alguns anos, mas que, com um olhar crítico, ainda merecem ser conhecidas e interpretadas por todos que atuam na área da deficiência, visto que apresentam elementos significativos para pesquisas e práticas atuais.

 

Filme “História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil

Livro “História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil

é possível encontrar o livro também no formato doc na página www.pessoacomdeficiencia.gov.br

Sobre pais e filhos

25 junho, 2017 às 23:22  |  por Manoel Negraes

Todos nós construímos durante todas as fases de nossas vidas, múltiplas relações com a figura paterna e a ideia de paternidade. Isso, sobretudo, a partir de vivências influenciadas diretamente pelos contextos familiares e sociais nos quais estamos inseridos e que apresentam condições materiais e emocionais, bem como concepções culturais determinantes.

Eu, por exemplo, que nasci poucos meses depois do falecimento do meu pai, vivenciei ao longo dos meus 38 anos de idade a ausência, a “saudade do que não tive”, a angústia da eterna pergunta “como teria sido?”, o orgulho pela sua história, o vínculo por meio da palavra escrita (ele publicou dois livros), a revolta por não tê-lo para compartilhar alegrias e tristezas e uma forte e constante vontade de ser pai.

Tudo isso junto e misturado, ao mesmo tempo agora… sim, tudo isso junto e misturado, principalmente desde a minha adolescência, fase na qual tomamos mais consciência de nossos sentimentos e do que queremos para o futuro, até agora, até o momento em que escrevo este texto.

Por outro lado, além da presença e da importância da minha mãe, vivenciei e vivencio tudo isso com as presenças marcantes de algumas figuras masculinas, dentre as quais dois homens que eu tive o privilégio de conviver: o meu avô materno, Ernesto, falecido em 1990, e meu tio Ernesto Augusto, um dos irmãos da minha mãe, falecido em 1996, mesmo ano em que eu descobri a retinose pigmentar.

Com a minha nova condição essas vivências ganharam outras cores e novos sabores, afinal a baixa visão trouxe e traz experiências subjetivas específicas que, a partir das interações familiares e sociais cotidianas, refletiram e refletem, inclusive, na minha relação com a figura paterna e com a ideia de paternidade.

Posso citar, conforme o exposto acima, entre outros pontos, as novas possíveis respostas que surgiram para a pergunta “como teria sido?”, a ausência nos momentos mais angustiantes da aceitação ou, ainda, a ampliação do vínculo pela palavra escrita (minhas poesias visuais). Porém, quero destacar a forte e constante vontade de ser pai.

Da minha parte, essa nova condição nunca interferiu nessa vontade, nunca diminuiu a sua força. Entretanto, o desejo de ser pai com deficiência nos apresenta situações como, por exemplo, a possibilidade do filho ou da filha também ter deficiência e a dúvida “será que vou conseguir cuidar dele sem enxergar?”.

A primeira, para mim, há muitos anos não é um problema e, sinceramente, não me lembro de já ter sido uma preocupação em algum momento. Contudo, essa questão ainda aparece em minha vida, ou por meio de grupos de pesquisa genética, que demonstram pouca sensibilidade para lidar com o tema ao proporem a ideia de “planejamento familiar”, ou nos questionamentos de algumas pessoas, a maioria distante do nosso dia a dia.

Nesses casos, busco lidar, no geral, com tranquilidade e, às vezes, de maneira mais incisiva, principalmente quando o tema surge dos grupos de pesquisa. Busco sempre esclarecer o seguinte: se sou bem resolvido com a baixa visão e, sobretudo, se defendo essa condição como um modo legítimo de ser e estar no mundo, ter um filho ou uma filha com deficiência visual será uma situação tratada de forma natural. Aliás, uma frase da minha companheira resume e encerra a questão: “Se eu casei com um homem que não enxerga bem, por que não teria um filho que também não enxerga?”.

A segunda situação, de fato, agora está mais presente do que nunca e, confesso, que quando descobri que a Géssica estava grávida eu pensei “nossa, tenho que pesquisar, tenho que descobri rápido como trocar fraldas, dar comida e banho sem enxergar”. No entanto, logo desisti, abandonei as pesquisas específicas e fiz isso por um simples motivo: quero aprender na prática, quero ser como qualquer outro homem que viveu boa parte da vida com uma constante e forte vontade de ser pai.

E foi a melhor decisão que tomei, pois agora aproveito cada dia dessa gestação com os sentimentos, as dúvidas e as preocupações que acompanham todos os casais que esperam um bebê. Claro, sempre considerando as questões que envolvem a baixa visão, mas não o fato de não conseguir dar banho ou a possibilidade dele nascer com deficiência, e sim a desconfiança dos outros na minha capacidade de cuidar de um filho e o preconceito que, infelizmente, ele também sentirá.

Em novembro o Ernesto Augusto (que nome lindo!) estará entre nós para daqui a algum tempo começar a construir a sua relação com a figura paterna. E eu estarei com todos os meus sentidos e sentimentos abertos para aprender e ensinar, para rir e chorar, para viver intensamente cada instante da paternidade que sempre desejei. Seja bem-vindo meu filho.

Café Filosófico sobre Deficiência e Diferenças

19 junho, 2017 às 22:32  |  por Manoel Negraes

Hoje quero deixar uma sugestão. É uma edição do programa Café Filosófico, exibido pela TV Cultura de São Paulo, em 2016, com a médica Izabel Maior, importante ativista do Movimento Político pelos Direitos das Pessoas com Deficiência.

Entre os temas dessa edição, sobre Deficiência e Diferenças, estão fatos históricos, a questão da invisibilidade das pessoas com deficiência, a desvalorização das diferenças, o preconceito, a distinção entre integração e inclusão, o surgimento do modelo social de deficiência, os avanços em políticas públicas, entre outros.

Um programa esclarecedor para as pessoas com deficiência que, no cotidiano, buscam reconhecimento e efetivação de seus direitos. Mais ainda, um programa esclarecedor para todo mundo que busca construir uma sociedade mais justa e igualitária, que valoriza a diversidade humana.

Assista aqui: Café Filosófico Deficiência e Diferenças 

Eventos importantes sobre deficiência visual, com destaque para a bengala verde

4 junho, 2017 às 22:56  |  por Manoel Negraes

Dica 1

Com alegria divulgo que a escritora Joyce Guerra, homenageada recentemente nesse blog, estará aqui em Curitiba para lançar o seu livro “Muito além da sobrevivência”, obra que apresenta crônicas, diálogos e reflexões baseadas na vivência da autora, com o objetivo de auxiliar pessoas com deficiência visual na busca por autonomia e de promover a comunicação não-violenta como alternativa para a educação de crianças.

No evento a paraibana, que hoje mora em Minas Gerais, fará a palestra “Muito além da sobrevivência: desafios e reflexões sobre inclusão e preconceito”.

Com certeza estarei presente para prestigiar… não percam!

Serviço

Evento: Palestra e lançamento do livro Muito além da sobrevivência, de Joyce Guerra

Data: sexta-feira, 9 de junho

Horário: 14 horas

Local: Biblioteca Pública do Paraná

Endereço: Rua Cândido Lopes, 133, Centro – Curitiba

Entrada gratuita e certificação para os participantes

 

Dica 2

Nos dias 9 e 10 de junho, na cidade maravilhosa, ocorrerão dois eventos simultâneos, o VIII Congresso da Sociedade Brasileira de Visão Subnormal e o I Encontro de Baixa Visão do Instituto Benjamin Constant, voltados a um público multidisciplinar, com foco no atendimento, na qualidade de vida e na inclusão social das pessoas com baixa visão.

Entre os temas estão ações educacionais para a deficiência visual, tecnologia assistiva e outros recursos de promoção da acessibilidade. Lei Brasileira de Inclusão e diretrizes para os serviços de reabilitação visual e relatos de experiência.

Destaco a participação da minha amiga e companheira do Coletivo Bengala Verde Fernanda Shcolnik, que fará a palestra “Baixa Visão: Identidade, Orientação e Mobilidade”, na qual apresentará, entre outras questões importantes, informações acerca da bengala verde, instrumento direcionado às pessoas com baixa visão cada vez mais difundido no Brasil!

Informações completas sobre programação, inscrição, horários e endereço no site www.ibc.gov.br

 

Dica 3

A Comissão dos Idosos, das Pessoas com Deficiência e da Acessibilidade, da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS), lançará dia 27 de junho a Cartilha das Pessoas com Deficiência, material inédito após a entrada em vigor da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei Federal nº 13.146, de 2015).

O objetivo é destacar a importância da deficiência na busca por uma sociedade mais igualitária. Mais ainda, segundo a presidente da Comissão, Rita Luz (que como eu tem baixa visão), a cartilha quer mostrar que todos devem ser tratados de forma igual, na medida de suas desigualdades.

Além disso, a cartilha apresenta em seu conteúdo a bengala verde, sendo provavelmente o primeiro documento de defesa de direitos do país a trazer a novidade que tem colaborado com a autonomia e o reconhecimento das pessoas com baixa visão.

Saiba mais no site: www.oabms.org.br

Quer conhecer mais sobre a baixa visão e a bengala verde, leia outros textos nesse blog e procure no Facebook a página do Coletivo Bengala Verde!