A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Voranigo (vorasidenibe), medicamento oral indicado para o tratamento de gliomas difusos de baixo grau. O glioma é um tipo de tumor cerebral associado a mutações específicas. O fármaco, desenvolvido pela farmacêutica francesa Servier, será disponibilizado em comprimidos de uso diário.
Segundo a Anvisa, essa é a primeira vez em mais de duas décadas que uma terapia direcionada é aprovada para esse tipo de câncer no sistema nervoso central. O medicamento é recomendado para pacientes a partir de 12 anos, diagnosticados com astrocitomas ou oligodendrogliomas de grau 2, portadores de mutações nos genes IDH1 ou IDH2, já submetidos a cirurgia e sem indicação imediata de quimioterapia ou radioterapia.
“Temos uma notícia histórica para a medicina e para milhares de famílias brasileiras. A Anvisa aprovou o vorasidenibe, que é o primeiro medicamento oral específico para tratar um tipo de tumor cerebral chamado glioma difuso de baixo grau, associado a mutações específicas”, disse o neurocirurgião Denildo Veríssimo, especialista em doenças do crânio, coluna e técnicas minimamente invasivas.
Para ele, a novidade representa um marco não apenas para a oncologia, mas também para a neurocirurgia, já que o procedimento cirúrgico é a primeira linha de tratamento desses tumores. “Até hoje os pacientes que passavam por cirurgia tinham como única alternativa aguardar o momento de iniciar quimioterapia ou radioterapia, que trazem efeitos colaterais importantes e podem comprometer a qualidade de vida. Agora, com esse novo medicamento, fruto da tecnologia molecular cada vez mais avançada, é possível atrasar por vários anos a necessidade desses tratamentos mais agressivos”, explicou.
Mais tempo
Estudos clínicos internacionais mostraram que o vorasidenibe quase triplica o tempo sem progressão do tumor. Isso significa oferecer ao paciente mais tempo, mais qualidade de vida e mais esperança. “O melhor é que se trata de um comprimido de uso diário, simples e de fácil adesão. Essa é a primeira vez em duas décadas que surge uma terapia direcionada para esse tipo de câncer no cérebro. Para famílias e pacientes, a notícia representa um avanço científico e também um marco de esperança, mostrando que a medicina e a biotecnologia seguem transformando vidas”, completou o neurocirurgião.
A aprovação do Voranigo reforça a importância do acompanhamento multidisciplinar e o papel da neurocirurgia como porta de entrada para terapias inovadoras. Para a comunidade médica e para os pacientes, trata-se de um avanço que alia ciência, inovação e impacto direto na qualidade de vida.