Médicos urologistas de 12 centros especializados do Brasil trabalham desde o início deste ano em um projeto científico que desvenda uma nova técnica para o tratamento da doença de Peyronie. O mal atinge cerca de 9% dos homens brancos de todo o mundo e é caracterizado por uma curvatura no pênis. A principal conseqüência é a dificuldade de penetração durante o ato sexual. Em situações mais graves pode ser causadora de disfunção erétil.

O SISPE, nome que designa o Projeto Multicêntrico da Doença de Peyronie, reúne profissionais de Recife (PE), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), São Paulo (SP), Campinas (SP), Rio Claro (SP), Ribeirão Preto (SP) e Porto Alegre (RS) trabalhando sob um único protocolo de procedimento. Serão realizadas, no total, 63 cirurgias. Perto de dez cirurgias foram realizadas até o início do mês de abril. Esta é a primeira experiência científica sobre procedimentos cirúrgicos capazes de resolver os problemas causados pela doença.

 

O médico urologista Sidney Glina é o coordenador do projeto. Ele é considerado o maior especialista brasileiro em disfunção erétil e infertilidade masculina, preside a Sociedade Brasileira de Urologia, é professor de Pós-Graduação na Disciplina de Urologia na Universidade de Campinas, Diretor do Instituto H.Ellis, em São Paulo, e Chefe do Departamento de Urologia do Hospital Ipiranga. Coordenou o Centro de Reprodução Humana do Hospital Israelita Albert Einstein e até 2002 foi Presidente da Internacional Society for Sexual and Impotence Research – ISSIR (Sociedade Internacional para Estudo e Pesquisa em Impotência e Sexualidade) e é um dos autores do livro “Disfunção Sexual Masculina”.

 

O que é a doença: há suspeita de que rei da França sofreu deste mal

O cirurgião francês François Gigot de la Peyronie descreveu a doença pela primeira vez em 1743. Ele era médico do rei Luiz XV, que alguns historiadores dizem que tinha a doença. Ela é caracterizada por uma fibrose ou cicatriz que se forma no tecido que envolve os corpos cavernosos do pênis, estruturas cilíndricas que ficam rígidas quando ocorre uma ereção. Como a cicatriz não é elástica, como o resto do tecido, ela não consegue expandir-se, provocando a curvatura no pênis. Há dor no início, mas na maioria das vezes desaparece espontaneamente depois de algum tempo.

 

Após o surgimento dos primeiros sintomas o quadro pode evoluir de 12 a 18 meses. Neste período o Dr Glina costuma receitar “uma grande dose de paciência” àqueles que o procuram. A doença de Peyronie é adquirida, mas existem homens que nascem com o pênis curvo. Nestes casos normalmente há uma desproporção entre os corpos cavernosos e a uretra, que é menor. Assim quando o pênis fica ereto a uretra menor faz com que o pênis se curve para baixo. A curvatura congênita não costuma acarretar problemas de disfunção erétil.

 

Quando o problema persiste e atrapalha a vida sexual do paciente o tratamento mais indicado é o cirúrgico. Atualmente a técnica disponível utiliza tecidos do próprio paciente para corrigir a curvatura, normalmente a veia safena. Esta técnica implica duas incisões.

 

O SISPE está utilizando um biomaterial, que surgiu no mercado mundial há oito anos e tem diversas aplicações. Para este tipo de cirurgia, ele é capaz de reconstruir o tecido fibrótico que causa a curvatura peniana. O material é fabricado a partir da submucosa do intestino delgado de suínos e tem a propriedade de se incorporar ao organismo hospedeiro.