Janus também significava segurança, para os antigos romanos. Com duas faces, uma olhando para o futuro, enquanto outra olhava para o passado, o deus era guardião nos portões de entrada e saída das cidades, na época em que os romanos costumavam perdoar aos inimigos e dar presentes a eles a cada início de um novo ano. O deus Janus também era cultuado no início de cada mês. Assim, o que hoje chamamos de Janeiro, vem do antigo nome romano para o primeiro mês, Januarius, derivado de Janus.

No decorrer dos tempos, novos costumes surgiram e os romanos passaram a desejar boa sorte ao povo, distribuindo ramos de árvores sagradas. Depois  o costume se expandiu com a distribuição de moedas com a efígie de Janus, que sempre representou papel importante na mitologia romana e na religião, com sua  figura simbolizando os dois lados da vida.

O templo mais importante dedicado a Janus é o Janus Geminus, com duas portas por onde  os legionários romanos passavam em direção às lutas no Fórum Romanum. Na época, se as portas do templo se mantivessem fechadas, significa tempos de paz. Mas anunciam guerras, ao serem abertas. Entre os reinos de Numa e Augustus, as portas foram fechadas apenas uma vez. Os outros templos construídos para o deus de duas faces : Fórum Olitorium e Fórum Nerva.

Na era medieval, os cristãos começaram a celebrar o novo ano em 25 de dezembro, o dia consagrado como o do nascimento de Cristo. A Cristandade também chamou o dia de Festival do Nascimento, Nascimento  Sagrado, Feriados do Nascimento de Cristo. Nos dias de hoje, as celebrações iniciam no dia 24 de dezembro, com a Véspera do Natal e continuam, em alguns países, até o 26 de dezembro. Em algumas igrejas ortodoxas, principalmente nos países do leste e na Igreja Armênia, as celebrações acontecem no dia 6 de janeiro, que corresponde ao 25 de dezembro no calendário Juliano. A razão pela qual algumas igrejas ortodoxas celebram a ocasião conforme o calendário Juliano, é porque o calendário Gregoriano usado nos dias de hoje, foi desenvolvido pelo Papa 13, um católico.


FESTAS NO MUNDO

MACEDONIA
O Ano Novo é bastante celebrado na Macedônia. Brinquedos e doces  são distribuídos para as crianças e shows de  fogos de artifício iluminam os céus de inverno. Músicas tradicionais e folclóricas são entoadas nos restaurantes, hotéis e cafés em festa.Seguindo o calendário ortodoxo da Macedônia, as celebrações do ano novo começam no dia 31 de dezembro e seguem até o dia 14 de janeiro.

COSTA RICA
Na Costa Rica as famílias se reúnem às 21 horas, na última noite do ano, e festejam até meia noite, quando é costume comer 12 grãos de uvas seguindo as badaladas dos sinos, acreditando que doze votos serão transformados em realidade no novo ano. Outro costume é de correr pelas ruas carregando uma mala. Acreditando que fazendo assim, garantem viagens e boas aventuras durante o ano que se inicia.

ICELAND
Fogos de artifício são bastante populares em Iceland na noite do ano novo. Também as fogueiras têm lugar importante, sempre com música e shows ao redor. A celebração maior acontece na praça principal da capital, Reykjavík. Casas noturnas e restaurantes ficam lotados durante as festividades, que duram até às 5 horas da manhã seguinte. Com direito a muito aquavit.

FRANÇA
O ano novo é uma das festas mais importantes na França, principalmente em Paris. Que fica lotada de turistas, todos querendo curtir o famos  Réveillon de Saint-Sylvestre, no dia 31 de dezembro. Beber champagne nas proximidades do Arco do Triunfo, é o ponto alto de quem depois vai cear com ostras, patê de foie gras e outros pratos tradicionais.

CHINA
Os chineses usam o calendário Lunar, então o Ano Novo chinês costuma acontecer em fevereiro . Mas hoje já celebram também o ano novo do calendário solar. As festas variam conforme as diferentes regiões do vasto país. Tradicionalmente os chineses fazem uma grande limpeza das casas, para afastar as coisas ruins do ano anterior e os maus presságios. Costumam comprar roupas novas, enfeites e presentes. A mesa da celebração é farta com muitos pratos de  carne de porco, pato, galinha e várias sobremesas diferentes. A noite termina com fogos de artifício e, na manhã seguinte, as crianças ganham envelopes vermelhos recheados de dinheiro, para desejar boa sorte. Portas e janelas são enfeitadas com papel vermelho recortado, onde são escritas mensagens de bons votos de saúde, felicidade, longa vida e boa fortuna.

REPÚBLICA TCHECA
Para o povo tcheco, o novo ano é chamado de Silvestr e sem dúvida nenhuma, é o mais barulhento do calendário. As festas começam em família e amigos na véspera. Nos primeiros momentos do novo ano, brindes com champagne acompanham os espetáculos de fogos de artifício, bons votos são trocados entre todos. Os canais de televisão mostram as celebrações em todo o país, antes e depois da contagem regressiva. No primeiro dia do ano, o primeiro ministro faz o discurso de saudações ao povo.

ESTONIA
Na Estônia a festa começa com a decoração das ruas das aldeias e na visita entre amigos. As donas de casa preparam refeições especiais. Acreditam que servir sete, nove ou doze pratos, serão acompanhados de boa sorte, por que esses número são talismãs no país. A comida ingerida nesse dia seriam carregadas de poder e força para encarar mais um ano. A culinária de Ano Novo inclui  carne de porco, salsichas, batatas, picles, pão de gengibre e doces de marzipan. Como bebidas, as cervejas locais, vinhos temperados com especiarias (mulled) e champagne.


DRUIDAS E O ANO NOVO CELTA

Os druidas  viravam e levantavam um cajado de madeira , apontando-o para o céu. Clamavam os poderes do sol, o fogo inerente do sol e a ilha do fogo. Saúde e bem vindos, respondiam pagãos, druidas e bruxas em pé, próximos do maior círculo de pedra em Avebury, pequena cidade distante 140 quilômetros de Londres. A cerimônia de Samhuin, o Ano Novo celta, marca o final da temporada da colheita. Hora em que são lembrados os ancestrais mortos antes da escuridão do inverno. Os druidas datam de milhares de anos no Reino Unido e foram relegados à clandestinidade com a propagação do cristianismo. Ainda hoje seguem uma forma pessoal de filosofia, sempre procurando entrar em contato com as energias da terra. O número é incerto, mas deve haver perto de cem mil pagãos na Grã Bretanha, entre os quais cerca de seis mil bruxas e uns dez mil druidas.

Os círculos de pedra de mais de quatro mil anos, espalhados pelas ilhas britânicas, são cada vez mais procurados pelos druidas para cerimoniais. E os historiadores continuam divididos sobre o significado dessas pedras que atravessaram milênios.


REVEILLON COM VALSAS NAS TERRAS DO IMPERADOR

O fausto do passado tem encontro marcado com o Novo Ano. E em Viena, tudo começa com valsa.

É no cenário iluminado e luxuoso do Hofburg que as gerações dos Habsburgos deram um sentido imperial à palavra festa. No Palácios os lustres de cristal parecem descer em cascatas do teto, como na primavera escorrem do alto das montanhas as torrentes de neve. No primeiro andar do Hofburg o chão é coberto por parquets de castanheiro, a orquestra empertigada em suas casacas e longos toca valsas de Strauss, enquanto lacaios vestidos como no século dezoito caminham elegantes, em meio aos sons que atravessam portas e janelas e rolam pelas escadarias de mármore.

Entre as duas dezenas de bailes em Viena, que celebram a entrada de um novo ano e dão adeus aos dias que passaram, o Baile do Imperador é o mais famoso. Mesmo com os rigores do inverno europeu, os dias são encantadores na cidade que aprecia a culinária como uma arte e cultiva a arte como o pão de cada dia. Tudo explica e simplifica a existência do luxo antigo, que transpõe  séculos e séculos com uma desenvoltura que espanta aos que nasceram agora.

É claro que os vestidos longos, a casaca e o smoking são obrigatórios no palácio onde, ao bater da meia noite,  bailarinos e cantores da  Ópera Nacional fazem o espetáculo para centenas de participantes. A alegria sempre chega misturada com um pouco de nostalgia nessa cidade austríaca que sabe tão bem se comunicar com a alma e a emoção. A  Áustria inteira entra no Ano Novo ao som do Danúbio Azul. Em  janeiro e fevereiro continuam os bailes, reunindo associações de confeiteiros, farmacêuticos, mágicos, caçadores. São encontros românticos ou engraçados, elegantes ou descontraídos que,. com a duração de um jantar à luz de velas, fazem os turistas sonharem com outras eras e desejarem retornar ao hotel em carruagens. O que é possível, em Viena.