
O tabagismo é frequentemente associado ao câncer de pulmão, responsável por cerca de 90% das mortes pela doença, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer). Mas os riscos vão muito além: a fumaça do cigarro contém nicotina, aminas aromáticas, nitrosaminas e metais pesados como cádmio e chumbo, que se espalham pelo organismo e podem provocar diversos tipos de câncer e outras doenças graves.
Neste Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto), especialistas reforçam que os danos não se limitam ao sistema respiratório.
Da boca ao pulmão
O primeiro contato da fumaça é com a boca e o nariz, afetando dentes, gengivas, mucosa e língua, causando mau hálito, manchas, predisposição a cáries e risco elevado de câncer na região. Ao seguir pelo trato respiratório, atinge faringe e laringe, aumentando a chance de inflamações e tumores.
Chegando aos pulmões, além do câncer, pode desencadear doenças como enfisema, bronquite e pneumonia.
Do estômago ao coração
Parte da fumaça também é deglutida com a saliva, alcançando estômago e intestinos e favorecendo cânceres no aparelho digestivo, além de alterar a flora intestinal.
“Quando pensamos na fumaça, esquecemos que os gases são absorvidos. Do alvéolo pulmonar, parte das substâncias entra na corrente sanguínea e circula pelo corpo inteiro”, explica Helano Freitas, oncologista e vice-líder do Centro de Referência em Tumores de Pulmão do A.C.Camargo Cancer Center.
Essa circulação também atinge o coração e o cérebro, aumentando o risco de infarto e doenças cardiovasculares.
Rins, bexiga e outros riscos
As toxinas filtradas pelos rins permanecem na bexiga, aumentando a chance de câncer no trato urinário. Já em longo prazo, a associação do cigarro com o álcool potencializa ainda mais os riscos de tumores.
Freitas lembra ainda do tabagismo terciário: micropartículas da fumaça que se fixam em objetos, roupas e superfícies, expondo crianças, animais e não fumantes a substâncias tóxicas.
Números preocupantes
Apesar dos riscos amplamente conhecidos, o Brasil registrou em 2024 o primeiro aumento no número de fumantes em 18 anos: de 9,3% para 11,6%. Entre os cigarros eletrônicos, o crescimento é ainda mais acelerado: o número de mulheres usuárias quase dobrou em um ano.
A fumaça do vape, embora diferente da combustão do cigarro tradicional, também transporta substâncias químicas em alta temperatura para todo o organismo. O mesmo vale para a exposição de fumantes passivos, responsáveis por cerca de 600 mil mortes prematuras por ano no mundo, segundo a OMS, a maioria entre mulheres.