Memória: Sean Connery em onze filmes

Sean Connery
Sean Connery (Foto: Divulgação)

O cinema perdeu neste sábado (31) o ator Sean Connery, que havia completado 90 anos em 25 de agosto. Escocês de nascimento, ex-motorista, ex-jogador de futebol, porte másculo, 1,88m de altura, ele redefiniu o conceito de astro no cinema com um papel icônico, o de James Bond. E conseguiu se reinventar como ator, ao mostrar um talento dramático que ia além de sua aparência. Estava aposentado desde 2012 e estava nas Bahamas quando morreu. Aqui vai uma lista de 11 filmes para relembrar Sean Connery.

O Satânico Dr. No (1962)

Primeiro filme em que interpretou “Bond, James Bond”. Curiosamente, ele não era uma opção do agrado do escritor Ian Fleming, que o considerava pouco refinado para o papel e queria Cary Grant como o espião. Depois, Fleming mordeu a língua. Connery virou a figura ideal de James Bond e ainda repetiu o papel em mais cinco filmes: ‘Moscou contra 007’ (que era o seu preferido), ‘Goldfinger’, ‘Com 007 só se vive duas vezes’, ‘Os Diamantes são Eternos’ e ‘Nunca Mais Outra Vez’, que foi seu último, em 1983.

Marnie: Confissões de uma ladra (1964)

Depois de já ter feito dois filmes como James Bond, Connery estrelou este suspense dirigido por Alfred Hitchcock — considerado uma das obras-primas do diretor. Ele interpreta Mark Rutland, um viúvo rico que possui uma editora na Filadélfia e descobre um dos roubos cometido pela cleptomaníaca Marnie Edgar (Tippi Hedren). Curiosidade: o papel de Marnie deveria ficar com Grace Kelly, mas ela já estava casada com Rainier III, príncipe de Mônaco, e ele pressionou para que ela ficasse de fora do filme.

O Homem que Queria ser Rei (1975)

Contribuição de Connery com outro diretor mítico, John Huston, baseado em uma obra de Rudyard Kipling. Connery faz o rude soldado Daniel Dravot, que leva uma flechada no peito durante uma batalha, mas não sangra nem morre — a flecha fica presa numa bandoleira de couro que ele usava embaixo da roupa. Por não ter sido ferido, ele e Prachey Carnahan (Michael Caine) são vistos como divindades em uma comunidade na Índia. Isso até que são desmascarados.

Robin e Marian (1976)

Connery já estava com 46 anos quando o filme foi lançado. Na época, era uma idade relativamente avançada para os atores. Mas isso jogou a favor dele no papel de um Robin Hood envelhecido, numa trama que se passa anos à frente do que normalmente se imagina da vida do cara que rouba dos ricos para dar aos pobres. Quando ele volta pela enésima vez das Cruzadas, ele descobre que sua amada Marian (Audrey Hepburn) tornou-se freira e está em um convento. Ele trata de resgatá-la e a chama da paixão reacende.

O Nome da Rosa (1986)

Connery brilha como William de Baskerville, um monge que, pelas circunstâncias, é levado a investigar misteriosos assassinatos em uma abadia na Itália do século 13. A descrição do personagem narrada no livro de Umberto Eco leva à conclusão que ninguém, fora Sean Connery, poderia interpretar o papel. A obra traz discussões sobre valores religiosos — como “Jesus Cristo ria?” — em meio a uma investigação de nível Sherlock Holmes. Aliás, Baskerville era o antigo nome da cidade inglesa de Newcastle, onde, segundo os livros, Holmes teria nascido.

Highlander (1987)

O primeiro de três filmes em que Connery, à beira dos 60 anos, entra como coadjuvante, mas rouba a cena e o filme inteiro. O ator aqui interpreta Juan Sanchez Villa-Lobos Ramirez, um dos cavaleiros imortais que estão na Terra e têm que duelar entre si por um prêmio desconhecido, destinado apenas ao último imortal que restar no planeta. Cabe a ele explicar ao também imortal Connor MacLeod (Christophe Lambert) toda a história e que, no fim das contas, “só pode haver um” — e, para isso, não se pode perder a cabeça. Literalmente.

Os Intocáveis (1987)

O grande papel da carreira de Connery: John Malone, um policial veterano que sabe das coisas e age de maneira pragmática na Chicago dos anos 30, que vivia sob o jugo da máfia de Al Capone (Robert de Niro). Sua atitude sarcástica contrasta com o idealismo de Elliot Ness (Kevin Costner, em um de seus primeiros papéis), que quer caçar os mafiosos. Connery ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante pelo filme. Mais que isso: ao receber o prêmio, ganhou uma ovação que durou dois minutos, uma das maiores da história do Oscar.

Indiana Jones e a Última Cruzada (1989)

O terceiro filme seguido em que Connery, como coadjuvante, roubou o filme. Aqui, ele faz o pai do famoso aventureiro Indiana Jones (Harrison Ford). Embora a idade dos dois atores na vida real seja incompatível para pai e filho (Connery nasceu em 1930 e Ford, em 1942), a interação entre os dois é tão boa que a idade vira um detalhe sem importância. Henry Jones pai é um aficionado pelo Santo Graal, mas acaba sequestrado pelos nazistas. Cabe ao filho, Henry “Indiana” Jones Junior, achá-lo em meio a uma perseguição que pode mesmo ser chamada de “a última cruzada”.

A Rocha (1996)

Depois de ter brilhado em ‘Caçada ao Outubro Vermelho’, de 1990, e 'Sol Nascente', de 1993, Connery mostrou que estava em plena forma para filmes de ação, mesmo com mais de 60 anos. ‘A Rocha’ que o diga. Aqui, ele é John Patrick Mason, o único homem que já conseguiu escapar da mítica prisão de Alcatraz. Mas ele é obrigado a voltar para lá, ao lado de um jovem especialista em armas bioquímicas (Nicolas Cage), com a missão de combater um ex-general (Ed Harris) que se instalou na prisão (agora, desativada) com armas químicas e 81 reféns.

Coração de Dragão (1996)

Numa época em que poucos astros faziam dublagens de personagens virtuais, Connery deu voz e feições a um dragão feito por CGI nessa fábula medieval. Quando Draco fala, é possível ver (e ouvir, lógico) os lábios e os trejeitos de Sean Connery. No filme, Bowen (Dennis Quaid) se considera traído pelo dragão Draco, mas os dois percebem que na verdade ambos foram traídos pelo menino que virou rei. Então, fazem uma aliança para arrancar uns trocados dos vassalos do rei. O cavaleiro finge que mata o dragão e sai como herói, depois eles repetem a trapaça em outra aldeia, e repetem de novo...

A Liga Extraordinária (2003)

Connery faz um Allan Quatermain (aventureiro do século 19) envelhecido. Nessa adaptação de uma história em quadrinhos de Allan Moore, Quatermain lidera um grupo de personagens clássicos da literatura do fim do século 19, como Mina Harker (Drácula), Henry Jakill (O médico e o Monstro) e o Capitao Nemo (20 mil Léguas Submarinas). Infelizmente, a adaptação ficou forçada e destoou bastante da HQ original. A citação na lista vale apenas porque foi o último filme em que Sean Connery realmente aparece no cinema. Depois, ele fez apenas um filme para a TV e narrações em off para outras produções.