• 08/11/2018

    Na Arena, Atlético somou mais pontos na grama natural do que na sintética

    Na Arena, Atlético somou mais pontos na grama natural do que na sintética
    A "temida" grama sintética da Arena (Foto: Geraldo Bubniak)

    O Atlético Paranaense teve um desempenho melhor na Arena da Baixada quando o estádio tinha grama natural do que na “Era Sintética”. De 1999 a 2015, o clube somou 69,6% dos pontos que disputou no gramado “vivo”. No início de 2016, com autorização da Fifa, instalou a grama artificial. Desde então, somou 68,0% dos pontos no local. 

    As melhores temporadas como mandante da história do Atlético, aliás, foram na era da grama natural. O recorde foi em 2001, ano com dois títulos: Brasileiro e Paranaense. Naquele ano, foram 34 jogos no estádio atleticano, com 25 vitórias, 6 empates e 3 derrotas – aproveitamento de 79,41%. 

    O segundo melhor ano foi em 2005, quando ganhou o Paranaense, foi vice da Libertadores e terminou o Brasileirão em 6º lugar. Foram 35 jogos, 26 vitórias, 5 empates e 4 derrotas em casa – aproveitamento de 79,04%. 

    O pior ano da história do Atlético na Arena foi exatamente em 2017, com a grama sintética. No ano passado, o time só somou 53% dos pontos no estádio – pior desempenho como mandante desde 1999. 

    Os números consideram apenas jogos por competições oficiais – Campeonato Paranaense, Copa do Brasil, Primeira Liga, Copa Sul-Americana e Libertadores. 

    O DESEMPENHO NA ARENA COM GRAMA NATURAL

    Ano

    Aprov.

    Jogos

    Pontos

    V

    E

    D

    1999

    73%

    15

    33

    10

    3

    2

    2000

    71%

    34

    72

    21

    9

    4

    2001

    79%

    34

    81

    25

    6

    3

    2002

    58%

    31

    54

    15

    9

    7

    2003

    70%

    29

    61

    19

    4

    6

    2004

    78%

    31

    73

    22

    7

    2

    2005

    79%

    35

    83

    26

    5

    4

    2006

    59%

    30

    53

    15

    8

    7

    2007

    66%

    35

    69

    20

    9

    6

    2008

    71%

    35

    75

    22

    9

    4

    2009

    68%

    35

    71

    21

    8

    6

    2010

    77%

    35

    81

    24

    9

    2

    2011

    60%

    34

    61

    17

    10

    7

    2014

    69%

    16

    33

    10

    3

    3

    2015

    65%

    32

    62

    18

    8

    6

    TOTAL

    69,60%

    461

    962

    285

    107

    69

     

    O DESEMPENHO NA ARENA COM GRAMA SINTÉTICA

    Ano

    Aprov.

    Jogos

    Pts

    V

    E

    D

    2016

    78%

    29

    68

    21

    5

    3

    2017

    53%

    35

    56

    15

    11

    9

    2018

    74%

    35

    78

    24

    6

    5

    TOTAL

    68,00%

    99

    202

    60

    22

    17

     

    O DESEMPENHO EM TODA HISTÓRIA DA ARENA

    Ano

    Aprov.

    Jogos

    Pts

    V

    E

    D

    TOTAL

    69,20%

    560

    1164

    345

    129

    86

    Legenda: Aprov. = aproveitamento de pontos; V = vitórias, E = empates, D = derrotas

    Obs.: Desde 1999, contando só jogos por competições oficiais

  • 05/11/2018

    A série Craques da Imprensa entrevista o gigante Cristian Toledo

    A série Craques da Imprensa entrevista o gigante Cristian Toledo
    Cristian Toledo (Foto: Arquivo pessoal/Cristian Toledo)

    Cristian Toledo, 41 anos, ainda tem o jeito de um garoto apaixonado por futebol. Nas arquibancadas dos estádios de Curitiba, naquelas conversas entre jornalistas, ele deixa escapar facilmente seu entusiasmo pelo esporte e pela profissão. Nesses diálogos informais, consegue misturar seu peculiar senso de humor com seu profundo conhecimento por futebol.

    E não é apenas sobre futebol. Eu estava ao lado de Cristian Toledo na semana em que passou a valer a lei que obriga a execução do hino do Paraná nos estádios. Ele se levantou e cantou o hino inteiro, palavra por palavra. "Entre os astros do Cruzeiro, és o mais belo a fulgir"... Enquanto isso, os jornalistas 'normais', como eu e os demais, sofríamos para lembrar um trecho ou outro.

    Eu também estava ao lado de Cristian Toledo em 11 de setembro de 2001, em um almoço do Prêmio Embratel de Jornalismo, em Curitiba, quando recebemos a notícia assustadora. Com o radinho no ouvido, Cristian foi atualizando os demais jornalistas sobre os detalhes da tragédia histórica nos Estados Unidos. E, ao mesmo, foi esbanjando seu conhecimento gigante. 

    Gigante, aliás, é uma palavra que define bem o profissional e o ser humano Cristian Toledo. Um cara com capacidade enorme de entender, explicar e aprender algo novo a cada dia. Tudo com aquela mesma empolgação e com o coração gigante de um garoto apaixonado por futebol. 

    Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    Cristian Toledo —
    Desde que me conheço por gente que quero ser jornalista. Conta minha mãe que disse isso quando tinha cinco anos, mas tenho certeza de falar disso nas minhas lembranças mais remotas. Até cheguei a fazer vestibular para Direito (e passei), mas havia combinado com meus pais que se fosse aprovado em Jornalismo eu não faria os dois cursos. Deu certo.

    Entrelinhas — Seus textos e comentários impressionam pelo conhecimento da história do futebol. E também por estar sempre atualizado com o futebol atual, que muda a cada dia. Como adquiriu isso? Cursos, livros, documentários? Qual o caminho para ser um “crânio” como você?
    Cristian
    — Eu lembro muita coisa, ainda tenho a memória afiada, sem precisar de Biotônico Fontoura... Mas tenho verdadeira paixão pela história, e acho que um de nossos papéis é proteger a história do nosso esporte, do nosso jornalismo, da nossa comunicação. Isso me faz seguir pesquisando, seguir buscando raridades (e a internet ajuda muito), e a cabeça ainda guarda tudo isso. E em relação ao futebol, não sou um estudioso tão profundo quanto ótimos jornalistas daqui (e nosso melhor exemplo nisso é o Guilherme de Paula) e de fora, mas tento ficar antenado, não perder as tendências táticas, estar sempre atualizado. E ler, ler e ler. Sempre e sem parar, sobre futebol e sobre tudo. Se eu pudesse dar um conselho, é a leitura obsessiva. De livros, jornais, “mídia física”.

    Entrelinhas —  Outra marca impressionante da sua carreira é a habilidade em todos os meios de comunicação. Você brilhou na TV, no rádio, no jornal e na internet. Esse percuso estava nos planos desde a faculdade? Como foi essa adaptação a cada mídia? 
    Cristian
    — Desde os 15, 16 anos, tinha afunilado o interesse em ser jornalista de rádio. Tenho ainda paixão pelo rádio, adorava fazer e espero um dia retornar. E estava tranquilo nesse caminho desde o início da carreira, em 1996. Não imaginava escrever para jornal, até que em 2000 o Luiz Augusto Xavier me chamou para ser repórter em O Estado do Paraná. E adorei escrever, adoro até hoje. E também nunca imaginava trabalhar na TV, estava totalmente fora do meu radar. Quando vi, estava no canal 4 apresentando o Tribuna no Esporte em 2004.
    Se eu fosse dizer o que planejei com o passar do tempo foi o salto de repórter para comentarista. Era um desejo que foi se concretizar só em 2011, quando o Marcelo Ortiz me chamou para a 98FM.
    Cada mídia tem sua particularidade, mas todas elas nos obrigam a fazer jornalismo. Isso facilita muito na adaptação. Só que ainda tenho frio na barriga cada vez que vou aparecer na TV.

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    Cristian
    — Tenho muito orgulho de ter sido o primeiro repórter a viajar para o exterior com os nossos três times. E também de ser setorista dos três times. Mas talvez o momento de mais emoção foi em 2017, quando participei de uma transmissão em rede nacional pela Globo, no Flamengo x Atlético da Libertadores. Falar pro país inteiro na principal emissora e ainda tendo o Júnior, um ídolo de infância, ao meu lado, foi sensacional.

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?
    Cristian
    — É poder conhecer pessoas e lugares que você dificilmente conheceria numa vida “normal”. O acúmulo de conhecimento é maravilhoso.

    Entrelinhas — No jornalismo esportivo a gente vive muitas aventuras. Qual o momento mais peculiar, bizarro ou curioso que já vivenciou?
    Cristian
    — Acompanhar a excursão do Paraná Clube à Ucrânia em 2002, no meio da Copa do Mundo, foi algo muito diferente. Assistimos lá a jogos do Brasil, e era muito engraçada a forma da narração deles - quando o jogador erra um chute, o narrador dava risadas, gargalhava mesmo.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    Cristian
    — Infelizmente a falta de compreensão de algumas pessoas de que o nosso trabalho é informar e analisar, e não distorcer para um lado ou outro. Há quem não consiga entender que elogiar um time não significa automaticamente criticar o outro, ou vice-versa. E também o incessante questionamento “que time você torce?”, como se isso significasse uma vinculação plena do seu trabalho a uma pretensa torcida a algum clube.

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    Cristian
    — Mudaram a forma da gente encarar a relevância da notícia. Agora, isso se descobre instantaneamente, através dos comentários e de outras interações. Além de ser uma enorme fonte de informação, que precisa ser filtrada para que não sejamos vítimas das fake news. 

    Entrelinhas — Você abandonou todas as redes sociais. Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
    Cristian
    — Nada de anormal. Abandonei as redes sociais por uma questão pessoal, e por achar que minha vida não é um tema que eu precise tratar em público. Além disso, já expresso minha opinião na Tribuna e na RPC, e vez por outra no SporTV, o que penso sobre o nosso futebol - que é meu objeto de trabalho - está ali. 

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?
    Cristian — Se me permite, Silvio, é mais um desabafo do que uma pergunta. Queria lembrar a todos que somos jornalistas, mas temos vida. Que temos que encontrar tempo para as pessoas que amamos e para nós mesmos. Que trabalhamos com esporte, mas não falamos o tempo todo sobre esporte. E que temos nossos problemas, por mais que sejamos as tais “figuras públicas”. Nem todo dia estamos bem. Não somos imunes às dificuldades, ao contrário do que muitos imaginam.

    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS
    Melhor jogador do mundo na história: Zico (dos que eu vi)
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo
    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Assis, Tostão, Adoílson (de novo dos que vi)
    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson, Richard, Pablo
    Melhor técnico do mundo na história: Telê Santana
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Jürgen Klopp
    Maior time da história do futebol: Flamengo 1981
    Maior time da história do futebol paranaense: Coritiba 89 e Atlético 2001 
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: Escolho o mais marcante profissionalmente, São Caetano 0x1 Atlético, final do Brasileiro de 2001

    Clubes do coração: Nada a declarar
    Ídolos fora do esporte: Armando Nogueira, Elio Gaspari, Clóvis Rossi
    Esportes que já praticou: basquete, vôlei
    Hobbies: Ler, viajar, jogar videogame
    Locais preferidos em Curitiba: Além da minha casa? Parque Barigüi

    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Armando Nogueira, Juca Kfouri, Carlos Maranhão
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Permita-me subverter um pouco a pergunta. Vou citar as referências profissionais da minha carreira: Carneiro Neto, Luiz Augusto Xavier e Marcelo Ortiz

    Currículo:
    Jornalista formado pela PUCPR, 41 anos. Trabalhei em alguns dos principais veículos de comunicação do estado do Paraná, entre rádios, TVs, jornais e portais de comunicação. Escolhido em 2012 o melhor comentarista de rádio do Paraná, em eleição promovida pela Associação dos Cronistas Esportivos do Paraná. Desde novembro de 2014 estou na RPC como comentarista e editor, com participação no Globo Esporte e no Bom Dia Paraná, além das transmissões do Campeonato Paranaense, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Copa Sul-Americana e Taça Libertadores da América. Desde maio de 2015 também atuo como comentarista dos canais fechados SporTV e Premiere, participando de programas e transmissões em rede nacional. Também sou coordenador de Esporte da Tribuna do Paraná, referência na cobertura de futebol em Curitiba.

  • 25/10/2018

    Liga Europa tem gol de atacante ex-Coritiba e artilharia de israelense

    Liga Europa tem gol de atacante ex-Coritiba e artilharia de israelense
    A ficha de Munas Dabbur (Foto: Reprodução/Transfermarkt.de)

    O atacante Matheus Cunha, 19 anos, foi novamente o destaque “paranaense” da rodada da Liga Europa, nessa quinta-feira (dia 25). O jogador, revelado pelo Coritiba, marcou um dos gols da vitória do Leipzig sobre o Celtic, da Escócia, por 2 a 0. O clube alemão é o segundo colocado do Grupo B. Os dois primeiros avançam.

    Matheus Cunha, que nunca chegou a jogar pelo profissional do Coritiba, já tem dois gols em três jogos pela fase de grupos da Liga Europa. Só esses dois vão contar para a artilharia. Ele marcou também dois gols nos seis jogos pelas fases classificatórias da competição europeia, que não contam para a disputa de goleador oficial do torneio. 

    Na Bundesliga, a primeira divisão da Alemanha, Matheus Cunha ainda não começou como titular e ainda não marcou gols. Entrou como substituto em cinco partidas. Para o ataque, o Leipzig conta com Timo Werner (seleção alemã) e Poulsen (seleção dinamarquesa). 

    ISRAELENSE NA ÁUSTRIA
    O artilheiro da Liga Europa é o israelense Moanes Dabour (ou Munas Dabbur), 26 anos. Ele tem cinco gols em três jogos pelo Salzburg, da Áustria. O clube dele lidera o Grupo B, do Leipzig, de Matheus Cunha. 

    Dabour foi artilheiro do campeonato austríaco 2017/18, com 22 gols. Na temporada 2018/19, também já lidera a disputa de goleador máximo, com sete gols. 

    A curiosidade é ver um israelense brilhando na Áustria, onde nasceu Adolf Hitler, que não tinha muita afinidade com certos imigrantes. 

  • 17/10/2018

    Missão de Dado é recuperar sua carreira e o futebol do Paraná Clube

    Missão de Dado é recuperar sua carreira e o futebol do Paraná Clube
    Dado Cavalcanti (Foto: Franklin de Freitas)

    Dado Cavalcanti está de volta ao Paraná Clube. 

    E voltou para planejar 2019. Afinal, técnico não é milagreiro. E 2018 já foi pelo ralo.

    A aposta em Dado é válida. É um técnico com salário dentro da realidade da Série B. É dedicado e estudioso. E tem identificação com o clube. 

    CARREIRA
    Dado fez trabalho brilhante no Paraná em 2013. O time voou em campo no primeiro turno da Série B. Conseguiu colocar em campo uma equipe com intensidade, organização e criatividade. No segundo turno, porém, os salários atrasados destruíram o ambiente no clube e o acesso ficou fora de alcançe. 

    Depois de 2013, Dado não conseguiu emplacar trabalhos de destaque. Não foi bem no Coritiba em 2014. Em seguida, rodou por Ponte Preta, Náutico, Ceará, Paysandu e CRB. Viveu alguns bons momentos nesse período, mas nada que recuperasse seu prestígio no mercado do futebol.

    O retorno ao Paraná Clube pode garantir essa recuperação na carreira dele. Para isso, Dado precisa recuperar o bom futebol da equipe. 

    O primeiro passo é agora. O caminho para o sucesso e o acesso em 2019 começa no final de 2018, com boas contratações e avaliação precisa dos melhores talentos das categorias de base. 

  • 09/10/2018

    Sobrevivente do 'jornalismo raiz', o premiado Marco Assef defende a honra do rádio

    Sobrevivente do 'jornalismo raiz', o premiado Marco Assef defende a honra do rádio
    Marco Assef (Foto: Arquivo pessoal/Marco Assef)

    Marco Assef tem 35 anos de jornalismo esportivo. Trabalhou em rádios, tvs e jornais. Sentiu na pele as mudanças radicais na profissão e no meio esportivo das últimas décadas. E nunca deixou de acreditar na força do rádio. 

    Apaixonado pelo futebol, colecionou prêmios na imprensa paranaense. Com conhecimento de causa, segue defendendo o 'jornalismo raiz' e lamentando a 'pasteurização' da informaçõs nos clubes. 

    Nessa entrevista da série Craques da Imprensa, Marco Assef fala todos esses assuntos. E muito mais. 

    Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    Marco Assef — Na infância e juventude eu era fanático por futebol. Daqueles que sabia dar a escalação completa e reservas dos principais clubes brasileiros. A gente se informava pelo rádio ou pela Revista Placar, que era a bíblia de quem curtia futebol naqueles tempos. Jogava futebol de botão e anotava as escalações, fazia fichas técnicas dos jogos, narrava, comentava e fazia as entrevistas, tudo sozinho. Como jogar bola, infelizmente nunca foi meu forte – a natureza não colaborou comigo – virei um ‘nerd’, me informando de tudo que eu podia, com tudo que chegava ao meu alcance. Sempre estava muito bem informado. Já tinha a vontade de fazer jornalismo desde os 14 anos e a área escolhida certamente seria a esportiva. Já no segundo ano da faculdade comecei a trabalhar e não parei mais. Comecei com 18 anos. Em 2019 completo 35 anos de atuação profissional. Mudei de áreas algumas vezes porque não gosto de rotina, mas o jornalismo esportivo ainda é a paixão original, o primeiro amor.

    Entrelinhas — Você já trabalhou em rádio, TV e jornal impresso. O jornalismo esportivo é diferente em cada um desses meios? Ou o jornalista precisa “trocar o chip”, passar por uma adaptação em cada veículo?
    Assef —
    O jornalismo esportivo é diferente em cada meio. O básico é igual. É questão de formação do jornalista, como ética, saber escrever, apurar a informação adequadamente, entre outras coisas. Mas cada veículo tem um jeito específico de se fazer. O jornal requer mais apuração. No rádio e na TV vale muito o conteúdo, mas a forma de levar a informação ao seu público é fundamental. Agora tem gente atuando apenas em redes sociais, no youtube, já é um caminho a mais para quem está na área esportiva.

    Entrelinhas — Você pegou aquela época em que não havia assessoria de imprensa nos clubes e os jornalistas tinham livre acesso aos clubes. Como era o jornalismo naquela época? O que melhorou e o que piorou nesse cotidiano de cobertura dos clubes de futebol?
    Assef —
    Peguei a fase em que não havia assessoria de imprensa nos clubes e fui o primeiro assessor de imprensa de clubes de Curitiba, ainda nos anos 80. Depois voltei no fim dos anos 90 mais uma vez. Você conversava com quem você queria, os dirigentes, jogadores e técnicos eram acessíveis. Era jornalismo de verdade. Você criava suas fontes e conseguia material exclusivo, algo que quase não se vê mais hoje em dia. Mas também era tudo muito esculhambado. No rádio você entrevistava jogador embaixo do chuveiro, os jogadores não tinham privacidade. Neste aspecto as assessorias organizaram melhor, mas exageraram na dose. Hoje as assessorias de imprensa são responsáveis pelo distanciamento da imprensa com os clubes e consequentemente dos clubes com a torcida. O repórter fazia diversas entrevistas por dia. Atualmente faz apenas uma ou duas perguntas numa coletiva, o material de todos é igual. Pasteurizou demais a informação esportiva. Hoje é tudo muito fechado, não pode ver treino, não pode entrevistar quem você quer. O futebol ficou mais chato e sisudo. As assessorias erraram na dose. Era necessário organizar, mas não transformar os clubes em fortalezas inacessíveis. Espero que algum dia os assessores dos clubes se toquem que estão atrapalhando mais do que ajudando o futebol.

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    Assef — Fiz coberturas internacionais, mais com a Seleção Brasileira, como Copa América, mas o grande momento de quem gosta de futebol é uma Copa do Mundo. Minha experiência foi inesquecível, pois fui cobrir a Copa dos Estados Unidos, em 1994 e o Brasil foi campeão. É algo difícil de descrever. Era a satisfação do jornalista com o bom trabalho realizado e a do torcedor vendo de perto sua seleção campeã do mundo. Cobri a Copa de 1994 pelo rádio, enviando boletins e pelo jornal, enviando textos por fax, pois a internet ainda dava os primeiros passos naqueles tempos. Então era uma tarefa dobrada, mas foi algo muito gratificante, inesquecível mesmo.

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?
    Assef — As amizades que você faz ao longo da trajetória, seja com os colegas de profissão, seja com as pessoas envolvidas no esporte. Quando era setorista dos clubes, sempre busquei um distanciamento profissional. Você tem que ter a necessária isenção para elogiar e para criticar sem ser cobrado por isso. Outra vantagem da profissão é viajar muito, o que eu sempre gostei. Conheci lugares que, se não fosse o futebol, talvez nunca tivesse ido. Isso no Brasil e no exterior.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    Assef — É você não ter vida social. Quantas vezes perdi festas de amigos ou da família porque tinha um jogo para cobrir ou uma viagem para fazer. Grupos de amigos, muitas vezes, marcavam encontros de acordo com a tabela do campeonato em andamento para saber se eu poderia ir ou não. Mas com o tempo a gente se acostuma, mas seus amigos e parentes ficam privados da sua companhia, muitas vezes.

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    Assef —
    Primeiro que você tem contato mais direto com a torcida. Tem muita gente do jornalismo esportivo que abandonou algumas das redes sociais por causa das cobranças e do comportamento grosseiro e agressivo de muitos torcedores. Por um lado o torcedor hoje é muito bem informado. Se você não se preparar direito, muitas vezes o público que você deveria informar, acaba sendo mais bem informado do que você. É preciso apurar ainda mais uma informação e especialmente no caso do rádio – agora também com transmissões com imagem nas redes sociais – a fase do ‘eu acho’ morreu. Tudo que você informar deve ser com a maior certeza possível. Quem não está bem informado no jornalismo esportivo atualmente, acabará expurgado do meio mais cedo ou mais tarde.

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
    Assef —
    Desde antes da internet e das redes sociais. No rádio, quando você cobria um clube e ia fazer jogo no estádio do adversário, tinha gente que ficava te seguindo pelo alambrado o jogo todo, te xingando e te hostilizando. Trabalhei por 11 anos na Tribuna do Paraná e já foi hostilizado por carta de leitor, antes de surgir a internet. Hoje em dia, então, é quase uma rotina diária. Alguém ter opinião diferente da sua é normal, mas partir para a grosseria e a falta de educação não dá para tolerar.

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?
    Assef —
    Eu me preocupo muito com o futuro do rádio esportivo. As equipes de transmissão de jogos estão desaparecendo. O anunciante abandonou o rádio e não tem noção do poder que este veículo tem, como força para a divulgação do seu produto. É comunicação direta, barata e com retorno imediato. Pode ser que seja uma evolução natural do futebol atual e do domínio que a televisão tem das transmissões, mas amo o rádio e me preocupo com o seu futuro. Hoje a TV faz o tipo de transmissão que o rádio fazia antes, cobrindo desde a chegada dos clubes no estádio e fazendo as entrevistas pós-jogo, mas a emoção da transmissão de jogos pelo rádio é insuperável. Quero deixar registrado aqui meu amor pelo rádio, meu apoio aos colegas que resistem no dia-a-dia das transmissões esportivas e que a transmissão esportiva, o futebol pelo rádio, nunca deixe de existir, por mais mudanças que possam surgir ainda.

    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS
    Melhor jogador do mundo na história: Essa é fácil: Pelé. Insuperável. O Pepe, que foi companheiro dele no Santos, diz que ele é de outro planeta. Acho que ele tem razão.
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo. Estamos falando dentro de campo.

    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Vou falar dos que eu vi, pois falam de Fedato, Miltinho, Jackson, Caju e outros, mas esses eu não vi. Sicupira, Cláudio Marques e Zé Roberto.

    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson (Coritiba), Dagoberto (Londrina) e Pablo (Atlético)
    Melhor técnico do mundo na história: Por sua história na seleção vou destacar o Zagallo.
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Pep Guardiola. Depois da Copa de 2014 queriam que ele fosse técnico da seleção brasileira, mas os técnicos brasileiros se fecharam e a CBF desistiu.
    Maior time da história do futebol: o Brasil da Copa de 1982.
    Maior time da história do futebol paranaense: Difícil citar só um. O Coritiba hexacampeão nos anos 70; o Atlético de 1982, com Washington e Assis e o Paraná do começo dos anos 90, com Régis, Adoilson, Saulo, etc.
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: Era pequeno na Copa de 70, mas vi o videotape completo depois: Brasil e Itália, final da Copa de 1970.

    Clubes do coração: Quem me conhece sabe qual é, mas prefiro não falar publicamente.
    Ídolos fora do esporte: Milton Nascimento, Nelson Mandela.
    Esportes que já praticou: Sempre fui um mau jogador de futebol, apesar de insistir em jogar. No handebol fui campeão na escola com 12, 13 anos.
    Hobbies: Cinema, música, em especial música popular brasileira.
    Locais preferidos em Curitiba: Nossos parques são todos ótimos. Estar com os amigos, batendo um papo. Isto pode ser em qualquer lugar.

    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Paulo Vinícius Coelho, pelo seu conhecimento; João Saldanha, tinha opinião forte e era versátil; Tostão, foi um craque no campo e é preciso nas análises em seus textos.
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Ayrton Baptista Jr., uma enciclopédia ambulante, muito fera; Fernando César, o melhor narrador que já atuou em Curitiba e Josias Lacour, o melhor repórter esportivo do rádio dos últimos 40 anos.

    Currículo: Marco Antonio Assef Bruginski, o Marco Assef, nasceu em Curitiba em 18 de fevereiro de 1966, tem 52 anos. Estudou no Colégio Lins de Vasconcellos, em Curitiba; no Colégio Santo Antônio, em Blumenau (SC) e Colégio Dom Bosco, de Curitiba. Ingressou no curso de jornalismo da Universidade Federal do Paraná aos 16 anos e se formou aos 20 anos. 

    Começou a trabalhar no jornalismo aos 18 anos. Atuou em rádios (Independência, Cidade, Paraná, Paraná Educativa, CBN, Cultura, 91 Rock, etc.), jornais (O Estado e Tribuna do Paraná; Gazeta do Povo; Diário Popular; Folha de Londrina; Jornal do Ônibus, Diário Indústria & Comércio, etc.) e TVs de Curitiba (RIC, Band, Rede Massa), na área esportiva e em outras editorias, fez trabalhos freelance para a Revista Placar, Jornal O Estado de São Paulo e para o Sportv. Também atuou em assessorias de imprensa no esporte (Coritiba, Clube Curitibano) e fora dele (Polícia Militar do Paraná). 

    Foi premiado como melhor repórter esportivo de jornal em 1991, 1993 e 1994 no Troféu Plumas e Paetês, da jornalista Sonia Nassar; Destaque da Imprensa – Melhores do Ano 1997 pelo Jornal do Estado; melhor repórter de rádio em 1994 no Troféu Plumas e Paetês; Destaque esportivo 2014 e 2016 pela Federação Paranaense de Motociclismo. 

    É divorciado, tem um filho, João Gabriel, de 19 anos, atualmente trabalha em sua própria empresa de assessoria de imprensa, executando textos para publicações de ‘house organ’ e textos para livros. Apresentou até setembro um programa na Rádio Cultura de entrevistas sobre esporte e cultura.

  • 08/10/2018

    A explosiva mistura de futebol com política

    A explosiva mistura de futebol com política
    Jogadores do Atlético com a polêmica camisa, no sábado (Foto: Geraldo Bubniak)

    A Fifa proíbe que seus filiados façam manifestações políticas durante partidas. Alguns encaram essa medida como uma “ditadura” ou uma tentativa de “despolitizar o futebol”. 

    Não encaro dessa forma. A Fifa, na verdade, só proíbe essas manifestações em jogos e não interfere na vida política ou nas escolhas de cada pessoa, de cada jogador, de cada clube. O objetivo é apenas evitar que o estádio vire um barril de pólvora. 

    Aliás, os estádios já são ambientes propícios para violência e discurso de ódio. Adicionar o elemento político a esse caldeirão seria um motivo a mais para se afastar do futebol. 

    HIERARQUIA
    A relação entre jogadores, técnicos e dirigentes é algo complexo, diferente de corporações normais. A hierarquia no futebol, em alguns casos, é quase militar, com disciplina cega e abusos por parte dos superiores. Há pouca inteligência e ética permeando a relação entre profissionais de futebol. A pressão pelo resultado coloca o pragmatismo acima de tudo. 

    Com basse nisso, é complexo permitir que profissionais e dirigentes do futebol possam usar o espaço dos estádios para manifestações políticas. Honestamente, prefiro que eles se manifestem politicamente da mesma forma que o eleitor comum, ou seja, usando redes sociais, participando de atos públicos e votando.

    JULGAMENTO
    O Atlético pode ser julgado por usar a frase “Vamos todos juntos por amor ao Brasil” na camisa de jogadores e no estádio. Como não há número ou nome de um candidato, creio que a punição seria um exagero. Além disso, não há provoção ou acusação contra algum outro político. É claro que, juntando todos as informações relativas ao episódio, fica evidente que era uma campanha velada a Bolsonaro. Por ter sido velada, a campanha não provocou incidentes no estádio. E essa é uma questão a ser considerada no julgamento. 

    PAULO ANDRÉ
    A atitude de Paulo André, de não vestir a camisa, é outro ponto que pode evitar uma punição ao Atlético. Afinal, isso pode caracterizar que os jogadores não foram obrigados ou pressionados a participar da manifestação. Eu usei o verbo “pode”. Na verdade, não sei o que ocorreu lá dentro do Atlético e como surgiu a ideia da camisa.

    PETRAGLIA E BOLSONARO
    Em redes sociais, Petraglia declarou apoio a Bolsonaro. Curiosamente, o candidato do PSL não incluiu o esporte ou o futebol nas suas propostas. Já o maior rival dele, Fernando Haddad, apresentou projetos para o esporte olímpico e também para o futebol, como a criação de um Programa de Modernização da Gestão do Futebol. Com isso, não estou dizendo que Petraglia deveria apoiar o candidato do PT. É apenas uma curiosidade.

    TEMPLOS SAGRADOS
    A política permeia tudo. E, em uma democracia, todos são obrigados a participar do debate político. O poder deve ser diluído entre toda a população. Quanto mais politizado o cidadão, mais forte a democracia. 

    Nessa luta diária pela politização devemos ter alguns “templos sagrados”. Ter alguns lugares, momentos, espaços e grupos alheios à política. É preciso descansar a cabeça por um tempo e apenas relaxar, se entregar ao entretenimento. 

    Vejo os estádios como candidatos a “templos sagrados”, espaços apenas para diversão, para relaxar, para descansar por alguns momentos. Espero que eles recuperem essa característica e que a política seja reservada para outros espaços. 

  • 07/10/2018

    A epopeia de Juliana Fontes no jornalismo esportivo

    A epopeia de Juliana Fontes no jornalismo esportivo
    Juliana Fontes entrevista o ex-goleiro Marcos (Foto: Jonathan Campos)

    Juliana Fontes vive seu primeiro ano no jornalismo diário. Para os desavisados, é mais uma “foca”.

    Mas não é verdade. Juliana viveu uma epopeia até chegar à Redação da Tribuna do Paraná. 

    Na luta diária pela informação precisa, Juliana já provou que não é inexperiente como uma “foca” — termo usado para rotular os jornalistas iniciantes. 

    Com criatividade para reportagens inéditas, a jornalista mostrou qualidade única e ganhou seu legítimo espaço na série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, do Bem Paraná. 

    Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportiva? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    Juliana Fontes —
    Desde criança frequento estádios de futebol. Herdei esse amor pelo esporte do meu pai. Eu costumava acompanhá-lo nos jogos e também no final dos domingos, assistir aos programas no estilo “mesa redonda”, mesmo pequena. Meu pai tinha uma loja de materiais de construção e lembro que em cima do balcão sempre tinha uma Tribuna. Ele fazia questão de comprar o jornal diariamente. Quando tinha uns 11 anos decidi que seria jornalista para trabalhar com futebol. Lembro que alguns dias antes de prestar o vestibular, um amigo do meu pai me perguntou se eu seria jornalista para aparecer na TV e eu falei que não, que meu sonho seria escrever em um jornal. E hoje estou realizando este sonho, escrevendo na Tribuna do Paraná, mas até chegar até aqui muita coisa aconteceu. Muita mesmo, e se fosse contar renderia um livro. 

    Entrelinhas —  E como começou essa aventura?
    Ju Fontes —
    Chegar até a faculdade de Jornalismo não foi assim tão simples. Quando consegui, fazia dois cursos ao mesmo tempo: Letras Português/Espanhol à noite e Jornalismo pela manhã e ainda fazia estágio na parte da tarde. Eu tinha bolsa de estudos e prezava muito tirar boas notas, então vivia cansada, dormia até na biblioteca da PUCPR. Tive meu primeiro contato no esporte quando depois de um curso de jornalismo esportivo o narrador Nelinton Rosenau achou que eu me destaquei e me chamou para estagiar na extinta Rádio Clube AM. Eu ainda estava no primeiro ano do curso, então não tinha muita ideia do que estava fazendo, mas lá já conheci grandes nomes do esporte, alguns que tenho contato até hoje como o Jairo Silva e o Jairo Júnior, da Transamérica. No meio de toda essa loucura de fazer tantas coisas descobri que estava grávida. Meu namorado, hoje meu marido – que conheci por causa do futebol -, sempre me deu todo apoio necessário e me incentivou, mas foi bem complicado terminar a faculdade, fazer o TCC com um bebê pequeno. Deixei um pouco de lado meu sonho e fui viver a vida real. Estava no último ano do curso de jornalismo quando um professor falou que via toda minha dedicação e me ofereceu um estágio em uma grande empresa, na área de comunicação corporativa. Não era a área que desejava, mas agarrei a oportunidade. Cresci nessa empresa, fiz uma Pós Graduação na área, mas sempre com o sentimento de que o esporte estava em mim. 

    Entrelinhas — E nessa época você começou a trabalhar em uma TV, não foi?
    Ju Fontes —
    Nessa época um conhecido me convidou para ir a um programa, na TV Transamérica, pois era Dia Internacional da Mulher e eles queriam fazer um programa com mulheres comentando a rodada do Campeonato Paranaense. O apresentador era o Dorival Chrispim, hoje também da Transamérica, que diante de todas as meninas que estavam ali naquele dia me convidou a continuar indo ao programa pra comentar. Como tinha o meu trabalho e minhas rotinas, ia ao programa para fazer comentários quando podia, mas foi ali que eu reacendi minha vontade de tentar ingressar no jornalismo esportivo. Então passei a escrever em alguns sites menores sobre futebol, até que tempos depois, devido aos meus textos, o Sérgio Tavares, doGloboesporte.com, me convidou para ser blogueira no portal. Um ano depois, o Osmar Antônio me chamou para integrar um novo formato de programa de esportes que seria lançado na CNT. Me senti super insegura, pois dividiria a bancada com pessoas muito experientes, mas fui. Nunca me faltou coragem, mesmo quando “quebrei a cara”. Tomo as experiências negativas como aprendizado. Cerca de um ano e meio depois o programa mudou seu formato e deixei a TV, mas passei a escrever no site Redação em Campo. É importante ressaltar que todos esses trabalhos no esporte foram meu “plano B”, que eu executava em meio à minha rotina normal de trabalho, que realmente me remunerava, na área de Comunicação Empresarial. Por cinco anos tive minha própria agência e prestava trabalhos de Assessoria de Imprensa, Gestão de Redes Sociais e Comunicação Corporativa, mas sempre soube que, uma hora ou outra, o esporte se tornaria meu “plano A”. Também fiz alguns freelas nesse meio tempo para me manter no esporte, como cobrir os Jogos Escolares do Paraná e, pela TVCI, de Paranaguá, o Rio Branco. No final de 2017, quando soube que abriu uma vaga na equipe de esportes da Tribuna do Paraná, me empolguei com a possibilidade de trabalhar em um veículo tão tradicional do nosso Estado e tenho que agradecer ao Cristian Toledo por ter acreditado no meu potencial e te me dado essa oportunidade em meio a tantos candidatos. E agradeço à equipe de esportes que me recebeu de forma incrível e ajuda a me superar a cada dia. Ah, e meu filho agora está com 10 anos, com muita saúde, mas apesar da influência do pai e da mãe que amam assistir/jogar/viver o futebol, ele não curte em nada o esporte. Prefere Fórmula 1 e lutas (é faixa amarela em karatê). 

    Entrelinhas — Mesmo há pouco tempo no jornalismo diário você já conseguiu publicar reportagens bem interessantes, como aquela com a Gretchen. Qual a sua matéria favorita?
    Ju Fontes —
    Apesar de ter percorrido um caminho repleto de experiências no jornalismo esportivo, este é o meu primeiro ano no jornalismo diário. O imediatismo, às vezes, é desafiador, mas tento sempre buscar ângulos diferentes que envolvam o futebol. Em meio à pressa de noticiar sobre o dia a dia dos clubes, os jogos, as contratações ou os treinos, procuro encontrar histórias que ainda não foram contadas. Claro, muitas vezes isso surge em uma conversa com a equipe, que aliás, é repleta de gente competente e comprometida com o que faz, mas algumas vezes coloco meu olhar para encontrar o “incomum”. Foram diversas matérias especiais que fiz até aqui, e tenho carinho por todas, mas esta da Gretchen foi totalmente inusitada. Foi curioso que nem mesmo os moradores de Paranaguá sabiam exatamente como a “musa do bumbum” foi parar vestindo a camisa do Leão da Estradinha. Eu conversei com muita gente mesmo até descobrir a história, mas a “saga” valeu a pena e repercutiu até fora do Paraná. (Clique aqui para ler essa reportagem, no site da Tribuna). A matéria favorita que fiz até aqui foi sobre os torcedores do Trio de Ferro com Síndrome de Down. A pauta surgiu porque estava na cobertura do jogo entre Paraná Clube e Atlético, pelo Paranaense, e vi o Danilo ali na social, perto da área da imprensa. Eu já tinha visto esse torcedor paranista outras vezes ali, ele não perde um jogo sequer, e na hora me lembrei de um vídeo com um pequeno torcedor do Atlético, o Henrique, com síndrome de Down, fã do Lucho González. Aí veio a ideia de entrevista-los. Por coincidência, faltavam duas semanas para o Dia Nacional de Conscientização sobre a Síndrome de Down. Falei com uma conhecida, torcedora do Coritiba, e logo soube da existência do Vinícius, que não perdia um jogo do Coxa e gostava de ficar no meio da torcida organizada. Marquei para conhecê-los e tive uma lição de vida. Saí da entrevista emocionada. Além da matéria especial, que foi capa do jornal, escrevi um outro texto sobre a minha experiência com eles. Recebi um carinho enorme do público, foram quase 100 mensagens de agradecimento pelo material. 

    Entrelinhas — Como é o desafio de trabalhar diariamente na Tribuna do Paraná, que tem essa proposta de uma linguagem direta para um torcedor vibrante, apaixonado? 
    Ju Fontes —
    É um veículo muito tradicional, mas que também se modernizou. Existe essa pegada da linguagem “Tribuna de ser”, mas não abrimos mão de tentar o novo de vez em quando. É preciso sempre lembrar que temos os leitores do impresso, que aguardam diariamente a publicação nas bancas, e também, os do site, ávidos por informações rápidas. Precisamos ter um meio termo para isso, mas nunca deixando de lado o fato de todos serem nossos leitores porque são torcedores apaixonados, que sempre esperam o texto da Tribuna para afirmar – ou contestar – sua opinião. Meu vizinho mesmo, um senhor de 70 anos, me para quase todos os dias para me contar: “olha, li na Tribuna...”, ressaltando a importância do veículo na formação da opinião dos leitores. 

    Entrelinhas — Todo jornalista esportivo foi torcedor. Essa ligação com um clube de futebol interfere no trabalho jornalístico? 
    Ju Fontes — Gostaria que todos os torcedores entendessem que qualquer jornalista esportivo chegou até a área porque, em primeiro lugar, ama o futebol. É lógico que cada um tem um time, mas o profissionalismo faz com que todos saibam separar isso muito bem. Eu amo estar nos “bastidores” do Trio de Ferro, respeito todas as equipes. Para mim não interfere o fato de eu ter um time, principalmente porque eu prezo muito pelo meu trabalho e quero que as pessoas reconheçam minha trajetória. Nunca vou colocar em dúvida meus princípios. 

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    Ju Fontes — Sem dúvida o atual. Estou tendo a oportunidade de aprender muito, conhecer pessoas incríveis e entrevistar personagens que eu sempre considerei mitos do futebol paranaense. 

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportiva?
    Ju Fontes — Um dia, quando era criança, falei para meu pai: nossa, a melhor profissão que existe é ser jogador de futebol. O cara está jogando bola e ainda ganha dinheiro para isso. Ele riu disso, mas concordou. Para quem ama futebol e trabalha na área, a conversa é mais ou menos a mesma. De certa forma, a gente trabalha com algo que, no fundo, também é nosso hobby. Porém é bem importante destacar que nos dois casos existe não só o bônus, como eu achava quando era pequena, mas também o ônus. 

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    Ju Fontes — O jornalista esportivo é um profissional que está, de certa forma, em evidência. Se algum outro profissional dentro de seu contexto, comente um erro, a impressão que temos é que aquilo ficará em um ambiente restrito. Nós temos uma visibilidade que, a qualquer passo em falso, somos apontados, crucificados. A pressão pelo imediatismo, pela notícia em tempo real é enorme. É difícil precisar estar 24h ligado em tudo, correndo o risco de perder alguma novidade do mundo esportivo. Trabalhar aos finais de semana, enquanto sua família está descansando, passeando, se divertindo, também não é tarefa das mais tranquilas. Mas conseguimos sobreviver a isso! Vale a pena! 

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    Ju Fontes — Sem dúvidas. Além de facilitar a aproximação com torcedores, simplificou o contato direto com jogadores e profissionais do meio esportivo. Antes o que exigia uma ligação ou uma entrevista presencial, pode ser resolvido em uma mensagem pelas redes sociais. Lógico, existem situações e situações. Em alguns casos nada substituirá uma conversa “olhos nos olhos”, mas para assuntos cotidianos, as redes sociais nos ajudam e muito. 

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
    Ju Fontes — Quando escrevia no Globoesporte.com fiz uma crítica que não foi muito bem entendida por torcedores do Paraná Clube e isso me rendeu muitos xingamentos. Aceito críticas, mas alguns comentários se excederam. As pessoas não imaginam o que palavras duras podem causar. Fiquei muito mal por ler algumas coisas e na época saí das redes sociais, até porque aquele tinha sido apenas um texto entre centenas de outros que já tinha feito e não achei justa a reação. Depois de um tempo fui digerindo o episódio e consegui me tornar quase que “imune” a esse tipo de coisa. As críticas dos haters hoje não me afetam. 

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder? 
    Ju Fontes — Acho que seria relevante falar sobre o espaço da mulher no mundo do futebol. Fico muito feliz em ver tantas colegas na área. Vejo que o mercado está muito mais aberto às mulheres do que era há alguns anos, mas claro, ainda há muito que evoluir. Até um tempo atrás o papel da mulher era aquele da “bonitinha” que estava ali apenas para ler informações e hoje vejo um protagonismo. Aos poucos estamos ganhando vez e voz. 

    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS
    Melhor jogador do mundo na história: Pelé, mas quero fazer uma menção à Garrincha, que se não tivesse tido problemas sérios com o alcoolismo poderia ter sido o maior 
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Cristiano Ronaldo
    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Saulo, Régis (vi ambos jogarem) e Sicupira (por tudo que já pesquisei e vi em arquivos)
    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson, Richard e Pablo. 
    Melhor técnico do mundo na história: Guardiola, mas faço menção à Zagallo por sua história na Seleção Brasileira.
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Zidane. 
    Maior time da história do futebol: Seleção Brasileira de 1958 (não vi, mas sou apaixonada pelos registros e histórias dessa seleção)
    Maior time da história do futebol paranaense: Atlético de 2001. 
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: Brasil x Holanda, na Copa de 1994. Branco fez aquele gol icônico, a conhecida “bomba”, em que Romário se retorceu todo para deixar a bola passar.
    Clubes do coração: Quem sabe, sabe. Quem não sabe, não saberá mais.

    Ídolos fora do esporte: Não chegam a ser ídolos, mas como sou formada em Letras, amo Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade. 
    Esportes que já praticou: Já treinei futsal em um clube da capital, mas desisti de seguir adiante por saber que o futebol feminino não dá muitas possibilidades às atletas. 
    Hobbies: Jogar bola, viajar, ir aos parques de Curitiba com minha família.
    Locais preferidos em Curitiba: Todos os parques da cidade, mas adoro conhecer lugares novos. Tento sempre desbravar Curitiba, conhecendo um cantinho novo a cada semana. Penso em fazer um blog ou perfil sobre isso, mas já existem tantos...aí desanimo

    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: Fernanda Gentil, Clayton Conservani e Renato Peters
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Cristian Toledo, Nadja Mauad e Leonardo Mendes Júnior. Destaco também todo o conhecimento histórico do Lycio Vellozo Ribas. 

    Currículo: Sou formada em Letras Português/Espanhol pela PUCPR e em Jornalismo pela Universidade Positivo. Cursei três períodos de Ciências Sociais na UFPR, mas desisti do curso por achar extremamente teórico. Tenho especialização em Comunicação Empresarial e Institucional pela UTFPR. Na área de Comunicação Corporativa, trabalhei no Grupo Positivo, na Página 1 Comunicação e fui sócia-fundadora da agência Éffe2 Comunicação, onde atuei por 5 anos. Fui professora de Português e Literatura em diversas escolas públicas e particulares e, também, em um curso preparatório para o Enem. No jornalismo esportivo atuei na TV Transamérica, no portal Paranautas, no Globoesporte.com como blogueira, na TV CNT, no site redacaoemcampo, na TVCI, de Paranaguá, e agora, no jornal Tribuna do Paraná. 

  • 04/10/2018

    Jogadores de Atlético, Coritiba e Paraná Clube na Liga Europa

    Jogadores de Atlético, Coritiba e Paraná Clube na Liga Europa
    Matheus Cunha (à esquerda) disputa lance com jogador do Rosenborg (Foto: Divulgação/Dierotenbullen.com)

    A quinta-feira (dia 4) teve a segunda rodada da fase de grupos da Liga Europa. O blog Entrelinhas do Jogo traz um breve resumo do desempenho de jogadores que passaram por Atlético Paranaense, Coritiba e Paraná Clube nas partidas dessa rodada. 

    O principal destaque foi o atacante Matheus Cunha, 19 anos, que marcou gol e acertou uma na trave na vitória do Leipzig por 3 a 1 sobre o Rosenborg, na Noruega. O jogador foi revelado na base do Coritiba, mas aqui nunca jogou pelo profissional. 

    O clube alemão pagou cerca de R$ 65 milhões pelo jogador ao Sion, da Suíça. Não há informações detalhadas sobre a participação do Coxa nessa transferência.

    Matheus Costa já tem três gols e uma assistência pelo Leipzig na temporada 2018/19.

    LÉO MATTOS
    O lateral-direito Léo Matos, 32 anos, foi titular e boa atuação na vitória por 4x1 do PAOK, da Grécia, sobre o Bate Borisov, da Bielorússia. Léo Matos defendeu o Paraná Clube na Libertadores de 2007.

    OTÁVIO
    O volante Otávio, 24 anos, foi titular na derrota em casa do Bordeaux por 2 a 1 para o Copenhagen, da Dinamarca. O jogador, revelado pelo Atlético-PR, terminou a temporada passada em baixa, devido a problemas disciplinares no clube francês. Agora, voltou a ser titular e vem sendo peça importante no esquema do técnico Eric Bédouet. 

    WENDELL
    O lateral-esquerdo Wendell, 25 anos, ex-Paraná e Londrina, foi titular do Bayer Leverkusen na vitória por 4 a 2 sobre o AEK Lanarca, do Chipre.

    VAGNER
    O goleiro Vagner, 32 anos, revelado pelo Atlético-PR, foi titular do Qarabag (Azerbaijão) na derrota por 3 a 0 para o Arsenal. Ele ficou no Atlético até 2008 e foi pouco aproveitado no profissional. Chegou a disputar duas partidas em 2007, ambas pelo time B, no Paranaense daquele ano. 

    NATANAEL E SIDCLEY 
    O lateral-esquerdo Sidcley, ex-Atlético-PR, ficou no banco do Dynamo Kiev, Ucrânia, no empate por 2 a 2 com o Jablonec, da República Tcheca. Ele só fez duas partidas desde que chegou ao clube ucraniano. O titular da lateral-esquerdo é o croata Josip Pivaric, que disputou a última Copa do Mundo. 

    O lateral-esquerdo Natanael, outro ex-Atlético-PR, foi titular do Ludogorets, da Bulgária, na derrota por 1 a 0 na Suíça, para o FC Zurich. 

    HERNANI
    O volante/meia Hernani, 24 anos, vinha atuando como titular no Zenit, da Rússia, mas não ficou nem no banco na partida dessa quinta-feira – vitória por 1 a 0 sobre o Slavia Praga, da República Tcheca. Não encontrei informações confiáveis sobre a escalação, mas é possível que o jogador, ex-Atlético-PR, esteja se recuperando de lesão.

  • 02/10/2018

    A série Craques da Imprensa apresenta a visão tática de Guilherme de Paula

    A série Craques da Imprensa apresenta a visão tática de Guilherme de Paula
    Guilherme de Paula (Foto: Arquivo pessoal/Guilherme de Paula)

    Guilherme de Paula nunca precisou da voz para se destacar no rádio ou na TV. Desde os primeiros passos na rádio Educativa, chamou a atenção pelo profundo conhecimento do futebol moderno e da história do esporte.

    Quem tenta acompanhar as evoluções táticas, sabe que o jogo está cada vez mais dinâmico, mais complexo, mais difícil de decifrar. E Guilherme nunca ficou para trás nessa corrida pelo conhecimento.

    Nessa entrevista para a série Craques da Imprensa, do blog Entrelinhas do Jogo, o jornalista Guilherme de Paula fala sobre sua carreira e sobre o futebol paranaense. 

    Entrelinhas do Jogo — Como virou jornalista esportivo? Era sonho de infância ou acabou decidindo depois?
    Guilherme de Paula
    — O jornalismo esportivo foi muito mais um atalho para me deixar próximo do futebol, que sempre foi a maior paixão nesta relação. O início foi meio por acaso, em dezembro de 2000 fui acompanhar meu amigo Henry Xavier na rádio Educativa e acabei iniciando ali como rádio escuta. 

    Entrelinhas — Qual o melhor momento que já viveu na carreira?
    Guilherme
    — A cobertura das três finais consecutivas de Copa do Brasil com os times paranaenses (2011-2013) foram muito marcantes. Em jogos assim tudo é diferente, desde a preparação até o momento da transmissão. O protagonismo não é algo comum para o nosso futebol e esse período trouxe experiências incríveis para mim. Jamais vou esquecer. Também considero momento atual da minha carreia bem especial, comentar futebol sempre foi um desejo e faço isso todos os dias e ainda posso contribuir com a produção dos programas da Transamérica e da Rede Massa. 

    Entrelinhas — Suas análises táticas no rádio e no blog impressionam pela qualidade. Você fez cursos nessa área?
    Guilherme
    — Obrigado pelos elogios. A medida que eu buscava conhecimento sobre jogo, ficava cada vez mais claro que eu conhecia pouco. O jogo é muito complexo e me despertou a necessidade de fugir do entendimento empírico para tentar basear as análises em conceitos e nesta busca conheci a Universidade do Futebol que foi minha base e ainda é para os estudos. Lá fiz cursos de análise de desempenho e gestão técnica. Além disso, a literatura – principalmente internacional, esse mercado ainda engatinha no Brasil - também transformou minhas ideias sobre futebol. 

    Entrelinhas — A parte tática mudou radicalmente nas últimas décadas e, a cada semana, surge alguma novidade. O desafio é se manter atualizado. Como você consegue sempre estar atualizado dentro desse universo? E que dicas você pode dar para quem pretende seguir esse caminho de comentarista esportivo?
    Guilherme
    — Hoje o acesso à informação deixou tudo mais fácil. O universo de conteúdo é vasto e é possível acompanhar visões diversas sobre o jogo. Um outro caminho obrigatório para atualização é tentar assistir o máximo de jogos e possível de estilos e culturas diferentes. Outro caminho é apreender com quem está diretamente envolvido no processo de construção das equipes, técnicos, auxiliares, analistas, jogadores... todos são ótimas fontes para entendimento do jogo e também da realidade do “vestiário”, algo que só quem participa diretamente pode te passar. O caminho que eu indico é o conhecimento, ele é muito poderoso e é o atalho para a transformação. 

    Entrelinhas — Acompanho a sua carreira desde o início e nunca vi você irritado ou nervoso. E isso é raro, principalmente no rádio, que provoca debates mais intensos. Você nunca ficou irritado com ninguém? Nenhum colega de profissão, técnico, dirigente, jogador ou árbitro?
    Guilherme
    — O que eu tento fazer é nunca levar as discussões para o lado pessoal. Isso me ajuda a ficar mais calmo nos momentos mais intensos (nem sempre haha). Mas, mesmo assim já tive discussões feias, principalmente nos programas de debate nas rádios que trabalhei, mas tudo superado por que sempre a conversa passou pelas ideias e nunca pelo lado pessoal.  

    Entrelinhas — Qual a melhor parte de ser jornalista esportivo?
    Guilherme
    — É trabalhar com aquilo que gosta, faz toda diferença.

    Entrelinhas — E qual a parte mais difícil, mais complicada na profissão?
    Guilherme
    — A convivência com a intolerância. Há pouco respeito com as diferenças de pensamento. Além disso, os clubes não entendem qual é exatamente o papel da impressa e a confusão de conceitos torna a relação difícil. 

    Entrelinhas — As redes sociais provocaram mudanças no jornalismo esportivo e na sua maneira de trabalhar?
    Guilherme
    — Transformou principalmente na aproximação com quem consome o conteúdo. O feedback é mais rápido e intenso também. As redes sociais deram a possibilidade para que a formação de opinião não fique restrita ao lado de ‘cá’. 

    Entrelinhas — Já teve problemas com os chamados 'haters'? 
    Guilherme
    — Nada muito forte. Dentro de um limite tento responder e se vira ofensa silencio, mas é mais um elemento da profissão e das redes sociais. 

    Entrelinhas — Pergunta tema livre. Que pergunta faltou aqui que você gostaria de responder?
    Guilherme
    — Um dos debates mais frequentes sobre o jornalismo esportivo é a linguagem e as suas mudanças ao longo do tempo. O confronto entre ‘boleirês’ x ‘tatiquês' é um falso debate. Existe exagero das duas partes e o mais importante não é o termo utilizado e sim o domínio dos conceitos para alcançar uma análise mais profunda sobre o jogo. Falar em “amplitude”, “último terço” não significa entendimento de futebol, assim como o uso da linguagem do vestiário também não garante nada. Tem espaço pra todo mundo. 


    PERGUNTAS RÁPIDAS, RESPOSTAS CURTAS

    Melhor jogador do mundo na história: Pelé 
    Melhor jogador do mundo na atualidade: Messi 
    Três melhores jogadores do futebol paranaense em toda história: Alex Mineiro, Alex e Ricardinho (que eu vi)
    Três melhores jogadores em atividade em clubes paranaenses hoje: Wilson, Richard e Jonathan. 
    Melhor técnico do mundo na história: Guardiola 
    Melhor técnico do mundo na atualidade: Guardiola 
    Maior time da história do futebol: Barcelona 2010-2011
    Maior time da história do futebol paranaense: Atlético 2004 e Coritiba 2011 (que eu vi). Não são os mais importantes historicamente. 
    Melhor jogo de futebol que já assistiu: Barcelona 5 x 0 Real Madrid 2010 (maior exibição de um time)

    Clubes do coração: Não revelo por causa da intolerância e por não ser uma informação relevante. 
    Esportes que já praticou: Muito futebol e pouco de vôlei. 
    Hobbies: Ficar com meu filho e minha mulher. Ah, e ver futebol. 
    Locais preferidos em Curitiba: Espetaria do Simprão e Feira livre da Alberto Bollengger. 

    Três melhores jornalistas esportivos brasileiros: André Kfouri, Paulo Calçade e André Rizek. 
    Três melhores jornalistas esportivos paranaenses: Marcelo Ortiz, Carneiro Neto e Leonardo Mendes Junior. 

    Currículo: Nasci em São Carlos, no interior de São Paulo. Estou em Curitiba desde 1991. Estudei no Flávio Ferreira da Luz, Paula Gomes, Rio Branco e Paula Gomes de novo. Me formei em jornalismo em 2007 na Tuiuti. Desde 2000 trabalhei na Rádio Educativa, Rádio Paraná, Rádio Colombo, Rádio Independência, Rádio Banda B, Rádio 98, CNT e estou na Rede Massa desde 2014 e na Transamérica desde 2015. 

  • 01/10/2018

    'Raça' e 'garra' nunca foram os problemas do Coritiba em 2018

    'Raça' e 'garra' nunca foram os problemas do Coritiba em 2018
    Vitor Carvalho comemora gol contra o Avaí (Foto: Geraldo Bubniak)

    A mitologia do futebol brasileiro leva uma parte da torcida a acreditar que “raça”, “garra” e “sangue nos olhos” sempre são os elementos essenciais para o sucesso de uma equipe. De fato, são ingredientes que fazem parte do jogo, mas nem sempre explicam o fracasso. 

    É o caso do Coritiba em 2018. Em nenhum momento faltou esse espírito de luta por parte dos jogadores. 

    É verdade que, em alguns momentos, a apatia tomou conta da equipe. Mesmo assim, acredito que a melhor explicação para esse fenônemo é a falta de confiança e as doses elevadas de nervosismo e de ansiedade. 

    O grande problema do Coritiba na Série B de 2018 sempre foi a falta de organização dentro de campo e de uma proposta de jogo adequada às características dos atletas. 

    NA BASE DA PORRADA
    Alguns números que ajudam a compreender essa situação. Com o técnico Eduardo Baptista, o Coritiba chegou a ser o líder da Série B em faltas cometidas, com média de 20,5 por jogo, e o segundo time com mais cartões amarelos. Ou seja, não faltava “raça”. 

    Sem Eduardo Baptista, o Coritiba tem tentado “brigar” menos e jogar mais. O time agora é o sexto no ranking de cartões amarelos e apenas o 14º em faltas cometidas (15,8 por jogo). Os dados são do Footstats.

    ORGANIZAÇÃO
    Contra o Avaí, o Coritiba não fez uma partida de alto nível. É até arriscado afirmar que “jogou bem”, porque isso pode criar algumas ilusões. Mesmo assim, foi uma das cinco melhores performances do Coxa em 2018. E talvez a melhor no quesito organização.

    Argel não veio ao Coritiba somente para “domar o vestiário” ou mexer com os brios dos jogadores. Ele não é apenas um motivador, como o blog Entrelinhas do Jogo há havia analisado.

    O DESAFIO
    O desempenho atual do Coritiba é animador, mas não chega a empolgar. Argel ainda tem uma montanha para escalar. E alguns números retratam a fragilidade da equipe. No aspecto defensivo, os problemas são de fácil solução. O grande desafio é a falta de poder de fogo do time.

    O Coxa ainda é apenas o sétimo da Série B no total de finalizações (11,8 por jogo) e o 15º em finalizações certas (3,9). São números bizarros para um elenco com o orçamento desse nível. Para piorar, o time alviverde é o 16º em precisão de passes, com 87,3%. 

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