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Luto

A serenidade de Vadão fez o Athletico voar mais alto

Homenagem do Athletico a Vadão
Homenagem do Athletico a Vadão (Foto: Divulgação/Athletico.com.br)

Vadão foi um técnico importante na história do Athletico. Apesar de ser pouco citado entre os maiores da história do clube, ele mudou os rumos do Furacão nas suas passagens em 1999, 2003 e 2006.

A SELETIVA
Em 1999, Vadão comandou o fantástico time que conquistou a Seletiva da Libertadores. Foi a primeira vaga do clube na competição continental. E o treinador alcançou essa façanha não apenas na base do ‘resultadismo’, mas com futebol exuberante dentro de campo, superando Portuguesa, Coritiba, Inter, São Paulo e Cruzeiro.

A final foi contra o Cruzeiro de Muller, Valdo e Marcelo Ramos. A semifinal, contra o São Paulo de Raí, Carlos Miguel, Fábio Aurélio, Marcelinho Paraíba, Souza, França, Márcio Santos, Nem e Edmilson. Nas quartas, o Furacão de Vadão eliminou o Inter de Lúcio Flávio, Lúcio, Elivelton e Almir. Nas oitavas, o momento marcante foi a goleada por 4 a 1 sobre o Coritiba, no Couto Pereira, com golaço histórico de Cocito.

JADSON E FERNANDINHO
Em 2003, a passagem de Vadão não rendeu muitos resultados dentro de campo. No entanto, a serenidade do treinador foi importante na preparação de uma safra vencedora das categorias de base. Naquele época, eu era setorista do Athletico e acompanhava os treinos de perto.

Vadão sabia lidar com novatos e escolher o melhor momento para levá-los a campo. Com ele, nenhum prata-da-casa foi queimado. O que é raro. A história recente do Athletico, de 1995 para cá, é marcada por ‘fritura’ constante de boas revelações da base.

Em 2003, Vadão soube lidar com Jadson e Fernandinho, escolhendo os melhores jogos e apenas escalando em funções/posições adequadas. O técnico também foi importante para dar uma última ‘lapidada’ no diamante Dagoberto e consolidar Alan Bahia, uma muralha no meio-campo. Não é exagero dizer que o sucesso do Athletico de 2004, vice-campeão brasileiro, começou com Vadão.

CURANDO A RESSACA INTERNACIONAL
Vadão também foi importante para ‘curar a ressaca internacional’ do Athletico. Em 2005, a derrota na final da Libertadores, com a polêmica do veto à Arena da Baixada, deixou o clube abatido. Após a vitória do São Paulo na decisão, a impressão era que o Furacão poderia demorar para brilhar em uma competição internacional.

Com outro bom trabalho de Vadão, o Athletico fez bela campanha na Sul-Americana de 2006, passando na primeira fase pelo Paraná de Caio Junior, aquele histórico time do Tricolor da Vila Capanema que ficaria em quinto lugar no Brasileirão e garantiria vaga na Libertadores. Nas oitavas, o Furacão de Vadão eliminou o poderoso River Plate do técnico Passarella, que contava com Gallardo, Falcao Garcia e Higuain. Nas quartas, a vitória foi sobre o tradicional Nacional, do Uruguai. Na semifinal, a eliminação foi para o Pachuca, do México. Apesar da derrota, o Athletico deixou boa impressão e mostrou que, com pequenos ajustes, seria uma força sul-americana.

TRANQUILIDADE
Em todos os seus trabalhos no Athletico, Vadão sempre se destacou pela serenidade e pela transparência. Deixou um legado positivo dentro e fora de campo. Com seu jeito simples e humano, gravou seu nome na história do Furacão.