Meio ambiente

Câmara aprova urgência para votação de projeto de reabertura da Estrada do Colono

Ambientalistas protestaram nas Cataratas do Iguaçu contra projeto
Ambientalistas protestaram nas Cataratas do Iguaçu contra projeto (Foto: Marcos Labanca/divulgação)

A Câmara dos Deputados aprovou, ontem, regime de urgência para votação do Projeto de Lei 984/19, do deputado Vermelho (PSD), que cria a categoria de Unidade de Conservação denominada Estrada-Parque e institui a Estrada-Parque Caminho do Colono no Parque Nacional do Iguaçu (região Oeste). Ambientalistas são contrários à proposta, afirmando que ela seria uma manobra legislativa para reabrir um antigo caminho no parque, fechado por ordem da Justiça há duas décadas. Segundo eles, a estrada ilegal que ficava entre Serranópolis e Capanema vinha sendo amplamente utilizada para o transporte de ilícitos.

"Somos responsáveis e estamos no ano de 2021. Se não tivermos competência e capacidade de construir uma estrada ecologicamente correta, podemos devolver o Brasil aos índios. Este parque existe, mas antes dele existiu a estrada em 1920. O parque foi criado em 1939", argumentou Vermelho. Ele observou que outras estradas passam por parques ecológicos, como a Rodovia Imigrantes em São Paulo.

O deputado Luizão Goulart (Republicanos) lembrou que a estrada não é nova e já ligava dois municípios por 17 quilômetros. "Por uma deficiência na legislação, ela foi fechada judicialmente. Hoje, os moradores de Serranópolis e Capanema têm que dar uma volta de 180 quilômetros", afirmou.

Luizão Goulart alegou que em todo o Brasil há estradas-parques bem conservadas e com manejo. "É possível, sim, manter a preservação do meio ambiente e uma estrada no local."

Aberração - Já o deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP) considera uma "aberração" reabrir a estrada dentro de um parque que é considerado uma das sete maravilhas do mundo. "Estamos falando do segundo parque mais visitado do Brasil. São 2 milhões de turistas por ano e é um dos principais destinos de turistas estrangeiros no Brasil", afirmou.

Segundo Agostinho, a estrada só serviu para atropelamento de animais e para facilitar a atuação de caçadores e contrabandistas de madeira.

O líder do PDT, Wolney Queiroz (PE), lamentou a aprovação da urgência durante a Semana do Meio Ambiente. "Esta estrada representa uma ameaça à integridade do Parque Nacional do Iguaçu", disse.

Protesto – Na terça-feira, houve um protesto, em Foz, organizada pela Associação de Desenvolvimento de Esportes Radicais e Ecologia (ADERE) e por um coletivo de ambientalistas contra o projeto. Para as organizações de proteção ambiental, o projeto é uma autorização para o desmatamento da floresta de Mata Atlântica, em uma extensão de 17 quilômetros lineares. “Essa rodovia proposta pelo deputado Vermelho rasgaria ao meio o Parque Nacional do Iguaçu”, denuncia o gestor da ADERE, Raby Khalil.

Segundo ele, seria um retrocesso com prejuízos ao meio ambiente e ao desenvolvimento e turismo da região. “O título de Patrimônio da Humanidade concedido pelas Nações Unidas, fator que contribui para atrair visitantes e à sua conservação, estaria sob risco com a intervenção em uma área intangível do parque”, aponta.