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Polêmica

Construtora de Cascavel também anuncia boicote à Globo em defesa de Bolsonaro

Construtora confirmou que boicote é reação a reportagem do Jornal Nacional sobre citação de Bolsonaro no caso Marielle
Construtora confirmou que boicote é reação a reportagem do Jornal Nacional sobre citação de Bolsonaro no caso Marielle (Foto: reprodução/TV)

Mais uma empresa paranaense anunciou ontem a decisão de suspender a veiculação de publicadade na Rede Globo em protesto contra a cobertura jornalísta da emissora em relação ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Em nota divulgada à imprensa, a construtora Saraiva Rezende, de Cascavel (região Oeste) comunicou que não pretende mais anunciar na Globo, em protesto contra a reportagem da semana passada que revelou a citação de Bolsonaro na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL). Na semana passada, a rede de Supermercados Condor e a imobiliária Habitec, de Curitiba, também haviam anunciado o boicote à rede de TV, também em protesto contra a cobertura da emissora em relação ao atual governo.

Na nota, assinada por Jadir Saraiva de Rezende, a empresa manifesta “indignação com a falta de isenção do jornalismo da Rede Globo”, apontando que o mesmo seria “totalmente parcial”, e estaria “prejudicando por meio de suas matérias tendenciosas” o crescimento do País. O texto cita especificamente a reportagem sobre a menção à Bolsonaro na investigação da morte de Marielle Franco. “O fato ocorrido na semana passada tentando vincular o presidente da república (sic) à morte da deputada (sic) do PSOL foi a gota d´água para a tomada de decisão de cortar todos os investimentos na Rede Globo, bem como para com suas afiliadas”, afirma a empresa.

A construtora alega ainda que estaria recebendo reclamações de clientes por manter publicidade na Globo. “A partir disso, nós da Construtora Saraiva de Rezende não permitiremos a vinculação da nossa marca ao jornalismo da emissora, pois estamos, inclusive, sendo cobrados por nossos clientes que mesmo de forma indireta estamos fomentando por meio do investimento publicitário a permanência desse jornalismo parcial e tendencioso”, aponta. “A conduta da Rede Globo na produção de seus conteúdos vem, também, em (sic) contramão aos nossos valores éticos e morais, inseridos na defesa dos bons costumes e da família”, afirma a empresa.

A nota esclarece ainda que a construtora manterá os investimentos em publicidade, mas redistribuindo o orçamento “para outros meios sem que seja contemplada a Globo e suas afiliadas, conforme já solicitado à agência de publicidade”. De acordo com a empresa, o contrato atual da Saraiva de Rezende com a RPC TV Oeste, afiliada local da rede, será cumprido até o final de novembro e os investimentos “suspensos até que o jornalismo da emissora adote postura ética e imparcial”.

Entenda o caso – No último dia 29, o Jornal Nacional veiculou reportagem que revelou a visita de Élcio Queiroz, um dos suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco ao Condomínio Vivendas da Barra, onde mora outro principal suspeito do assassinato, Ronnie Lessa, e também onde o presidente Jair Bolsonaro tinha residência. O porteiro contou à polícia que, horas antes do assassinato, em 14 de março de 2018, Élcio de Queiroz, entrou no condomínio e disse que iria para a casa de Bolsonaro. Áudio da portaria do condomínio divulgado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro apontou que o suspeito teria visitado a casa de Ronie Lessa.

Na semana passada, a rede de supermercados Condor e a imobiliária Habitec, de Curitiba, anunciaram a decisão de boicotar a Globo, suspendendo a publicidade na emissora. “Em vista do posicionamento duvidoso da Rede Globo em relação à pessoa do nosso Presidente da República, comunico que hoje tomamos a decisão em nossa empresa de cancelar nossas inserções em todo o jornalismo nacional da emissora, isto é, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje e Jornal Nacional, bem como de programas que vão contra os princípios e valores familiares”, afirmou a nota do Condor.

O texto refere-se aos governos anteriores a Bolsonaro como a “era negra em que vivemos sob a administração petista”, alegando que nessa época, “a emissora não agia da mesma forma”. Na seguna-feira, a empresa divulgou outra nota, esclarecendo que o boicote “limita-se aos programas jornalísticos nacionais, que são Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal Nacional e Fantástico” e as novelas “Malhação” e “das 21h”, não atingindo a programação local da RPC, afiliada da Globo na Capital paranaense.

Já a Habitec encaminhou na última sexta-feira (01) à direção local da RPC, que representa a Rede Globo no Estado, carta onde formaliza a decisão de não renovar contrato de veiculação com a emissora. “Não podemos compactuar com a posição que a Rede Globo vem tomando em diversos episódios de seu jornalismo”, afirma a empresa no texto assinado por Rodrigo Viana. “Não temos visão político partidária, mas sentimos que o momento exige de todos nós um compromisso maior com o país. E infelizmente o que temos visto é um desserviço à nação com uma posição da Rede Globo, a quem vocês são filiados, que não soma em nada para que, juntos,saiamos da crise em que nos encontramos”, alegou a empresa na nota.

Campanha - Nas eleições de 2018, o Condor foi alvo de investigações do Ministério Público Eleitoral e do Ministério Público do Trabalho, depois que o empresário Pedro Joanir Zonta, dono da rede, divulgou carta aos funcionários pedindo o voto deles em Bolsonaro, comprometendo-se a não cortar o 13º salário e férias caso seu candidato fosse eleito. Os promotores acusaram Zonta de coagir os funcionários.

Para evitar uma multa de R$ 100 mil, o empresário fez um acordo com o MP, divulgando nova carta aos trabalhadores, desta vez afirmando que a sua rede “respeita as leis trabalhistas e os tratados de direitos humanos, e que não tolera a imposição ou direcionamento nas escolhas políticas dos empregados durante o processo eleitoral".

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