Legislativo

Deputado paranaense diz que usa arma para conseguir aprovar projetos 'conservadores' na Assembleia

Jacovós (PL): deputado alegou que declaração foi feita "em um momento de descontração"
Jacovós (PL): deputado alegou que declaração foi feita "em um momento de descontração" (Foto: Henry Milleo)

O deputado estadual delegado Jacovós (PL) afirmou, ontem, à noite, durante convenção estadual do PL em Curitiba, que usa uma arma de fogo nas reuniões da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa para pressionar os colegas a aprovarem os projetos de seu interesse na Casa. Jacovós afirmou que essa estratégia seria usada para conseguir aprovar projetos da bancada conservadora do Legislativo estadual, entre eles os apresentados pelo colega de partido Ricardo Arruda (PL). O PL é o partido do presidente Jair Bolsonaro. 

"O Ricardo Arruda, estou fazendo aqui justiça, ele tinha uma tabelinha comigo. Todos os projetos e pautas conservadores que ele apresentava, quem que era o relator? Delegado Jacovós. E eu conseguia passar tudo na CCJ", afirmou. "Porque lá eu levo uma .40 e o pessoal fica com medo e aprova tudo", disse o parlamentar.

A CCJ é a comissão mais importante da Assembleia, responsável por analisar a constitucionalidade de todos os projetos que tramitam na Assembleia. .

Em nota, a Assembleia afirmou que é proibido o porte de arma de qualquer espécie nos edifícios da Casa e áreas comuns, salvo para os policiais integrantes do Gabinete Militar. De acordo com a direção da Casa, é permitido que os deputados que tenham posse de arma entrem nas dependências da Alep com o armamento, "mas é vedado a qualquer deputado entrar no plenário ou em reunião de comissões portando arma". A Alep afirmou ainda que qualquer declaração em contrário é de inteira responsabilidade do parlamentar.

Após a repercussão das declarações, Jacovós também afirmou, em nota, que nunca portou armas nas dependências da Assembleia. "Com relação ao vídeo publicado na matéria, este parlamentar declara que tratou-se, apenas, de um momento de descontração em razão da dificuldade na aprovação de pautas conservadoras, tanto no Estado como na Federação".