Crise

Federação alerta para possibilidade de colapso financeiro dos hospitais do Paraná

Segundo Fehospar, problemas incluem crescimento do número de casos de Covid-19, o au omento da demanda de atendimento, a escassez de insumos médicos e alta de preços
Segundo Fehospar, problemas incluem crescimento do número de casos de Covid-19, o au omento da demanda de atendimento, a escassez de insumos médicos e alta de preços (Foto: Guilherme Wille/SMCS)

O presidente da presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Paraná (FEHOSPAR), Rangel da Silva, alertou hoje em audiência da Comissão de Saúde Pública da Assembleia Legislativa, sobre o risco de colapso financeiro dos hospitais do Estado. “Estamos chegando no limite", desabafou Rangel da Silva. Segundo ele, entre as causas estão crescimento do número de casos de Covid-19, o au omento da demanda de atendimento, a escassez de insumos médicos e alta de preços, além da necessidade de políticas públicas voltadas para a isenção de tributos.

A audiência, realizada de modo remoto, reuniu representantes do setor e parlamentares para discutir e evitar o agravamento da situação. Rangel da Silva lembrou que, desde o início da pandemia, os hospitais particulares deixaram de fazer cirurgias eletivas e realizar outros tipos de atendimento para auxiliar o sistema de saúde em relação à Covid-19. Com isso, segundo ele, as pessoas deixaram de procurar os hospitais.

Além disso, argumenta, as instituições de saúde já não têm mais como cumprir as metas exigidas pela legislação, deixando assim de receber recursos. "Tivemos durante a pandemia um aumento de custos próximos de 50%. Lembrando que os hospitais privados e filantrópicos representam a base do sistema do Estado, atendendo a cerca de 70% dos casos do SUS. Estes fatores somados podem resultar no colapso financeiro dos hospitais. Os hospitais não vão aguentar sem uma sensibilidade do poder público", avisou.

A presidente da Associação dos Hospitais do Estado do Paraná (AHOPAR), Márcia Rangel de Abreu, exemplificou que o aumento de tributos no Estado de São Paulo, que comporta 70% das fábricas produtoras de insumos hospitalares, pode resultar no crescimento dos custos nos hospitais do Paraná. "Precisamos estudar uma contrapartida para desonerar impostos e tributos. É necessário pensar nisso para equilibrarmos as contas em um momento em que todo o sistema de saúde está sobrecarregado", apontou.

As reivindicações são semelhantes ao do vice-presidente da Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná (FEMIPA), José Pereira. Ele afirmou que muitos hospitais já encontram dificuldades financeiras para compra de insumos e medicamentos. Segundo ele, os valores estão "absurdos". Além disso, o cumprimento de certas metas impostas pela legislação representa uma dificuldade neste momento. "Neste sentido, pedimos o apoio da Assembleia para encontrar um modo de isenção das metas qualitativas e quantitativas. Precisamos desta sensibilidade para ajudar aos hospitais", pediu.

Estado - O representante da Secretaria de Estado da Saúde (SESA), Nestor Werner Junior, afirmou que o órgão está atento a todos os movimentos da pandemia, inclusive às necessidades dos hospitais. Ele explicou que, desde o início da crise, o Paraná optou por trabalhar com a rede hospitalar constituída, sem a abertura de hospitais de campanha. "Com a abertura de quase cinco mil leitos, entre UTI e enfermaria, o Paraná criou o equivalente a 50 hospitais de campanha de 100 leitos. Nós financiamos praticamente a totalidade desse número, pois apostamos na parceria com os hospitais”, afirmou.

Werner explicou ainda que, entendendo a atual situação dos hospitais, a SESA publicou uma nova resolução alterando a cobrança das metas qualitativas e quantitativas para os meses de abril e maio. "Entendemos que esta é uma questão muito sensível para os hospitais", disse.