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Gravação complica situação de Beto Richa na Lava Jato; tucano nega negociata

Na véspera de Carnaval de 2014, Pedro Rache, executivo da empreiteira Contern (empresa do grupo Bertin) se reuniu com o jornalista Deonilson Roldo, então chefe de gabinete do governador Beto Richa. No encontro, ocorrido no Palácio Iguaçu, os dois trataram da concessão das obras e posterior exploração da rodovia PR-323, numa Parceria Público-Privada (PPP).

A Bertin estava inscrita para participar da licitação, tanto que Rache informa que a empresa já estava preparada com 800 equipamentos e 6 mil funcionários para tocar a obra. É quando Deonilson informa que o governo já tinha se comprometido com outro concorrente, propondo então um entendimento amigável, que consistiria na desistência por parte da Bertin de concorrer da licitação, de forma a favorecer a Odebrecht, que, segundo os denunciantes, ajudaria com R$ 4,5 milhões na campanha eleitoral de 2014.

O diálogo citado consta em áudio divulgado ontem pelas Revistas Isto É e Veja. Em troca da desistência, a Bertin ganharia outro negócio junto à Copel, no valor de R$ 500 milhões, envolvendo o complexo de termelétriocas de Aratu, na Bahia.

O ex-governador Beto Richa, contudo, nega as acusações. Em nota, o tucano afirmou desconhecer "qualquer encontro" do ex-secretário com o representante da construtora. Além disso, garantiu que "nunca autorizou qualquer pessoa a fazer tratativas para infererir em qualquer processo licitatório em seu governo".

Já Deonilson Roldo, ao que tudo indica, está em maus lençóis. Hoje diretor da Copel, deve deixar o cargo por conta do vazamento do áudio entregue ao Ministério Público Federal (MPF). Ele, porém, também nega as acusações, afirmando haver um 'equívoco de interpretação'.

"Eu apenas defendia o interesse do Estado. A obra acabou não sendo construída pela Odebrecht, que teria sido favorecida", argumentou.

De fato, a Odebrecht não realizou as obras. Mas ganhou a licitação , na qual entrou sozinha, em consórcio com a construtora paranaense Triunfo. O contrato chegou a ser assinado, inclusive, mas o interesse e a capacidade da empreiteira em tocar a obra acabaram naufragando logo em seguida, uma vez que a Lava Jato acabou estourando e não demorou para alcançar a empreiteira, principal envolvida nos esquemas de propinagem da Petrobras.

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