Força-tarefa

Procuradores do MPF dizem que mensagens da Lava Jato eram 'brincadeira entre colegas'

(Foto: Franklin de Freitas)

Procuradores que integraram a força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF) do Paraná divulgaram hoje nota alegando que as mensagens apreendidas na operação Spoofing, que investiga a ação de hackers sobre contas de autoridades no Telegram, e compartilhadas pelo Supremo Tribunal Federal com a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seriam "somente uma brincadeira entre colegas de trabalho". A nota foi divulgada em resposta ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que disse que as mensagens apontariam "perseguição" da Lava Jato contra sua família. 

Na operação Spoofing, que aconteceu em junho de 2019, a Polícia Federal prendeu hackers que invadiram celulares de autoridades, entre elas o ex-juiz Sergio Moro e procuradores que atuaram na Lava Jato no Paraná. Também apreendeu mensagens trocadas entre eles sobre diversos assuntos, entre eles processos envolvendo Lula. O conteúdo do vazamento ficou em sigilo até que, em dezembro do ano passado, o ministro do STF Ricardo Lewandowiski atendeu a um pedido da defesa do petista e garantiu e ele acesso às mensagens apreendidas. A decisão foi confirmada depois pela 2ª Turma do STF.

Na nota divulgada hoje, os procuradores reafirmam que não reconhecem a autenticidade e a veracidade das mensagens e alegam que elas vêm sendo usadas "para fazer falsas acusações contra a operação", com vistas à "anulação de investigações e condenações".

"No caso específico, ainda que os diálogos tivessem ocorrido da forma como apresentados – embora não se reconheça o seu conteúdo, seja pelo tempo, seja pela ordem em que são apresentados, seja pelo conteúdo – as mensagens sobre as investigações envolvendo o ex-presidente mostram, evidentemente, somente uma brincadeira entre colegas de trabalho", argumentam eles. "Qualquer interpretação diferente que se faça da questão seria totalmente contrária ao contexto jocoso revelado pelas próprias supostas mensagens", dizem os procuradores. 

"A força-tarefa do caso Lava Jato em Curitiba tinha atribuição limitada à investigação de crimes relacionados às empresas do Grupo Petrobras, de forma que nunca realizou, absolutamente, quaisquer investigações em relação ao atual presidente ou a sua família", alegam eles. "As investigações a respeito da família do presidente sempre estiveram a cargo do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP/RJ), não guardando qualquer relação com a força-tarefa Lava Jato no Paraná", afirmam os ex-integrantes da Lava Jato. 

"Por fim, na época, as notícias davam conta de que o senador Flávio Bolsonaro defendia a tese de que o Coaf precisava de autorização judicial para compartilhar informações com o Ministério Público, o que não teria acontecido na sua investigação. É possível que os procuradores tenham feito comentários sobre esse e outros fatos envolvendo a investigação sobre a família do presidente, a partir das notícias de imprensa, mas sem qualquer conhecimento ou atuação direta sobre os fatos e provas do caso", apontam. 

"Assim, a circunstância de meramente se fazerem comentários sobre fatos publicados na imprensa a esse respeito, ou sobre outras investigações públicas não relacionadas à Lava Jato, se ocorreram do modo como publicados, não significa ou autoriza a conclusão leviana de que existiria investigação em desfavor do atual presidente ou seus familiares", alegam os procuradores.