Transporte coletivo

Prefeitura de Curitiba já repassou R$ 288 milhões a empresas de ônibus na pandemia

Para 2021, a previsão é de que repasses somem R$ 110 milhões até o final do ano
Para 2021, a previsão é de que repasses somem R$ 110 milhões até o final do ano (Foto: Franklin de Freitas)

Desde o início da pandemia da Covid-19, a prefeitura de Curitiba já repassou R$ 288,5 milhões às empresas do transporte coletivo da Capital para compensar a perda de passageiros. Os números foram apresentados hoje pelo secretário municipal das Finanças, Vitor Puppi, à Câmara de Vereadores, em audiência de prestação de contas do municípios. "A cidade precisou se reorganizar para aportar R$ 191,5 milhões ao Fundo de Urbanização de Curitiba [FUC] em 2020. Em 2021, até abril, já foram aportados R$ 97 milhões”, disse Puppi.

O repasse foi autorizado pelo próprio Legislativo, a partir da aprovação do Regime Emergencial de Operação e Custeio do Transporte Coletivo, em abril do ano passado e com validade até agosto passado. Depois, com a sua prorrogação até dezembro (lei 15.674/2020); e agora, com novo adiamento do fim do prazo, para junho de 2021 (lei 15.782/2020) – aprovado pela Câmara em dezembro. Segundo Puppi, essa “despesa significativa” tem sido “necessária em razão da queda do número de passageiros no sistema [na pandemia da covid-19], que influenciou na queda de receita do transporte coletivo”. “Por isso o aporte do município para manter o sistema funcionando”, resumiu.

Ainda de acordo com o secretário, além de ter que suprir as deficiências de arrecadação no sistema de transporte coletivo da cidade, o município “tem bancado a integração de toda a região metropolitana”. “O sistema de Curitiba banca isso, porque o passageiro paga uma passagem quando embarca no terminal da RMC e depois circula com essa mesma passagem em Curitiba, o que é desejável do ponto de vista da mobilidade, mas obviamente tem custo e esse custo é pago por Curitiba, somado ao custo decorrente da queda de passageiros, por isso Curitiba teve que aportar recursos”, apontou. 

Segundo levantamento da pasta, entre 2013 e 2015, três primeiros anos da gestão Gustavo Fruet (PDT) na prefeitura, o Governo do Paraná repassou R$ 203.228.523 milhões em subsídios para a integração do transporte coletivo. Esse repasse foi suspenso após a integração ter “sido rompida” pela gestão anterior, em 2016, e, continuou o secretário, só foi retomado em 2018, no segundo ano da primeira gestão de Rafael Greca. Apesar da retomada dos repasses, em três anos (2018 a 2020), Curitiba recebeu R$ 119.600.311 milhões em subsídios.

“No ano de 2020, primeiro ano da pandemia, o repasse foi o menor desde a retomada da integração. Foram apenas R$ 10.866.111, o que representou 86,1% a menos nos repasses (se comparado ao primeiro ano da retomada da integração, 2018). A queda no valor recebido foi de R$ 67,1 milhões”, informou Puppi. “Se percebe que, se compararmos com anos anteriores, quando o aporte (do governo do estado) chegou a ser zero, esse número subiu (aporte do município) em especial em razão da pandemia. Mas isso não é exclusividade de Curitiba. Em Salvador, por exemplo, uma concessionária devolveu a concessão e a cidade hoje está operando (o transporte coletivo).”

Tarifa técnica - Questionado por João da 5 Irmãos (PSL) sobre quanto da tarifa técnica o “município estaria bancando para o cidadão”, Puppi respondeu que hoje Curitiba banca os recursos “sem auxílio do estado para manter a integração com a RMC” e que para absorver a queda de passageiros mantendo a tarifa social a R$ 4,50 “custa dinheiro”. “Custa R$ 20 milhões por mês e esse número quem dá é a Urbs. Nós não temos gerência com relação a esse valor do ponto de vista da operação do transporte, quem gerencia é a Urbs e ela repassa essa necessidade que é, admito, bastante custosa ao município. É claro que o ideal é que o sistema funcionasse sem aportes, hoje não é possível. Nós temos insistido que esses aportes diminuam. Isso vai acontecer gradualmente com a retomada das pessoas utilizando o transporte.”

A Professora Josete (PT) afirmou que o repasse pode chegar, somente em 2021, “a R$ 300 milhões em repasses para as empresas do transporte coletivo”, se considerar um repasse de R$ 133 milhões feitos até maio. Puppi rebateu os números, alegando que até o fim deste mês a Prefeitura de Curitiba “deve repassar cerca de R$ 110 milhões ao sistema de transporte coletivo”.

“Isso não muda a magnitude do recurso. Ele é muito grande por algumas razões. Primeiro porque Curitiba está bancando sozinha a integração do sistema. A Urbs tem um cálculo que mostra quanto custa manter integrada todas as cidades da região metropolitana, é um custo muito alto do ponto de vista do município de Curitiba e isto era, até então, de alguma forma compartilhado com o governo do Paraná. O governo subsidiava uma parte do sistema. Estamos negociando o repasse do estado, ainda não se concretizou. Mas até agora as contribuições foram, ou muito tímidas, ou inexistentes”, alegou o secretário.

Noemia Rocha (MDB) analisou que o custo da tarifa é caro para o sistema devido às diversas gratuidades que existem, que representam, segundo informou a vereadora, “20% das pessoas que usam o transporte coletivo”. Questionado por ela sobre a possibilidade de minimizar esse impacto para o usuário que paga a tarifa e “paga a conta do outro”, Puppi explicou que a Frente Nacional dos Prefeitos já acionou o governo federal para que auxilie todos os municípios que têm um sistema de transporte “mais robusto” e que foi feita uma proposta para que a gratuidade dos idosos, por exemplo, seja “de alguma forma, subvencionada pelo governo federal, até porque é uma lei federal, então nada mais justo que esse dinheiro venha para os municípios”.

Contrato - Puppi ainda emendou que, se a prefeitura pudesse mudar o contrato do transporte coletivo firmado há 20 anos, já o teria feito. “O modelo de contrato não é bom para o município, mas somos obrigados a respeitar esse contrato. E estamos obrigados também em relação da lei que foi aprovada do regime emergencial, a fazer frente a esse desequilíbrio do sistema. Até que a lei tenha vigência, o município tem aportado os recursos. Não é uma situação tão fácil de ser resolvida. Deve ser resolvida no próximo contrato. Essa experiência que Curitiba teve ao longo dos anos precisa e vai ser levada em conta para a próxima licitação do transporte", alegou.