Helena Carnieri

  • Espetacular! Quem tem filhos precisa dela

    "Poggle", do Barrowland Ballet
    "Poggle", do Barrowland Ballet (Foto: Brian Hartley/Divulgação)

    A Espetacular – Mostra Internacional de Artes para Crianças trouxe, a cada ano, atrações artísticas do mundo para Curitiba.  Esta 5ª edição, entre 8 e 17 de janeiro de 2021, no entanto, não é sobre trazer, mas sobre conectar: a arte, artistas e crianças - e do mundo todo!

    Serão 40 atrações de diversas linguagens, apresentadas em ambiente digital, que reunirão artistas de 21 países. Além de atrações gravadas em vídeo, algumas produzidas especialmente para a Mostra, que ficarão disponíveis durante todo período do evento, serão realizados quatro encontros ao vivo, entre 11 e 14 de janeiro. Uma atração à parte são as playlists de música, com seleções feitas por crianças e artistas para crianças pequenas, pré-adolescentes, adolescentes e para a família toda.

    Todo o evento será gratuito, traduzido para português e inglês e acessível a surdos e pessoas com deficiência auditiva (Língua Brasileira de Sinais).

    A programação pode ser acessada no site da Mostra (www.mostraespetacular.com.br) e desde o dia 04 o acesso à plataforma está disponível para o público poder conhecer em detalhes a programação, destacar seus favoritos e se organizar, para aproveitar ao máximo a experiência.

    “Nesses quatro anos a Mostra Espetacular tem ganhado corpo. O entendimento sobre o que estamos cultivando a cada edição vai se revelando ano após ano, a cada passo. Vamos transpondo obstáculos e é incrível a força que as coisas têm quando elas precisam acontecer. A Mostra está cada vez mais autêntica e única”, celebra a produtora Michele Menezes, que é diretora artística e também assina a curadoria ao lado de Bebe de Soares, da Alemanha. 

    São inúmeras pessoas, grupos artísticos, agitadores culturais, que emprestam talento e força de vontade para este encontro. Somados ao público, que abraça com carinho tudo que é proposto, criou-se uma comunidade de pessoas que ampara e cultiva a existência deste projeto com as duas mãos. “Hoje a Mostra Espetacular é uma criança de cinco anos, linda, artista, faladeira e entendemos que deveríamos aproveitar este ano atípico para transpor as barreiras geográficas, conectando crianças e artistas do mundo todo - o que não seria possível em uma edição presencial”, completa Michele, idealizadora do projeto.

    “Buscamos ideias e ações artísticas e formativas que demonstrem uma utilização do ambiente virtual de forma diferenciada e que promovam reflexões importantes, além de projetos que proponham um componente offline ao público, algo digital que provoque algo real”, completa Bebe.

    Por um lado, aquela forte experiência das artes vivas fica um pouco comprometida neste momento que vivemos. Mas, como em toda e a cada edição, também neste começo de década, a Mostra convida as pessoas a estarem juntas e a viverem experiências que ficarão na memória. Afinal, este é o DNA da Mostra Espetacular e isso não vai mudar nessa edição. Muito pelo contrário:  o isolamento vai tornar essa vivência ainda mais marcante.

    História - A Mostra Espetacular é um dos eventos artísticos para crianças mais importantes do Brasil. Nasceu em 2015, é realizada pela Pró Cult (produtora curitibana) e integra a FIBRA (Rede de Festivais Internacionais Brasileiros para Crianças e Jovens), que reúne os maiores festivais internacionais para este público do país. Esta edição está sendo realizada com o apoio do Programa de Apoio de Incentivo à Cultura - Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba, com Incentivo da Celepar e da Maternidade Santa Brígida.

    PROGRAMAÇÃO COMPLETA

    http://bit.ly/MostraEspetacular_programacao

  • A solidariedade digital que fortalece talentos

    “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça", essa máxima foi proferida pelo cineasta, ator e escritor Glauber Rocha, na década de 1970, relacionada ao Cinema Novo. Hoje, na Era Digital, em que muitas habilidades culturais navegam por pequenas telas de dispositivos móveis, talvez, a máxima de Rocha pudesse ser adaptada para “um tablet na mão e uma ideia na cabeça”.

     

    Com poucos recursos financeiros, muitos talentos recorrem também aos meios digitais para buscar a solidariedade alheia e realizar seus sonhos, por meio de financiamento coletivo. Esse é o caso do técnico de segurança do trabalho Jair Silva, morador de Colombo, na região metropolitana de Curitiba. Ele que, há mais de três décadas, acalenta o sonho de publicar seu primeiro livro de poemas, o “Fragilidade”, hoje, vê suas expectativas ganharem força, com a colaboração de voluntários na plataforma digital Vakinha (https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-jair-a-publicar-seu-livro).

     

    E a tendência a buscar financiamento coletivo, também chamado de crowdfunding, vem aumentando cada vez mais no Brasil. Pelo menos, é isso o que constatou uma pesquisa realizada recentemente pela CapTable, plataforma de empreendedorismo e startups. De acordo com o levantamento, o ano de 2019 registrou R$ 78,7 milhões em aportes de financiamento coletivo, um crescimento de 71%, comparado a 2018.

     

    Esse recurso é usado para realizar os mais diferentes intentos: gravação de álbuns musicais, peças de teatro, exposições de arte, entre outras modalidades culturais. No caso de Silva, o propósito de escrever um livro não é uma meta recente. Trata-se de um sonho que nasceu há 35 anos, quando  já esboçava seus primeiros poemas, inspirado pelas aulas de Língua Portuguesa da professora Sandra Poli, na região metropolitana de Curitiba. Hoje, ele batalha para realizar seu grande projeto, a publicação do livro de poemas “Fragilidade”, por crowdfunding.

     

    O autor diz que a o estímulo para os poemas vem de diferentes inspirações: “Pode ser uma imagem ou uma palavra que, às vezes, encontram o meu espírito em estado mais sensível. Essa inquietação fica martelando na mente e só termina quando consigo soltar suavemente em forma de poema”, explica seu processo criativo. Mas, em sua trajetória de vida, nem todos os versos soaram com harmonia, sendo que precisou enfrentar sérios problemas de saúde no coração, entre outros percalços. No meio desse turbilhão,  refugiava-se nas rimas de Carlos Drummond de Andrade e do amazonense Thiago de Mello, alguns de seus escritores preferidos.  O gosto pela leitura sempre foi intenso: “Lia até bula de remédio”, brinca. Infelizmente, Silva não reflete as estatísticas recentes. Segundo dados de uma pequisa orientada pelo Instituto Pró-Livro com o Itaú Cultural, o número de leitores no Brasil diminuiu de 56% para 52% nos últimos anos.

     

    Há poucos anos, o poeta reencontrou Sandra Poli, sua antiga professora de Língua Portuguesa. Descobriu que ela também já havia publicado dois livros: “Vasto Mundo” e “Gaia”, sobre viagem e culturas diversas. Ganhou coragem e decidiu que finalmente era hora de realizar seu sonho também. Da mesma forma que sua mestra, Silva conta que “Fragilidades” também transporta o público para outros mundos, porém, em uma profunda viagem literária e pessoal, que transcende a superficialidade das palavras: “A ideia é fazer o leitor enxergar a vida além daquilo que as palavras entregam. Despertar um olhar interior para ver as pequenas, mas importantes coisas que permeiam o cotidiano de maneira diferente” explica. Pelo jeito, a “ideia na cabeça”, mencionada por Glauber Rocha Rocha, Jair Silva já tem. Agora, para concretizar essa ideia, trocou a câmera por computadores, na busca do financiamento coletivo que dará força à publicação de “Fragilidades”.

     

    Serviço:

    Livro “Fragilidades”, Jair Silva

    Doações: plataforma de financiamento coletivo Vakinha

    Link: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-jair-a-publicar-seu-livro

     

     

     

     

  • "Dezembro", da Armadilha, finalmente chegou

    Além da estreia online do espetáculo no dia 04 de dezembro, o projeto irá realizar on-line uma leitura dramática do espetáculo “Clase”, do mesmo dramaturgo, no dia 18 de dezembro às 20h, e oferecerá gratuitamente à comunidade 6 oficinas. São elas: Formação e Sensibilização pelo Teatro com Diego Fortes, A iluminação cênica como elemento de linguagem com Augusto Ribeiro, Técnicas básicas de transmissão ao vivo com Alan Raffo, Criação de Solos com Ludmila Nascarella,  Elaboração e gestão de projetos culturais, com Isadora Flores e Gilmar Kaminski, Improvisação e comicidade com Fernanda Fuchs e um Bate-Papo: Cenário e cenotécnica, com Guenia Lemos e Samuel Amorim.

    O acesso para a inscrição em todas as atividades pode ser feito pelo link: https://www.sympla.com.br/a.armadilha   


    Dezembro se passa num futuro próximo, onde o Chile está travando uma guerra contra o Peru e a Bolívia. Em Santiago, na véspera de Natal, o soldado Jorge e suas irmãs, Paula e Trinidad, discutem sobre política, nacionalismo e família, pois ele deve se apresentar ao exército no dia seguinte e voltar para o campo de batalha. As irmãs, gêmeas entre elas e ambas grávidas, discordam radicalmente sobre o que ele deve fazer: fugir ou lutar. Ao longo da noite, recebem algumas visitas inusitadas, descobrem segredos entre eles e a discussão culminará na decisão de Jorge.

    Com três atores em cena: Alan Raffo, Fernanda Fuchs e Ludmila Nascarella, Dezembro é uma obra potente que trata de assuntos graves como a xenofobia, a solidariedade, a guerra e os estados de exceção. Uma comédia ácida que convida o público a invadir a intimidade desta família e a refletir sobre questões tão pungentes ao nosso presente. O texto, traduzido pelo diretor Diego Fortes, é considerado pela crítica internacional como um dos mais provocativos e relevantes do teatro latino-americano recente.


    Sobre o espetáculo, Valmir Santos, jornalista e crítico do site Teatrojornal, afirma: “Eles são o retrato bem-acabado das incongruências da família, do Estado, da propriedade e da tradição, para mixar o corte crítico que subjaz na escrita de Calderón. Contrastar a realidade histórica e produzir ironia a partir dela – a corrosão do riso – é outra das perspicácias de sua obra como um todo. A encenação de Diego Fortes enfatiza o humor para tourear a gama de informações e de ideias.”


    SERVIÇO
    Estreia online e gratuita do espetáculo DEZEMBRO, seguido de bate-papo com a equipe
    Online via Youtube
    Data estreia: 04 de dezembro às 20h
    Inscreva-se gratuitamente para receber o link da estreia e ser lembrado: 
    https://bit.ly/3kU22Pw


    Leitura dramática do texto CLASE de Guillermo Calderón
    Online via Youtube
    Data:
     18 de dezembro às 20h
    Inscreva-se para receber o link da estreia e ser lembrado: 
    https://bit.ly/395Ln9M

    OFICINAS GRATUITAS
    Oficina: Formação e sensibilização pelo teatro com Diego Fortes

    Data: 8, 9, 10 e 11 de Dezembro das 10h às 12h
    Inscrições gratuitas: 
    https://bit.ly/3fjCDxA
    Para Estudantes de teatro e demais interessados a partir de 18 anos.
    Online via Sympla Zoom

    Oficina: A iluminação cênica como elemento de linguagem com Augusto Ribeiro

    9 e 10 de Dezembro das 19h às 21h

    Inscrições gratuitas: https://bit.ly/393grGY

    Para Estudantes de artes cênicas entre 15 e 21 anos.

    Online via Sympla Zoom

    Oficina: Técnicas básicas de transmissão ao vivo com Alan Raffo

    14 e 15 de dezembro, das 19h às 21h

    Inscrições gratuitashttps://bit.ly/3kPVZf6

    Para estudantes, interessados em artes cênicas, produtores a partir de 15 anos.

    Online via Sympla Zoom

     

    Oficina: Criação de Solos com Ludmila Nascarella

    Datas: 7 e 8 de Dezembro das 20 às 22h

    Inscrições gratuitas: https://bit.ly/3fq3Tui

    Para adolescentes entre 13 e 18 anos.

    Online via Sympla Zoom

     

    Oficina: Elaboração e gestão de projetos culturais, com Isadora Flores e Gilmar Kaminski

    16 e 17 de dezembro, das 10h às 12h

    Inscrições gratuitas: https://bit.ly/35QUitk

    Para artistas, estudantes de artes cênicas e música e demais interessados em produção cultural e na elaboração de projetos culturais.

    Online via Sympla Zoom

     

    Oficina: Improvisação e comicidade com Fernanda Fuchs

    16 e 17 de dezembro, das 19h às 21h

    Inscrições gratuitas:https://bit.ly/3fmRgAm

    Para estudantes de teatro e pessoas interessadas em comédia

    Online via Sympla Zoom


    BATE-PAPO

    Bate-papo sobre “Cenário e cenotécnica”, com Guenia Lemos e Samuel Amorim

    11/12 às 20h

    Via Youtube da Armadilha - Inscreva-se para ser lembrado: https://bit.ly/2UMyh91


    O acesso para a inscrição em todas as atividades pode ser feito pelo link: https://www.sympla.com.br/a.armadilha   

     

    Sobre o diretor Diego Fortes

    Diego Fortes é ator, diretor, dramaturgo e artista docente convidado de direção da Escola SP de Teatro. Em 2001, iniciou A Armadilha, companhia pela qual realizou as peças Café Andaluz, Os Leões, Bolacha Maria, O Fantástico Coração Subterrâneo, Poses para Dormir, Dezembro, entre outras. Escreveu e dirigiu O Grande Sucesso, texto pelo qual recebeu o Prêmio Shell de Melhor Autor em 2017 e em 2018, a convite de Renato Borghi, encenou Molière, de Sabina Berman, que conta com Matheus Nachtergaele no papel-título.


    Sobre o dramaturgo Guillermo Calderón

    Nascido em Santiago do Chile, Guillermo Calderón é diretor, dramaturgo e roteirista. Escreveu Dezembro, Neva, Mateluna, Villa + Discurso, Kiss, entre outras peças. No cinema, colaborou no roteiro dos filmes Julieta se fue a los cielos, O Clube e Neruda – os dois últimos foram indicados a Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro.


    Sobre A Armadilha

    Criada em 2001, A Armadilha é uma companhia de teatro contemporâneo iniciada por Diego Fortes. Em 18 anos de trabalho, suas obras são marcadas pelo equilíbrio entre o refinamento na criação artístico e a acessibilidade de diversos públicos. Desde 2011, a companhia tem encenado textos latinos como Orinoco, de Emílio Carballido; Duas da Manhã (uma adaptação de dois textos de Lola Arias) e Poses para dormir, também de Lola Arias. Além de Dezembro, a companhia se prepara para encenar em breve o texto Clase, também de Guillermo Calderón.

     

    “PROJETO REALIZADO COM O APOIO DO PROGRAMA DE APOIO E INCENTIVO À CULTURA - FUNDAÇÃO CULTURAL DE CURITIBA E DA PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA"

  • Teatro pelo Instagram, pode?

    (Foto: Divulgação)

    Ir ao teatro continua fora de cogitação, mas o mundo da performance cênica não parou. Inúmeras iniciativas mantêm artistas vivos nos dois sentidos da palavra, ainda que em meio a muitas dificuldades.

    Quero falar de uma experiência a que pude assistir e que tem sessão nesta quinta (17 de setembro). “Penélope”, sim, ela que fica e que espera, mas aqui não pelo regresso do marido Ulisses, como no mito de Homero. Uma mulher que retorna do estrangeiro e entra em diálogo profundo com o irmão. Surgem cobranças, acusações, necessidades de afeto e perdão.

    Uma apresentação pelo Instagram faz pensar em primeiro lugar na tecnologia envolvida. Como funciona? É live? É gravado? É interativo? Todas essas questões são satisfatoriamente respondidas nos primeiros minutos (na criação da diretora Nadja Naira em parceria com Paulo Rosa e Álvaro Antônio), quando se vê que há um primoroso desenho de luz, de telas, de entra e sai dos atores Pablito Kucarz e Uyara Torrente (da Banda Mais Bonita da Cidade). 

    Mas as surpresas de natureza técnica e estética não ofuscam o aspecto humano, a potência de um diálogo criado para os palcos mas que felizmente chega a nós ainda na pandemia.

    Longas conversas (40 minutos, aqui) lembram Godard, ou mesmo Woody Allen. Na trama, anos se passam, o que traz a estranheza da “live” que não é derrubada após os 60 minutos, e dos temas delicados que requerem uma vida para serem esgotados (se é que alguma vez o são).

    Como conectar-se a alguém verdadeiramente? E quando esse alguém é um irmão ou irmã com quem perdemos contato? Certamente requer sacrifícios (“comer um quilo de sal juntos”, ou quem sabe tecer e destecer uma mortalha que nunca termina).

    É verdade que relacionamento dá trabalho. Por isso em “Penélope” surge a acusação da fuga, algo que todo mundo que emigra escuta em um ou outro momento. Descobrir-se e conquistar o mundo pode requerer alguns abandonos. 

    Mas quem pode dizer o que é certo? Existe uma lei onde esteja escrito que é necessário ou proibido partir? Aqui entra também o tema do que é exigido das mulheres.

    Pensando a partir do texto, surge a questão da pandemia - ela que aprofunda o diálogo ou explicita conflitos. Cabe a nós escolher.

    Mas nunca é tarde para se buscar um fio solta nessa meada enosada de conflitos e ir puxando devagarinho, para se conhecer e reconhecer, abrir espaço para aceitar o outro diferente, amar.

    No fim, o perdão se mostra como única solução possível para a paz, de si e dos outros.

    Em tempo: o tema do cuidado com os pais na velhice aparece em 100% das peças a que assisti nesta pandemia (em todas as duas). A outra é “Hansel et Gretel”, que tem um trecho disponível aqui



    SERVIÇO

    “Penélope”

    Com dramaturgia da Lígia Souza e direção de Nadja Naira. No elenco, a atriz Uyara Torrente e o ator Pablito Kucarz.  

    Dia 17/09, às 20h, pelo Instagram, com bate-papo com a equipe depois.

    Ingressos disponíveis no link: https://www.sympla.com.br/penelope__977024

     

  • Uma Itália toda diversa e deliciosa

    "Como um peixe fora d´água" diverte e ensina um pouco sobre a realidade social italiana.
    "Como um peixe fora d´água" diverte e ensina um pouco sobre a realidade social italiana. (Foto: Divulgação)

    Ainda que tenha durado poucos dias, a corrida para assistir ao 8 1/2 Festa do Cinema Italiano foi a oportunidade de ver o Bel Paese pelos olhos de diferentes cineastas. 

    Em suas escolhas temáticas e de locação, foi quase possível sentir o gosto da pastasciutta das diferentes regiões, com seus ingredientes inigualáveis. Mas também foi a chance de ir além de ideias preconcebidas e verificar a existência de uma Itália muito “varia”, múltipla em suas diferenças de classe e opinião política.

    Foi o caso em “Como um peixe fora d´água” (Riccardo Milani, 2017), em que um consultor da União Europeia que defende a integração social - mas a conhece apenas na teoria - tem a oportunidade de vivenciar sua prática na região metropolitana de Roma.

    De minha parte, confesso que foi um pouco chocante ter contato com histórias como a de Davide, morto por policiais num bairro pobre de Nápoles ao ser confundido com um fugitivo. Fatos tão banais do noticiário brasileiro, que ganham corpos, rostos e cores de outra nação. Sua tragédia é retratada pelos olhos de dois garotos da mesma idade (16 anos) em “Selfie” (Agostino Ferrente, 2019). “Va visto.”

    Foi curioso tomar contato com novas verdades do país de onde veio parte de meus antepassados naquele século 19, pouco após um incêndio acometer sua vila. Quando me propus a fazer o “gran ritorno”, já às portas do século 21, meu avô me alertou: “Fazer o que lá minha filha, só tem pobreza…”. Como é subjetiva a opinião, nossas ideias formadas por um caldo de experiências pessoais e memórias transmitidas entre  gerações.

    A verdade na fronteira

    Impossível não comparar a dezena de títulos que consegui assistir com os filmes da França a que tivemos mais tempo de acesso no Festival Varilux (do cardápio de quase 50 pude  acompanhar quase 40!). Percebi (mas pode ser um recorte por demais pessoal) uma recorrência de títulos franceses em que os problemas familiares dão a tônica, com destaque para a guarda de filhos após divórcios e o relacionamento entre pais e filhos. Já na mostra italiano acabei vendo mais filmes com tema social.

    O ponto em comum nos longas franceses e italianos eram as refeições...fartas em sua divulgação das delícias da table e da tavola. Por mim ambos valem uma (duas, três) viagens só para comer.

    Confesso que meu contato com a Itália passa muito pelo estômago. Hoje já não sei como sobreviveria no maravilhoso mundo de tortellini e rigatoni, agora que sou, como a personagem elitista do longa de Milani, celíaca.

    Mas posso salivar ao ver um filme bem saboroso ou conhecer à distância essa incrível invenção que é a Academia do Tiramisù, braço cultural da Tiramisù World Cup. Criada em Treviso, no Vêneto, a instituição sem fins lucrativos busca resguardar a cultura gastronômica desse doce que leva queijo mascarpone e café, e que promove essa curiosa competição tão específica e divertida. No Brasil, infelizmente, o calendário ainda está indefinido por conta da pandemia.

    Acompanhe tudo lá:

    Tiramisù World Cup 2020 - https://tiramisuworldcup.com

  • Espetáculo alcança presidiárias e asilos

    (Foto: Luísa Bonin)

    O espetáculo visto por mais de 27 mil pessoas rendeu à atriz Nena Inoue o Prêmio Shell 2019 de Melhor Atriz no Rio de Janeiro, além do Troféu Gralha Azul de Melhor Atriz em 2017, no Paraná. Agora em versão on-line, gratuita e com tradução em Libras, a obra alcança um público ainda maior e inclui debates e oficinas abertas para o público.

    A atriz Nena Inoue fará uma temporada online com 15 exibições do espetáculo “Para Não Morrer”, sendo 5 abertas e gratuitas para o público nos dias 3, 4, 5, 11 e 12 de setembro às 20h, e 10 fechadas e exclusivas para entidades e coletivos de apoio à mulheres, instituições, movimentos sociais, associações de professores e de classe, além do público feminino que se encontra em isolamento social mesmo antes da pandemia, como presidiárias e idosas em asilos. Todas as exibições online possuem tradução em Libras e serão seguidas de um debate ao-vivo com o público a partir da obra apresentada, também com tradução simultânea em Libras. As apresentações serão transmitidas diretamente do Ave Lola - Espaço de Criação.

    As 5 apresentações abertas serão exibidas nas páginas do Espaço Cênico e dos parceiros Brasil de Fato Paraná, MST Nacional, Bicicletaria Cultural e Mães pela Diversidade. E para quem quiser se inscrever e receber o link da exibição e debate por e-mail momentos antes da exibição, basta fazer uma inscrição simples e gratuita pela plataforma: https://bit.ly/32tW6Wn 

    Dentro do contexto da pandemia, a atriz e produtora cultural Nena Inoue trabalhou para que todas as mudanças necessárias fossem feitas e adaptou o projeto para cumprir temporada on-line respeitando o distanciamento social: “Neste momento pandêmico, em que os trabalhadores da cultura se encontram impedidos de trabalhar e temos milhões de artistas e técnicos desempregados no Brasil, me propus a atuar da forma possível e, respeitando o isolamento social, a forma de seguir e levar nosso teatro ao público neste momento é via on-line, então se assim é, assim será. Consegui também manter a proposta de trabalho inicial e levar este trabalho a comunidades menos favorecidas, incluindo mais profissionais ao projeto - como registros de vídeo, transmissões, além de locação de um espaço teatral parceiro (o Ave Lola) - estamos nos movendo e criando caminhos para continuar, possibilitando trabalho e remuneração aos nossos profissionais do teatro”, afirma a artista. 

    Em cena e online, Nena se transforma numa mulher ancestral e onipresente, que se apropria da palavra e traz à memória várias personagens históricas: mulheres negras, indígenas, guerrilheiras, mães, avós, filhas, de diferentes épocas e lugares que foram violentadas, torturadas, assassinadas e esquecidas.

    A obra está em cartaz desde 2017 e já foi assistida por mais de 27 mil pessoas. Sobre o espetáculo, o crítico teatral do jornal “O Globo”, Patrick Pessoa, escreveu: “Nena Inoue transforma luto em luta... espetáculo para não perder”. O solo conta com dramaturgia de Francisco Mallmann a partir da obra “Mulheres”, do uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015). A encenação concebida por Nena, tem direção de texto de Babaya e apresenta temáticas femininas e feministas atreladas a questões histórico-políticas, especialmente da América Latina.

    O projeto foi adaptado para que as apresentações online e debates ofereçam uma experiência enriquecedora para o público e foi produzida de forma segura para artistas e técnicos, seguindo todos os protocolos de segurança de saúde para a gravação do espetáculo.

    Além das 5 apresentações abertas e das 10 apresentações fechadas para instituições parceiras, o projeto prevê debates posteriores às exibições do espetáculo - que se transformarão em uma série de podcasts - além de 11 Oficinas de Iniciação Teatral, direcionadas gratuitamente ao público que assistir ao espetáculo, que acontecerão de forma on-line, no decorrer de setembro e outubro.  

    Lembrando que 5 de todas as exibições online são gratuitas e abertas, e podem ser assistidas nas páginas do Espaço Cênico (03/09) e nas páginas dos parceiros Brasil de Fato Paraná (04/09), MST Nacional (05/09), Mães pela Diversidade (11/09) e Bicicletaria Cultural (12/09).  E para que o público interessado possa se programar e ser avisado na data e horário da exibição, é necessário o cadastro gratuito no link: https://bit.ly/32tW6Wn 

    Serviço:

    Exibições online, gratuitas e com tradução em Libras do espetáculo “Para Não Morrer”, seguidas de debate com o público. 

    Exibições GRATUITAS e abertas nos dias 03, 04, 05, 11 e 12 de setembro às 20h. 
    Inscrição online e gratuita via site: https://bit.ly/32tW6Wn  

    Também é possível assistir as exibições nas páginas:
    03/09: Espaço Cênico - https://www.facebook.com/espacocenicocuritiba/
    04/09: Jornal Brasil de Fato Paraná - https://www.facebook.com/BDFPR/
    05/09: MST Nacional - https://www.facebook.com/MovimentoSemTerra/
    11/09: Mães pela Diversidade - https://www.facebook.com/MaespelaDiversidade/
    12/09: Bicicletaria Cultural - https://www.facebook.com/bicicletariacultural/

    As exibições GRATUITAS e fechadas para parceiros acontecerão nos dias: 
    28/08 e 6, 7, 10, 12, 13, 14, 16, 18, 19/09.

  • Ciclo de leituras pela web repensa a arte no espaço público

    Cisco da Arte no Olho da Rua: tensões entre espaço público e apropriação poética” é um evento de pesquisa ligado à Faculdade de Artes do Paraná (UNESPAR Curitiba II), no qual, durante oito semanas, serão realizados encontros de leitura de textos selecionados no intuito de contemplar conceitos basilares do pensamento sobre a relação arte-cidade, especialmente no que se refere à intervenção urbana em arte.

    O ciclo será realizado virtualmente entre 16 de setembro e 14 de novembro de 2020, sempre às quartas-feiras, das 10 às 12 horas (horário de Brasília), pela plataforma Jitsi.

    Os encontros ocorrerão através do aplicativo Jitsi e serão conduzidos por Diego Baffi (docente artes cênicas FAP/UNESPAR) e por Gabriela Bortolozzo (doutoranda geografia UFPR). Ambos são integrantes da quandonde intervenções urbanas em arte, sediada em Curitiba (PR).

    O evento é aberto a acadêmicos, artistas e curiosos no tema e espera atrair participantes do Brasil e de outros países de língua portuguesa, como Angola e Portugal. Por tratar-se de um evento de pesquisa, todos aqueles que se inscreverem com antecedência receberão comprovantes da carga horária em que participarem.

    Serviço:

    O que? Ciclo de leituras Cisco da Arte no Olho da Rua: tensões entre espaço público e apropriação poética

    Quando? 16 de setembro a 14 de novembro de 2020, às quartas-feiras das 10h às 12h.

    Onde? plataforma (online e gratuita) Jitsi

    Inscrições e outras informações em https://www.quandonde.com.br/ciclodeleituras

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  • Ave Lola entra para Spotify com podcast sobre teatro

    (Foto: Divulgação)

    Não tem espaço para a "síndrome de registro" no mundo virtual. Reza a lenda que as produções culturais curitibanas encontram um campo de força invisível ao chegar à cidade de Registo, na divisa do Paraná com São Paulo, o que impediria sua expansão para além das bordas locais.

    Isso não cola mais com a possibilidade de integrar plataformas digitais, o que a Trupe Ave Lola de Teatro tem feito. Nesta terça, 25 de agosto, eles estreiam nacionalmente a programação do Podcast Ave Lola na plataforma do Spotify. Com as portas do teatro fechadas desde março de 2020 devido a pandemia da Covid-19, essa foi mais uma das alternativas que a companhia paranaense encontrou para aproximar-se da sua audiência em tempos de distanciamento social. 

    “A Ave Lola sempre teve o desejo de ter uma rádio teatro em que a gente pudesse ler textos, fazer bate-papos sobres assuntos diversos. Acontece que o rádio dos dias de hoje é o podcast. É uma maneira acessível e democrática de disponibilizar conteúdos interessantes. Por isso, estamos imensamente felizes com essa nova empreitada”, explica a diretora da trupe Ana Rosa Genari Tezza. 

    O Episódio Zero do programa traz aos ouvintes, na voz dos integrantes da trupe, memórias relacionadas ao rádio, incluindo momentos históricos do rádio em Curitiba na década de 60/70 narrados pelo iluminador Beto Bruel e a atriz Regina Bastos. “A ideia é que a programação tenha um gostinho de rádio e porquê não um gostinho de teatro e que dialogue com universos distintos”, diz Ana Rosa Tezza. 

    O Podcast da Ave Lola contará com dois programas: o inaugural, que se chama Conversas na Coxia, e conta com a participação de cinco entrevistados que têm relação com a temática da sustentabilidade com foco na Amazônia, retomando um assunto que a Trupe Ave Lola já pesquisa através dos seus projetos artísticos.  Logo em seguida, será lançado os episódios do programa Boca de Cena, que em sua primeira temporada contará com leituras dramáticas de três contos do escritor russo Anton Tchekhov. 

    Os programas contarão com a sonoplastia dos músicos Breno Monte Serrat e Arthur de Lima Jaime além da participação das vozes dos atores e atrizes que integram a Trupe Ave Lola. A programação será veiculada semanalmente na terça-feira às 20h através da plataforma do Spotify.


    Serviço

    O que? Lançamento do Podcast Ave Lola

    Quando? 25 de agosto às 20h

    Onde? Podcast Ave Lola no Spotify

  • Livro traz memória de 800 peças de teatro curitibanas

    Seis artistas e pensadores das artes escreveram textos para o livro fotográfico.
    Seis artistas e pensadores das artes escreveram textos para o livro fotográfico. (Foto: Divulgação)

    No dia 23 de agosto de 2020, às 17h, acontece o lançamento online do livro digital Gesto Contínuo da fotógrafa e artista visual Elenize Dezgeniski. A live de lançamento acontecerá pelo youtube da artista (www.youtube.com.br/elenizedezgeniski) e contará com artistas que colaboraram com a construção do livro. 

    O livro Gesto Contínuo, com 256 páginas, edição da autora, foi elaborado a partir de um arquivo com mais de 800 peças teatrais fotografadas por Elenize Dezgeniski nos últimos 15 anos. Em uma narrativa não cronológica, a edição busca tornar visível os efeitos dos encontros entre as imagens, as companhias de teatro e os artistas, revelando relações possíveis entre tempo, memória e narrativa. 

    A publicação conta com textos dos dramaturgos Olga Nenevê, Sueli Araujo e Márcio Mattana, do ator, pesquisador de teatro e jornalista Fernando de Proença e das artistas visuais Milla Jung e Luana Navarro. O texto de apresentação é do crítico e jornalista Valmir Santos. Todos estes artistas estarão presentes na live para falar, de modo performático, sobre o processo de criação.

    Além das imagens de cena, o livro contempla imagens da Cena Expandida, que é como a autora chama os ensaios fotográficos construídos para divulgação e design gráfico dos espetáculos de que participa. Imagens que, normalmente, são construídas antes da estreia de um trabalho, mas completamente implicadas em sua dramaturgia.

    O livro foi elaborado num processo contínuo de quase dois anos de trabalho, e contou com a assistência de edição da artista Lidia Ueta e da cineasta Débora Zanatta e projeto gráfico de Adriana Alegria. Gesto Contínuo é um livro-peça (montagem), atento aos sentidos dos encontros e dedicado ao tempo presente. O livro físico está disponível para compra nas livrarias Chain, Vertov, Arte e Letra, Itiban, Joaquim e na Casa Quatro Ventos.

    Este projeto foi realizado com o apoio do Programa de Apoio e incentivo à Cultura - Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba, com incentivo de EBANX, Livrarias Curitiba e CEDIP e apoio de VIMO Vídeo Foto, Casa Quatro Ventos, SESI PR.

    SOBRE A AUTORA

    Elenize Dezgeniski é artista visual, fotógrafa e atriz. Os principais temas em seus trabalhos são a memória, a palavra, a afetividade e o corpo. Sua obra é apresentada em fotografias, vídeos, instalações, performances, práticas curatoriais, publicações e inserções em discursos/circuitos híbridos. É colaboradora em processos criativos de teatro e dança e provocadora cultural nas diversas linguagens da arte. Desde 2004 fotografa as cenas de teatro, música e dança de diversas companhias do País. Atuou como atriz no Grupo Obragem de Teatro e foi aluna do Núcleo de Estudos da Fotografia (NEF, Curitiba). Mestranda em Processos Artísticos Contemporâneos pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), bacharel em Interpretação Teatral pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP) com especialização em História da Arte Moderna e Contemporânea pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap).

    Textos 

    Olga Nenevê

    Márcio Mattana

    Sueli Araujo

    Luana Navarro

    Milla Jung

    Fernando de Proença   

    SERVIÇO

    Lançamento do livro digital Gesto Contínuo

    Dia 23 de agosto, 17h pelo Youtube

    www.youtube.com.br/elenizedezgeniski

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  • Produtoras lançam QG para profissionais da arte

    (Foto: João Lima/Divulgação)

    A mais nova iniciativa de Curitiba no ramo artístico é o QG da Produção, aposta para criar uma comunidade virtual de profissionais que produzem arte e cultura no Brasil. O projeto é das produtoras curitibanas Laura Haddad e Michele Menezes e visa reunir e promover experiências e aprendizados para quem é do ramo da produção artística, artistas e interessados em produção cultural.

    “Eu já estava pensando em criar um projeto online, nas redes sociais, mas não sabia exatamente o quê. Sou uma pessoa criativa e realizadora, que gosta de projetos que promovam experiências e agreguem pessoas. Não me sinto uma autoridade, mas tenho conhecimento prático e posso contribuir e beneficiar as pessoas promovendo conexões, sendo um canal para compartilhar ideias e iniciativas. Um dia a Laura me ligou, me convidando pra pensarmos em um curso online. Era o start de que eu precisava! A Laura é uma super produtora que, além de toda a experiência prática, agrega a 'academia' que eu não tenho. Desliguei o telefone e pirei! Foi o início do QG”, conta Michele.

    Um QG é um lugar de base, de reunião, de encontro, onde as estratégias são pensadas e os resultados comemorados (ou discutidos). A proposta do canal é criar um ambiente onde a produção seja protagonista, um espaço onde se possa compartilhar e adquirir conhecimento, trocar ideias, divulgar iniciativas e tornar as práticas mais eficientes. 

    "Um aprendizado que estou tentando puxar nesse momento de pandemia é que os agentes culturais estejam mais unidos em pontos comuns. Parece uma contradição, mas o momento em que você está mais isolado é o momento em que você precisa estar mais ligado ao coletivo. Daí a importância da troca, da informação, do conhecimento para todos e todas de forma compartilhada. E as mídias digitais, mais do que nunca, estão aí para isso!", reforça Laura.

    “No início a gente vai produzir alguns conteúdos, mas a ideia é que haja troca, que a gente consiga construir uma comunidade e que possamos pesquisar e produzir materiais que atendam às necessidades de quem produz para arte e cultura”, complementa Menezes. 

    O QG conta com páginas no Instagram e Facebook e com canal no YouTube. Em breve o site estará no ar. 

    Quem são elas

    Laura Haddad é atriz, diretora e produtora cultural. É doutoranda em Artes Cênicas pela USP SP (2020), mestre em Artes Cênicas pela USP SP (2018), especialista em Gestão e Políticas Culturais pela Universidade de Girona - Espanha (2018), especialista em Arte e Cultura Espanhola pela Universidade de Salamanca - Espanha (2013), pós-Graduada em Concepção Cênica pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP) - (1998/incompleto) e graduada em Direito pela PUCPR (1996). Já atuou em mais de 80 produções culturais, trabalhando com grandes nomes da cena artística brasileira. De 2013 a 2019, foi docente da PUCPR nas disciplinas de Interpretação e Gestão Cultural no Curso Bacharelado em Teatro, Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Produção da Arte e Gestão da Cultura da PUCPR. É Professora responsável pelo curso oficial de Diretor de Produção do SATED PR.Realiza pesquisa sobre públicos em cultura e modelos de produção e gestão cultural na formação artística e política de artistas brasileiros. Proprietária da Duplo Produções Culturais, produtora curitibana com filial em São Paulo que faz elaboração, gestão, produção e administração de projetos culturais na área de teatro, dança, cinema, literatura e conteúdos culturais em plataformas digitais. 

    Michele Menezes é produtora cultural, publicitária (graduada na PUC PR em 2002) e especialista em Gestão Estratégica da Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela USP (2005). É sócia da Pró Cult, de Curitiba, criada em 2009, onde elabora, capta recursos, administra e produz projetos para diversas companhias de teatro e projetos culturais. Entre 2010 e 2013 foi parecerista técnica do Ministério da Cultura para projetos inscritos na Lei Rouanet. Em 20 anos de carreira produziu mais de 50 espetáculos teatrais. Produz regularmente a Súbita Companhia de Teatro e o Teatro de Breque. Idealizou e realiza a Mostra Novos Repertórios (desde 2007), a Mostra SESI Cena Criança (desde 2015) e a Espetacular – Mostra Internacional de Artes para Crianças (desde 2015), que integra a FIBRA (Rede de Festivais Internacionais para crianças do Brasil).

     

    Para conhecer, acesse: @qgdaproducao ou www.qgdaproducao.com.br (em breve).

     

  • O que faz um artista isolado

    O diretor Cícero Lira (esquerda) e o ator Thadeu Peronne.
    O diretor Cícero Lira (esquerda) e o ator Thadeu Peronne. (Foto: Luiz Mourão)

    Thadeu Peronne me ligava quase todas as segundas-feiras, dia de reunião de pauta no caderno G. Foi dele um dos primeiros ensaios a que assisti, nos bastidores do Teatro Guaíra, ainda tomando conhecimento dos meandros das coxias. Tempo de tanto aprendizado!

    Hoje os atores se desdobram dentro de casa para gravar seus trabalhos e continuar vivos, e esse está bem vivo: comemora seus 30 anos de carreira com a estreia do monólogo "QUE ABSURDO!", escrito e dirigido pelo jornalista e produtor cultural Cicero Lira. As sessões serão transmitidas pelo Youtube de 7 a 30 de agosto, nos fins de semana. Existe uma taxa simbólica a ser paga para poder assistir.

    "QUE ABSURDO!" conta a história de um artista que está isolado e recebe uma visita inesperada. Durante esse encontro, ele faz revelações sobre seu passado e reavalia a carreira que está em crise. Perturbado por um pesadelo recorrente que o coloca sempre diante do caos, o personagem busca refúgio na arte para tentar se libertar e dar sentido a sua vida. 

    O diretor Cicero Lira explica que, por causa do isolamento social, os ensaios com o ator foram realizados virtualmente, assim como parte do processo de concepção artística e produção. “Estamos nos adaptando a essa nova realidade. Algumas produções virtuais como o teatro feito em casa já estão acontecendo. Estamos aprendendo com esse processo híbrido", conta.

    De acordo com Lira, o debate sobre o " fazer teatral” em tempos de pandemia é importante. “Não tenho dúvida que o teatro é a essência do lugar do encontro presencial entre público e atores, porém, o momento que estamos passando é único. Mas assim que tudo isso passar, voltaremos a encenar nos teatros. Para o ator Thadeu Peronne, a cena cultural está passando por um momento complexo, mas a arte resiste. "Alguns grupos de teatro no país e no exterior já estão propondo novos formatos. Apesar da crise que enfrentamos, tenho visto projetos bastante interessantes".

    Outros parceiros criativos da empreitada são a designer visual Miriam Fontoura, o compositor e musicólogo Harry Crowl e o cantor, compositor e percussionista Thiago Mocotó (irmão e integrante da Banda de Gabriel O Pensador). 

    SERVIÇO

    "QUE ABSURDO!"

    07 e 15 de agosto, às 21h

    As transmissões AO VIVO ocorrerão no Canal da CLProducoes Digital no Youtube

    Informações na página do evento:  http://www.sympla.com.br/event__909199 

    As vendas dos ingressos já estão abertas para a estreia e podem ser adquiridos pela plataforma Sympla com valores a partir de R$ 10,00 (meia-entrada) + TX de Serviços. Ba acessar o link para obter mais informações: 

  • Ônibus da cultura agora é virtual

    Grupo Ladies Ensemble se apresenta no Ônibus da Cultura.
    Grupo Ladies Ensemble se apresenta no Ônibus da Cultura. (Foto: Divulgação)

    Já pensou em curtir o som de uma orquestra inteira no toque de uma tecla? É o que o público do Ônibus da Cultura (espaço itinerante de arte e cultura) e os alunos da Escola Municipal Miguel Krug, no Portão, estão descobrindo durante esta quarentena.

    Impedido de rodar pelos bairros da cidade, devido à pandemia, o Ônibus da Cultura, projeto coordenado por Lucia Casillo Malucelli, do Solar do Rosário, resolveu manter suas atrações pelos canais do Instagram e Youtube. Além disso, também estão acontecendo encontros semanais com turmas de Ensino Fundamental (5º ano), orientadas pelas professoras Raquel Mello, Claudia Aguiar e Josane Koehler. Os encontros acontecem por uma plataforma digital de videochamada, onde a conversa rola solta, e a turma troca informações, descobrindo um novo mundo de arte e música.

    Na primeira reunião, as crianças queriam saber sobre o funcionamento do Ônibus Museu e as atrações desse espaço, que traz exposições artísticas, moedas antigas e até uma gaveta arqueológica, com objetos dos povos que já habitaram Curitiba. Esta semana, os encontros entraram em um ciclo musical, em que a turma está descobrindo mais sobre o mundo dos instrumentos, como o violino e a viola. Para isso, contam com a preciosa ajuda de Clarice Miranda, professora de música do Solar do Rosário, Fabíola Bach Akel, diretora artística e fundadora da Ladies Ensemble, uma orquestra só de mulheres, e Oksana Meister, violinista da orquestra. No final do bate-papo, Fabíola e Oksana ainda deram uma “canja”, tocando trechos das trilhas dos filmes “Piratas do Caribe” e “A bela e a fera”, para delírio da garotada.

    Quando o quadro pandêmico estiver sob controle e a situação se regularizar, a ideia é que o Ônibus da Cultura volte à sua rotina original de funcionamento: dois veículos – o Ônibus Palco e o Ônibus Museu – que circulam pela cidade levando arte, história, música e entretenimento a escolas públicas, parques, Rua da Cidadania e praças de Curitiba. O projeto é viabilizado pela Lei de Incentivo a Cultura do Ministério da Cidadania e Secretaria Especial da Cultura, contando com o patrocínio das empresas Blount, Roca, Impextraco, Fertipar, Trutzschler e o apoio de Serra Verde Express, Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura Municipal de Curitiba, PUC-PR, Museu Paranaense e Governo do Estado do Paraná.

    Por enquanto, as apresentações se mantêm nas redes sociais, além dos encontros ao vivo e pré-agendados, por plataforma digital. As próximas videochamadas devem apresentar novos instrumentos musicais e as funções da soprano e do tenor, entre outros itens. As escolas interessadas em conhecer melhor o projeto podem entrar em contato diretamente com o Ônibus da Cultura, pelo e-mail projetos@solardorosario.com.br ou pelo Instagram @onibusdacultura.

     

    Serviço

    Ônibus da Cultura

    Site: https://www.onibusdacultura.com.br/

    Face e Instagram: @onibusdacultura

    Youtube: Solar do Rosário

  • Três dicas para acabar com a insônia

    A insônia está em alta neste período de pandemia. O número de pessoas que estão com problemas para dormir só aumenta. Os motivos para isso acontecer são diversos, ainda mais em um momento tão delicado de incertezas. A professora de Yoga Danieli Mangini conta que os distúrbios do sono podem ser controlados mesmo com a ansiedade à “flor da pele”. Danieli explica que trata há muitos anos de alunos que tiveram esses problemas, e que agora, devido à pandemia, quase 80% da demanda se refere à insônia e ansiedade.

    A professora revela que, em primeiro lugar, alguns cuidados são importantes na hora de dormir. “Evitar as telas de computador e celular é uma dica batida, mas sempre vale relembrar. Outro ponto importante são as bebidas que dão energia, como a cafeína e álcool. Cuidar da alimentação também é essencial. Por isso, evitar alimentos gordurosos como frituras e chocolates ajudam no processo. Para quem não sabe, a pimenta também acelera e ativa o metabolismo, o que pode prejudicar o sono”, explica.

    Danieli ressalta que, para atingir um sono de qualidade, é preciso seguir à risca algumas coisas. “Tenha uma alimentação equilibrada, beba infusões de camomila, capim, limão e hortelã. Faça o possível para dormir sempre no mesmo horário, e tente praticar exercícios físicos durante o dia, porque ajuda a regularizar o metabolismo e consequentemente o sono”, diz.

    A professora reforça que desenvolver o hábito de meditar antes de dormir, nem que seja por alguns minutos, ajuda a limpar e tranquilizar a mente de todas as emoções e acontecimentos do dia.

    Dicas de Ouro

    1ª Dica

    Antes de dormir, anote num papel tudo que você precisa fazer no dia seguinte, o que evita ansiedade e esquecimentos.

    2ª Dica

    Respiração Chandra ou respiração lunar.

    Você deve colocar o dedo índice entre as sobrancelhas (terceiro olho) e o dedo polegar na fossa nasal direita, retendo o ar. Respire somente pela fossa nasal esquerda veja o vídeo para entender melhor.

    3ª Dica

     Fazer a postura do yoga Viparita Karani , essa postura ajuda na circulação sanguínea, ativa a glândula tireoide, alivia estresse e ansiedade.

     Não é aconselhável para as  mulheres que estejam no período menstrual ficar nessa postura por mais de 3 minutos porque o fluxo sanguíneo aumenta consideravelmente.

    Se você sofre de problemas lombares, é aconselhável colocar uma manta / toalha ou almofada pequena embaixo  das lombares, conforme a foto abaixo.

    Para mais detalhes, acesse:

    Artedemudar.com

    Área de anexos

  • Festival online faz manifesto de artistas do PR

    (Foto: Carlos Salles)

    Nasce um novo espaço para exaltar o poder transformador da cultura e levar sanidade às pessoas isoladas devido a pandemia. Artistas do Paraná se unem para a primeira edição do Contratempo Festival, um evento online, com mais de 100 ações ao vivo durante 12 horas consecutivas. As transmissões serão entre 9h e 21h de terça-feira, dia 23 de junho, no canal do Instagram das/dos artistas.

    Contratempo Festival traz a multiplicidade e versatilidade do setor cultural: música, teatro, cinema, circo, literatura, performances, dança, artes plásticas, fotografia, juntas em um só evento. A cada hora, apresentações exclusivas que prometem surpreender as espectadoras e espectadores. Serão oito artistas solo, companhias e/ou bandas por hora. Karol Conka, Alexandre Nero, Fabíula Nascimento (única que será no twitter porque seus perfis foram ocupados por pessoas negras em junho), A Banda Mais Bonita da Cidade, Ave Lola, Baque Mulher, Mandicuera, Mulamba, Cia dos Palhaços, Letícia Sabatella, Janine Mathias, Dow Raiz, Fotofolia, Rimon Guimarães, Slam das Gurias CWB, Caburé Canela, De um filho, de um cego, Abacate Contemporâneo, Luís Melo, Katiuscia Canoro e cia brasileira de teatro, entre outros, outras e outres movimentam a terça-feira do Paraná.

    Mais que apresentações, o evento é um manifesto, um pedido de socorro da classe artística, uma das primeiras a parar e que não tem previsão de retorno presencial. Ao contrário de outros estados do Brasil, que logo no início da pandemia publicaram editais de auxílio emergencial ao setor, o Governo do Paraná segue sem ações efetivas. O tímido pacote de medidas de “apoio e fortalecimento do setor cultural”, anunciado para maio, ainda não aconteceu, e quando questionada sobre recursos para o Fundo Estadual de Cultura, a Superintendente de Cultura, Luciana Casagrande Pereira, comenta sobre a esperança na aprovação da Lei Aldir Blanc como único plano do Estado. A lei aguarda a sanção presidente até dia 1º de julho.

    A previsão desse recurso realmente chegar às trabalhadoras e trabalhadores da cultura é tardia para a situação de emergência que a classe enfrenta, e os artistas cobram uma resposta mais efetiva. Enquanto isso, a cadeia produtiva da economia criativa se vira da forma que dá, iniciativas como Salve a Graxa e Cultura Salva arrecadam cestas básicas e distribuem aos profissionais mais afetados pelo coronavírus. 

    A Coragem - Rede de Profissionais da Música de Curitiba, articuladora do Contratempo Festival, ressalta que a classe artística rapidamente atendeu as determinações da OMS e segue apoiando a permanência do fechamento dos espaços culturais, por entender que o isolamento social é fundamental para atravessar este momento. Porém, diante da impossibilidade de continuar exercendo suas atividades profissionais, o setor necessita de medidas compatíveis com a situação emergencial que atinge todos os trabalhadores paranaenses da cultura. O Coletivo também está participando de conversas com a prefeitura de Curitiba, onde um grupo de trabalho está sendo criado para encaminhar ações concretas de apoio. 

    SERVIÇO
    Contratempo Festival
    data: 23 de junho, terça-feira.
    horário: 9h às 21h
    evento: https://www.facebook.com/events/662667810955583/
    local: conta do Instagram de cada artista.

  • E os artistas, como ficam?

    (Foto: Cayo Vieira)

    O fato é que o mundo está transformado pela tecnologia. Nesse período de pandemia, as empresas, e, principalmente, as pessoas tiveram que mudar seus hábitos, comportamentos, atitudes e a forma de viver. O planeta exigiu de todos nós uma grande adaptação.

    Para as instituições, há mudanças em todos os processos, em que a tecnologia, se não era usada antes, tornou-se essencial para a sobrevivência do negócio. Para as escolas, ocorreu uma adequação do processo educacional. Para os trabalhadores, a incorporação do sistema de trabalho home office somado ao aprendizado de novas ferramentas tecnológicas.

    E alguém pensou nas artes? A produção artística também está sendo ajustada. Rapidamente, artistas e público tiveram que se instrumentalizar e familiarizar com todos os aparatos tecnológicos. Já havia uma forte tendência ao compartilhamento digital dos produtos artísticos e culturais, e a pandemia veio para acelerar esse movimento.

    Mercado Cultural em meio à crise

    O mercado cultural foi um dos segmentos mais afetados pela pandemia, já que muitas vezes, precisa de um grande número de pessoas para acontecer. Desde teatros, escolas de artes, centros culturais, casas de eventos, bares, circos, cinemas entre outros. O mundo da cultura e do entretenimento presencial está parado, as portas foram fechadas em março e ainda sem previsão de volta. Além desses espaços, as grandes mostras, festivais, shows, feiras e eventos foram todos adiados ou cancelados. Alguns conseguiram propor ações em formatos de webinar, lives, vídeos nas redes sociais e na internet, porém nem todos conseguiram migrar para esses ambientes.

    É preciso também considerar que a arte movimenta a economia e gera empregos. Dados apresentados pelo Mapa Tributário da Economia Criativa, realizado pelo Ministério da Cultura, apontam que o valor movimentado pelo segmento de negócios que se originam de produtos ou serviços ligados a cultura, tecnologia e inovaçã— a chamada economia criativa — já supera as receitas com serviços de telecomunicações em todo o mundo. No ano de 2019, foram gerados em torno de 30 milhões de empregos e movimentados cerca de US$ 2,5 bilhões, valor que corresponde a 3% de todas as riquezas produzidas no mundo no período.

     

    No Paraná, grandes festivais foram cancelados, como a Mostra Paranaense de Dança realizada pela ABABTG, entre outros eventos e shows. Em Santa Catarina, o Festival de Dança de Joinville adiou as atividades para o segundo semestre de 2020, mas ainda sem data definida. Até mesmo a Broadway parou, o que é um marco histórico.

     

    Cenário das Mostras

     

    Para Jorge Schneider, bailarino e diretor da ABABTG, o cenário é delicado para toda a cadeia produtiva artística. Por trás de qualquer espetáculo, concerto, show, festival etc., há uma equipe enorme de profissionais seriamente impactada pela atual situação, para os quais, as alternativas digitais não acolhem. “Estamos com todos os projetos suspensos. Agora, entre maio e junho aconteceria a Mostra Paranaense de Dança, que há 12 anos reúne mais de 2.000 artistas, em geral jovens estudantes da dança de todo o Estado, em uma agenda extensa de atividades que culminam em espetáculos no grande auditório do Teatro Guaíra. Pensamos em uma versão digital, mas não encontramos um modelo que pudesse satisfazer às expectativas destes jovens artistas, dos profissionais colaboradores e do público que sempre participam”, conta.

     

    A bailarina e também coordenadora de projetos da ABABTG, Simone Bönisch, reforça que a arte é troca, encontro e relação. A tecnologia é uma grande aliada sendo o meio mais eficiente - senãúnico, que temos para a arte alcançar as pessoas hoje. É certo que quando tudo passar, ela permanecerá fortemente presente e nenhum artista poderá ignorá-la. Mas, acredito ser consenso que nada substitui a experiência presencial. A medida que as pessoas sentirem-se seguras, haverá um movimento de resgate dos meios “convencionais" de se vivenciar os eventos artísticos, sobretudo os cênicos”, comenta.

     

    E encerra com um questionamento: Tem como a arte, enquanto agente humanizador, em tempos de distanciamento social e tecnologias digitais, transcender a interface da tela?

     

    ABABTG – A atual Associação Brasileira de Apoiadores Beneméritos do Teatro Guaíra foi fundada há 12 anos, na cidade de Curitiba. Na época denominada Associação de Bailarinos e Apoiadores do Balé Teatro Guaíra, ela surgiu com o propósito de fortalecer a dança e demais artes motivando uma ligação sinérgica entre os setores público e privado. Durante esse período foram realizados diversos projetos culturais, com repercussão local, nacional e internacional, que promoveram ações de formação, atualização, divulgação, fomento e democratização das artes em suas diversas linguagens. A atual nomenclatura foi assumida recentemente, para adaptar-se aos novos níveis de atividades operacionais e aos novos mercados de atuação da ABABTG. 

  • Tentativa de explicar home office com filhos às solteiras

    Muitas amigas solteiras ou sem filho dizem que não imaginam como seja o home office com criança pequena em casa. Vou tentar passar uma ideia resumida:

     

    7h - Alvorada. O duro de acordar com alguém chamando é que você começa o dia devendo.

    7h02 - Se você conseguiu trazer a criança pra sua cama, pode tentar se recompor, mas o mais comum é que ela queira o café da manhã. Abra seu manual na página “Alimentação saudável na primeira dentição” e se jogue. Não existe café quente.

    8h - Se você está em home office, volte 3 casas, respire e tente negociar para que respeitem a porta fechada. Faça pausas de 10 minutos para que eles sintam sua presença recorrente.

    12h - Desconstrua suas expectativas. Eles não vão comer tudo que você sonhou.

    14h - Tente aglomerar o período de televisão em um momento só. Se eles gostarem de algum desenho educativo, parabéns. Caso contrário, tente o menos pior. Aqui calhou: “Dino Train” e “Storybots”. A sorte é que criança não se incomoda com repetição, pelo contrário. Estou há 2 semanas tentando assistir aos live actions da Disney, mas eles querem sempre os mesmos.

    15h - Lanchinho. Cuidado, que essa é a perdição da balança (para você).

    16h - Algumas crianças ficam na porta pedindo para sair, outras só saem arrastadas. A dica é proporcionar um período de ar livre por dia.

    18h- Banho tem que ser bem longo, pra ocupar o final da tarde. Experimente uma piscinha que caiba no box, lápis pra box. Se for inverno em Curitiba, só lamento.

    PS - Mudanças de rotina geram o caos, mesmo que sejam para melhor. 

    PS2 - Estamos juntas nessa! 

  • Alguém aí está ansioso?

    Como está sua ansiedade neste período de quarentena? O momento é turbulento para todos, e muitas pessoas estão sofrendo com essa situação que deixa o mundo instável e cheios de novos desafios. A ansiedade se torna a grande vilã. Muitos conseguem não se deixar levar, já outros desenvolvem sintomas que podem chegar até mesmo a uma crise de pânico. Como você está lidando?

    A blogueira do canal no youtube “A Arte de Mudar” e também professora de Yoga na Espanha Danieli Mangini revela que agora é a hora de colocar todas as práticas de pensamentos positivos no dia a dia. “Estamos todos no mesmo barco, não sabemos o que será do futuro, emprego, saúde, governo, enfim são muitas coisas que deixam a gente com a ansiedade lá em cima. Por isso, não adianta deixar o desespero tomar conta, é um momento de reflexão e autoconhecimento”, analisa.

    O que podemos fazer para ajudar a ansiedade a diminuir?

    Para Danieli o grande segredo está na disciplina diária de fazer coisas que ajudam o estresse a ser liberado. “Você precisa achar coisas que te façam bem. E todos os dias repetir essas práticas. Seja um exercício físico, leitura de um bom livro, um momento de oração, aula de yoga, meditação e muitas outras coisas”, pontua.

    No canal “A Arte de Mudar”, a professora ensina técnicas de yoga e meditação, e também vários conteúdos sobre respiração e bem-estar. “A respiração faz toda a diferença. A gente não sabe respirar não sabemos usar a nosso favor, e uma boa respiração muda tudo. Em pouco tempo a postura, consciência corporal e a qualidade de vida se transformam”, conta.

    Telegram “Sementes do Caminho”

    Danieli Mangini se uniu com um grupo de profissionais espalhados pelo mundo que uniram forças e criaram o movimento “Sementes do Caminho”, trazendo reflexões de diversas áreas como - yoga, meditação, conto terapia, constelação sistêmica, musicoterapia e muitas outras especialidades. A ideia do projeto é gratuitamente oferecer para o maior número de pessoas materiais de qualidade sobre como lidar com amor e equilíbrio nesse período de coronavírus.

    Acesse:

    https://www.youtube.com/channel/UCWK0rMslRO_BapYU1qcwFEQ

    http://artedemudar.com/

  • Eu imigrante

    (Foto: Bruno Mancuso)

    Ser imigrante são sabores novos, gente diferente, talvez amigos. Experiências que podem ser enriquecedoras, mas também desencontros.

    Num sábado de sol, saí da rotina para um sofá ao ar livre feito de bambu, onde calmamente um diretor de teatro contava suas visões.

    Era um ensaio da peça “Terra Nova”, que agora já estreou e fica até 15 de março no Novelas Curitibanas - Teatro Claudete Pereira Jorge.

    Assistir a um trabalho em formação te coloca na posição de público especial, privilegiado, e é preciso manter uma certa pose, sobretudo preparar-se para tudo. À acompanhante, avisei: “Não sei o que farão. Pode ser que fiquem pelados.” Ela não se abalou: “Por isso trouxe um casaco.”

    (Obrigada por dividir esse momento, Ana, e por todos os chás que têm nos fortalecido.)

    Ali na improvisada primeira fila recebemos a proposta de Don Correa para o teatro de hoje. Cai a “quarta parede” (aquela que, num espetáculo tradicional, separa o público dos atores), e entra uma ponte do palco ao espectador, que se vê requisitado/amado/encurralado, solicitado a participar. 

    Senão com respostas propriamente ditas, ao menos com um olhar ativo. Talvez canse um pouco. 

    Edith Camargo e Abed Tokmaji falam em seus idiomas em alguns momentos, mas também incursionam à vontade pelo português. Eles se fazem um pouco nossos ao surpreenderem-se com coisas banais que nunca teríamos levado a um palco. E nos brindam com suas vivências emocionantes, em outra terra, com outros temores. Você não sei um expert na vida deles, mas certamente enxerga insights para aquilo que realmente importa.

    Em minhas três experiências como imigrante (privilegiada, é preciso dizer), percebo que a alma pode se conhecer por estar nesse novo lugar. Mas também pode morrer aos poucos.

    (Linea 98 Dayse pastasciutta Piazza dell´Unità Roland Barthes Umberto Eco l´università di Bologna mármore terracotta motorini telefonini gelato)

    Serviço

    Espetáculo “Terra Nova”

    Quinta a domingo, às 20h. Até 15 de março.

    Entrada franca, com ingressos distribuídos uma hora antes do início do espetáculo.

    Teatro Novelas Curitibanas - Claudete Pereira Jorge | Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1.222, São Francisco - Curitiba/PR. CEP 80510-040.

    Classificação indicativa: 14 anos.

     

  • Irmão vai ao museu

    Mãe é assim: fez uma coisa pra um, tem que fazer pro outro. Esse último, no caso, pode nem saber do que se trata, mas esperneará até a morte se preciso for para obter a mesma regalia.

    Em alguns casos ele nem quer tanto, mas mãe justa, justíssima é aquela que dá igual pros dois.

    Por isso essa crônica. Catarina ganhou uma quando conheceu Chaplin. Já faz meio ano. O senso de justiça - ou seria de culpa? - exige outra para o Ivan que traga a balança ao meio novamente.

    Tempos de extrema isonomia, nem que o outro não queira.

    Pois então foi o Ivan ao museu ver a aranha de Louise Bourgeois. Ficou com um pouco de medo, quis ficar só 30 segundos. E agora?, pensei. “Tempos Modernos” tem 137 minutos.

    Anyway, cumpri minha parte, vamos correr na rampa (nessa parte ele não queria mais ir embora).

    Quantas coisas será que não passam pela nossa vida nesse esquema de obrigação?

    Mas se a crônica é do Ivan, e a da Catarina teve 27 linhas, sigamos.

    Ele visitou um pouco mais animado o parque da Barreirinha, alguém já foi? Um pouco escondido no caminho para Almirante Tamandaré.

    Pois entrou e teve uma epifania, o lindinho. “O mundo inteiro é um ‘relógico’!” Havia pássaros ao ar livre, por isso a comparação com um zoológico… Talvez piá de prédio seja só uma condição de espírito, não tanto de espaço. Oremos.

     

  • Uma explosão de humanidade

    (Foto: Luisa Bonin/Divulgação)

    O teatro encanta e convida para o jogo, mas muitas vezes ele quer ensinar também. E hoje temos muito a dizer, pois foi-se o tempo de sutilezas e sombras, por mais que queiram nos silenciar.

    A proposta de “Bem-vindos à espécie humana” inova ao resgatar de forma crua teorias a respeito de como o homem se tornou esse ser que está aí. Inteligente, sabido. Tão hábil com instrumentos, criador de todas as coisas (que se possa comprar). Um tiquinho destrutivo, ou quem sabe geneticamente assim. Cruel, crudelíssimo, único a torturar seu semelhante.

    O espetáculo da companhia brasileira faz um resgate da história da arte como criação suprema (por vezes suprimida) desse ser, num insano carrossel de imagem e fala a rodar, mas que não chega a lançar num globo da morte. Não destrói como faz com tanta habilidade o protagonista da história. A agressividade crescente em cena não chega a assustar, pois não é capaz de ir até o fim e destruir, por exemplo, a árvore. Uma desbastada, e chega, vamo-nos daqui. Quem sabe um tiquinho de esperança ali?

    Os olhos que procuram a plateia falam mais que mil palavras, e a curta duração do espetáculo nos faz soltar a respiração antes do esperado.

    De acordo com o programa, parte-se de uma ideia original de Benoit Lambert, com texto e tradução de Giovana Soar, direção de Nadja Naira e supervisão de Marcio Abreu.

    No elenco, Giovana e Cassia Damasceno criam um espelho de personagens com gestual que flerta com a contação de histórias e o teatro de objetos, em ironias explícitas e cômicas. Aqui o panfleto: Coca-cola, Disney, capitalismo, dinheiro, estão todos lá.

    Seria essa uma tentativa de entender a espécie humana, como se diz no início? Ou uma intenção de afronta àqueles que insistem em crer em um Deus único e amoroso, salvador, sofredor, servidor, resgatador e amigo? Custo a crer na segunda opção, pois para isso temos produtos de massa como “Porta dos Fundos”, e todos aqueles que caem na provocação inócua.

    Não, aqui se dialoga com iguais, e parênteses: que plateia maravilhosa. Volto ao teatro Novelas Curitibanas, agora devidamente chamado Claudete Pereira Jorge, e ele não só resiste como enche a casa. O público mudou. Se antes o estacionamento ficava repleto, ainda mais em dia de chuva, agora quem vai utiliza outros modais, pois sobram vagas para encaixar o carro. Não resisto à tentação de responder à senhora ao meu lado que se surpreende com um teatro tão bacana ao qual ela nunca havia ido. “Aqui nem sempre foi teatro.”

    Não é a primeira vez em que me encontro com uma cosmovisão diferente da minha, aliás difícil é que coincidam. Sofro só um pouquinho, pois minha experiência de crer, falar e ser ouvida não rende uma ópera, ou ainda não rendeu. No palco, a outra versão. Nada de fôlego da vida, só o acaso duro e nu.

    Aqui tenho a palavra? Bom… digo apenas que a vida pode ser melhor quando é criada.

    A arte se exige política, ok, mas ai daqueles panfletos que se atira à plateia, pois ali morre um pouco o jogo. Talvez seja um tempo de palestras mesmo.