• Teatro pelo Instagram, pode?

    Teatro pelo Instagram, pode?
    (Foto: Divulgação)

    Ir ao teatro continua fora de cogitação, mas o mundo da performance cênica não parou. Inúmeras iniciativas mantêm artistas vivos nos dois sentidos da palavra, ainda que em meio a muitas dificuldades.

    Quero falar de uma experiência a que pude assistir e que tem sessão nesta quinta (17 de setembro). “Penélope”, sim, ela que fica e que espera, mas aqui não pelo regresso do marido Ulisses, como no mito de Homero. Uma mulher que retorna do estrangeiro e entra em diálogo profundo com o irmão. Surgem cobranças, acusações, necessidades de afeto e perdão.

    Uma apresentação pelo Instagram faz pensar em primeiro lugar na tecnologia envolvida. Como funciona? É live? É gravado? É interativo? Todas essas questões são satisfatoriamente respondidas nos primeiros minutos (na criação da diretora Nadja Naira em parceria com Paulo Rosa e Álvaro Antônio), quando se vê que há um primoroso desenho de luz, de telas, de entra e sai dos atores Pablito Kucarz e Uyara Torrente (da Banda Mais Bonita da Cidade). 

    Mas as surpresas de natureza técnica e estética não ofuscam o aspecto humano, a potência de um diálogo criado para os palcos mas que felizmente chega a nós ainda na pandemia.

    Longas conversas (40 minutos, aqui) lembram Godard, ou mesmo Woody Allen. Na trama, anos se passam, o que traz a estranheza da “live” que não é derrubada após os 60 minutos, e dos temas delicados que requerem uma vida para serem esgotados (se é que alguma vez o são).

    Como conectar-se a alguém verdadeiramente? E quando esse alguém é um irmão ou irmã com quem perdemos contato? Certamente requer sacrifícios (“comer um quilo de sal juntos”, ou quem sabe tecer e destecer uma mortalha que nunca termina).

    É verdade que relacionamento dá trabalho. Por isso em “Penélope” surge a acusação da fuga, algo que todo mundo que emigra escuta em um ou outro momento. Descobrir-se e conquistar o mundo pode requerer alguns abandonos. 

    Mas quem pode dizer o que é certo? Existe uma lei onde esteja escrito que é necessário ou proibido partir? Aqui entra também o tema do que é exigido das mulheres.

    Pensando a partir do texto, surge a questão da pandemia - ela que aprofunda o diálogo ou explicita conflitos. Cabe a nós escolher.

    Mas nunca é tarde para se buscar um fio solta nessa meada enosada de conflitos e ir puxando devagarinho, para se conhecer e reconhecer, abrir espaço para aceitar o outro diferente, amar.

    No fim, o perdão se mostra como única solução possível para a paz, de si e dos outros.

    Em tempo: o tema do cuidado com os pais na velhice aparece em 100% das peças a que assisti nesta pandemia (em todas as duas). A outra é “Hansel et Gretel”, que tem um trecho disponível aqui



    SERVIÇO

    “Penélope”

    Com dramaturgia da Lígia Souza e direção de Nadja Naira. No elenco, a atriz Uyara Torrente e o ator Pablito Kucarz.  

    Dia 17/09, às 20h, pelo Instagram, com bate-papo com a equipe depois.

    Ingressos disponíveis no link: https://www.sympla.com.br/penelope__977024

     

  • Uma Itália toda diversa e deliciosa

    Uma Itália toda diversa e deliciosa
    "Como um peixe fora d´água" diverte e ensina um pouco sobre a realidade social italiana. (Foto: Divulgação)

    Ainda que tenha durado poucos dias, a corrida para assistir ao 8 1/2 Festa do Cinema Italiano foi a oportunidade de ver o Bel Paese pelos olhos de diferentes cineastas. 

    Em suas escolhas temáticas e de locação, foi quase possível sentir o gosto da pastasciutta das diferentes regiões, com seus ingredientes inigualáveis. Mas também foi a chance de ir além de ideias preconcebidas e verificar a existência de uma Itália muito “varia”, múltipla em suas diferenças de classe e opinião política.

    Foi o caso em “Como um peixe fora d´água” (Riccardo Milani, 2017), em que um consultor da União Europeia que defende a integração social - mas a conhece apenas na teoria - tem a oportunidade de vivenciar sua prática na região metropolitana de Roma.

    De minha parte, confesso que foi um pouco chocante ter contato com histórias como a de Davide, morto por policiais num bairro pobre de Nápoles ao ser confundido com um fugitivo. Fatos tão banais do noticiário brasileiro, que ganham corpos, rostos e cores de outra nação. Sua tragédia é retratada pelos olhos de dois garotos da mesma idade (16 anos) em “Selfie” (Agostino Ferrente, 2019). “Va visto.”

    Foi curioso tomar contato com novas verdades do país de onde veio parte de meus antepassados naquele século 19, pouco após um incêndio acometer sua vila. Quando me propus a fazer o “gran ritorno”, já às portas do século 21, meu avô me alertou: “Fazer o que lá minha filha, só tem pobreza…”. Como é subjetiva a opinião, nossas ideias formadas por um caldo de experiências pessoais e memórias transmitidas entre  gerações.

    A verdade na fronteira

    Impossível não comparar a dezena de títulos que consegui assistir com os filmes da França a que tivemos mais tempo de acesso no Festival Varilux (do cardápio de quase 50 pude  acompanhar quase 40!). Percebi (mas pode ser um recorte por demais pessoal) uma recorrência de títulos franceses em que os problemas familiares dão a tônica, com destaque para a guarda de filhos após divórcios e o relacionamento entre pais e filhos. Já na mostra italiano acabei vendo mais filmes com tema social.

    O ponto em comum nos longas franceses e italianos eram as refeições...fartas em sua divulgação das delícias da table e da tavola. Por mim ambos valem uma (duas, três) viagens só para comer.

    Confesso que meu contato com a Itália passa muito pelo estômago. Hoje já não sei como sobreviveria no maravilhoso mundo de tortellini e rigatoni, agora que sou, como a personagem elitista do longa de Milani, celíaca.

    Mas posso salivar ao ver um filme bem saboroso ou conhecer à distância essa incrível invenção que é a Academia do Tiramisù, braço cultural da Tiramisù World Cup. Criada em Treviso, no Vêneto, a instituição sem fins lucrativos busca resguardar a cultura gastronômica desse doce que leva queijo mascarpone e café, e que promove essa curiosa competição tão específica e divertida. No Brasil, infelizmente, o calendário ainda está indefinido por conta da pandemia.

    Acompanhe tudo lá:

    Tiramisù World Cup 2020 - https://tiramisuworldcup.com

  • Espetáculo alcança presidiárias e asilos

    Espetáculo alcança presidiárias e asilos
    (Foto: Luísa Bonin)

    O espetáculo visto por mais de 27 mil pessoas rendeu à atriz Nena Inoue o Prêmio Shell 2019 de Melhor Atriz no Rio de Janeiro, além do Troféu Gralha Azul de Melhor Atriz em 2017, no Paraná. Agora em versão on-line, gratuita e com tradução em Libras, a obra alcança um público ainda maior e inclui debates e oficinas abertas para o público.

    A atriz Nena Inoue fará uma temporada online com 15 exibições do espetáculo “Para Não Morrer”, sendo 5 abertas e gratuitas para o público nos dias 3, 4, 5, 11 e 12 de setembro às 20h, e 10 fechadas e exclusivas para entidades e coletivos de apoio à mulheres, instituições, movimentos sociais, associações de professores e de classe, além do público feminino que se encontra em isolamento social mesmo antes da pandemia, como presidiárias e idosas em asilos. Todas as exibições online possuem tradução em Libras e serão seguidas de um debate ao-vivo com o público a partir da obra apresentada, também com tradução simultânea em Libras. As apresentações serão transmitidas diretamente do Ave Lola - Espaço de Criação.

    As 5 apresentações abertas serão exibidas nas páginas do Espaço Cênico e dos parceiros Brasil de Fato Paraná, MST Nacional, Bicicletaria Cultural e Mães pela Diversidade. E para quem quiser se inscrever e receber o link da exibição e debate por e-mail momentos antes da exibição, basta fazer uma inscrição simples e gratuita pela plataforma: https://bit.ly/32tW6Wn 

    Dentro do contexto da pandemia, a atriz e produtora cultural Nena Inoue trabalhou para que todas as mudanças necessárias fossem feitas e adaptou o projeto para cumprir temporada on-line respeitando o distanciamento social: “Neste momento pandêmico, em que os trabalhadores da cultura se encontram impedidos de trabalhar e temos milhões de artistas e técnicos desempregados no Brasil, me propus a atuar da forma possível e, respeitando o isolamento social, a forma de seguir e levar nosso teatro ao público neste momento é via on-line, então se assim é, assim será. Consegui também manter a proposta de trabalho inicial e levar este trabalho a comunidades menos favorecidas, incluindo mais profissionais ao projeto - como registros de vídeo, transmissões, além de locação de um espaço teatral parceiro (o Ave Lola) - estamos nos movendo e criando caminhos para continuar, possibilitando trabalho e remuneração aos nossos profissionais do teatro”, afirma a artista. 

    Em cena e online, Nena se transforma numa mulher ancestral e onipresente, que se apropria da palavra e traz à memória várias personagens históricas: mulheres negras, indígenas, guerrilheiras, mães, avós, filhas, de diferentes épocas e lugares que foram violentadas, torturadas, assassinadas e esquecidas.

    A obra está em cartaz desde 2017 e já foi assistida por mais de 27 mil pessoas. Sobre o espetáculo, o crítico teatral do jornal “O Globo”, Patrick Pessoa, escreveu: “Nena Inoue transforma luto em luta... espetáculo para não perder”. O solo conta com dramaturgia de Francisco Mallmann a partir da obra “Mulheres”, do uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015). A encenação concebida por Nena, tem direção de texto de Babaya e apresenta temáticas femininas e feministas atreladas a questões histórico-políticas, especialmente da América Latina.

    O projeto foi adaptado para que as apresentações online e debates ofereçam uma experiência enriquecedora para o público e foi produzida de forma segura para artistas e técnicos, seguindo todos os protocolos de segurança de saúde para a gravação do espetáculo.

    Além das 5 apresentações abertas e das 10 apresentações fechadas para instituições parceiras, o projeto prevê debates posteriores às exibições do espetáculo - que se transformarão em uma série de podcasts - além de 11 Oficinas de Iniciação Teatral, direcionadas gratuitamente ao público que assistir ao espetáculo, que acontecerão de forma on-line, no decorrer de setembro e outubro.  

    Lembrando que 5 de todas as exibições online são gratuitas e abertas, e podem ser assistidas nas páginas do Espaço Cênico (03/09) e nas páginas dos parceiros Brasil de Fato Paraná (04/09), MST Nacional (05/09), Mães pela Diversidade (11/09) e Bicicletaria Cultural (12/09).  E para que o público interessado possa se programar e ser avisado na data e horário da exibição, é necessário o cadastro gratuito no link: https://bit.ly/32tW6Wn 

    Serviço:

    Exibições online, gratuitas e com tradução em Libras do espetáculo “Para Não Morrer”, seguidas de debate com o público. 

    Exibições GRATUITAS e abertas nos dias 03, 04, 05, 11 e 12 de setembro às 20h. 
    Inscrição online e gratuita via site: https://bit.ly/32tW6Wn  

    Também é possível assistir as exibições nas páginas:
    03/09: Espaço Cênico - https://www.facebook.com/espacocenicocuritiba/
    04/09: Jornal Brasil de Fato Paraná - https://www.facebook.com/BDFPR/
    05/09: MST Nacional - https://www.facebook.com/MovimentoSemTerra/
    11/09: Mães pela Diversidade - https://www.facebook.com/MaespelaDiversidade/
    12/09: Bicicletaria Cultural - https://www.facebook.com/bicicletariacultural/

    As exibições GRATUITAS e fechadas para parceiros acontecerão nos dias: 
    28/08 e 6, 7, 10, 12, 13, 14, 16, 18, 19/09.

  • Ciclo de leituras pela web repensa a arte no espaço público

    Ciclo de leituras pela web repensa a arte no espaço público

    Cisco da Arte no Olho da Rua: tensões entre espaço público e apropriação poética” é um evento de pesquisa ligado à Faculdade de Artes do Paraná (UNESPAR Curitiba II), no qual, durante oito semanas, serão realizados encontros de leitura de textos selecionados no intuito de contemplar conceitos basilares do pensamento sobre a relação arte-cidade, especialmente no que se refere à intervenção urbana em arte.

    O ciclo será realizado virtualmente entre 16 de setembro e 14 de novembro de 2020, sempre às quartas-feiras, das 10 às 12 horas (horário de Brasília), pela plataforma Jitsi.

    Os encontros ocorrerão através do aplicativo Jitsi e serão conduzidos por Diego Baffi (docente artes cênicas FAP/UNESPAR) e por Gabriela Bortolozzo (doutoranda geografia UFPR). Ambos são integrantes da quandonde intervenções urbanas em arte, sediada em Curitiba (PR).

    O evento é aberto a acadêmicos, artistas e curiosos no tema e espera atrair participantes do Brasil e de outros países de língua portuguesa, como Angola e Portugal. Por tratar-se de um evento de pesquisa, todos aqueles que se inscreverem com antecedência receberão comprovantes da carga horária em que participarem.

    Serviço:

    O que? Ciclo de leituras Cisco da Arte no Olho da Rua: tensões entre espaço público e apropriação poética

    Quando? 16 de setembro a 14 de novembro de 2020, às quartas-feiras das 10h às 12h.

    Onde? plataforma (online e gratuita) Jitsi

    Inscrições e outras informações em https://www.quandonde.com.br/ciclodeleituras

  • Ave Lola entra para Spotify com podcast sobre teatro

    Ave Lola entra para Spotify com podcast sobre teatro
    (Foto: Divulgação)

    Não tem espaço para a "síndrome de registro" no mundo virtual. Reza a lenda que as produções culturais curitibanas encontram um campo de força invisível ao chegar à cidade de Registo, na divisa do Paraná com São Paulo, o que impediria sua expansão para além das bordas locais.

    Isso não cola mais com a possibilidade de integrar plataformas digitais, o que a Trupe Ave Lola de Teatro tem feito. Nesta terça, 25 de agosto, eles estreiam nacionalmente a programação do Podcast Ave Lola na plataforma do Spotify. Com as portas do teatro fechadas desde março de 2020 devido a pandemia da Covid-19, essa foi mais uma das alternativas que a companhia paranaense encontrou para aproximar-se da sua audiência em tempos de distanciamento social. 

    “A Ave Lola sempre teve o desejo de ter uma rádio teatro em que a gente pudesse ler textos, fazer bate-papos sobres assuntos diversos. Acontece que o rádio dos dias de hoje é o podcast. É uma maneira acessível e democrática de disponibilizar conteúdos interessantes. Por isso, estamos imensamente felizes com essa nova empreitada”, explica a diretora da trupe Ana Rosa Genari Tezza. 

    O Episódio Zero do programa traz aos ouvintes, na voz dos integrantes da trupe, memórias relacionadas ao rádio, incluindo momentos históricos do rádio em Curitiba na década de 60/70 narrados pelo iluminador Beto Bruel e a atriz Regina Bastos. “A ideia é que a programação tenha um gostinho de rádio e porquê não um gostinho de teatro e que dialogue com universos distintos”, diz Ana Rosa Tezza. 

    O Podcast da Ave Lola contará com dois programas: o inaugural, que se chama Conversas na Coxia, e conta com a participação de cinco entrevistados que têm relação com a temática da sustentabilidade com foco na Amazônia, retomando um assunto que a Trupe Ave Lola já pesquisa através dos seus projetos artísticos.  Logo em seguida, será lançado os episódios do programa Boca de Cena, que em sua primeira temporada contará com leituras dramáticas de três contos do escritor russo Anton Tchekhov. 

    Os programas contarão com a sonoplastia dos músicos Breno Monte Serrat e Arthur de Lima Jaime além da participação das vozes dos atores e atrizes que integram a Trupe Ave Lola. A programação será veiculada semanalmente na terça-feira às 20h através da plataforma do Spotify.


    Serviço

    O que? Lançamento do Podcast Ave Lola

    Quando? 25 de agosto às 20h

    Onde? Podcast Ave Lola no Spotify

  • Livro traz memória de 800 peças de teatro curitibanas

    Livro traz memória de 800 peças de teatro curitibanas
    Seis artistas e pensadores das artes escreveram textos para o livro fotográfico. (Foto: Divulgação)

    No dia 23 de agosto de 2020, às 17h, acontece o lançamento online do livro digital Gesto Contínuo da fotógrafa e artista visual Elenize Dezgeniski. A live de lançamento acontecerá pelo youtube da artista (www.youtube.com.br/elenizedezgeniski) e contará com artistas que colaboraram com a construção do livro. 

    O livro Gesto Contínuo, com 256 páginas, edição da autora, foi elaborado a partir de um arquivo com mais de 800 peças teatrais fotografadas por Elenize Dezgeniski nos últimos 15 anos. Em uma narrativa não cronológica, a edição busca tornar visível os efeitos dos encontros entre as imagens, as companhias de teatro e os artistas, revelando relações possíveis entre tempo, memória e narrativa. 

    A publicação conta com textos dos dramaturgos Olga Nenevê, Sueli Araujo e Márcio Mattana, do ator, pesquisador de teatro e jornalista Fernando de Proença e das artistas visuais Milla Jung e Luana Navarro. O texto de apresentação é do crítico e jornalista Valmir Santos. Todos estes artistas estarão presentes na live para falar, de modo performático, sobre o processo de criação.

    Além das imagens de cena, o livro contempla imagens da Cena Expandida, que é como a autora chama os ensaios fotográficos construídos para divulgação e design gráfico dos espetáculos de que participa. Imagens que, normalmente, são construídas antes da estreia de um trabalho, mas completamente implicadas em sua dramaturgia.

    O livro foi elaborado num processo contínuo de quase dois anos de trabalho, e contou com a assistência de edição da artista Lidia Ueta e da cineasta Débora Zanatta e projeto gráfico de Adriana Alegria. Gesto Contínuo é um livro-peça (montagem), atento aos sentidos dos encontros e dedicado ao tempo presente. O livro físico está disponível para compra nas livrarias Chain, Vertov, Arte e Letra, Itiban, Joaquim e na Casa Quatro Ventos.

    Este projeto foi realizado com o apoio do Programa de Apoio e incentivo à Cultura - Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba, com incentivo de EBANX, Livrarias Curitiba e CEDIP e apoio de VIMO Vídeo Foto, Casa Quatro Ventos, SESI PR.

    SOBRE A AUTORA

    Elenize Dezgeniski é artista visual, fotógrafa e atriz. Os principais temas em seus trabalhos são a memória, a palavra, a afetividade e o corpo. Sua obra é apresentada em fotografias, vídeos, instalações, performances, práticas curatoriais, publicações e inserções em discursos/circuitos híbridos. É colaboradora em processos criativos de teatro e dança e provocadora cultural nas diversas linguagens da arte. Desde 2004 fotografa as cenas de teatro, música e dança de diversas companhias do País. Atuou como atriz no Grupo Obragem de Teatro e foi aluna do Núcleo de Estudos da Fotografia (NEF, Curitiba). Mestranda em Processos Artísticos Contemporâneos pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), bacharel em Interpretação Teatral pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP) com especialização em História da Arte Moderna e Contemporânea pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap).

    Textos 

    Olga Nenevê

    Márcio Mattana

    Sueli Araujo

    Luana Navarro

    Milla Jung

    Fernando de Proença   

    SERVIÇO

    Lançamento do livro digital Gesto Contínuo

    Dia 23 de agosto, 17h pelo Youtube

    www.youtube.com.br/elenizedezgeniski

  • Produtoras lançam QG para profissionais da arte

    Produtoras lançam QG para profissionais da arte
    (Foto: João Lima/Divulgação)

    A mais nova iniciativa de Curitiba no ramo artístico é o QG da Produção, aposta para criar uma comunidade virtual de profissionais que produzem arte e cultura no Brasil. O projeto é das produtoras curitibanas Laura Haddad e Michele Menezes e visa reunir e promover experiências e aprendizados para quem é do ramo da produção artística, artistas e interessados em produção cultural.

    “Eu já estava pensando em criar um projeto online, nas redes sociais, mas não sabia exatamente o quê. Sou uma pessoa criativa e realizadora, que gosta de projetos que promovam experiências e agreguem pessoas. Não me sinto uma autoridade, mas tenho conhecimento prático e posso contribuir e beneficiar as pessoas promovendo conexões, sendo um canal para compartilhar ideias e iniciativas. Um dia a Laura me ligou, me convidando pra pensarmos em um curso online. Era o start de que eu precisava! A Laura é uma super produtora que, além de toda a experiência prática, agrega a 'academia' que eu não tenho. Desliguei o telefone e pirei! Foi o início do QG”, conta Michele.

    Um QG é um lugar de base, de reunião, de encontro, onde as estratégias são pensadas e os resultados comemorados (ou discutidos). A proposta do canal é criar um ambiente onde a produção seja protagonista, um espaço onde se possa compartilhar e adquirir conhecimento, trocar ideias, divulgar iniciativas e tornar as práticas mais eficientes. 

    "Um aprendizado que estou tentando puxar nesse momento de pandemia é que os agentes culturais estejam mais unidos em pontos comuns. Parece uma contradição, mas o momento em que você está mais isolado é o momento em que você precisa estar mais ligado ao coletivo. Daí a importância da troca, da informação, do conhecimento para todos e todas de forma compartilhada. E as mídias digitais, mais do que nunca, estão aí para isso!", reforça Laura.

    “No início a gente vai produzir alguns conteúdos, mas a ideia é que haja troca, que a gente consiga construir uma comunidade e que possamos pesquisar e produzir materiais que atendam às necessidades de quem produz para arte e cultura”, complementa Menezes. 

    O QG conta com páginas no Instagram e Facebook e com canal no YouTube. Em breve o site estará no ar. 

    Quem são elas

    Laura Haddad é atriz, diretora e produtora cultural. É doutoranda em Artes Cênicas pela USP SP (2020), mestre em Artes Cênicas pela USP SP (2018), especialista em Gestão e Políticas Culturais pela Universidade de Girona - Espanha (2018), especialista em Arte e Cultura Espanhola pela Universidade de Salamanca - Espanha (2013), pós-Graduada em Concepção Cênica pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP) - (1998/incompleto) e graduada em Direito pela PUCPR (1996). Já atuou em mais de 80 produções culturais, trabalhando com grandes nomes da cena artística brasileira. De 2013 a 2019, foi docente da PUCPR nas disciplinas de Interpretação e Gestão Cultural no Curso Bacharelado em Teatro, Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Produção da Arte e Gestão da Cultura da PUCPR. É Professora responsável pelo curso oficial de Diretor de Produção do SATED PR.Realiza pesquisa sobre públicos em cultura e modelos de produção e gestão cultural na formação artística e política de artistas brasileiros. Proprietária da Duplo Produções Culturais, produtora curitibana com filial em São Paulo que faz elaboração, gestão, produção e administração de projetos culturais na área de teatro, dança, cinema, literatura e conteúdos culturais em plataformas digitais. 

    Michele Menezes é produtora cultural, publicitária (graduada na PUC PR em 2002) e especialista em Gestão Estratégica da Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela USP (2005). É sócia da Pró Cult, de Curitiba, criada em 2009, onde elabora, capta recursos, administra e produz projetos para diversas companhias de teatro e projetos culturais. Entre 2010 e 2013 foi parecerista técnica do Ministério da Cultura para projetos inscritos na Lei Rouanet. Em 20 anos de carreira produziu mais de 50 espetáculos teatrais. Produz regularmente a Súbita Companhia de Teatro e o Teatro de Breque. Idealizou e realiza a Mostra Novos Repertórios (desde 2007), a Mostra SESI Cena Criança (desde 2015) e a Espetacular – Mostra Internacional de Artes para Crianças (desde 2015), que integra a FIBRA (Rede de Festivais Internacionais para crianças do Brasil).

     

    Para conhecer, acesse: @qgdaproducao ou www.qgdaproducao.com.br (em breve).

     

  • O que faz um artista isolado

    O que faz um artista isolado
    O diretor Cícero Lira (esquerda) e o ator Thadeu Peronne. (Foto: Luiz Mourão)

    Thadeu Peronne me ligava quase todas as segundas-feiras, dia de reunião de pauta no caderno G. Foi dele um dos primeiros ensaios a que assisti, nos bastidores do Teatro Guaíra, ainda tomando conhecimento dos meandros das coxias. Tempo de tanto aprendizado!

    Hoje os atores se desdobram dentro de casa para gravar seus trabalhos e continuar vivos, e esse está bem vivo: comemora seus 30 anos de carreira com a estreia do monólogo "QUE ABSURDO!", escrito e dirigido pelo jornalista e produtor cultural Cicero Lira. As sessões serão transmitidas pelo Youtube de 7 a 30 de agosto, nos fins de semana. Existe uma taxa simbólica a ser paga para poder assistir.

    "QUE ABSURDO!" conta a história de um artista que está isolado e recebe uma visita inesperada. Durante esse encontro, ele faz revelações sobre seu passado e reavalia a carreira que está em crise. Perturbado por um pesadelo recorrente que o coloca sempre diante do caos, o personagem busca refúgio na arte para tentar se libertar e dar sentido a sua vida. 

    O diretor Cicero Lira explica que, por causa do isolamento social, os ensaios com o ator foram realizados virtualmente, assim como parte do processo de concepção artística e produção. “Estamos nos adaptando a essa nova realidade. Algumas produções virtuais como o teatro feito em casa já estão acontecendo. Estamos aprendendo com esse processo híbrido", conta.

    De acordo com Lira, o debate sobre o " fazer teatral” em tempos de pandemia é importante. “Não tenho dúvida que o teatro é a essência do lugar do encontro presencial entre público e atores, porém, o momento que estamos passando é único. Mas assim que tudo isso passar, voltaremos a encenar nos teatros. Para o ator Thadeu Peronne, a cena cultural está passando por um momento complexo, mas a arte resiste. "Alguns grupos de teatro no país e no exterior já estão propondo novos formatos. Apesar da crise que enfrentamos, tenho visto projetos bastante interessantes".

    Outros parceiros criativos da empreitada são a designer visual Miriam Fontoura, o compositor e musicólogo Harry Crowl e o cantor, compositor e percussionista Thiago Mocotó (irmão e integrante da Banda de Gabriel O Pensador). 

    SERVIÇO

    "QUE ABSURDO!"

    07 e 15 de agosto, às 21h

    As transmissões AO VIVO ocorrerão no Canal da CLProducoes Digital no Youtube

    Informações na página do evento:  http://www.sympla.com.br/event__909199 

    As vendas dos ingressos já estão abertas para a estreia e podem ser adquiridos pela plataforma Sympla com valores a partir de R$ 10,00 (meia-entrada) + TX de Serviços. Ba acessar o link para obter mais informações: 

  • Ônibus da cultura agora é virtual

    Ônibus da cultura agora é virtual
    Grupo Ladies Ensemble se apresenta no Ônibus da Cultura. (Foto: Divulgação)

    Já pensou em curtir o som de uma orquestra inteira no toque de uma tecla? É o que o público do Ônibus da Cultura (espaço itinerante de arte e cultura) e os alunos da Escola Municipal Miguel Krug, no Portão, estão descobrindo durante esta quarentena.

    Impedido de rodar pelos bairros da cidade, devido à pandemia, o Ônibus da Cultura, projeto coordenado por Lucia Casillo Malucelli, do Solar do Rosário, resolveu manter suas atrações pelos canais do Instagram e Youtube. Além disso, também estão acontecendo encontros semanais com turmas de Ensino Fundamental (5º ano), orientadas pelas professoras Raquel Mello, Claudia Aguiar e Josane Koehler. Os encontros acontecem por uma plataforma digital de videochamada, onde a conversa rola solta, e a turma troca informações, descobrindo um novo mundo de arte e música.

    Na primeira reunião, as crianças queriam saber sobre o funcionamento do Ônibus Museu e as atrações desse espaço, que traz exposições artísticas, moedas antigas e até uma gaveta arqueológica, com objetos dos povos que já habitaram Curitiba. Esta semana, os encontros entraram em um ciclo musical, em que a turma está descobrindo mais sobre o mundo dos instrumentos, como o violino e a viola. Para isso, contam com a preciosa ajuda de Clarice Miranda, professora de música do Solar do Rosário, Fabíola Bach Akel, diretora artística e fundadora da Ladies Ensemble, uma orquestra só de mulheres, e Oksana Meister, violinista da orquestra. No final do bate-papo, Fabíola e Oksana ainda deram uma “canja”, tocando trechos das trilhas dos filmes “Piratas do Caribe” e “A bela e a fera”, para delírio da garotada.

    Quando o quadro pandêmico estiver sob controle e a situação se regularizar, a ideia é que o Ônibus da Cultura volte à sua rotina original de funcionamento: dois veículos – o Ônibus Palco e o Ônibus Museu – que circulam pela cidade levando arte, história, música e entretenimento a escolas públicas, parques, Rua da Cidadania e praças de Curitiba. O projeto é viabilizado pela Lei de Incentivo a Cultura do Ministério da Cidadania e Secretaria Especial da Cultura, contando com o patrocínio das empresas Blount, Roca, Impextraco, Fertipar, Trutzschler e o apoio de Serra Verde Express, Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura Municipal de Curitiba, PUC-PR, Museu Paranaense e Governo do Estado do Paraná.

    Por enquanto, as apresentações se mantêm nas redes sociais, além dos encontros ao vivo e pré-agendados, por plataforma digital. As próximas videochamadas devem apresentar novos instrumentos musicais e as funções da soprano e do tenor, entre outros itens. As escolas interessadas em conhecer melhor o projeto podem entrar em contato diretamente com o Ônibus da Cultura, pelo e-mail projetos@solardorosario.com.br ou pelo Instagram @onibusdacultura.

     

    Serviço

    Ônibus da Cultura

    Site: https://www.onibusdacultura.com.br/

    Face e Instagram: @onibusdacultura

    Youtube: Solar do Rosário

  • Três dicas para acabar com a insônia

    Três dicas para acabar com a insônia

    A insônia está em alta neste período de pandemia. O número de pessoas que estão com problemas para dormir só aumenta. Os motivos para isso acontecer são diversos, ainda mais em um momento tão delicado de incertezas. A professora de Yoga Danieli Mangini conta que os distúrbios do sono podem ser controlados mesmo com a ansiedade à “flor da pele”. Danieli explica que trata há muitos anos de alunos que tiveram esses problemas, e que agora, devido à pandemia, quase 80% da demanda se refere à insônia e ansiedade.

    A professora revela que, em primeiro lugar, alguns cuidados são importantes na hora de dormir. “Evitar as telas de computador e celular é uma dica batida, mas sempre vale relembrar. Outro ponto importante são as bebidas que dão energia, como a cafeína e álcool. Cuidar da alimentação também é essencial. Por isso, evitar alimentos gordurosos como frituras e chocolates ajudam no processo. Para quem não sabe, a pimenta também acelera e ativa o metabolismo, o que pode prejudicar o sono”, explica.

    Danieli ressalta que, para atingir um sono de qualidade, é preciso seguir à risca algumas coisas. “Tenha uma alimentação equilibrada, beba infusões de camomila, capim, limão e hortelã. Faça o possível para dormir sempre no mesmo horário, e tente praticar exercícios físicos durante o dia, porque ajuda a regularizar o metabolismo e consequentemente o sono”, diz.

    A professora reforça que desenvolver o hábito de meditar antes de dormir, nem que seja por alguns minutos, ajuda a limpar e tranquilizar a mente de todas as emoções e acontecimentos do dia.

    Dicas de Ouro

    1ª Dica

    Antes de dormir, anote num papel tudo que você precisa fazer no dia seguinte, o que evita ansiedade e esquecimentos.

    2ª Dica

    Respiração Chandra ou respiração lunar.

    Você deve colocar o dedo índice entre as sobrancelhas (terceiro olho) e o dedo polegar na fossa nasal direita, retendo o ar. Respire somente pela fossa nasal esquerda veja o vídeo para entender melhor.

    3ª Dica

     Fazer a postura do yoga Viparita Karani , essa postura ajuda na circulação sanguínea, ativa a glândula tireoide, alivia estresse e ansiedade.

     Não é aconselhável para as  mulheres que estejam no período menstrual ficar nessa postura por mais de 3 minutos porque o fluxo sanguíneo aumenta consideravelmente.

    Se você sofre de problemas lombares, é aconselhável colocar uma manta / toalha ou almofada pequena embaixo  das lombares, conforme a foto abaixo.

    Para mais detalhes, acesse:

    Artedemudar.com

    Área de anexos

  • Festival online faz manifesto de artistas do PR

    Festival online faz manifesto de artistas do PR
    (Foto: Carlos Salles)

    Nasce um novo espaço para exaltar o poder transformador da cultura e levar sanidade às pessoas isoladas devido a pandemia. Artistas do Paraná se unem para a primeira edição do Contratempo Festival, um evento online, com mais de 100 ações ao vivo durante 12 horas consecutivas. As transmissões serão entre 9h e 21h de terça-feira, dia 23 de junho, no canal do Instagram das/dos artistas.

    Contratempo Festival traz a multiplicidade e versatilidade do setor cultural: música, teatro, cinema, circo, literatura, performances, dança, artes plásticas, fotografia, juntas em um só evento. A cada hora, apresentações exclusivas que prometem surpreender as espectadoras e espectadores. Serão oito artistas solo, companhias e/ou bandas por hora. Karol Conka, Alexandre Nero, Fabíula Nascimento (única que será no twitter porque seus perfis foram ocupados por pessoas negras em junho), A Banda Mais Bonita da Cidade, Ave Lola, Baque Mulher, Mandicuera, Mulamba, Cia dos Palhaços, Letícia Sabatella, Janine Mathias, Dow Raiz, Fotofolia, Rimon Guimarães, Slam das Gurias CWB, Caburé Canela, De um filho, de um cego, Abacate Contemporâneo, Luís Melo, Katiuscia Canoro e cia brasileira de teatro, entre outros, outras e outres movimentam a terça-feira do Paraná.

    Mais que apresentações, o evento é um manifesto, um pedido de socorro da classe artística, uma das primeiras a parar e que não tem previsão de retorno presencial. Ao contrário de outros estados do Brasil, que logo no início da pandemia publicaram editais de auxílio emergencial ao setor, o Governo do Paraná segue sem ações efetivas. O tímido pacote de medidas de “apoio e fortalecimento do setor cultural”, anunciado para maio, ainda não aconteceu, e quando questionada sobre recursos para o Fundo Estadual de Cultura, a Superintendente de Cultura, Luciana Casagrande Pereira, comenta sobre a esperança na aprovação da Lei Aldir Blanc como único plano do Estado. A lei aguarda a sanção presidente até dia 1º de julho.

    A previsão desse recurso realmente chegar às trabalhadoras e trabalhadores da cultura é tardia para a situação de emergência que a classe enfrenta, e os artistas cobram uma resposta mais efetiva. Enquanto isso, a cadeia produtiva da economia criativa se vira da forma que dá, iniciativas como Salve a Graxa e Cultura Salva arrecadam cestas básicas e distribuem aos profissionais mais afetados pelo coronavírus. 

    A Coragem - Rede de Profissionais da Música de Curitiba, articuladora do Contratempo Festival, ressalta que a classe artística rapidamente atendeu as determinações da OMS e segue apoiando a permanência do fechamento dos espaços culturais, por entender que o isolamento social é fundamental para atravessar este momento. Porém, diante da impossibilidade de continuar exercendo suas atividades profissionais, o setor necessita de medidas compatíveis com a situação emergencial que atinge todos os trabalhadores paranaenses da cultura. O Coletivo também está participando de conversas com a prefeitura de Curitiba, onde um grupo de trabalho está sendo criado para encaminhar ações concretas de apoio. 

    SERVIÇO
    Contratempo Festival
    data: 23 de junho, terça-feira.
    horário: 9h às 21h
    evento: https://www.facebook.com/events/662667810955583/
    local: conta do Instagram de cada artista.

  • E os artistas, como ficam?

    E os artistas, como ficam?
    (Foto: Cayo Vieira)

    O fato é que o mundo está transformado pela tecnologia. Nesse período de pandemia, as empresas, e, principalmente, as pessoas tiveram que mudar seus hábitos, comportamentos, atitudes e a forma de viver. O planeta exigiu de todos nós uma grande adaptação.

    Para as instituições, há mudanças em todos os processos, em que a tecnologia, se não era usada antes, tornou-se essencial para a sobrevivência do negócio. Para as escolas, ocorreu uma adequação do processo educacional. Para os trabalhadores, a incorporação do sistema de trabalho home office somado ao aprendizado de novas ferramentas tecnológicas.

    E alguém pensou nas artes? A produção artística também está sendo ajustada. Rapidamente, artistas e público tiveram que se instrumentalizar e familiarizar com todos os aparatos tecnológicos. Já havia uma forte tendência ao compartilhamento digital dos produtos artísticos e culturais, e a pandemia veio para acelerar esse movimento.

    Mercado Cultural em meio à crise

    O mercado cultural foi um dos segmentos mais afetados pela pandemia, já que muitas vezes, precisa de um grande número de pessoas para acontecer. Desde teatros, escolas de artes, centros culturais, casas de eventos, bares, circos, cinemas entre outros. O mundo da cultura e do entretenimento presencial está parado, as portas foram fechadas em março e ainda sem previsão de volta. Além desses espaços, as grandes mostras, festivais, shows, feiras e eventos foram todos adiados ou cancelados. Alguns conseguiram propor ações em formatos de webinar, lives, vídeos nas redes sociais e na internet, porém nem todos conseguiram migrar para esses ambientes.

    É preciso também considerar que a arte movimenta a economia e gera empregos. Dados apresentados pelo Mapa Tributário da Economia Criativa, realizado pelo Ministério da Cultura, apontam que o valor movimentado pelo segmento de negócios que se originam de produtos ou serviços ligados a cultura, tecnologia e inovaçã— a chamada economia criativa — já supera as receitas com serviços de telecomunicações em todo o mundo. No ano de 2019, foram gerados em torno de 30 milhões de empregos e movimentados cerca de US$ 2,5 bilhões, valor que corresponde a 3% de todas as riquezas produzidas no mundo no período.

     

    No Paraná, grandes festivais foram cancelados, como a Mostra Paranaense de Dança realizada pela ABABTG, entre outros eventos e shows. Em Santa Catarina, o Festival de Dança de Joinville adiou as atividades para o segundo semestre de 2020, mas ainda sem data definida. Até mesmo a Broadway parou, o que é um marco histórico.

     

    Cenário das Mostras

     

    Para Jorge Schneider, bailarino e diretor da ABABTG, o cenário é delicado para toda a cadeia produtiva artística. Por trás de qualquer espetáculo, concerto, show, festival etc., há uma equipe enorme de profissionais seriamente impactada pela atual situação, para os quais, as alternativas digitais não acolhem. “Estamos com todos os projetos suspensos. Agora, entre maio e junho aconteceria a Mostra Paranaense de Dança, que há 12 anos reúne mais de 2.000 artistas, em geral jovens estudantes da dança de todo o Estado, em uma agenda extensa de atividades que culminam em espetáculos no grande auditório do Teatro Guaíra. Pensamos em uma versão digital, mas não encontramos um modelo que pudesse satisfazer às expectativas destes jovens artistas, dos profissionais colaboradores e do público que sempre participam”, conta.

     

    A bailarina e também coordenadora de projetos da ABABTG, Simone Bönisch, reforça que a arte é troca, encontro e relação. A tecnologia é uma grande aliada sendo o meio mais eficiente - senãúnico, que temos para a arte alcançar as pessoas hoje. É certo que quando tudo passar, ela permanecerá fortemente presente e nenhum artista poderá ignorá-la. Mas, acredito ser consenso que nada substitui a experiência presencial. A medida que as pessoas sentirem-se seguras, haverá um movimento de resgate dos meios “convencionais" de se vivenciar os eventos artísticos, sobretudo os cênicos”, comenta.

     

    E encerra com um questionamento: Tem como a arte, enquanto agente humanizador, em tempos de distanciamento social e tecnologias digitais, transcender a interface da tela?

     

    ABABTG – A atual Associação Brasileira de Apoiadores Beneméritos do Teatro Guaíra foi fundada há 12 anos, na cidade de Curitiba. Na época denominada Associação de Bailarinos e Apoiadores do Balé Teatro Guaíra, ela surgiu com o propósito de fortalecer a dança e demais artes motivando uma ligação sinérgica entre os setores público e privado. Durante esse período foram realizados diversos projetos culturais, com repercussão local, nacional e internacional, que promoveram ações de formação, atualização, divulgação, fomento e democratização das artes em suas diversas linguagens. A atual nomenclatura foi assumida recentemente, para adaptar-se aos novos níveis de atividades operacionais e aos novos mercados de atuação da ABABTG. 

  • Tentativa de explicar home office com filhos às solteiras

    Tentativa de explicar home office com filhos às solteiras

    Muitas amigas solteiras ou sem filho dizem que não imaginam como seja o home office com criança pequena em casa. Vou tentar passar uma ideia resumida:

     

    7h - Alvorada. O duro de acordar com alguém chamando é que você começa o dia devendo.

    7h02 - Se você conseguiu trazer a criança pra sua cama, pode tentar se recompor, mas o mais comum é que ela queira o café da manhã. Abra seu manual na página “Alimentação saudável na primeira dentição” e se jogue. Não existe café quente.

    8h - Se você está em home office, volte 3 casas, respire e tente negociar para que respeitem a porta fechada. Faça pausas de 10 minutos para que eles sintam sua presença recorrente.

    12h - Desconstrua suas expectativas. Eles não vão comer tudo que você sonhou.

    14h - Tente aglomerar o período de televisão em um momento só. Se eles gostarem de algum desenho educativo, parabéns. Caso contrário, tente o menos pior. Aqui calhou: “Dino Train” e “Storybots”. A sorte é que criança não se incomoda com repetição, pelo contrário. Estou há 2 semanas tentando assistir aos live actions da Disney, mas eles querem sempre os mesmos.

    15h - Lanchinho. Cuidado, que essa é a perdição da balança (para você).

    16h - Algumas crianças ficam na porta pedindo para sair, outras só saem arrastadas. A dica é proporcionar um período de ar livre por dia.

    18h- Banho tem que ser bem longo, pra ocupar o final da tarde. Experimente uma piscinha que caiba no box, lápis pra box. Se for inverno em Curitiba, só lamento.

    PS - Mudanças de rotina geram o caos, mesmo que sejam para melhor. 

    PS2 - Estamos juntas nessa! 

  • Alguém aí está ansioso?

    Alguém aí está ansioso?

    Como está sua ansiedade neste período de quarentena? O momento é turbulento para todos, e muitas pessoas estão sofrendo com essa situação que deixa o mundo instável e cheios de novos desafios. A ansiedade se torna a grande vilã. Muitos conseguem não se deixar levar, já outros desenvolvem sintomas que podem chegar até mesmo a uma crise de pânico. Como você está lidando?

    A blogueira do canal no youtube “A Arte de Mudar” e também professora de Yoga na Espanha Danieli Mangini revela que agora é a hora de colocar todas as práticas de pensamentos positivos no dia a dia. “Estamos todos no mesmo barco, não sabemos o que será do futuro, emprego, saúde, governo, enfim são muitas coisas que deixam a gente com a ansiedade lá em cima. Por isso, não adianta deixar o desespero tomar conta, é um momento de reflexão e autoconhecimento”, analisa.

    O que podemos fazer para ajudar a ansiedade a diminuir?

    Para Danieli o grande segredo está na disciplina diária de fazer coisas que ajudam o estresse a ser liberado. “Você precisa achar coisas que te façam bem. E todos os dias repetir essas práticas. Seja um exercício físico, leitura de um bom livro, um momento de oração, aula de yoga, meditação e muitas outras coisas”, pontua.

    No canal “A Arte de Mudar”, a professora ensina técnicas de yoga e meditação, e também vários conteúdos sobre respiração e bem-estar. “A respiração faz toda a diferença. A gente não sabe respirar não sabemos usar a nosso favor, e uma boa respiração muda tudo. Em pouco tempo a postura, consciência corporal e a qualidade de vida se transformam”, conta.

    Telegram “Sementes do Caminho”

    Danieli Mangini se uniu com um grupo de profissionais espalhados pelo mundo que uniram forças e criaram o movimento “Sementes do Caminho”, trazendo reflexões de diversas áreas como - yoga, meditação, conto terapia, constelação sistêmica, musicoterapia e muitas outras especialidades. A ideia do projeto é gratuitamente oferecer para o maior número de pessoas materiais de qualidade sobre como lidar com amor e equilíbrio nesse período de coronavírus.

    Acesse:

    https://www.youtube.com/channel/UCWK0rMslRO_BapYU1qcwFEQ

    http://artedemudar.com/

  • Eu imigrante

    Eu imigrante
    (Foto: Bruno Mancuso)

    Ser imigrante são sabores novos, gente diferente, talvez amigos. Experiências que podem ser enriquecedoras, mas também desencontros.

    Num sábado de sol, saí da rotina para um sofá ao ar livre feito de bambu, onde calmamente um diretor de teatro contava suas visões.

    Era um ensaio da peça “Terra Nova”, que agora já estreou e fica até 15 de março no Novelas Curitibanas - Teatro Claudete Pereira Jorge.

    Assistir a um trabalho em formação te coloca na posição de público especial, privilegiado, e é preciso manter uma certa pose, sobretudo preparar-se para tudo. À acompanhante, avisei: “Não sei o que farão. Pode ser que fiquem pelados.” Ela não se abalou: “Por isso trouxe um casaco.”

    (Obrigada por dividir esse momento, Ana, e por todos os chás que têm nos fortalecido.)

    Ali na improvisada primeira fila recebemos a proposta de Don Correa para o teatro de hoje. Cai a “quarta parede” (aquela que, num espetáculo tradicional, separa o público dos atores), e entra uma ponte do palco ao espectador, que se vê requisitado/amado/encurralado, solicitado a participar. 

    Senão com respostas propriamente ditas, ao menos com um olhar ativo. Talvez canse um pouco. 

    Edith Camargo e Abed Tokmaji falam em seus idiomas em alguns momentos, mas também incursionam à vontade pelo português. Eles se fazem um pouco nossos ao surpreenderem-se com coisas banais que nunca teríamos levado a um palco. E nos brindam com suas vivências emocionantes, em outra terra, com outros temores. Você não sei um expert na vida deles, mas certamente enxerga insights para aquilo que realmente importa.

    Em minhas três experiências como imigrante (privilegiada, é preciso dizer), percebo que a alma pode se conhecer por estar nesse novo lugar. Mas também pode morrer aos poucos.

    (Linea 98 Dayse pastasciutta Piazza dell´Unità Roland Barthes Umberto Eco l´università di Bologna mármore terracotta motorini telefonini gelato)

    Serviço

    Espetáculo “Terra Nova”

    Quinta a domingo, às 20h. Até 15 de março.

    Entrada franca, com ingressos distribuídos uma hora antes do início do espetáculo.

    Teatro Novelas Curitibanas - Claudete Pereira Jorge | Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1.222, São Francisco - Curitiba/PR. CEP 80510-040.

    Classificação indicativa: 14 anos.

     

  • Irmão vai ao museu

    Irmão vai ao museu

    Mãe é assim: fez uma coisa pra um, tem que fazer pro outro. Esse último, no caso, pode nem saber do que se trata, mas esperneará até a morte se preciso for para obter a mesma regalia.

    Em alguns casos ele nem quer tanto, mas mãe justa, justíssima é aquela que dá igual pros dois.

    Por isso essa crônica. Catarina ganhou uma quando conheceu Chaplin. Já faz meio ano. O senso de justiça - ou seria de culpa? - exige outra para o Ivan que traga a balança ao meio novamente.

    Tempos de extrema isonomia, nem que o outro não queira.

    Pois então foi o Ivan ao museu ver a aranha de Louise Bourgeois. Ficou com um pouco de medo, quis ficar só 30 segundos. E agora?, pensei. “Tempos Modernos” tem 137 minutos.

    Anyway, cumpri minha parte, vamos correr na rampa (nessa parte ele não queria mais ir embora).

    Quantas coisas será que não passam pela nossa vida nesse esquema de obrigação?

    Mas se a crônica é do Ivan, e a da Catarina teve 27 linhas, sigamos.

    Ele visitou um pouco mais animado o parque da Barreirinha, alguém já foi? Um pouco escondido no caminho para Almirante Tamandaré.

    Pois entrou e teve uma epifania, o lindinho. “O mundo inteiro é um ‘relógico’!” Havia pássaros ao ar livre, por isso a comparação com um zoológico… Talvez piá de prédio seja só uma condição de espírito, não tanto de espaço. Oremos.

     

  • Uma explosão de humanidade

    Uma explosão de humanidade
    (Foto: Luisa Bonin/Divulgação)

    O teatro encanta e convida para o jogo, mas muitas vezes ele quer ensinar também. E hoje temos muito a dizer, pois foi-se o tempo de sutilezas e sombras, por mais que queiram nos silenciar.

    A proposta de “Bem-vindos à espécie humana” inova ao resgatar de forma crua teorias a respeito de como o homem se tornou esse ser que está aí. Inteligente, sabido. Tão hábil com instrumentos, criador de todas as coisas (que se possa comprar). Um tiquinho destrutivo, ou quem sabe geneticamente assim. Cruel, crudelíssimo, único a torturar seu semelhante.

    O espetáculo da companhia brasileira faz um resgate da história da arte como criação suprema (por vezes suprimida) desse ser, num insano carrossel de imagem e fala a rodar, mas que não chega a lançar num globo da morte. Não destrói como faz com tanta habilidade o protagonista da história. A agressividade crescente em cena não chega a assustar, pois não é capaz de ir até o fim e destruir, por exemplo, a árvore. Uma desbastada, e chega, vamo-nos daqui. Quem sabe um tiquinho de esperança ali?

    Os olhos que procuram a plateia falam mais que mil palavras, e a curta duração do espetáculo nos faz soltar a respiração antes do esperado.

    De acordo com o programa, parte-se de uma ideia original de Benoit Lambert, com texto e tradução de Giovana Soar, direção de Nadja Naira e supervisão de Marcio Abreu.

    No elenco, Giovana e Cassia Damasceno criam um espelho de personagens com gestual que flerta com a contação de histórias e o teatro de objetos, em ironias explícitas e cômicas. Aqui o panfleto: Coca-cola, Disney, capitalismo, dinheiro, estão todos lá.

    Seria essa uma tentativa de entender a espécie humana, como se diz no início? Ou uma intenção de afronta àqueles que insistem em crer em um Deus único e amoroso, salvador, sofredor, servidor, resgatador e amigo? Custo a crer na segunda opção, pois para isso temos produtos de massa como “Porta dos Fundos”, e todos aqueles que caem na provocação inócua.

    Não, aqui se dialoga com iguais, e parênteses: que plateia maravilhosa. Volto ao teatro Novelas Curitibanas, agora devidamente chamado Claudete Pereira Jorge, e ele não só resiste como enche a casa. O público mudou. Se antes o estacionamento ficava repleto, ainda mais em dia de chuva, agora quem vai utiliza outros modais, pois sobram vagas para encaixar o carro. Não resisto à tentação de responder à senhora ao meu lado que se surpreende com um teatro tão bacana ao qual ela nunca havia ido. “Aqui nem sempre foi teatro.”

    Não é a primeira vez em que me encontro com uma cosmovisão diferente da minha, aliás difícil é que coincidam. Sofro só um pouquinho, pois minha experiência de crer, falar e ser ouvida não rende uma ópera, ou ainda não rendeu. No palco, a outra versão. Nada de fôlego da vida, só o acaso duro e nu.

    Aqui tenho a palavra? Bom… digo apenas que a vida pode ser melhor quando é criada.

    A arte se exige política, ok, mas ai daqueles panfletos que se atira à plateia, pois ali morre um pouco o jogo. Talvez seja um tempo de palestras mesmo.

     

  • Tupipererê completa 10 anos e avisa: me recuso a crescer!

    Tupipererê completa 10 anos e avisa: me recuso a crescer!
    (Foto: Divulgação)

    Com frequência os espetáculos infantis usam a expressão “para todas as idades”. O difícil é cumprir com essa promessa, entregando um momento em que crianças e pais aproveitem igualmente.

    Pois em seu “Tumbalelê”, show que marca os 10 anos de grupo, o Tupi Pererê mostra como alcançou as famílias por completo nessa década, arrastando um fã-clube atrás de si e com direito a cartaz na plateia em homenagem ao fundador, Guga Cidral. 

    Na voz desse condutor e cantor, a apresentação parece mesmo voltada primeiro aos pais ou cuidadores. Em diversos momentos, ele exalta a infância dirigindo-se aos adultos, com o discurso apaixonado de quem fez uma opção na vida.

    “Tumbalelê” traz muitas referências da cultura brasileira de ontem e de hoje, desde a mitologia indígena e personagens do folclore, canções tradicionais das melhores, passando por músicas de Gilberto Gil, Chico Buarque, Secos e Molhados, entre outros, até delicadas narrativas populares e poemas de nomes que precisam ser apresentados à nova geração, como Helena Kolody. Também não faltam os sucessos autorais do Tupi Pererê.

    Outras culturas também são celebradas, em canções e narrativas, que formam um excelente prólogo ao show.

    O encantamento vem em luzes, figurinos, surpresas, mas nunca numa atitude que apequena a criança ou nega à infância sua força. A persona de Cidral, essa que conquistou legião de fãs em mais de uma década e formou uma equipe também comprometida com a diversão infantil de qualidade, é sempre a mesma: feita de uma atitude quase displicente e repleta de improviso. Em um dos melhores momentos, ele brinca com a reverência do ator diante do palco sagrado, ao representar um velho contador de história.

    A sintonia com os músicos e a parceira de palco Raquel Stapassoli dá a liga para unir um conteúdo tão variado. Outro destaque é o trompetista Fabinho de Souza, que arrasa em suas performances. 

    O show de encerramento foi realizado dia 20 de outubro, no Teatro Paiol, em Curitiba.

    Para ficar no chavão, que venham mais 10! Mas que os fãs mirins, enquanto crescem, consigam se conectar sempre com o grupo e abraçar o amor à cultura que ele prega. 



  • Livros e narrativas com acesso democrático

    Livros e narrativas com acesso democrático
    (Foto: Jordana Ferri)

    De 9 a 11 de outubro, sete municípios paranaenses receberão simultaneamente o Festival de Narração de História. O evento faz parte do Cotidiano Leitor, projeto que visa promover a democratização do acesso ao livro, estimular o interesse por narrativas literárias e formar uma sociedade leitora. O objetivo é somar às ações de fomento à leitura já existentes em cada região.

    Durante o dia, as ações acontecem em Almirante Tamandaré, Araucária, Curitiba, Fazenda Rio Grande, Pinhais, Piraquara e São José dos Pinhais. Para cada município serão disponibilizados narradores de histórias que atuarão de quarta a sexta-feira, das 9h às 17h. E todas as noites, a partir das 19h30, a programação é em Curitiba, no auditório da Biblioteca Pública do Paraná, com apresentações gratuitas e abertas ao público.

    Os participantes do Festival Nacional de Narração de Histórias terão a oportunidade de estar em contato com artistas de diferentes partes do Brasil e do Paraná para um intercâmbio cultural sobre a arte da narração. As apresentações misturam música, dança, teatro e diferentes linguagens para contar histórias que encantam o público de todas as idades.

    No município de Curitiba, as narradoras de histórias Ciliane Vendruscolo e Moira Albuquerque estarão, juntamente com artistas convidados, nas diversas Casas de Leitura da cidade para uma sequência de narrações de histórias. As ações são gratuitas e abertas para o público de todas as idades.

     

    Sobre o projeto Cotidiano Leitor

    As proposições do projeto englobam ações de contação de histórias, mediação de leitura, eventos literários, incentivo à produção literária, fomento à cadeia produtiva do livro, formação continuada para professores e gestores participantes com escritores de relevância nacional e internacional.

    Os objetivos do Projeto Cotidiano Leitor partiram das diretrizes do Plano Estadual do Livro, Leitura e Literatura (PELLL). Trata-se de uma política pública de promoção da leitura, que já beneficiou mais de 33 mil pessoas de junho a setembro de 2019. A realização é da Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura e da empresa Audi do Brasil, por meio do programa Paraná Competitivo. Tem produção executiva do Instituto Dom Miguel e conta com o apoio e suporte das secretarias municipais da cultura, educação e assistência social.

    Serviço
    Festival de Narração de Histórias 
    Dias: 
    9, 10 e 11 de outubro de 2019
    Horário: 19h30 
    Local: auditório da Biblioteca Pública do Paraná

     

    Ações nas Casas de Leitura

    09 de outubro, quarta-feira

    Horário: 09h

    Local: Casa da Leitura Wilson Martins

     

    Horário: das 14h às 17h

    Local: Casa da Leitura Miguel de Cervantes

     

    Horário: 14h30

    Local: Casa da Leitura Nair de Macedo

     

    Horário: 16h

    Local: Casa da Leitura Hilda Hilst

     

    Horário: 16h30

    Local: Casa da Leitura Manoel Carlos Karam

     

    10 de outubro, quinta-feira

    Horário: 09h30

    Local: Casa da Leitura Wilson Martins

     

    Horário: das 09h às 16h

    Local: Casa da Leitura Laura Santos

     

    Horário: 14h

    Local: Casa da Leitura Wilson Bueno

     

    Horário: 14h

    Local: Casa da Leitura Walmor Marcellino

     

    11 de outubro, sexta-feira

    Horário: 14h

    Local: Casa da Leitura Osman Lins

     

    Programação completa em www.cultura.pr.gov.br

  • Grupo Galpão usa domínio de voz, corpo e luz para falar da polifonia dissonante em "Outros"

    Grupo Galpão usa domínio de voz, corpo e luz para falar da polifonia dissonante em "Outros"
    (Foto: Elenize Dezgeniski)

    Este post traz a estreia de Rafaela Tavares na crítica teatral. Gênero literário super "pop" no século 19 e início do século 20, a crítica passou por muitas transformações e hoje é feita só por corajosos. Opinar hoje em dia pode ser delicado, quando palavras são setas afiadas que podem bater nos muros da incompreensão. Mas ainda há quem se aventure em coisas novas. Então, vamos à crítica de "Outros", por Rafaela Tavares!

    A música introduz e encerra o espetáculo "Outros", apresentado no domingo (6) no Teatro Guaíra, em Curitiba, finalizando a turnê sul do Grupo Galpão de Belo Horizonte. É no canto e na instrumentalização melódica que a polifonia dos dez atores sobre o palco traduz melhor uma noção de alteridade. Nos números musicais, é perceptível a interdependência entre o "eu" e o "outro". Eles se complementam. Versos encontram respostas e aceitação. 

    Segunda montagem do Grupo Galpão dirigida por Márcio Abreu como uma sucessora à peça "Nós", o espetáculo utiliza as linguagens teatrais para falar sobre as inquietações contemporâneas. As preocupações políticas, como questões de gênero, por exemplo, estão evidentes nos versos cantados. São levantadas e recebidas nas trocas verbais entre os atores e atrizes. 

    Há, porém, um contraste entre essa comunicação harmoniosa das cenas cantadas e os diálogos cheios de ruído dos atos não musicais. Os personagens ainda buscam ao outro quando disparam reflexões sobre memória, envelhecimento, morte, incômodos, passado, agora e futuro.

    As frases são jogadas ao ar e só não se desmancham por encontrar absorção no público. As múltiplas inquietações manifestadas pelos personagens são ora ignoradas por seus interlocutores em cena, ora tratadas como réplicas que revelam um desentendimento.

    A pluralidade de ideias, medos líquidos, memórias dissonantes reflete uma diversidade atual, também extravasada na peça nos desencaixes dos diálogos. É difícil não associar a confusão entre os personagens às discordâncias e incompreensões do mundo de hoje, que não raro beiram ou resultam em conflito.

    No espetáculo, os outros não são só aqueles com quem se conversa em uma procura - geralmente frustrada - de complacência, eles são também o assunto das conversas, são corpos tocados em valsas cujos passos são ditados por uma terceira pessoa, como se para destacar uma sociedade desorientada que se debruça em uma necessidade de instruções.

    Há uma ânsia pelo outro reconhecível nos movimentos dos atores e atrizes quando contracenam com colegas de palco. Essa fome de contato físico traz uma contradição em relação ao individualismo presente na dessimetria de ideias nos diálogos, um paradoxo que também evoca a dicotomia entre carência e egocentrismo que gera tantas angústias na contemporaneidade. A busca pelo toque atinge o ápice no clímax do espetáculo, quando os corpos dos intérpretes se unem e se confundem, para no fim se afastarem com um leve estranhamento.

    Se a palavra é matéria-prima para o grupo ativo desde 1982 abordar a instabilidade atual, ela não é a única linguagem dominada pelos atores, atrizes e diretor. O movimento dos atores combinados com a iluminação comprovam esse domínio. O trabalho e corpo e a luz criam um caos controlado no palco capaz de atordoar sobretudo quando mostra repetições, uma forma de abordar o momento de transição em que vivemos, no qual reprisamos estruturas e pensamentos com quais talvez devíamos romper, porém aos quais não desapegamos e passamos a patinar no mesmo lugar. O espetáculo "Outros" não é panfletário, mas suas linhas e entrelinhas falam do hoje de forma política.

    É interessante que apenas na música haja um acordo entre personagens. Dificilmente se trata de uma coincidência. A mensagem que ressoa ao fim da montagem é que somente na arte a sociedade encontra ecos e resposta para as suas inquietações. Basta se permitir parar para performar ou ouvir.

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