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Como se faz uma inclusão eficaz na escola?

Professora e aluna em sala de aula leem um livro

A pedagoga do Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (CERNE) Grazielle Tavares lamenta que, muitas vezes, as escolas não consigam buscar um modo diferente de ensinar. E é nesse momento que a clínica entra, para auxiliar na adaptação e oferecer maneiras diferentes de ensinar e socializar.

No CERNE, as crianças com idade escolar e transtorno do espectro autista frequentam a escola. Um caso positivo, em que escola e clínica vêm cooperando, é o de Vicenzzo, de 6 anos, que está sendo alfabetizado. “O CERNE orientou a escola a não usar o método analítico, ou seja, aquele que parte do todo para a parte (dos textos, das frases, das palavras para as unidades menores da língua, letras e sons), e sim o método fônico, com ênfase na associação entre fonemas e grafemas, ou seja, entre sons e letras”, conta a pedagoga Grazielle. O bacana é que as professoras da escola visitaram a clínica e vice-versa, todos buscando o melhor interesse do garoto, que é atendido também por psicólogo, terapeuta ocupacional e musicoterapeuta.

A mãe, a conselheira tutelar Danyelle Rodrigues, conta que precisou trocar de escola duas vezes em busca do acolhimento desejado para o garoto. “Na escola anterior, percebia que a maneira como lidavam com as situações era inadequada”, conta. Já na Escola Adventista Vista Alegre houve a abertura desde o início para que uma professora auxiliar acompanhasse seu filho.

Outra adaptação realizada foi o uso de materiais próprios para o garoto. Quando é preciso, eles são afixados ao livro.  A escola também consegue identificar momentos em que o menino precisa sair da sala para manter seu bom desempenho. Nessas ocasiões, ele é levado para outra atividade, como pesquisar na biblioteca – o que ele adora. “Ele teve a fase dos dinossauros, depois o fundo do mar e agora gosta de livros, como a história de Davi contra Golias e os monstros”, conta a mãe.

Videoaulas

Outro caso de muita cooperação entre o CERNE e a escola é o de João Arthur Kaminski Oliveira, de 17 anos. Desde cedo, ele tem tido bons resultados no ambiente escolar, graças ao acompanhamento da família e dos terapeutas.

Paciente com Síndrome de Joubert, sua limitação é visual, e não cognitiva. “Ele sempre acompanhou muito bem todas as disciplinas, e nas atividades de esporte participa dentro de suas possibilidades”, conta a mãe, Elisabete Kaminski. Estudante do 1º ano do Ensino Médio no Colégio Nossa Senhora Medianeira, João tem usado áudios e adaptações táteis, além do ábaco japonês (Soroban). Na escola, foram feitas uma tabela periódica e um sistema circulatório táteis, material adaptado que depois pode ser útil para jovens com outras patologias.

“A capacidade dele pode até ser maior que a dos colegas, como é o caso no estudo de história”, diz a mãe. “Ele estuda muito com videoaulas e às vezes vai para a prova sabendo mais do que o conteúdo pedido, e até questiona o professor.”
 

Desde a chegada da Lei Brasileira de Inclusão (Estatuto da Pessoa com Deficiência), a própria escola fornece o profissional de apoio pedagógico, com uma equipe composta por psicólogos e pedagogos. A supervisora do centro de inclusão do Medianeira, Karolina Marianni Vargas, explica que a chegada do Estatuto da Pessoa com Deficiência ajudou a criar diretrizes para o trabalho. “Todos precisam ser incluídos dentro de suas necessidades, não podemos ter um olhar apenas para a dimensão acadêmica, mas também para a socioemocional, enfim para a formação integral”, salienta. O Medianeira tem matriculados 140 alunos com algum diagnóstico que requer cuidados, e 29 são acompanhados por um dos 11 profissionais de apoio.

“No caso do João, usamos materiais concretos e provas orais. Por sugestão da professora de biologia, um grupo de colegas fez áudios com o conteúdo que iria cair na prova e passou para ele”, exemplifica Karolina.

Outro desafio é ajudar os pais a aceitarem o ritmo diferente de aprendizado do filho, e entender que, algumas vezes, é necessária a professora de apoio. “Qualquer pessoa pode precisar de auxílio ao longo da vida”, salienta Grazielle.

A lei exige que o poder público assegure “a participação da pessoa com deficiência em jogos e atividades recreativas, esportivas, de lazer, culturais e artísticas, inclusive no sistema escolar, em igualdade de condições com as demais pessoas”.

Fonte: informações com a Assessoria de Imprensa 

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