
O município de Porto Belo, localizado no litoral de Santa Catarina (próximo de municípios como Balneário Camboriú e Bombinhas), ganhou recentemente um novo espaço cultural. É que o artista Pedro Cândido da Silva, o Pedrão, de 62 anos, inaugurou recentemente, no Centro da cidade (Rua José Manuel Serpa, 675), um espaço para expor suas obras de arte, que são bolsas, roupas e móveis que reaproveitam couro e madeira conseguidos em garimpo. Tudo num ambiente intimista e repleto de histórias.
“É um espaço na minha casa, na verdade. Se as pessoas vierem aqui, elas podem interagir, circular pela minha casa, ir na cozinha tomar um café… Não é uma loja, é um local onde eu trabalho e recebo as pessoas”, conta o artista e artesão, que atende ao público que visita o local das 14 às 20 horas. “Eu tenho aqui peças que foram feitas há 48 anos, outras de 35 anos atrás… Então tem um material bem bacana para já sair contando história – e eu gosto muito de contar história”, complementa.
Além de contar histórias, porém, o artista também as coleciona, as preserva e transforma em arte. Isso porque todo o material que ele utiliza em suas obras são garimpados, matéria-prima (couro e madeira) retirada de peças e construções antigas e que ganham nova vida e sentido através do seu trabalho.
“Todo material que eu trabalho tem alguma história, porque é extraído de antigos engenhos, ranchos… Eu faço esse garimpo de peças antigas e transformo esses materiais em bancos, bolsas, coisas assim”, explica Pedrão, contando que utiliza madeiras da nossa Mata Atlântica, extraídas há décadas da floresta, com idades que vão de 50 a 200 anos. “Eu não utilizo madeira de corte recente e procuro aproveitar esse material antigo sempre utilizando das falhas que o tempo foi deixando nele, eu acho que isso valoriza o trabalho e deixa ele mais bonito”, diz Pedrão, citando ainda que até o espaço onde ele trabalha hoje é todo feito com material extraído de entulhos, de garimpo.
Tudo começou com roupas para bonecas
O interesse pela arte e a paixão pela moda foi algo que surgiu natural e precocemente na vida de Pedrão. Por exemplo, quando uma criança com apenas cinco anos de idade, o artista já confeccionava roupas para as bonecas da irmã. Nessa mesma época, seu pai trabalhava como administrador de uma marcenaria e ele pôde conhecer logo cedo o cheiro do cedro, da canela, da peroba e de tantas outras madeiras da nossa Mata Atlântica, que hoje ele consegue em seus garimpos.
A ideia de transformar a arte e paixão em profissão, contudo, começou a se tornar realidade 50 anos atrás, quando ele morava em Curitiba e participou de uma oficina no colégio municipal em que estudava para aprender a trabalhar com materiais como madeira, metal, vidro e couro. “Isso fez pintar um interesse muito grande e eu gostava dessa coisa. Mas meu foco era sempre fazer algo bonito, diferente, que chamasse a atenção. Moda mesmo, né?”, recorda o artesão. “Aí fui fazendo aos poucos, comprando pedacinhos de couro pequeno e fui aprendendo, criando as técnicas que uso até hoje, porque não utilizo máquina nenhuma, é tudo 100% artesanal”.
Em seu casamento, inclusive, Pedrão foi quem fez as roupas que utilizou na cerimônia, bem como as de sua esposa, tudo de couro. O foco principal de seu trabalho, contudo, são as bolsas. “No couro, o meu predileto são bolsas, mas eu também faço algumas peças de roupa, já fiz calçados”, conta ele, comentando ainda que o trabalho com madeira, por sua vez, começou há 40 anos. “Com madeira, já são em torno de 40 anos de profissão também. Eu trabalho com móveis sempre preocupados com essa coisa do visual, das proporções e do encaixe. É uma marcenaria num estilo antigo, uma coisa mais elaborada.”