Cultura nacional

“O Último Azul”, novo filme de Gabriel Mascaro, estreia nos cinemas brasileiros

Agência Brasil com edição de Alana Morzelli
o-ultimo-azul-rodrigo-santoro-denise-weinberg_copiar

Divulgação

Estreia nesta quinta-feira (28) nos cinemas do país “O Último Azul”, novo longa-metragem do pernambucano Gabriel Mascaro, um dos principais nomes da nova geração de cineastas brasileiros. O diretor, conhecido por obras como Boi Neon (2015), conquistou em fevereiro deste ano o Urso de Prata da Crítica no Festival de Berlim, um dos mais prestigiados do mundo.

“Foi uma alegria muito grande poder estrear na Berlinale, um festival que já consagrou a cultura brasileira com Central do Brasil e Tropa de Elite. A gente chegou lá com O Último Azul e saiu com o prêmio da crítica, um Urso de Prata. Foi muito bonito. Agora finalmente vamos encontrar o público brasileiro, com muito calor e energia”, comemora Mascaro.

Uma fábula sobre desejo, envelhecimento e transformação

Ambientada na Amazônia, a trama começa quando o governo transfere idosos para uma colônia habitacional destinada a abrigar seus “últimos anos de vida”. Antes de ser levada para o exílio compulsório, Tereza, uma mulher de 77 anos, embarca em uma jornada para realizar seu último desejo. No caminho, encontra um misterioso marinheiro, interpretado por Rodrigo Santoro.

“Queria fazer um filme sobre esse corpo idoso feminino que sente desejo. Um corpo que pulsa no presente e ressignifica a vida aos 77 anos. O filme começa com um tom distópico e depois se abre para o fantástico e o surreal. É uma jornada de transformação — só que, em vez de um jovem, temos uma idosa que encara a vida com força, energia e desejo de sonhar”, explica o diretor.

A força da protagonista

A protagonista é vivida pela atriz Denise Weinberg, que recentemente foi premiada como melhor atriz no Festival de Guadalajara, no México. Para ela, o papel foi também uma forma de refletir sobre a própria vida.

“A velhice não é uma coisa triste, se você souber envelhecer. É uma sabedoria. E envelhecer fazendo o que você gosta é maravilhoso”, afirma Denise.

Sobre o convite de Mascaro, a atriz conta: “Por ser artista, já sou utópica por natureza. Quando esse material caiu na minha mão e conheci o Gabriel, vi logo que era jogada de gênio. Pensei: eu tenho lugar de fala, quero fazer esse filme”.

As filmagens em plena floresta amazônica também marcaram a atriz. “Conheci uma Amazônia de paisagens lindas e alucinantes. São respiros na alma, mas também há uma concretude muito forte: estar naquele lugar é encarar o envelhecimento como algo difícil, mas que pode ser bom quando temos maturidade para lidar com ele.”

Arte e relevância social

Para a professora e pesquisadora Ivana Bentes, O Último Azul se destaca tanto pela sensibilidade ao tratar temas como o etarismo quanto pela sofisticação estética.

“Gabriel Mascaro é a síntese do novo cinema nacional. Ele desperta interesse para além do Brasil, seja pela força estética, seja pelos temas sociais relevantes que aborda. A linguagem do filme comove e mobiliza”, avalia.

Com delicadeza e ousadia, O Último Azul propõe ao espectador uma reflexão sobre envelhecer, sonhar e resistir — reafirmando Gabriel Mascaro como uma das vozes mais inovadoras do cinema brasileiro contemporâneo.