Franklin de Freitas – Ernani Ogata: “Deus me deu uma nova oportunidade para fazer o que eu posso dar de melhor para as pessoas”

O fotógrafo Ernani Ogata, de 39 anos e colaborador do jornal Bem Paraná, venceu uma luta pela vida. Após contrair a Covid-19, o jornalista passou 46 dias internado no Hospital do Rocio, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Nesse período, foram 26 dias intubado e alguns momentos críticos, como quando Ernani apresentou um quadro de comprometimento pulmonar de praticamente 100% do pulmão. Ainda assim, nesta sexta-feira (13 de agosto) a história chegou a um final feliz, com o paciente finalmente recebendo alta do hospital.

“Deus me deu uma nova oportunidade para fazer o que eu posso dar de melhor para as pessoas. Vou continuar minha missão com mais força”, relata o fotógrafo, que participa de ações solidárias como Rango de Rua (um grupo de pessoas que se reúne para alimentar pessoas em situação de rua de Curitiba), Itinerante Resistência (grupo que apoia moradores de rua), Aquecendo Corações (equipe que tem objetivo de ajudar pessoas em situação de rua) e SOS Quatro Patas (que resgata animais vítimas de maus-tratos e em extremo perigo, que após tratados são encaminhados para doação).

Enquanto Ernani esteve internado, um grupo de corrente de orações de amigos e familiares foi criado, sempre com mensagens positivas e desejo de melhoras para o fotógrafo. Seu irmão, Celso, que acompanhou de perto toda a luta do irmão, com idas constantes ao hospital, colocava essas mensagens para que o fotógrafo, mesmo sedado, pudesse ouvir. “Isso me deu muito ânimo para a recuperação. Agradeço demais por estar vivo . Tem que ter fé e esperança. Sempre deixem as coisas na mão de Deus”, celebra ele.

‘Ver a pessoa intubada é difícil’

Celso Ogata, irmão de Ernani, acompanhou de perto toda a luta do irmão, com idas constantes ao Hospital do Rocio. Como ele e a família moram no bairro Boa Vista, em Curitiba, era uma viagem de uma hora para chegar até o estabelecimento de saúde.

“Nos primeiros dias que fui [para o hospital], fui sozinho. Imagine o que passa pela sua cabeça nesse caminho…”, relata Celso, comentando ainda que uma rampa de acesso que fica no hospital acabou o marcando demais. “Todas as vezes que eu subia essa rampa eu ia rezando, orando e pedindo a Deus para que conseguisse falar com o médico e ele viesse com boas notícias. Essa subida na rampa era uma coisa extremamente gélida, parecia que não ia acabar nunca aquela rampa e eu ia conversando com Deus, pedindo clemência, ajuda, para que as informações fossem as melhores.”

Suas preces foram ouvidas e Ernani, que teve um quadro gravíssimo da doença pandêmica, conseguiu vencer a luta pela vida e agora seguirá se recuperando de possíveis sequelas da Covid-19 e do período em que passou internado e intubado.

“Uma das coisas que ajudou e ajuda muito a questão do paciente é você entrar na UTI. Ver a pessoa intubada é difícil, é complicado, não é para qualquer um. Nunca deixei meu pai e minha mãe entrarem, porque é uma imagem forte. Mas acredito muito no calor humano ajudar na recuperação. É um lado muito forte [do Hospital do Rocio] e diferente de muitos lugares. Tive a oportunidade de acompanhar meu irmão muitas vezes enquanto ele estava sedado. Estava ali, conversando com ele. Isso ajuda muito na recuperação do paciente, é um grande diferencial do Hospital do Rocio.”

‘A gente tinha uma expectativa ruim’

Infectologista do Hospital do Rocio, o Dr. Kengi Itinose revela que o momento mais crítico de Ernani foi quando ele estava intubado e apresentou um quadro de comprometimento de praticamente 100% do pulmão. “Essa lesão nos preocupava bastante, porque a oxigenação do sangue necessitava que você ficasse de bruços, intubado. A gente tinha uma expectativa ruim, porque teu organismo não conseguia fazer a troca gasosa. Pensamos até na possibilidade de um ECMO, mas você começou a responder e nessa resposta foi melhorando progressivamente.”

Depois, outro momento de dificuldade foi quando o fotógrafo acabou contraindo uma outra infecção enquanto se recuperava da Covid-19. “Mas graças a Deus a resposta do tratamento foi boa”.

Sentimento é de dever cumprido, celebram médicos

Entre a equipe médica do Hospital do Rocio, o sentimento é de alegria e de dever cumprido por ver um paciente que apresentou um quadro tão crítico de Covid-19 conseguindo se recuperar e, agora, receber alta.

“Toda a equipe fica muito feliz, fica satisfeira em ver o paciente se recuperar e para nós é uma grande vitória. Nos empenhamos muito, infelizmente nem todos se recuperam, mas quando um paciente grave como você se recupera, isso nos traz uma sensação de dever cumprido”, comenta o Dr. Dalton Rivabem.

Na mesma linha, o Dr. Kengi Itinose exalta ainda a importância da família e amigos, especialmente do irmão de Ernani, Celso, que esteve a todo o tempo ao lado de seu ente querido.

“É uma sensação fantástica, de dever cumprido, realmente. Ainda existe uma luta para sua recuperação total, mas conseguimos conduzir e hoje você recebe alta”, celebra o médico. “O apoio da família foi fundamental. O paciente está sedado, mas seus ouvidos estão escutando, sua mente está guardando. Conversamos, colocamos telefone, fazemos vídeo-chamada, trouxemos a família, seu irmão veio, entrou, visualizou, conversou com a equipe médica, tudo o que você precisava, ele ia atrás, corria atrás. Foi fundamental a vinda do seu irmão aqui. Ele também é parte da sua melhora.”