Eleições 2006

Ana Júlia ganha eleição no Pará quebrando hegemonia do PSDB

Foi uma eleição marcada por trocas de acusações pesadas, denúncias e prisões

Bem Paraná

A petista Ana Júlia Carepa é a nova governadora eleita no Pará, quebrando uma hegemonia de 12 anos de governos do PSDB no Estado. Às 21h20, com 97% das urnas apuradas, a atual senadora já registrava 54,95% dos votos, contra 45,05% do rival Almir Gabriel, que já foi governador por oito anos. Em uma eleição marcada por trocas de acusações pesadas, denúncias e prisões, Ana Júlia terminou o primeiro turno mais de 10 pontos atrás de Almir, mas conseguiu passar o ex-governador.


Quando a apuração chegou aos 73%, Ana Júlia já passou a dar entrevistas como governadora eleita. “Vou governar para melhorar a vida do povo. Quero dialogar com todo o Pará”, afirmou. Antes de sair para a comemoração no centro de Belém, onde militantes a esperavam, a senadora disse ainda que espera colaboração do atual governo, comandado pelo tucano Simão Jatene.


“Esqueça as baixarias, esqueça o período eleitoral. A eleição foi democrática, nós esperamos essa responsabilidade do governo para que possamos fazer a melhor transição”, disse.


Cercada por aliados acusados de corrupção – entre eles, o deputado federal Jader Barbalho, o presidente do PSB local Ademir Andrade e o deputado eleito Beto da Fetagri – Ana Júlia enfrentou vários questionamentos durante a campanha. A aliança, no entanto, acabou se revelando útil. O terceiro colocado na eleição paraense, José Priante, aderiu à senadora no segundo turno e terminou por levar boa parte dos seus 14% de votos para a candidatura petista.


Ana Júlia se aproximou de Almir Gabriel nos últimos dias antes do primeiro turno. Depois de conseguir levar a disputa ao segundo turno, a senadora usou como estratégia colar sua imagem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva que venceu no Pará o primeiro turno. O próprio PT nacional e o governo federal apostaram pesado para tentar levar o governo paraense. Na última semana de campanha, ministros e pesos-pesados do PT nacional, como o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, aportaram no Pará para ajudar na campanha.


Já na primeira pesquisa eleitoral feita após o primeiro turno, a senadora aparecia na frente de Almir. No entanto, a diferença foi caindo ao longo das três semanas de campanha, a ponto de a pesquisa do último sábado ter chegado ao empate técnico, com uma diferença de apenas dois pontos percentuais. Apenas a pesquisa de boca-de-urna se aproximou do resultado final.


Do lado tucano, a decepção ficou evidente. Depois de quase vencer no primeiro turno, Almir viu a vitória escapar nos últimos dias e terminou por ser derrotado no segundo turno. Dias antes da eleição, em entrevista ao Estado, o tucano atribuiu a sua própria campanha o fato de ter que disputar um segundo turno “Uma semana antes nós estávamos com 49% . Acho que nosso pessoal subiu no salto alto. Acho que estava ganho e passou a cuidar mais das eleições proporcionais”, avaliou. Almir ainda atribuiu a Lula o crescimento da senadora e à força que o governo federal colocou no Estado.


Ana Júlia votou ontem no final da manhã em uma escola do centro de Belém. Com a perna quebrada, a senadora causou um certo tumulto na hora da sua chegada, com várias pessoas querendo tirar fotos. Ao votar, disse estar otimista, mas temer riscos de fraudes na votação.


Apesar do clima quente das eleições paraenses, o temor terminou não se confirmando e a votação transcorreu relativamente tranqüila. O irmão de Ana Júlia, Carlos Estanislau Carepa, terminou sendo uma das 16 pessoas presas por fazer boca-de-urna na capital, mas prestou depoimento na Polícia Federal e foi liberado em seguida. Não foram registrados incidentes mais graves.