O candidato do PMDB Sérgio Cabral Filho venceu ontem a disputa pelo governo do Rio de Janeiro, superando sua rival Denise Frossard (PPS) com folgada vantagem. Cabral foi eleito com 68% dos votos válidos, derrotando Frossard, que ficou com 32% dos votos. Cabral Filho, habilidoso para conseguir apoios, liderou por toda a campanha a disputa pelo governo fluminense contra Denise.



A tucana Yeda Crusius venceu ontem o petista Olívio Dutra, e foi eleita para o governo do Rio Grande do Sul. Trata-se da primeira vez que o PSDB vai comandar o Estado, tradicionalmente dominado pelo PT e PMDB. Ela aparecia com 53,94% dos votos válidos, contra 46,06% do petista.



A vantagem foi um pouco mais elástica que a prevista pela pesquisa de boca-de-urna divulgada ontem pelo Ibope, que mostrava a tucana com 53% dos votos válidos e o petista com 47%. No limite da margem de erro da pesquisa, a tucana venceria por 51% a 49%. Ao mesmo tempo, em meados deste mês, Yeda chegou ter a 24 pontos porcentuais.



Rivais — No Rio de Janeiro, Cabral reuniu em torno de si o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o arqui-rival do petismo Anthony Garotinho (PMDB), o bispo evangélico e senador Marcelo Crivella (PRB), o senador eleito Francisco Dornelles (PP), sua ex-adversária Jandira Feghali (PC do B), o deputado Eduardo Paes (PSDB), líderes religiosos e militantes homossexuais. Mas terá uma dificuldade à vista: acomodar, na administração, forças díspares, integrantes de um arco de alianças cuja amplitude foi alvo da adversária no segundo turno.



Duelo — Rio Grande do Sul e Pará foram os únicos dois Estados em que o segundo turno reproduziu o duelo nacional entre o PT (de Luiz Inácio Lula da Silva) e o PSDB (de Geraldo Alckmin). Enquanto no Rio Grande do Sul o PSDB levou vantagem com Yeda, no Pará pesquisas de boca-de-urna apontam vitória da petista Ana Julia Carepa contra o tucano Almir Gabriel.



Durante a campanha gaúcha, os candidatos se dedicaram a enfatizar temas como privatizações e crise financeira do Estado. O assunto mais polêmico foi o das privatizações. Olívio procurou colocar em Yeda a pecha de ‘’privatista”. Yeda passou dias se defendendo. Nas coordenações das campanhas, há a convicção de que o assunto é capaz de reverter votos. Para contra-atacar, Yeda lembrou as negociações dele como governador (1999 a 2002) com a Ford e a resultante opção da multinacional por Camaçari (BA).