Quatro anos depois de o presidente Lula ter sido eleito pela primeira vez, as comemorações por sua vitória nas urnas não tiveram o mesmo entusiasmo nem a mesma adesão. Após a eleição de 2002, Lula conseguiu atrair pelo menos 10 mil pessoas à Avenida Paulista para comemorar sua chegada ao Palácio do Planalto. Hoje (29), muitas das pessoas que lhe deram seu voto parecem ter optado por cantar a vitória dentro de casa.


Por volta das 21 horas, quando Lula já dava uma entrevista para comentar o resultado da apuração e comemorar sua reeleição, apenas cerca de 1.500 petistas estavam reunidos na Paulista, de acordo com estimativas da Polícia Militar. Até membros do próprio partido admitiam que desta vez o entusiasmo foi bem diferente do da última eleição.


“Esta já era uma eleição definida”, justificou o líder do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, Enio Tatto, um dos primeiros representantes da legenda a comparecerem à festa. Ele admitiu que em 2002, também por volta das 21 horas, já havia cerca de 10 mil pessoas na Paulista, preparando-se para a festa.


Mas ressaltou que a vitória na eleição passada teve uma relevância maior para o partido e para os apoiadores de Lula. “Acho que muita gente está fazendo sua comemoração nos próprios bairros. Em 2002, nós estávamos comemorando a primeira vitória do Lula e, por isso, tinha muito mais animação e mais entusiasmo”, emendou.


Há alguns dias, a coordenadora da campanha de Lula em São Paulo, a ex-prefeita Marta Suplicy, já havia adiantado que este ano a comemoração seria “mais simples” que em 2002. “Agora o Lula já é presidente”, disse ela.


OPERAÇÃO – Mesmo assim, o PT se encarregou de montar uma estrutura significativa para a ocasião. O partido pediu que, a partir das 18 horas, fossem interditados vários quarteirões da Paulista, em uma operação que contou também com a mobilização de 130 homens da Polícia Militar. Três trios elétricos e duas escolas de samba foram providenciados para animar a festa, além de telões que transmitiam a apuração dos votos desde o fim da tarde. Lá pelas 20 horas os bares próximos ao prédio da Gazeta já estavam lotados de gente que se preparava para comemorar.


Mesmo em quantidade menor do que em 2002, os militantes que participaram da festa de hoje (29) conseguiram fazer barulho. Vários grupos cantavam os jingles que embalaram a campanha de Lula nos últimos meses. No fim da tarde, parte dos petistas não poupou os jornalistas que chegavam ao local para a cobertura do evento. “Chora mídia corrupta e parcial”, gritou um deles.


Enquanto alguns comemoravam mais uma vitória de Lula, outros se queixavam do barulho. O cirurgião cardiovascular Silvio Pereira, que votou em Cristovam Buarque (PDT) no primeiro turno e desta vez anulou o voto, reclamava da festa, alegando que teria de se preparar para uma cirurgia hoje, marcada para as 7 horas. “Eu quero é dormir”, disse.