Na eleição mais disputada da história do Paraná, o governador Roberto Requião (PMDB) foi reeleito ontem por uma diferença de pouco mais de dez mil votos ou 0,18% em relação ao candidato de oposição, o senador Osmar Dias (PDT). No final, Requião fechou a apuração com 2.668.611 votos, ou 50,1% do total, contra 2.658.132 votos ou 49,9% de Osmar, exatos 10.479 votos de diferença.

Durante quase toda a apuração, Osmar esteve à frente do peemedebista, que só conseguiu ultrapassá-lo quando já haviam sido computados 99% dos votos do Estado. O pedetista venceu nas cidades de maior população e ficou à frente por pouco mais de 500 votos em Curitiba. Já Requião teve maior votação nas pequenas cidades e na Região Metropolitana de Curitiba.

O resultado evidenciou mais uma vez os erros nas pesquisas, que apontavam uma diferença muito maior do que o efetivamente apurado. O levantamento de boca de urna do Ibope, divulgado após o encerramento da votação às 17 horas, por exemplo, apontou que Requião teria 53% dos votos, contra 47% de Osmar Dias. Na véspera da eleição, o mesmo Ibope previa atribuía ao governador  49% das intenções de voto, contra 45% do pedetista. Já o Datafolha disse que o peemedebista estaria com 50%, contra 45% do senador.

Apesar do susto, em entrevista à TV Educativa o vencedor deu a entender que não pretende mudar seu comportamento no cargo. “Não muda nada. Volto com mais vontade de trabalhar”, afirmou ele, que disse pretender tirar “três ou quatro dias” de folga.


Governador ataca pesquisas e mídia
A indefinição sobre quem seria o vencedor no segundo turno aumentou a tensão fez com que ambos os candidatos evitassem à imprensa depois de votarem, ontem. Requião se refugiou na Granja do Canguiri e não quis falar com os repórteres após o final da apuração. Marcou para hoje uma entrevista no Palácio Iguaçu, quando deve reassumir o cargo do qual estava licenciado desde o início de setembro para a campanha. Osmar também deixou para hoje o contato com a imprensa para comentar o resultado.

Em entrevista distribuída pela assessoria de campanha do PMDB que teria sido gravada para a TV Educativa – emissora oficial do governo – Requião mostrou que não pretende mudar de estilo apesar do resultado extremamente apertado. Voltou a atribuir as dificuldades da eleição à um suposto “complô” entre grupos econômicos e veículos de comunicação interessados em tirá-lo do cargo. “Derrotamos o pedágio, derrotamos os que queriam privatizar o Porto de Paranaguá, derrotamos grandes interesses como a Faep, por exemplo, que se jogou nos braços do candidato que nos opõe com alianças muito estranhas”, avaliou. “Estou profundamente alegre, satisfeito com os paranaenses porque derrotamos os inimigos do Paraná e do Brasil”, acrescentou ele, que só declarou apoio ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última semana de campanha. 

Apesar das pesquisas terem lhe atribuído uma vantagem muito maior do que o efetivamente verificado nas urnas, peemedebista também atacou os institutos. “Jamais houve empate técnico, o que houve foi manipulação, pesquisas não verdadeiras colocadas na televisão em órgãos de comunicação muito suspeitos. Nos nunca estivemos atrás nem no primeiro e nem no segundo turno. Mas houve um esforço brutal e dos meios de comunicação vinculados ao que não são os interesses populares que nos representamos”, disse.

Continuidade — O governador indicou ainda que não pretende fazer grandes alterações em seu modo de administrar. “Vocês conhecem todas as propostas que serão uma continuidade e acerto de alguns projetos com prioridade para educação, saúde e continuaremos com o grande apoio a agricultura”.