Após anunciar, por volta das 19h30 de ontem, a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, disse que seria um avanço se o Congresso Eleitoral acabasse com a reeleição. “Na minha ótica, seria um avanço e não um retrocesso”, afirmou Marco Aurélio. “Nós não podemos desconhecer que é muito difícil separar a figura do administrador da figura do candidato”, disse. “E essa dificuldade decorre até mesmo da circunstância de o administrador candidato à reeleição permanecer na cadeira sucumbindo às tentações”, acrescentou.



Pela manhã, após ter votado em uma escola particular no bairro do Lago Sul, em Brasília, Marco Aurélio disse que o seu candidato ganharia. Na entrevista em que declarou Lula reeleito, Marco Aurélio foi indagado se o seu candidato havia vencido. Ele não respondeu. Disse que o voto é secreto. No entanto, não é difícil imaginar a escolha do presidente do TSE. Ele é contra a reeleição e contra o voto nulo e branco.
O presidente do TSE concordou que a grande diferença de votos entre Lula e o tucano Geraldo Alckmin legitima o resultado das urnas. “A diferença maior de votos resulta em legitimidade para o candidato eleito”, afirmou Mello, disse. “Está de parabéns a democracia e o povo brasileiro”, afirmou.



Indagado se haverá uma espécie de terceiro turno da eleição presidencial, por causa da investigação aberta no TSE para apurar se o presidente Lula participou do esquema do dossiê, Marco Aurélio disse que não. “Não cabe a especulação para se dizer que talvez tenhamos um terceiro turno”, afirmou.