Militante do Partido dos Trabalhadores (PT) por dez anos – de 1989 a 1999 – o candidato do PSTU ao Senado, Ivan Ramos Bernardo faz parte do grupo dissidente do PT que, acompanhou a senadora Heloísa Helena, para fundar o novo partido. Apesar de ser pouco conhecido dos eleitores e ainda não ter ocupado cargo eletivo, esta é quarta vez que ele disputa uma eleição. Em 2000, foi candidato à vice-prefeito de Paranavaí. Dois anos mais tarde, disputou o cargo de vice-governador e, em 2004, novamente lançou-se candidato à uma cadeira no Executivo de Paranavaí, desta vez como prefeito. Em entrevista ao Jornal do Estado, o candidato explicou suas propostas, que incluem um levante popular nas ruas e a “derrubada dos baqueiros do poder”.
Jornal do Estado – O senhor já teve algumas experiências eleitorais mal sucedidas e nunca ocupou cargo público. Por que resolveu candidatar-se novamente?
Ivam Ramos – Sou candidato contra a corrupção e a continuidade dos programas neo-liberais do PSDB e do PT. Quero acabar com o pagamento das dívidas interna e externa, e reverter estes valores para investimentos em educação, saúde, reforma agrária, habitação, esporte e lazer.
JE – Se eleito, quais serão suas principais bandeiras nos primeiros anos de mandato?
Ivan Ramos – O governo Lula em quatro anos repassou nada mais que R$ 520 bilhões para os banqueiros através do pagamento de dívidas. A prioridade é suspender imediatamente esta política econômica que só beneficia os grandes banqueiros. Com R$ 80 bilhões conseguimos dobrar os investimentos em educação. Com outros R$ 70 bilhões, podemos assentar 4,5 famílias de sem-terras. E ainda, com R$ 72 bilhões, contruiremos mais de seis mil moradias populares.
JE – Qual a sua avaliação do desempenho dos atuais representantes do Paraná no Congresso Nacional?
Ivan Ramos – Nossos senadores só representam os interesses dos grandes fazendeiros, banqueiros e empresários. Ou seja, representam apenas 10% da população. O povo do Paraná não está recebendo o respeito e atenção devidos.
JE – Para que suas propostas sejam efetivamente implantadas, seria necessária uma grande revolução política e econômica. O senhor realmente acredita nisso?
Ivan Ramos – Quando for eleito, seguiremos o exemplo dos bolivianos, dos estudantes e trabalhadores franceses e do povo chileno. Tomaremos as ruas e nos rebelaremos contra as imposições norte-americanas. Faremos ocupações para construir uma sociedade baseada no poder dos trabalhadores. Os banqueiros serão derrubados do poder que será ocupado pelos pobres.
JE – O senhor se considera preparado para representar nosso Estado no Congresso?
Ivan Ramos – Como a maioria da população honesta, estou preparado para ser senador. Governarei através da luta e organização dos trabalhadores no coletivo. Transformaremos a sociedade pela força da mobilização popular.
JE – Já tramitam no Congresso projetos que preveêm reforma administrativa, tributária e política. O senhor pretende apoiar estes projetos?
Ivan Ramos – As únicas reformas que pretendo levar adiante são a agrária e urbana. E, principalmente, lutar contra as reformas sindical e trabalhista do Lula e do Fundo Monetário Intercional (FMI). Quero fazer uma reforma tributária que aumente a taxação dos ricos e isente os pobres. A idéia é taxar as grandes riquezas.
JE – Caso não seja eleito senador, o senhor já tem algum projeto político futuro?
Ivan Ramos – Ao contrário dos demais, nosso partido não vive só para as eleições. Nossa luta é permanente para organizar e defender os interesses dos jovens e dos trabalhadores. Com a falência da Central Única dos Trabalhadores (CUT) assumimos papel fundamental na luta contra o fim do décimo terceiro salário, da licença maternidade e férias, que são as proposras prioritárias do Lula e do Alckmin. Gostaria de lembrar que não temos financiamento de empresários e banqueiros na nossa campanha, que é totalmente bancada pela militância e simpatizantes