Duas pessoas que não se conhecem decidem fazer um trato e estabelecer uma relação instantânea. Memória, invenção, realidade e ficção se misturam nesse jogo entre os dois e entre você, espectador. Um jogo também com a palavra, a imagem, a verdade e com referências: apropriação. Esse é o mote dramatúrgico do espetáculo Engarrafados, que estreia nesta quarta-feira no TUC (Teatro Universitário de Curitiba) onde fica em cartaz até 24 de setembro e depois faz temporada no Mini-Guaira até 10 de outubro. Essa é uma produção contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz e praticamente fecha a temporada curitibana de montagens subsidiadas pela Funarte (Fundação Nacional de Artes) este ano.

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O espetáculo é uma criação inspirada na obra de Valêncio Xavier, artista paulistano que viveu no Paraná, onde morreu há dois anos. Sua linguagem híbrida, que mistura verbal e não-verbal em seus livros que ele mesmo pedia para que fossem assimilados como filmes, foi a principal influência para este trabalho. Nossa vontade nunca foi adaptar Valêncio para os palcos, ou encená-lo, mas aprofundar-se nas possibilidades que ele apresenta e pensar a cena através de alguns conceitos que ele utiliza, diz Neto Machado, que assina a direção ao lado de Cândida Monte.

Em cena outra dupla: os atores Eduardo Simões e Talita Dallmann, responsáveis por conduzir esse jogo que passa por vontades, textos, danças, roupas, músicas, cinema, letras, sentimentos, duplas, memórias e cores. Imagens. Nessa peça, colocamos nossas possibilidades mais atuais de falar com o público, usando o teatro como meio, afirma o produtor Wellington Guitti. O espetáculo nasceu de um processo colaborativo através do qual foi criada toda a dramaturgia.

Influências

Além da referência direta à obra de Valêncio Xavier, é possível identificar outros caminhos seguidos, sobretudo pelo interesse na linguagem cinematográfica despertada a partir deste autor. Engarrafados também dialoga com filmes, diretores, músicos. Neste caminho, houve um produtivo passeio pela obra do cineasta francês Jean-Luc Godard, sobretudo pelas atmosferas que ele cria através de filtros distintos de filmagens, alterando diretamente a maneira como a cena é vista, e o jogo que estabelece entre ator/personagem/público. Outros filmes como O Ser Humano Perfeito, Magnólia, Corra, Lola, Corra, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças e Shortbus influenciaram em algum momento do processo.

Influências que podem ser identificadas diretamente na cena, utilizadas através de um processo de apropriação quase usurpador, onde a colagem de elementos ajuda a borrar a fronteira entre objeto e autor. Nesse processo também destaca-se a importância da organização desses elementos em um contexto dramatúrgico, uma disposição sutil, que quase oculta a importância da ordem que se estabelece.

Serviço
– TUC (Teatro Universitário de Curitiba)
De 15 a 24 de setembro (quarta a sexta-feira)_ as 20h.
– Miniauditório do Teatro Guaira
De 29/set a 10 de outubro (quarta a domingo) _ as 20h.
Ingressos: R$10 e R$5 (meia entrada)

Ficha técnica
Direção: Cândida Monte e Neto Machado
Artistas-criadores: Eduardo Simões e Talita Dallmann
Iluminação: Fábia Regina
Figurino: Gabriela Garcez Duarte
Maquiagem: Bruna Galliano
Videomaker: Diego Florentino
Produção: Wellington Guitti