Espetáculos Teatro

Você trocaria seis por meia dúzia?

Couve-Flor propõe solos baseados na obra de Tim Burton; a cada semana uma programação diferente

Redação Bem Paraná

Monstros que se materializam; intimidades criptografadas; uma menina magnética; seres que mudam de forma e cor; bestiário; e cavalo versus cavaleiro. Assistir ao próximo trabalho do coletivo Couve-Flor Minicomunidade Artística Mundial não é trocar 6 por ½ dúzia, expressão que dá nome às criações autônomas compartilhadas, inspiradas na obra de Tim Burton. O espetáculo foi contemplado com o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2009.

Fique por dentro do Guia Cultural de Curitiba no Bem Paraná.

O universo de personagens sombrios e bastante peculiares do cineasta norte-americano inspirou os Couves. Serão seis solos de dança divididos em três semanas de apresentações. A cada uma delas dois solos diferentes com estreia em 11 de agosto no Teatro Universitário de Curitiba (TUC). O Couve-Flor é um coletivo de artistas independentes que transita em seus trabalhos entre o teatro, a dança, as artes visuais, o cinema, e toda forma de expressão considerada por eles como artes vivas.

6 por ½ dúzia – criações autônomas compartilhadas é um espetáculo que se desdobrou da montagem O Rapaz e a Rapariga: Peça de Pessoa, Prego e Pelúcia, que estreou em fevereiro desse ano no teatro Novelas Curitibanas. O que fazemos hoje é um trabalho individual e sujeito a muitas referências. Mas não podemos deixar de lembrar que a obra de Tim Burton foi o mote inicial para a criação, pontua Cândida Monte, que apresenta um dos solos.

Solos

A dupla que estreia a primeira semana é Ricardo Marinelli com Se ele fosse outra coisa não seria muito diferente; e Gustavo Bitencourt com o solo Pig Lalangue. Ricardo materializa seus monstros num espaço e num tempo cheios de esquisitices. Os monstros têm relação com risco, desapego, moda, androginia, depressão e morte, diz. Ele também afirma que esses monstros são possíveis de habitá-lo e, por isso, agrupa aqueles que lhes são mais honestos e urgentes.

Já Gustavo criptografa sua intimidade através de um idioma que eles mesmo criou e estruturou. O que estou buscando é um jeito de lidar publicamente com a fala de uma forma parecida com o que acontece num sonho. Ele também se pergunta: E por que as pessoas iriam querer ver isso? Não faço a menor ideia. Até recomendo que não vejam, porque é possível que seja bem irritante!, instiga Gustavo, para depois explicar que esteve numa situação parecida quando esteve em Budapeste, sem entender uma palavra húngara. E responde a própria pergunta: Eu gostava muito dessa sensação, me pegava rindo de piadas que eu não entendia, criando possíveis significados na minha cabeça que depois eu descobria que estavam completamente errados. 

A segunda semana segue com apresentações de Cândida Monte com Magda, uma menina magnética que mora em uma geladeira; e Mood de Neto Machado com seu monstro que altera formas e cores. Na última semana, Elisabete Finger e Michelle Moura dividem a noite para apresentarem Bestiário e Cavalo, respectivamente.

Serviço
6 por ½ dúzia – criações autônomas compartilhadas
Local: TUC (Teatro Universitário de Curitiba)_ Galeria Júlio Moreira, Largo da Ordem, Curitiba
De 11 a 27 de agosto_ de qua a sex às 20h_ sessão extra na sex às 17h
OBS: A cada semana serão apresentados dois solos distintos.
Ingresso: R$10 e R$5 (meia entrada)
Artistas criadores: Ricardo Marinelli e Gustavo Bitencourt (de 11 a 13 de agosto); Cândida Monte e Neto Machado (de 18 a 20); Elisabete Finger e Michelle Moura (de 25 a 27)
Produção: Wellington Guitti e Ricardo Marinelli