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A família e o trânsito

Seguindo o caminho da Semana Nacional de Trânsito, campanhas de mídia estão investindo em imagens de crianças para promover a atenção para a segurança no trânsito. Sabemos que dificilmente um pedido vindo de uma criança, passará despercebido; no entanto, é importante tomarmos conhecimento sobre o que estamos ensinando a elas.

De acordo com a teoria da aprendizagem social de Bandura (1977), a criança aprende a partir da observação do padrão comportamental fornecido por outro indivíduo. Desta forma, a aquisição de comportamentos se dá por meio da interação de um indivíduo com outro. As atitudes dos familiares na relação com seus filhos são papel fundamental no desenvolvimento comportamental das crianças, de modo que é por meio da interação com os pais, das suas reações e experiências, que os filhos conhecem o mundo.

Crianças aprendem comportamentos imitando os adultos. Imitam expressões faciais, gestos, como manusear objetos... E no trânsito não poderia ser diferente! Independente do meio de transporte utilizado pela família para locomoção com a criança, é neste momento que os pequenos estão aprendendo sobre segurança, obediência a regras e limites, gentileza e respeito com as outras pessoas com quem se está dividindo o espaço público.

Sendo assim, destaca-se a coerência dos familiares quanto aos próprios comportamentos a fim de fornecer modelo aos seus filhos e promover discernimento entre o que é certo e errado, desta maneira, possibilitando o desenvolvimento de virtudes e valores. Devemos estar atentos para praticarmos o que estamos procurando ensinar, de forma que o aprendizado faça sentido para a criança e seja efetivo.

A relação harmônica entre pais e filhos, assim como a atitude dos membros da família direcionada à segurança no trânsito contribuem para que o jovem se comporte de maneira prudente no trânsito. Porém, o contrário também pode ser observado, pais que cometem infrações no trânsito (usar o celular enquanto dirige, exceder o limite de velocidade ou dirigir após ingerir bebida alcoólica, por exemplo) estão ensinando este padrão de comportamento aos filhos.

Pesquisas nacionais e internacionais apontam haver relações significativas entre o comportamento da família no trânsito com a percepção de segurança no trânsito dos jovens, assim como o próprio comportamento dele no trânsito. Além disso, a aprendizagem informal de condução veicular (os pais ensinam os seus filhos a dirigir) aumenta ainda mais a influência da família na formação do jovem condutor.

O clima familiar reflete a dinâmica que envolve a maneira que os jovens dirigem e se comportam no trânsito, pois a forma que os pais lidam com questões de segurança é um aspecto importante no comportamento real dos seus filhos. A falta de comprometimento percebida pelos pais em relação à segurança no tráfego, bem como a falta de informação dos pais para os filhos em relação à segurança notráfego, baixo monitoramento e definição de limites, como também a falta de modelagem de comportamentos seguros foram associados a um nível mais alto de direção arriscada, bem como maior disposição a se engajar a estes comportamentos por parte dos jovens condutores. O comportamento arriscado no trânsito está relacionado com as atitudes e motivações e não com a falta de conhecimento das leis de trânsito.

Os jovens são os mais vulneráveis no trânsito. No Brasil, entre os anos de 1996 até 2015, foi constatado um número de mortes em média de 39.000 pessoas/ano, das quais cerca de 13.200 eram adolescentes e jovens. De acordo com o DATASUS, em 2017 foram registrados 10.695 óbitos por acidentes de transporte terrestre de pessoas com faixa etária dos 15 aos 29 anos de idade. Em um comparativo com outros países, as taxas no Brasil estão acima da média internacional, totalizando 23 mortes em acidentes de transporte por 100 mil habitantes, ocupando a posição de 7º lugar em mortalidade juvenil. Estes dados indicam os modos de sociabilidade nas vias públicas e abrem um questionamento sobre como estes jovens estão se comportando no trânsito.
Portanto, cabe a nós sermos o modelo que desejamos que seja ensinado. Os exemplos ensinam, orientam e se tratando de trânsito, salvam vidas!

Josiane Regina Krupiniski é especialista em Psicologia do Trânsito, mestre em Psicologia e tutora EaD do IbacBrasil-Cursos de Trânsito

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