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A retomada da economia paranaense com a força do agronegócio e do cooperativismo

O estado do Paraná, segundo a Federação das Indústrias do Estado, possui 2,3% do território brasileiro é responsável por aproximadamente 12% da produção rural do país e quase 15% das exportações do agronegócio brasileiro. No ano passado, o agronegócio paranaense exportou mais de 70 bilhões de reais em produtos, mantendo o estado como o terceiro maior exportador do Brasil no setor. Esse valor corresponde a 13% do volume brasileiro de exportações de produtos agrícolas, mostrando um grande potencial para alavancar a economia local pós pandemia.

Diferentemente de outros estados brasileiros, o Paraná dispõe de um cooperativismo bastante forte, contando hoje, conforme dados da Organização das Cooperativas do Paraná, com 62 cooperativas agrícolas que faturaram em 2019 cerca de R$ 72,6 bilhões. Além disso, possui uma rota ferroviária que liga as áreas produtivas ao porto de Paranaguá, onde as exportações do setor de agronegócio correspondem a mais de 85% das saídas para fora do país. Com isso, a distância do terminal portuário proporciona um menor valor do frete que incide sobre o custo de transporte dos produtos agropecuários para exportação. Esses fatores, em conjunto, facilitam a circulação e envio dos produtos. Outro atenuante é que o estado paranaense assinou compromissos com governos e organizações internacionais, visando à produção de alimentos seguros, respeito ao meio ambiente e atenção às questões sociais que constam nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Conferência das Partes (COP- 30), definidos no Acordo de Paris de 2015.

Em termos produtivos, o Paraná é líder na produção de proteínas animais e segundo maior produtor de grãos. Vale ressaltar que a agricultura do estado tem os maiores índices de produtividade e eficiência do Brasil e os melhores do mundo em termos de soja e milho. Nas últimas décadas permitiu ao Paraná se tornar o 2° maior produtor de soja, com mais de 5 milhões de hectares plantados; 2° maior produtor de milho, com exportações na casa de R$ 28 bilhões; maior produtor brasileiro de trigo; 3° maior produtor de tabaco, setor que emprega 33 mil famílias; e maior produtor de feijão, com três safras por ano. O estado também se destaca na produção de leite, suínos, frango, seda e erva-mate, alçando esses produtos para os principais mercados consumidores do mundo.

Por atingir diversos mercados no mundo, o setor de agronegócio está cada vez mais disposto a receber parcerias e investimentos que fomentem o desenvolvimento de tecnologia do campo e das indústrias. De 502 startups mapeadas em 2019, em 30 diferentes setores no estado, 32 operam em tecnologia no agronegócio utilizando ferramentas como robótica e drones, gestão animal, análise de campo e controle de pestes, marketplace, gestão de negócios, fazendas disruptivas, agricultura de precisão e agroflorestral. Atualmente, a Região Sul concentra cerca de 23% das startups do setor agro brasileiro, ficando atrás apenas da região Sudeste.

Mesmo com o cenário ainda não tão otimista, os impactos da Covid-19 serão sentidos mais na próxima safra do que na atual, devido aos riscos de falta de moléculas importadas da China, a possíveis ineficiências na logística na entrega de insumos, impacto da alta do dólar na compra de agroquímicos, disponibilidade de crédito e custo do capital. Para minimizar esses fatores, em fevereiro deste ano, a Medida Provisória 897/19 foi aprovada pelo governo, possibilitando ampliar em R$ 5 bilhões os créditos de financiamento para o setor. A nova lei desburocratiza e facilita o acesso ao crédito, contemplando a permissão de outros agentes financeiros.

Levando em consideração todos esses fatores citados, conseguimos ver uma luz no fim do túnel para fazer a economia do Brasil aquecer no momento pós pandemia. Fortalecer o agronegócio é o principal caminho para que o cenário seja otimista e possa refletir em outras áreas dos negócios brasileiros.

Aldo Macri é sócio-diretor de Clientes e Mercado na Região Sul pela KPMG do Brasil e  Cristiano Kruk é sócio da KPMG no Brasil

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