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Ao menos 8 jornalistas relatam assédio de agentes de fronteira dos EUA, diz comitê

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Pelo menos oito jornalistas disseram ter sofrido algum tipo de assédio de oficiais da Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) e sido submetidos a questionamentos considerados invasivos durante procedimentos de segurança adicionais ao entrar nos EUA, segundo relatos divulgados pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

O comitê, que manifestou preocupação com os episódios, afirmou que os profissionais de imprensa foram questionados pelos agentes de fronteira sobre reportagens feitas sobre a caravana de migrantes que está no México e se dirige aos EUA. Essas perguntas foram feitas durante inspeções de segurança adicionais.

Em ao menos seis casos, relata o comitê, os repórteres disseram que os oficiais da CBP pediram para ver fotos ou solicitaram informações sobre a caravana de migrantes.

Outros dois jornalistas disseram ao órgão, separadamente, que agentes de fronteira entraram em contato para pedir gravações de vídeo. Eles também teriam sido solicitados a participar de uma entrevista como parte de uma investigação interna sobre conduta potencialmente ilegal dos oficiais da CBP.

"O CPJ também está ciente de ao menos dois casos em que agentes de fronteira mexicanos negaram a entrada a jornalistas que foram anteriormente questionados ou fotografados pelo CBP", informa, em comunicado, o comitê.

Segundo o CPJ, os casos foram registrados em meio à intensificação da cobertura da imprensa sobre questões envolvendo imigração na fronteira entre México e EUA. Vários jornalistas relataram ao CPJ que sofreram algum tipo de assédio dos agentes do CBP, que tiraram fotografias de alguns deles.

O comitê aponta um vídeo publicado no site The Intercept em que agentes da fronteira dizem a jornalistas que eles podem ser acusados de contravenção ou crime por "ajudar e incentivar" indivíduos a entrarem nos EUA. O vídeo faz parte de uma investigação do Intercept sobre assédio a jornalistas, advogados e ativistas na fronteira.

Em comunicado, Alexandra Ellerbeck, coordenadora de programa para América do Norte do CPJ, afirma que o uso de procedimentos de segurança adicionais como pretexto para questionar jornalistas sobre suas reportagens é "semelhante a tratar a imprensa como informantes e é um sinal preocupante para a liberdade de imprensa."

"Jornalistas têm o dever de proteger sua independência e a confidencialidade de suas fontes. Eles não deveriam ser submetidos a questionamentos que vão além do propósito de permitir entrada legal para um indivíduo em viagem."

Caravanas de migrantes que se dirigem aos Estados Unidos costumam ser alvo de críticas ferrenhas do presidente Donald Trump. Em novembro, o republicano afirmou que havia terroristas infiltrados em um grupo que atravessava o México a caminho do país. Na noite desta segunda (11), o presidente vai a El Paso, no Texas, para falar sobre segurança de fronteira, uma de suas principais plataformas de campanha.

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