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Preso pela Lava Jato

Aos gritos de 'ladrão', Temer chega à sede da PF no Rio de Janeiro

(Foto: Reprodução/TV Globo)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) -  Preso nesta quinta pela Força-Tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro, o ex-presidente Michel Temer (MDB) chegou à Superintendência da Polícia federal da mesma cidadeo, onde ficará preso preventivamente, por volta das 18h30.  Um grupo de cerca de dez manifestantes esperava a chegada do ex-presidente, que foi chamado de golpista e ladrão. Dois deles ergueram uma bandeira do Brasil.

O juiz Marcelo Bretas, que determinou a prisão de Temer, decidiu mantê-lo no local e afirmou que o tratamento deve ser o mesmo dado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso na Polícia Federal de Curitiba desde abril de 2018. "Entendo que o tratamento dado aos ex-presidentes deve ser isonômico, uma vez que o ex-presidente Lula está custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba", escreveu o juiz.

Preso nesta quinta-feira (21) em São Paulo, pela Força-Tarefa da Lava Jato no Rio, o ex-presidente Michel Temer chegou à Superintendência da PF no Rio por volta das 18h38. Na porta do prédio havia um grande número de jornalistas e alguns manifestantes com cartazes. Alguns chegaram a dar tapas e socos em viaturas do comboio da PF.

Temer foi trazido de São Paulo em um avião da Polícia Federal, do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos e desembarcou na Base Aérea do Galeão. 

O ex-ministro Moreira Franco deve ficar no BEP, segundo decisão de Bretas. Na unidade, que é reservada a policiais, há uma sala de Estado Maior, onde ficam os oficiais -e onde hoje está Pezão, que recebeu tratamento diferenciado de outros acusados de participar do esquema de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral por ter sido preso no exercício do cargo.

Ministério Público Federal afirmou, em nota, que requereu a prisão preventiva de alguns dos investigados porque todos os fatos somados apontam para a existência de uma organização criminosa em plena operação, envolvida em atos concretos de clara gravidade.

Os envolvidos são suspeitos de terem praticado crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro

Segundo o Ministério Público, o grupo criminoso liderado por Michel Temer praticou diversos crimes envolvendo órgãos públicos e empresas estatais. De acordo com o órgão, foi prometido, pago ou desviado para a organização mais de R$ 1 bilhão e 800 milhões de reais.

A investigação, de acordo com o MPF, mostrou que diversas pessoas físicas e jurídicas usadas de maneira interposta na rede de lavagem de ativos de Michel Temer continuam recebendo, movimentando e ocultando valores ilícitos, inclusive no exterior. Segundo o órgão, muitos dos valores prometidos como propina seguem pendentes de pagamento ao longo dos próximos anos.

As apurações, segundo o Ministério Público, também revelaram uma espécie de braço da organização especializado em atos de contrainteligência, com o objetivo de dificultar as investigações. Entre tais atos, estariam o monitoramento das investigações e dos investigadores, a combinação de versões entre os investigados e seus subordinados, e a produção de documentos forjados.

Um dos contratos investigados foi firmado entre a Eletronuclear e as empresas Argeplan (ligada a Michel Temer e ao Coronel Lima), AF Consult Ltd e Engevix, para a execução de um projeto de engenharia da usina nuclear de Angra 3.

O Ministério Público afirma que as empresas contratadas não tinham pessoal ou expertise suficientes para a realização do projeto de engenharia da usina de Angra 3. Por isso, subcontrataram a Engevix, em troca do pagamento de propina de cerca de R$ 1 milhão em benefício do ex-presidente.

"As investigações demonstraram que os pagamentos feitos à empresa AF Consult do Brasil ensejaram o desvio de R$ 10 milhões e 859 mil reais, tendo em vista que a referida empresa não possuía capacidade técnica, nem pessoal para a prestação dos serviços para os quais foi contratada", diz a nota.

Segundo o Ministério Público Federal, a propina foi paga pela Engevix ao final de 2014, por meio de transferências que totalizaram R$ 1 milhão e 91 mil, da empresa da Alumi Publicidades para a empresa PDA Projeto e Direção Arquitetônica, controlada pelo Coronel Lima. Para justificar as transferências, foram simulados contratos de prestação de serviços.

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