Publicidade
Aposta em tecnologia

Apesar de relatório da ANA, governo garante que não há risco iminente em barragens do Paraná

(Foto: Arnaldo Alves / ANPr.)

Apesar de o relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) em seu mais recente relatório, divulgado em novembro de 2018, apontar que 11 barragens do Paraná são classificadas como apresentando alto risco, 30 de médio risco e 63, baixo risco, o secretário interino do Desenvolvimento Sustentável e Turismo, Everton Luiz da Costa Souza afirmou nesta terça-feira (29), que não existe nenhum risco iminente à população. A declaração foi dada em entrevista concedida junto com o diretor-presidente do Simepar, Eduardo Alvimo.

Souza informou que o órgão vai agregar tecnologia à ação de monitoramento e proteção das barragens do Paraná. Segundo ele, o instituto está muito ligado ao sistema de Defesa Civil do Estado e, por isso, o trabalho terá muito foco em gestão de risco. No Estado, estima-se que há mais de 500 barragens de captação de água, sendo que 60 já foram avaliadas para identificar o grau de risco - baixo, médio ou alto. Segundo Souza,, mas barragens consideradas de alto risco estão recebendo uma atenção maior.

Para fortalecer as ações de prevenção de desastres, a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável firmará contrato de gestão com o Simepar para a realização de um levantamento de todas as barragens existentes, principalmente das que não possuem registro nas agências de água e mineração no Estado.

No Paraná, a maioria das barragens é para uso de irrigação, abastecimento de água, geração de energia, proteção de meio ambiente e recreação. Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM) existem no Estado três barreiras de rejeito. “As barragens precisam de um controle maior e é essa ação que o Estado vai tomar para poder estabelecer esse controle”, ressaltou Souza.

ETAPAS – O diretor-presidente do Simepar explicou que o trabalho que intensificará a fiscalização e o monitoramento das barragens em todo o Paraná será realizado em duas etapas. A primeira é de inventário, para obter uma visão geral de quais são as barragens, onde está a propriedade, qual o uso e a situação.

“Num segundo momento se estabelece o regime de protocolo. Tudo isso feito em conjunto com o Simepar e a Secretaria do Desenvolvimento Sustentável, focados em protocolos que sejam seguidos para a caracterização de cada uma dessas estruturas”, disse ele.

Depois, conforme o caso e a avaliação de riscos e danos potenciais, se desenvolvem as estratégias específicas. “Nem todas merecerão a modelagem de ruptura das barragens. Isso é feito quando é necessário, quando o risco de ruptura e os impactos observados são relevantes. Então cada caso será tratado conforme a relevância”, explicou.

O maior problema com relação às barragens no Paraná, contudo, diz respeito à fiscalização. Das 450 barragens existentes no Estado, apenas 79 (17,5% do total) receberam alguma inspeção desde 2015. A questão, inclusive, foi citada expressamente pela ANA em seu relatório, com o órgão apontando haver apenas quatro funcionários no Instituto de Águas do Paraná atuando na fiscalização.

“Todas as pessoas que atuam nesta questão, além de possuírem outras tarefas, estão quase se aposentando ou não fazem parte do quadro funcional, sendo servidores de outros órgãos e estando temporariamente à disposição do Águas Paraná”, escreve a ANA.

A engenheira Mariana Alice Maranhão, do Departamento de Fiscalização do Crea-PR, aponta algumas melhorias que seriam importantes para se evitar acidentes e tragédias como as ocorridas em Mariana e Brumadinho.

As estratégias de ação já estão sendo estabelecidas. Segundo o diretor-presidente do Simepar, será necessário atrair e qualificar profissionais de mercado para trabalhar em conjunto com o Estado.

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) participará dos trabalhos, principalmente na atração de profissionais sobre a questão de gestão de risco em reservatórios e na segurança de barragens. “A ideia é trazer o conhecimento técnico, eventualmente a qualificação de profissionais, que podem não ser da UFPR mas que passam por um crivo nosso e um auxílio na relação”, disse o professor Eduardo Gobbi.

Segundo ele, é possível buscar profissionais de outras universidades estaduais e federais, uma vez que o Brasil têm profissionais de alto nível espalhados pelo País. “Nosso papel vai ser ajudar em toda essa relação e desenvolver tecnologias e pesquisa, caso haja necessidade”, afirmou.

 

DESTAQUES DOS EDITORES