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Mea culpa

Após foto polêmica, diretora da Vogue Brasil anuncia fórum contra desigualdades na revista

(Foto: Reprodução/Instagram)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A diretora da revista Vogue Brasil, Donata Meirelles, anunciou em seu perfil no Instagram que criará um fórum de ativistas e estudiosos para ajudar a definir conteúdos e imagens que combatam desigualdades no veículo.

A medida veio após polêmica em torno da festa de 50 anos de Meirelles em Salvador, na Bahia, em que posou sentada em uma grande cadeira branca ao lado de mulheres negras vestidas de baiana. Muitos internautas interpretaram as imagens como a representação de uma sinhá cercada por mucamas. 

"Aos 50 anos, a hora é de ação. Ouvi muito, preciso ouvir ainda mais. Quero agir em conjunto com as mulheres que têm a me ensinar e com quem mais estiver disposto a ser elo em uma transformação que se faz necessária. Meu compromisso é me colocar em (re)construção", escreveu a diretora, mulher do publicitário Nizan Guinaes.

Ela repostou ainda uma publicação do perfil oficial da revista, em que a Vogue Brasil lamenta o ocorrido e diz esperar que o debate gerado sirva de aprendizado. 

"Nós acreditamos em ações afirmativas e propositivas e também que a empatia é a melhor alternativa para a construção de uma sociedade mais justa, em que as desigualdades históricas do país sejam debatidas e enfrentadas", escreveu a publicação, anunciando a criação do fórum em "caráter permanente".

Meirelles já havia rebatido as críticas na rede social, negando que o tema de sua festa fosse a época colonial. "Nas fotos publicadas, a cadeira não era uma cadeira de Sinhá, e sim de candomblé, e as roupas não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa", publicou. "Ainda assim, se causamos uma impressão diferente dessa, peço desculpas."

Seis das dez baianas que fizeram parte do receptivo da festa de aniversário prestaram queixa nesta segunda-feira (12) na polícia, em Salvador, pelas ofensas sofridas nas redes sociais. O caso será investigado pela Polícia Civil da Bahia.

Uma das baianas que participaram do evento, Rita Ventura dos Santos, 63, diz que as mulheres foram chamadas de omissas e vendidas. "Estamos recebendo mensagens absurdas nas redes sociais. Chegaram até a perguntar quanto a gente cobrava para tomar chibatadas", afirma Rita, que também é presidente da Abam, associação das baianas de acarajé de Salvador.

A repercussão do caso fez com que as baianas perdessem dois outros contratos para trabalhos de receptivo. Os clientes estão temerosos que a presença das baianas nos eventos gerem repercussão negativa.

Rita dos Santos negou qualquer alusão à escravidão nas fotos. Ela afirma que as baianas foram contratadas apenas para recepcionar os convidados e que o objetivo era representar a diversidade cultural da Bahia - por isso foram escolhidas baianas jovens, idosas, negras, brancas, evangélicas e adeptas do candomblé.

Segundo Rita, as roupas para o evento foram escolhidas pelas próprias baianas e as cadeiras foram colocadas para que elas pudessem descansar.

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